Oposição ataca “esboço” de metrobus: “Presidente decidiu que é boa solução e depois faz-se estudos”
Durante o Período Antes da Ordem do Dia (PAOD) da sessão ordinária da Assembleia Municipal de Aveiro (AMA) do presente mês de setembro, o PS e o Livre mostraram-se contra a ideia de um MetroBus no Município de Aveiro. As críticas estenderam-se também à falta de sustentação para a isenção de pagamento das BUGAs na primeira hora de utilização e à “ausência de reflexão sobre as potencialidades” da Linha do Vouga. No período de respostas, Luís Souto, presidente da Câmara Municipal, não abordou o assunto.
Gonçalo Pina
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A primeira abordagem ao tema da mobilidade foi feita por Bruno Fonseca, deputado municipal eleito pelo Livre, que começou por falar do “abandono” da Linha do Vouga. A pensar na Semana Europeia da Mobilidade, o responsável questionou, depois de apontar que “não existem” soluções integradas no Município de Aveiro, que diligências estão a ser feitas junto do Governo e qual o compromisso que existem atualmente.
No mesmo sentido, e depois de Luís Souto ter declarado na passada semana a intenção de avançar com a ideia de trazer um MetroBus para Aveiro – recorde-se que, numa sessão dedicada à Semana Europeia da Mobilidade, o autarca avançou que já existe um “esboço” desenhado em colaboração com a Universidade de Aveiro (UA) e com a Câmara Municipal de Ílhavo (CMI) -, Bruno Fonseca perguntou a Luís Souto se não seria melhor optar por um metro de superfície. A solução, considera, seria mais dispendiosa, mas estrategicamente faria mais sentido ao Município.
Mais tarde, foi a vez de Fernando Nogueira, novo líder de bancada do Partido Socialista, quem se debruçou sobre o tema da mobilidade. De entre os vários anúncios feitos por Luís Souto na passada semana, o deputado municipal afirma que o metrobus é a solução “mais estranha”: “Temos uma rede de transportes com déficit de utilização e até de avaliação - ainda não temos a avaliação de 2025 – e, sem qualquer sustentação ou quantificação, o senhor presidente decidiu que o MetroBus é uma boa solução e depois fazem-se os estudos”.
Para sustentar que os transportes não funcionam bem no concelho de Aveiro, o socialista referiu as “contas” que um estudante da Universidade de Aveiro (UA) residente em Cacia. Segundo indica o ex-vereador, entre Cacia e a UA, utilizando somente os transportes públicos hoje disponibilizados, o estudante gastaria semanalmente 10 horas e 16 minutos; se fizesse o mesmo trajeto de automóvel, apenas perdia uma hora e meia.
Fernando Nogueira falou também da Linha do Vouga, referindo-se à intenção de trazer um apeadeiro para junto do Estádio Municipal de Aveiro – Mário Duarte. Embora saúde a ideia, atira que a proposta é originalmente do PS e que foi apresentada “de forma avulsa, sem que fosse enquadrada em nenhuma reflexão sobre as restantes potencialidades do Vouguinha no sistema de mobilidade”.
Também saudado pelo socialista foi o anúncio da isenção de pagamento da deslocação no Ferry ‘Salicórnia’ para moradores na freguesia de São Jacinto. Não obstante, também aqui Fernando Nogueira disse que a iniciativa tinha sido do PS e que, quando foi apresentada em sede de reunião de Câmara, o executivo municipal “apoucou” e considerou a proposta como “populista”.
Ainda a pensar nos moradores de São Jacinto, Fernando Nogueira atirou ao executivo ao dizer que a medida deixa de fora o transporte de automóveis e que “não parece preocupar” a Câmara que a linha dedicada da AveiroBus que servia o Ferry tenha sido substituída por uma linha da Busway “que não garante uma ligação eficiente a Aveiro”.
A medida foi destacada também por Catarina Barreto, presidente da Junta de Freguesia de Aradas (JFA), que, numa altura em que se dirigia ao deputado do Livre sobre a sua intervenção em torno do passe verde, disse que, em termos de mobilidade, o colega se "estava a esquecer" da gratuitidade anunciada para São Jacinto.
O socialista assinalou ainda que a gratuitidade da primeira hora de utilização da BUGA é “bem-vinda”, mas “lamenta o teor experimentalista” da medida: “Onde é que estão os relatórios de utilização, os inquéritos a utilizadores e a potenciais utilizadores que nos permitam ajudar a perceber se a medida é adequada? Será que é este o verdadeiro problema da Buga?”
No período de resposta, Luís Souto não voltou a abordar a temática da mobilidade.
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