SC Beira-Mar: Clube prevê otimizar receitas em 26/27; Objetivo da Sociedade Desportiva mantém-se
A Assembleia Geral de associados do Sport Clube Beira-Mar da passada sexta-feira, dia 18, serviu para que fosse a aprovado o Plano de Atividades e Orçamento para a presente temporada de 2026/2027 – documento onde se prevê um resultado líquido negativo 100.000 euros mais otimista do que o homólogo da temporada passada. À Ria, Nuno Quintaneiro, presidente da direção do clube, enaltece a previsível “otimização de receitas”, renova o compromisso com a intenção de constituir uma sociedade desportiva até ao final do mandato e não adianta se se pretende recandidatar para o próximo triénio.
Gonçalo Pina
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No rescaldo da Assembleia Geral de Sócios da passada sexta-feira, dia 18, em que foi aprovado o Plano de Atividades e Orçamento para a presente temporada de 2026/2027, Nuno Quintaneiro, presidente da direção do clube, falou à Ria sobre o “quadro de continuidade” que se perspetiva. Segundo explica o dirigente, prevê-se novamente um “resultado previsível negativo” menos expressivo do que na temporada transata, embora se mantenha uma “aposta no ecletismo”.
A “otimização de receitas e maior contenção de custos” traduzem-se num resultado previsto de 94.993,68 euros negativos. Recorde-se que, no Orçamento para 2025/2026, o clube previa um resultado de 173 966,23 euros negativos.
À semelhança do que já tinha acontecido nos dois anos anteriores, o documento prevê que o déficit venha a ser colmatado pelo “proveito da sociedade desportiva”. “Renovamos um compromisso pelo terceiro ano, sendo que este é também o terceiro ano do mandato e, portanto, o último ano do mandato. É a última oportunidade que temos de concretizar […] o negócio da constituição da sociedade desportiva para o futebol”, explica.
Sobre este dossier, Nuno Quintaneiro diz não ter grandes novidades que possa adiantar. Embora haja “potenciais interessados” e possam “surgir boas perspetivas a curto prazo”, o presidente lembra que “este é um exercício que não é passível de balanço a meio caminho” – depois de o acordo com Breno Silva ter caído em junho de 2025, de o pré-acordo com investidores portugueses não ter chegado a bom porto e de as longas negociações com Marcel Boekhoorn não terem dado frutos, a direção do clube já tem um “currículo longo de derrapagem” e prefere ser cautelosa a abordar o tema.
Sem que nenhuma das negociações esteja “amadurecida ao ponto de poder ser apresentada”, Nuno Quintaneiro aponta como prazo para a constituição da sociedade desportiva o fim do mandato dos atuais órgãos sociais do clube – que termina em abril de 2027. Não obstante, o presidente diz que, “se chegarmos a uma situação em que até ao mês de março / abril não conseguimos ter uma solução já aprovada, não fará sentido depois a um / dois meses do ato eleitoral o clube estar a avançar”.
Em cima da mesa continua a possibilidade de retomar as negociações com Marcel Boekhoorn. Recorde-se que, quando o negócio caiu, Nuno Quintaneiro disse à Ria que o investidor neerlandês só estaria disponível para avançar a partir de janeiro, o que já estava fora dos timings impostos pelos beiramarenses. Nesse sentido, e caso não exista nenhuma parceria estabelecida até aí, o dirigente aponta que o clube “não fecha portas” e que está aberto à “possibilidade de reconsideração futura da parte de Marcel Boekhoorn ou de qualquer outro investidor que entenda a vir a jogo”.
Nuno Quintaneiro ainda não sabe se vai apresentar recandidatura
A pouco mais de meio ano das eleições para os órgãos sociais do SC Beira-Mar, Nuno Quintaneiro ainda não tem uma decisão tomada sobre uma possível recandidatura à liderança do clube. Para já, o dirigente diz que ainda é “prematuro” falar no assunto e refere que “estes processos de decisão são muito exigentes a vários níveis”.
“A nível institucional, temos de pensar sempre no que é melhor para o Beira-Mar. Esse tem de ser sempre o primeiro foco destes processos de decisão. Depois, obviamente, nós também temos de olhar um pouco por nós em termos pessoais e em termos profissionais”, completa.
Tendo em consideração que o grande objetivo do seu mandato era a constituição de uma sociedade desportiva, Nuno Quintaneiro reafirma que ainda “não abdicou” e que “gostaria imenso de deixar um legado […] de deixar o Beira-Mar em condições de poder encarar o próximo mandato com mais otimismo e com menos adversidades”.
A decisão de assumir uma eventual recandidatura acabou remetida para o início do próximo ano civil, algures entre fevereiro e março.
Mau arranque na temporada no futebol “não assusta”
O pontapé de saída da equipa principal de futebol do SC Beira-Mar na temporada 2026/2027 não está a ser o mais feliz: em quatro jogos a contar para o Campeonato de Portugal, três empates e uma derrota; na Taça de Portugal, uma vitória (apenas no desempate das grandes penalidades) e uma derrota, que ditou a eliminação da prova.
Questionado sobre este mau início, Nuno Quintaneiro garantiu que o clube não está “nada assustado”: “O campeonato é muito longo […] A classificação e a experiência dizem-nos que este campeonato é extremamente competitivo e que a classificação oscila todas as semanas”.
A principal mensagem do presidente é de que o importante “não é como começa, mas sim como acaba”. Consciente das armas de que o clube dispõe, o dirigente aponta que “as pessoas vão ver” a evolução da turma aveirense durante toda a temporada.
Dos assuntos discutidos durante a Assembleia, Nuno Quintaneiro aponta ainda que houve alguns sócios a trazer para cima da mesa a conduta de outros adeptos na bancada: “Alguns sócios manifestaram desconforto por entenderem que elementos da massa associativa do próprio Beira-Mar são os primeiros a prejudicar a própria equipa, manifestando para dentro do campo intranquilidade e insatisfação no recurso dos jogos […] Inclusive houve um sócio que solicitou à direção do clube se não era possível convencer os Ultras Auri-Negros, a claque, a regressar à bancada poente”.
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