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PS saúda regresso da Semana Europeia da Mobilidade a Aveiro, mas considera que ficou “aquém”

Em carta dirigida a Luís Souto Miranda, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, a Comissão Política da Concelhia (CPC) de Aveiro do Partido Socialista elogiou o regresso da Semana Europeia da Mobilidade ao Município, mas teceu algumas críticas sobre as iniciativas e medidas apresentadas. Segundos os socialistas, faltou ainda discutir assuntos como a rede pedonal e os corredores verdes de Aveiro, o estacionamento e a intermodalidade e dados e segurança rodoviária.

PS saúda regresso da Semana Europeia da Mobilidade a Aveiro, mas considera que ficou “aquém”

O Partido Socialista reagiu esta segunda-feira, dia 28, via carta enviada ao presidente da autarquia, à campanha da Semana Europeia da Mobilidade promovida pelo Município de Aveiro. Apesar de saudar o regresso da iniciativa e de considerar que “algumas [iniciativas] são interessantes e meritórias”, o partido acredita que “houve momentos em que a Semana Europeia da Mobilidade pareceu aproximar-se mais do espírito do Festival dos Canais ou da Aveiro Tech Week do que de uma semana destinada a discutir e transformar a forma como nos deslocamos diariamente”.

Recorde-se que, no início da Semana Europeia da Mobilidade, numa conferência dedicada ao tema, o presidente Luís Souto Miranda fez uma série de anúncios relativos à política de mobilidade do Município, nomeadamente: a intenção de trazer para Aveiro um metrobus que ligue a cidade a Ílhavo; a gratuitidade das BUGA durante a primeira hora de utilização; a gratuitidade do passe da travessia de ferry para residentes em São Jacinto; a vontade de criar um novo apeadeiro da Linha do Vouga junto ao Estádio Municipal de Aveiro – Mário Duarte; e o desejo de pedonalizar mais ruas no concelho.

Nesta carta endereçada ao presidente, o Partido Socialista aponta que “houve anúncios positivos”, mas não deixa de tecer comentários a cada um deles. A gratuitidade da travessia de ferry para residentes em São Jacinto, por exemplo, é algo que os socialistas saúdam, embora notem que a componente mais onerosa é a do passe mensal para veículos ligeiros de residentes. O valor deste passe, recorde-se, foi diminuído pelo atual executivo de 114,70 euros para 110 euros. A proposta do PS era mais "ambiciosa": os eleitos queriam que a redução fosse até aos 80 euros.

Neste texto, os socialistas insistem que deve ser “estudada uma solução por agregado familiar que permita associar um residente/condutor a uma viatura em condições especialmente favoráveis”.

No que ao metrobus diz respeito, o PS-Aveiro parte da mesma premissa utilizada por Rui Castilho Dias, vereador independente eleito nas listas do PS, num texto de opinião publicado na Ria: “a discussão parece ter começado pela própria solução”. “Entendemos que a ordem deveria ser inversa, ou seja, primeiro devemos perceber quais são os principais movimentos pendulares do concelho e da região, onde estão os maiores défices de oferta e quais são os problemas que queremos resolver. Depois devemos comparar soluções, custos, capacidade, procura, sustentabilidade financeira e tempos de implementação. Porque não estudar simultaneamente as ligações a Taboeira, Cacia, Azurva ou outros polos geradores de deslocações?”, referem.

O PS acrescenta que a ocasião também deve servir para que se discuta “o futuro da concessão da AveiroBus, a frequência e a cobertura das linhas, a qualidade dos veículos e uma rede de paragens devidamente equipada, com abrigos, acessibilidade, informação ao passageioro e condições adequadas de conforto e segurança durante a espera”.

Também positiva é, no entender dos socialistas, “a recuperação do princípio da gratuitidade da BUGA durante a primeira hora”. Não obstante, o PS-Aveiro não compreende o anúncio de um cartão que já tinha sido apresentado aquando do lançamento do novo sistema, em 2023. “O que merece explicação é perceber por que razão se pretende agora reforçar esse suporte físico e se essa opção resulta das dificuldades de funcionamento da aplicação”, apontam. Recorde-se que, aquando do anúncio, o presidente referia-se que este modelo servia para tornar as BUGA “mais acessíveis” a quem “não se dá bem” com a app.

Ainda sobre as BUGA, o partido pediu ao Município que divulgue regularmente os dados da utilização das bicicletas para conseguir “avaliar o modelo o fundamentar a sua evolução” e considerou que “essa evolução deve incluir uma ambição que consideramos essencial: alargar progressivamente a rede de estações BUGA às freguesias do Município”.

Sobre a intenção de pedonalizar a Rua Eça de Queirós – que esteve fechada ao trânsito durante toda a semana num “teste-piloto” -, o PS-Aveiro também considera que a ideia é positiva e que deve ser “ponderado o alargamento da solução a artérias próximas”.

“O mesmo se aplica à Avenida Dr. Lourenço Peixinho. Sempre defendemos a necessidade de diminuir o peso do automóvel na Avenida, melhorar as condições pedonais e reforçar a sua função urbana. Aguardamos, por isso, com interesse a divulgação integral do estudo em curso. Os primeiros dados apresentados mostram, contudo, um dado que merece atenção, comparando 2026 com 2018, o fluxo automóvel na Avenida diminuiu. Este dado, deve ser relacionado com a desacreditada tentativa de culpabilizar a abertura do túnel da estação, como responsável pelos problemas recentes da Avenida. Se temos hoje menos automóveis a circular na Avenida e, simultaneamente, problemas de circulação que o Executivo considera significativos, então não parece evidente que a explicação possa residir numa suposta carga viária facilitada pelo túnel”, frisam ainda.

PS-Aveiro acredita que ficou por discutir a rede pedonal, os corredores verdes, o estacionamento e a intermodalidade

Para além dos temas que foram abordados, os socialistas acreditam ainda que houve temas que ficaram por debater. Em primeiro, apontam, não se discutiu a rede pedonal e corredores verdes, tendo em consideração que “Aveiro precisa de conhecer verdadeiramente o estado da sua rede de passeios”. “Importa publicar um diagnóstico por freguesia: que percentagem dos arruamentos não dispõe de passeio ou de condições adequadas de circulação pedonal e onde estão as prioridades”, escrevem.

Da mesma forma, o Partido sublinha que “uma parte do tráfego no centro está associada à procura de estacionamento” e que os espaços já existentes na periferia “devem evoluir para verdadeiros pontos de park-and-ride, com ligações frequentes ao centro, recorrendo, onde faça sentido, a mini-autocarros regulares”. A mesma lógica, afirmam, deve ser utilizada para o centro de Esgueira.

O PS indica ainda que este devia ter sido o momento para apresentar dados sobre segurança rodoviária, para debater a mobilidade nas frentes das escolas, para “discutir seriamente as trotinetes” e para realizar “fiscalização efetiva”.

Quanto ao Dia Europeu Sem Carros, o PS avalia que “falhou no essencial”. Embora tenham sido fechadas algumas vias centrais da cidade, os socialistas assinalam que não foi reforçado o serviço de transportes públicos ou “uma experiência equivalente que permitisse às pessoas testar, naquele dia, uma alternativa particularmente atrativa ao automóvel”. Nas palavras do principal partido da oposição, “fechar ruas sem mostrar simultaneamente uma alternativa melhor corre-se o risco de gerar resistência e associar as políticas de mobilidade apenas a restrições”.

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