"Igualdade - uma luta diária", opinião de Sara Tavares
Sara Tavares é professora aveirense e deputada pelo Partido Socialista na Assembleia Municipal de Aveiro.
Sara Tavares
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Não nos podemos esquecer que a luta pela igualdade é um processo contínuo que exige vigilância, ação e compromisso diário. Sou da opinião que as palestras, as campanhas e os debates públicos desempenhem um papel relevante na sensibilização, no entanto, é no terreno, no contacto direto com pessoas e comunidades, que a mudança efetivamente ocorre.
A igualdade não é apenas um ideal, é, sem dúvida, uma prática que se concretiza em gestos, decisões e intervenções que podem transformar vidas. No trabalho social, a igualdade manifesta se na reconstrução de projetos de vida de pessoas em situação de sem abrigo, por exemplo. Cada intervenção que devolve autonomia, cada oportunidade criada, cada acompanhamento que permite recomeçar representa um ato concreto de justiça social.
Em várias comunidades, especialmente em ambientes, nos quais prevalecem normas conservadoras sobre o papel da mulher, a igualdade enfrenta barreiras profundas. Existem grupos que defendem que a mulher deve permanecer em casa, obedecer ao marido e abdicar do direito de decidir sobre o seu próprio corpo, incluindo a escolha de ter ou não ter filhos. Estas visões, embora presentes em diferentes partes do mundo, representam retrocessos que não podem ser normalizados nem permitidos.
A intervenção no terreno, através de formação, acompanhamento, apoio emocional e criação de oportunidades, permite que cada mulher desenvolva autonomia, descubra o seu foco de vida e exerça o direito fundamental de escolher o seu futuro.
A igualdade exige que todas as pessoas tenham liberdade de decisão, sem imposições externas que limitem a sua dignidade. A transformação social não depende apenas de discursos ou intenções, ela depende de atos e de profissionais que acompanham, orientam, protegem, escutam e abrem caminhos. Depende, indubitavelmente, de políticas que garantem direitos e de práticas que os tornam acessíveis.
Quando grupos conservadores tentam restringir direitos fundamentais, como a autonomia reprodutiva, a liberdade de escolha ou a participação plena das mulheres na sociedade, a resposta não pode ser apenas teórica. A resposta deve ser prática, firme e diária. Sempre que surgem movimentos que procuram limitar direitos, impor papéis rígidos ou silenciar escolhas individuais, a sociedade deve responder com clareza: nenhum retrocesso é aceitável.
Proteger a igualdade significa agir, significa, igualmente, estar presente e garantir que cada pessoa, independentemente da sua origem ou contexto, tenha o direito de decidir sobre a sua vida. A mudança acontece no terreno, e é aí que a igualdade se defende e se constrói todos os dias.
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