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“Quando uma estrada muda muito mais do que a mobilidade”, opinião de Leonardo Maio

Leonardo Maio é natural de Aveiro, licenciado em Marketing e Negócios Internacionais e pós-graduado em Direção Comercial pelo ISCAC | Coimbra Business School. Foi representante da Licenciatura no Conselho Pedagógico e, atualmente, integra a Comissão Política Nacional da JSD, é Deputado Municipal em Aveiro e Presidente da JSD Aveiro.

“Quando uma estrada muda muito mais do que a mobilidade”, opinião de Leonardo Maio

Há investimentos que resolvem problemas. Outros têm a capacidade de mudar o rumo de um território. O Eixo Rodoviário Aveiro–Águeda pertence claramente à segunda categoria.

Depois de décadas de espera, é com satisfação que assistimos à passagem gradual deste projeto do papel para o terreno. Avançaram os procedimentos associados às expropriações e foi lançado o concurso público para a construção da nova ligação.

Como acontece com qualquer obra desta dimensão, existirão dores de crescimento, dúvidas, impactos e legítimas preocupações entre as populações abrangidas. Caberá às entidades responsáveis garantir diálogo, transparência e o devido acompanhamento de todos os proprietários afetados.

Ainda assim, não podemos perder de vista a dimensão estratégica deste investimento.

O Eixo Rodoviário Aveiro–Águeda será uma infraestrutura essencial para reforçar a mobilidade, a competitividade económica e a coesão territorial da região. O projeto prevê uma ligação com cerca de 14 quilómetros que irá permitir encurtar em 40% o percurso atual e em 65% a duração da viagem passando a fazer-se num tempo estimado de 10/15 minutos.

Mas esta obra representa muito mais do que uma viagem mais rápida.

Representa uma resposta ao congestionamento da EN230, uma aproximação entre dois importantes polos industriais e a criação de melhores condições para a circulação de pessoas, bens e conhecimento. O próprio projeto assume como objetivos a redução dos tempos de percurso, o aumento da competitividade e a resposta à dinâmica económica existente entre Aveiro e Águeda.

Para Águeda, os objetivos são evidentes. Uma ligação rodoviária mais eficiente à rede nacional é uma necessidade antiga de um município fortemente industrializado, exportador e gerador de emprego.

Para Aveiro, o impacto poderá ser igualmente transformador.

Muitos jovens aveirenses estudam, trabalham ou procuram oportunidades fora do concelho. Nem todos o fazem por escolha. Fazem-no também porque as oportunidades profissionais existentes não acompanham, ainda, o talento e as qualificações que Aveiro produz. Uma ligação mais rápida a Águeda alarga o mercado de trabalho disponível, aproxima empresas de trabalhadores e permite que um jovem possa construir a sua carreira na região sem ter de reorganizar completamente a sua vida.

É também uma oportunidade para fortalecer o papel de Aveiro enquanto capital de distrito. Hoje, diferentes zonas do distrito continuam a tender naturalmente em torno de centros fixos, como o Porto e Coimbra. Na Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro existe cooperação e complementaridade, mas ainda falta consolidar uma verdadeira rede regional centrada em Aveiro.

Essa afirmação não se conquista através de títulos administrativos. Conquista-se criando ligações, concentrando conhecimento, atraindo investimento e tornando Aveiro indispensável à vida económica e social da região.

O novo eixo poderá igualmente aproximar os dois polos da Universidade de Aveiro e os ecossistemas de inovação dos dois municípios. É uma universidade de referência e os municípios têm uma ligação histórica à indústria, à tecnologia e ao empreendedorismo. Aproximar estes dois mundos pode gerar novas parcerias, projetos de investigação, estágios, emprego qualificado e oportunidades empresariais.

Existe ainda um potencial evidente para acelerar o desenvolvimento da Zona Industrial de Eixo/Oliveirinha. Na minha opinião, esta ligação deve ser pensada de forma a servir plenamente essa zona e a encaminhar o tráfego para as grandes vias rodoviárias, evitando acrescentar mais pressão automóvel ao centro de Aveiro.

Uma estrada mede-se menos pelos quilómetros que tem e mais pelas oportunidades que cria.

Aveiro e Águeda são dois municípios com vida, juventude, cultura, conhecimento e capacidade empresarial. Quando dois territórios com estas características ficam verdadeiramente ligados, mais do que somarem forças, multiplicam oportunidades.

Este projeto não surgiu por acaso. É o resultado de anos de planeamento, persistência e capacidade de concretização por parte das entidades envolvidas. É justo reconhecer o trabalho desenvolvido pelos dois municípios ao longo de sucessivos mandatos para que esta infraestrutura chegasse finalmente à fase em que está.

Poucas obras têm potencial para transformar uma região como esta. Cabe-nos agora garantir que esse potencial é plenamente concretizado. O caminho está finalmente aberto.

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