Autárquicas: Debate sobre a mobilidade em Aveiro marcado pela unanimidade entre os candidatos
A Ciclaveiro promoveu, este sábado, 29 de março, uma mesa-redonda sob a temática “(Re)pensar a repartição do espaço público para a promoção de políticas públicas de mobilidade ativa em Aveiro”. A iniciativa decorreu no Edifício Atlas e contou com a presença dos candidatos às eleições autárquicas de Aveiro.
Isabel Cunha Marques com Ana Patrícia Novo
JornalistasÚltimas
Alberto Souto de Miranda (PS), João Almeida (PAN), João Moniz (BE), João Quintela (Livre), Luís Souto (PSD/CDS/PPM) e Miguel Gomes (IL) foram os representantes dos partidos políticos locais presentes no debate. Com moderação de Sara Moreno Pires, docente no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) na Universidade de Aveiro (UA), o debate iniciou-se com a exibição de um pequeno vídeo resumo sobre os objetivos que a cidade de Utrecht, na Holanda estabeleceu, relativamente à mobilidade, para o ano de 2050. Posteriormente, os candidatos foram desafiados a construir uma visão estratégica, desta vez, para o futuro de Aveiro.
Para Miguel Gomes a mobilidade deve ser pensada de uma “forma integrada”. No que toca aos transportes públicos, em Aveiro, o candidato da IL referiu ser necessário “conforto” e “rapidez”. “Uma pessoa não pode demorar tempo excessivo que prefira ir de carro… É necessário repensar (…) e tem de ser regular (…)”, defendeu. Neste seguimento, sugeriu ainda uma rede de ciclovia, na cidade, que una não só as freguesias, mas também a região. “Precisamos de uma rede de ciclovias ligadas (…) começando por unir a estação de Aveiro às outras paragens”, vincou. Já na ferrovia, o candidato da IL falou sobre o caso da Linha do Vouga que une, atualmente, Aveiro a Águeda defendendo que a mesma deve ser repensada através da implementação de um projeto que conecte Águeda, Aveiro e Ílhavo “através de um LRT, um metro ligeiro”.
Alberto Souto de Miranda afirmou ter para 2050 uma visão do espaço público “descarbonizada e sustentável” mas que “tem de ser também antropocêntrica”. Apontou que nos próximos quatro anos a aposta tem de passar por criar “um espaço com menos automóveis e mais transporte público”. “Temos de reconquistar o espaço público dos automóveis”, frisou Alberto Souto. Para o candidato socialista, a aposta na partilha de transportes e a utilização da bicicleta tem também de ser um foco, assumindo querer uma cidade “preparada para cumprir a estratégia nacional”, sublinhando o potencial da bicicleta na promoção da saúde e bem-estar da população.
Também João Moniz concordou com a ideia do socialista de que é necessário tirar os carros da cidade. Nesse sentido, o candidato bloquista entende que “as políticas urbanas que se esperam para uma cidade que se quer preparada para 2050 tem de reverter” essa realidade. O candidato referiu que a prioridade do BE é “democratizar o espaço público, não só com políticas de mobilidade como também com políticas de regulação dos solos e do edificado”.
O bloquista referiu ainda que iria “abrir as hostilidades” no debate considerando existir “um elefante na sala gigantesco: a concessão e a privatização da MoveAveiro”, entendeu. “É impossível ter políticas de mobilidade (...) sem a reversão da MoveAveiro e da recuperação dos serviços de transportes públicos para a esfera do município”, frisou.
Luís Souto referiu, por sua vez, que é necessária “ambição” do Município e que isso passa, em primeiro lugar, pela mudança de mentalidade das pessoas, lançando ao público o desafio sobre quantos deles utilizavam as vias cicláveis. Particularizando sobre algumas das soluções, o candidato social democrata propôs um “Plano Municipal de expansão da rede ciclável” que funcionaria, por exemplo, através da criação de um passaporte municipal.
Neste seguimento, João Quintela lançou uma provocação aos restantes candidatos questionando-os: se há um consenso “porque é que as coisas ainda estão como estão?”. Para o candidato do Livre é necessário trabalhar. “Estes problemas têm de ser vistos de forma mais integrada (…) O espaço público deve ser agregador (…) O espaço não pode ser só praças e jardins incluindo os passeios e as ruas. Temos de pensar mais geral”, refletiu.
João Quintela defendeu ainda que é necessário trazer as pessoas de novo para a cidade e que o espaço público deve ser um “espaço aberto”. “O espaço público é do público”, vincou.
No que toca aos transportes públicos, tal como os restantes candidatos, reconheceu que é necessária uma “rede integrada”, de “proximidade” e com “interligação modal de todos os transportes”.
Neste seguimento, João Almeida, candidato pelo PAN, acrescentou que é necessário “que se faça um processo participativo” para se pensar a mobilidade na cidade de Aveiro. “Vemos muito betão e asfalto (…) é preciso pensar o urbanismo de outra forma”, refere. O candidato defende, assim, a necessidade de “esboçar um plano de mobilidade” e defendeu a intermodalidade da bicicleta com os transportes públicos. “Estamos particularmente atrás das zonas metropolitanas”, apontou.
Já numa segunda ronda de questões, Sara Moreno Pires questionou ainda os candidatos sobre os dados dos censos sobre a mobilidade suave da cidade e da região e sobre como é possível mobilizar a população para este tipo de mobilidade. “Os dados dos censos mostram que invertemos a visão de futuro”, lançou a moderadora.
No que toca a propostas concretas, Miguel Gomes realçou que é necessário um “plano atualizado” que conte com “todos” [privados e públicos]. No que toca aos transportes públicos atuais, o candidato da IL defendeu que a empresa responsável pelos mesmos tem “capacidade de investimento” e que é necessário “continuar a modernizar” a frota de autocarros.
Ainda nas propostas, Miguel Gomes recordou que a Câmara Municipal de Aveiro também tem de fazer o seu trabalho, dando como exemplo a Avenida Europa e defendendo que é necessário requalificar a mesma. Como medidas apontou, entre outras, implementar mais faixas de autocarros e melhorar os atuais passeios. Miguel Gomes falou ainda sobre o caso da “BUGA- Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro” realçando que o serviço da mesma está “muito limitado” e que é necessário que a mesma vá “até outras freguesias”.
Para o candidato da IL também a Universidade de Aveiro (UA) pode ter um papel importante na mobilidade suave da cidade apontando a Zona Tecnológica Livre (ZTL) como um bom recurso para tal. “Temos de colaborar com a UA para implementar novos projetos para melhorar a mobilidade”, defendeu.
Já Alberto Souto apontou que “os dados são um retrato e a função da política é também transformar a realidade: não é só adequar as propostas à situação tal como ela está ”. O candidato socialista referiu ser necessário “termos a coragem de pedonalizar todo o centro histórico”, apontando como medidas concretas a retirada do trânsito e estacionamento, “permitindo apenas cargas, descargas, moradores e veículos de emergência” na Avenida Lourenço Peixinho de forma a “recuperar a avenida para as pessoas”. O candidato socialista apontou ainda ser necessário melhorar a rede de transportes públicos, idealizando, com a ZTL da UA, que “Aveiro pode ser a primeira cidade (...) que tenha autocarros autónomos, sem condutores”. Também em relação à ferrovia, Alberto Souto vê, à semelhança da IL, o metro de superfície como uma solução.
A criação de pistas cicláveis que sirvam e liguem as populações do centro às freguesias foi também uma medida apoiada por Alberto Souto, que apontou ainda a criação de “estacionamentos periféricos”. “Se nós apostamos nesta via de retirar todo o tráfego dos centros, nós temos que encontrar soluções de estacionamento periférico”, reiterou.
Em resposta a Alberto Souto, o candidato social democrata atirou ao socialista que enquanto esteve na Câmara de Aveiro [de 1998 a 2005] “não fez nada” e que “além do mais, abriu uma frente sobre a Avenida (...) criando uma condicionante fortíssima que foi a abertura do túnel (...) O PSD contestou exatamente essa opção, dizendo que isso ia condicionar o futuro da Avenida”. “É muito bonito pensarmos que vamos fechar grande parte da Avenida [Lourenço Peixinho] (…) e ficar tudo pedonalizado e o que se faz com aquele investimento que foi feito com dinheiros públicos?”, questionou, apesar de reconhecer que ainda há “ajustes a fazer”.
Como propostas concretas referiu querer trazer para a ordem do dia a Semana Europeia da Mobilidade sugerindo, entre outros, a criação de ações simbólicas. No entanto, para Luís Souto é preciso saber escolher os dias para que não haja perturbação às atividades económicas. “É preciso dar de comer às pessoas”, relembrou. Como os restantes candidatos disse ainda ser necessário um plano ambicioso municipal feito com, entre outros intervenientes, as pessoas, a universidade e as empresas.
João Moniz considerou que “além de medidas concretas é preciso criar uma abordagem holística e sistemática da mobilidade”, apontando como principal prioridade do Bloco, relativamente à mobilidade, a remunicipalização do transporte público em Aveiro. “O instrumento que o BE propõe é uma empresa pública de transportes públicos que deve ser intermunicipal”, reforçou.
O candidato bloquista referiu ainda que “existem pré-existências (…) que têm de ser lidadas (…) mas temos de ter uma lógica diferente”, criticando a proposta de Alberto Souto da criação periférica de parques de estacionamento. “É preciso haver coerência não só no plano de mobilidade e no terreno, mas também nas propostas que se trazem a debate”, atirou.
João Quintela voltou a lembrar que não podemos “impor” este tipo de mobilidade aos aveirenses e que é necessário “falar com as pessoas”. “É possível ter um espaço público ciclável (…) onde as pessoas se mexam do ponto a ao ponto b”, defendeu. No entanto, o mesmo não é possível com as ciclovias atuais referindo que as mesmas são “curtíssimas”. “Temos de ter uma rede de ciclovias ligada (…) As pessoas têm de ir para Oliveirinha, Cacia…”, apontou.
Como medidas concretas afirmou, entre outros, os transportes públicos de proximidade “mais frequentes e mais pequenos”, o uso da ferrovia e a necessidade de haver mais locais onde se possam deixar bicicletas em segurança.
Ainda no campo das propostas, o PAN reforçou ser necessário “mudar o chip internamente” antes de se criarem políticas públicas para a mobilidade. Recomendou como necessária a criação de “uma equipa de urbanismo tático”, bem como o reforço da colaboração com entidades e a auscultação da população.
O debate foi ainda aberto ao público onde foram feitas questões, entre outras, sobre a segurança na deslocação de bicicleta na cidade e até propostas como a do pequeno André em que pediu aos candidatos para avaliar a exequibilidade de um jacuzzi municipal na cidade.
O debate pode ser revisto na íntegra através do facebook da Ria.
Últimas
Recomendações
Procissão de Santa Joana obriga a cortes de trânsito no centro de Aveiro
A realização da Procissão de Santa Joana Princesa, no âmbito das comemorações do Feriado Municipal, vai motivar diversos cortes e condicionamentos de trânsito na cidade de Aveiro no próximo dia 12 de maio. As restrições à circulação automóvel terão lugar entre as 16h00 e as 18h00, acompanhando o itinerário religioso que terá início na Sé de Aveiro.
CMA apresenta Festas do Município com município de Cabo Verde como convidado e foco em Santa Joana
A Câmara Municipal de Aveiro (CMA) divulgou o plano celebrativo das Festas do Município de Aveiro 2026, que decorrerão entre os dias 6 e 16 de maio. O programa deste ano, dedicado a enaltecer a figura de Santa Joana, padroeira da cidade e diocese, introduz o conceito de “Município Convidado”, sendo Santa Cruz, de Cabo Verde, a entidade escolhida para esta edição.
Tribunal de Contas desmente acusação de Luís Souto relativa ao Parque de Campismo de São Jacinto
Na reunião do executivo camarário aveirense da passada segunda-feira, dia 4, Luís Souto, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), responsabilizou o Tribunal de Contas pelos atrasos na obra – que já devia estar terminada e que ainda não começou. O Tribunal de Contas respondeu ontem, dia 6, via comunicado, a dizer que pediu “documentos e informações” à autarquia no dia 7 de janeiro, mas não obteve resposta.
Projeto de ampliação do Hospital de Aveiro já foi adjudicado e deve estar pronto até agosto de 2027
A Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro (ULS-RA) adjudicou o projeto de especialidades para o novo edifício de ambulatório do Hospital de Aveiro, por 1,255 milhões de euros, informou hoje, dia 7, fonte hospitalar à agência Lusa.