AveiroExpo: Presidente não esclarece dúvidas sobre atuação de Diogo Machado para evitar “campanha”
Na reunião de Assembleia Municipal da passada quarta-feira, dia 8, foi levado a votação o “Relatório Final dos Liquidatários e Demonstrações Financeiras da Aveiro Expo". Durante a discussão, José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), abordou a queixa-crime apresentada contra si e contra o vereador independente Rui Soares Carneiro por Diogo Soares Machado, ex-diretor da AveiroExpo e candidato à autarquia pelo Chega, na sequência da discussão sobre este assunto em reunião de Câmara. O presidente disse “não querer alimentar o processo” de forma a fugir à luta partidária que se avizinha.
Redação
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Na sua intervenção, que Nuno Teixeira, deputado municipal do PCP, apelidou de “grande obra” do mandato, Ribau Esteves começou por dizer que a liquidação formal da AveiroExpo tinha sido traçada como “linha vermelha” a atingir até ao término das suas funções. Congratulando-se por ter conseguido atingir o objetivo a quatro dias das eleições autárquicas, Ribau Esteves não deixou de falar sobre a queixa-crime apresentada pelo candidato do Chega contra si.
Recorde-se que, depois de, na última reunião de Câmara ter sido mencionada pelo vereador Rui Soares Carneiro uma dívida de 20 mil euros que Diogo Soares Machado terá à AveiroExpo, o candidato do Chega reagiu em conferência de imprensa ao apresentar uma queixa-crime contra o vereador e contra o presidente.
Durante a Assembleia, Ribau Esteves disse que em momento nenhum tinha mencionado o nome do antigo dirigente porque já sabia que se ia gerar um “bruá absurdo”. No entanto, Rui Soares Carneiro, vereador eleito pelo PS que, entretanto, perdeu a confiança política do partido – com que Ribau Esteves, em tom de brincadeira, disse “já ter afinidades” - , acabou por levantar o nome de Diogo Soares Carneiro numa interpelação que, diz o autarca à Ria, foi “legítima”.
O autarca assinala mesmo ter tentado fugir a mencionar o nome do candidato do Chega por já o conhecer “há muitos anos”. “Tenho uma coleção de emails [de Diogo Soares Machado] a tratar-me do pior que já fui tratado na minha vida, a ameaçar-me da pior violência […] O que é que eu faço ao e-mail? Imprimo para uma pilha que lá tenho e faço delete”, acrescentou.
Para explicar o processo, Ribau Esteves começou por explicar o que são as “imparidades”. Segundo afirma, quando tem uma despesa em nome da Câmara, usa o cartão de crédito da CMA, pede fatura com o número de contribuinte da autarquia e, mais tarde, quando chega ao seu gabinete, preenche uma folha onde justifica a despesa. No entanto, aponta, Diogo Soares Machado não fazia as coisas da mesma forma: “Levantava dinheiro das máquinas e depois apresentava os comprovativos da despesa. É uma coisa muito original, mas era assim”.
Nesse sentido, diz Ribau Esteves, as imparidades não resultam necessariamente de dinheiro que saiu da empresa e que não voltou a entrar, mas que podem ser apenas despesas não justificadas.
Em entrevista à Ria, quando questionado sobre o porquê de a CMA não ter tentado pedir os documentos ao longo dos últimos anos, o presidente respondeu que “a pergunta que tem de fazer é outra. É à pessoa em causa dizer: «Dê-me uma cópia dos documentos que comprovam que você usou os 20 mil euros». Não é a mim estar aqui com conversas que me vão envolver numa disputa eleitoral”.
Ribau Esteves afirma que Diogo Soares Machado pode alegar que “por algum motivo não os [documentos] quis entregar, ou não pôde, ou sei lá, perdeu, ou perdemo-los nós. Podia haver uma tese: «Olha, está aqui a cópia, e a empresa perdeu os papéis»”.
Na discussão, o autarca encontrou a concordância de praticamente todos os partidos. Nuno Teixeira, do PCP, afirma que a empresa “foi quase ‘jobs for the boys’” e que “um deles mordeu a mão do dono”. Já João Moniz, do Bloco de Esquerda, disse que ia ter cuidado nas palavras para “não ser processado” e perguntou a Ribau Esteves se a dívida existe, a quanto corresponde e como caracteriza a gestão de Diogo Soares Machado.
Jorge Girão, do CDS-PP, frisou que o ex-diretor da AveiroExpo já não tem qualquer ligação ao seu partido e considerou que não havia vantagens em dar tempo de antena a Diogo Soares Machado na discussão. Mário Costa, do PS, pediu apenas para que o presidente esclarecesse se era verdade que, rondando as imparidades os 20 mil euros, se Diogo Soares Machado foi indemnizado em cinco mil euros, como tem alegado. Manuel Prior, do PSD, usou da palavra apenas para celebrar a liquidação da empresa, tal como constava no programa eleitoral da coligação ‘Aliança com Aveiro’ em 2021.
Fugindo a responder à maioria das perguntas para, segundo diz, não se envolver na disputa eleitoral – o presidente disse mesmo que gostava que o processo tivesse chegado à Assembleia mais cedo, de forma a poder discutir com maior clareza -, Ribau Esteves explicou apenas que o processo conduzido por Diogo Soares Machado contra a empresa não tem relação direta com este caso. O processo “era sobre questões laborais, da relação laboral deu com a empresa, antes da minha chegada […] E aquilo que se dá como sanado, com a decisão que a juíza do processo tomou, tem a ver com essa relação”, disse o autarca à Ria.
Ribau Esteves acrescentou ainda que, mesmo depois de sair da Aveiro Expo, Diogo Soares Machado ainda fez uso do cartão de crédito da empresa “em cerca de 700 euros”. “Aí não havia dúvidas, obviamente repôs […] Foi a única coisa que conseguimos que fosse devolvida”, concluiu.
Diogo Soares Machado ataca Ribau Esteves e diz que “é tempo de deixar o Ministério Público fazer o seu trabalho”
O candidato do Chega reagiu na tarde de ontem, dia 9, através de uma publicação do Facebook. Nas suas palavras o presidente da Câmara Municipal de Aveiro “não percebeu ainda que o seu tempo acabou” e que “é tempo de reparar os danos graves que 12 anos da sua governação inflingiram a Aveiro”.
A primeira medida do Chega caso ganhe as eleições no Município é, segundo o candidato, “solicitar com carácter de urgência uma auditoria exaustiva” aos últimos três mandatos da autarquia. Conforme aponta, “nessa altura se verá quem abusou sistematicamente do dinheiro dos impostos dos aveirenses”.
Diogo Soares Machado acusa ainda Ribau Esteves de ter tentado “impor como sucessor o seu número dois [Rogério Carlos]” para “manter as gavetas mais sujas fechadas e os dossiers mais sensíveis no segredo dos cúmplices”. Como não o conseguiu, afirma o candidato, “tenta arrastar pessoas de bem para o lamaçal onde sempre se moveu”.
De acordo com o candidato do Chega, as declarações do autarca em sede de Assembleia Municipal vão ser “anexadas à queixa-crime por difamação agravada”. Nesse sentido, diz ter a consciência “absolutamente tranquila” e reafirma ter em sua posse uma sentença do tribunal que diz “preto no branco que não devo e nunca devi um cêntimo à Aveiro Expo”.
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