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Diogo Soares Machado vai mesmo assumir pasta da Proteção Civil

Foi ontem, dia 4, confirmado à Ria por Luís Souto, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), que Diogo Soares Machado, vereador eleito pelo Chega, vai assumir a pasta da “Proteção Civil e dos Bombeiros” – deduz-se que deve ficar com o pelouro da Segurança e Proteção Civil, atualmente nas mãos do vice-presidente Rui Santos. A última reunião de Câmara voltou a ser palco de discussão do acordo entre PSD e Chega, com o presidente a acusar a oposição de “radicalização”.

Diogo Soares Machado vai mesmo assumir pasta da Proteção Civil

Finda a reunião de executivo camarário de ontem, a Ria voltou a conversar com Luís Souto sobre o acordo firmado entre PSD e Chega para conseguir maioria na autarquia. A grande novidade foi o anúncio das pastas que Diogo Soares Machado vai assumir: a “Proteção Civil e os Bombeiros”, uma causa o próprio vereador tem abraçado desde o início da campanha eleitoral.

Pode-se assim assumir que o pelouro de “Segurança e Proteção Civil”, à responsabilidade do vice-presidente Rui Santos, passa agora para Diogo Soares Machado. Recorde-se que este foi o desfecho inicialmente indicado pela Ria, que noticiou no passado dia 24 que era um cenário já a ser equacionado nos bastidores da cena política aveirense.

Questionado se Diogo Soares Machado ficaria unicamente responsável por este dossier, o presidente respondeu: “E já é muito! São áreas de enorme responsabilidade”.

Alberto Souto chamou o Chega de “salazarento”; Diogo Soares Machado não gostou e Luís Souto notou que “Salazar também terá tido as suas qualidades”

A discussão entre Diogo Soares Machado e Alberto Souto, candidato do PS nas últimas autárquicas e ex-presidente da Câmara Municipal de Aveiro, já se tem arrastado online ao longo das últimas semanas. ´

Quem começou foi o vereador eleito pelo Chega, que, num artigo de opinião publicado na AveiroMag – na altura já em resposta a João Ribeiro, deputado municipal socialista. Depois de João Ribeiro ter apelidado de "conluio pós-eleitoral", "maiorias artificiais" e traição à "vontade popular" o acordo entre PSD e Chega, Diogo Soares Machado respondeu que o acordo firmado em 1996 entre Alberto Souto e o CDS-PP seguia exatamente a mesma lógica.

A resposta surgiu no Facebook, onde Alberto Souto apelidou o artigo de “cardápio de caquinha mole” e sublinhou: “é verdade que nos meus mandatos fiz entendimentos com vereadores que tinham sido eleitos pelo PSD […] Nada tenho contra consensos locais. Mas tenho tudo contra acordos com partidos anti-Abril, salazarentos, racistas e xenófobos”.

Num primeiro momento, Diogo Soares Machado voltou a recorrer ao artigo de opinião na AveiroMag, mas ontem acabou por tirar a discussão do ‘online’ para a colocar na ordem do dia na reunião de Câmara. “O Partido Socialista é useiro e vezeiro em tentar moralizar em tentar moralizar a vida pública, em atirar a ética para cima da mesa da política, em chamar-me fascista, xenófobo, racista e salazarento […] e reiteradamente exige explicações, mas reiteradamente não dá nenhuma”, apontou o vereador.

A declaração surgiu após ter perguntado ao presidente se chegou à CMA um pedido de segunda suspensão de mandato de Alberto Souto, que, apesar de ter sido eleito, se colocou de fora da autarquia no início do mandato, alegando “razões pessoais” – nomeadamente, disse durante a campanha eleitoral, não queria desgastar a relação com o irmão Luís Souto ao fazer oposição no órgão.

Por seu lado, Luís Souto garantiu que não chegou nenhum documento à Câmara Municipal, ao que o vereador questionou se isso significa que o mandato não está suspenso. “Vamos ter de analisar”, referiu o presidente.

A Alberto Souto, Diogo Soares Machado disse ainda, citando António Aleixo: “És um rapaz instruído, / És um doutor, em resumo, / És um limão, que espremido, / Não dá caroços nem sumo”.

Luís Souto não quis, no entanto, deixar de “lamentar” a linguagem escolhida pelos eleitos do Partido Socialista. O presidente queixou-se de que os socialistas o acusaram de “tiques ditatoriais”, respondendo com um verso do hino da Mocidade Portuguesa: “Lá vamos, cantando e rindo”.

Recordando o episódio em que um militante do PS atirou um cocktail molotov contra a ‘Marcha pela Vida’, a 21 de março, - apelidando-o de “atentado terrorista” -, o autarca considerou que o PS se está a “radicalizar”. O fenómeno, no seu entendimento, acaba por ter repercussões na política local: “Tem pessoas que localmente chamam ditadores e Salazar […] Não sou eu que vou defender o Salazar, mas também terá tido as suas qualidades”.

“A democracia não pode ser só para um lado. Isso acontece lá nas chamadas democracias populares, que de democracias só têm o nome […] O respeito tem de existir aqui e no que se manda escrever nos jornais e noutros projeto”, apontou ainda.

Paula Urbano Antunes, do Partido Socialista, respondeu que “não compete a esta Câmara vir aqui fazer comentários sobre o que se escreve na comunicação social”.

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