IL propõe “novo centro de vida urbana” na antiga lota e recusa mais “luxo à beira-ria”
A Iniciativa Liberal (IL) apresentou uma proposta para o futuro do terreno da antiga lota de Aveiro, defendendo a criação de um “novo centro de vida urbana”, em alternativa à construção de “mais condomínios de luxo”. O partido propõe a criação do “LOTA – Lugar de Oportunidades, Turismo e Ambiente”.
Redação
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“Aveiro não precisa de mais condomínios de luxo à beira-ria. Precisa de espaços vivos, abertos, que sirvam todos os aveirenses — e não apenas uma elite”, afirma a IL, numa nota enviada à Ria, no passado sábado, 19 de julho. O partido considera o terreno da antiga lota, em pleno centro da cidade, como “a frente lagunar mais subvalorizada de Portugal”, sublinhando que se trata de uma área com “luz, espaço e história — tudo por aproveitar”.
A proposta da IL rejeita expressamente a privatização do espaço para fins habitacionais de luxo. “Não será mais um conjunto de apartamentos fechados a quem cá vive. Não será mais uma oportunidade entregue à especulação imobiliária”, garante a nota. Em vez disso, o partido defende um projeto “útil, acessível e vivo — pensado para todos”.
A visão apresentada inclui a criação de esplanadas, bares e restaurantes junto à água, zonas verdes amplas com ciclovias, parques infantis e áreas para desportos náuticos. Está também prevista a construção de um pavilhão multiusos moderno, destinado a concertos, congressos e eventos culturais, bem como espaços de apoio à criação artística e associativa. A animação noturna seria regulada, mas com horários alargados.
“Este é o momento de dar um novo significado à antiga lota”, lê-se ainda na nota, onde a IL apela a uma requalificação com “visão, transparência e impacto real”. “Porque LOTA-Lugar de Oportunidades, Turismo e Ambiente não deve ser privatizada em luxo. Deve ser devolvida à cidade como lugar de encontro, partilha e futuro”, finaliza.
Recorde-se que a antiga lota também já foi tema central da iniciativa “Rota das Oportunidades”, promovida por Alberto Souto de Miranda, candidato do PS à Câmara de Aveiro. Na ocasião, Alberto Souto descreveu o local como “o maior impasse e o maior buraco urbanístico” da cidade. “São cerca de 11 hectares a 300 metros do centro da cidade e há mais de 20 anos que o impasse persiste. Há cerca de 40 anos que não há aqui atividade piscatória e portuária que o justifique”, afirmou, lembrando que foi ainda durante o seu mandato que deixou o plano da Polis para requalificar toda aquela área. “20 anos passados nada aconteceu”, criticou.
O candidato socialista sublinhou, no entanto, que “finalmente foi possível chegar a um acordo entre o Porto de Aveiro e a Câmara Municipal”, mas lamentou que a zona continue por concretizar. Para Alberto Souto de Miranda, este é um espaço com potencial para “criar futuro, não para fazer mais do mesmo”. Defende uma abordagem diferente da anunciada pelo atual executivo, que considera centrada em “muita construção e poucas árvores”. Em alternativa, propõe “muitas árvores e alguns imóveis de qualidade, que sejam uma referência da arquitetura nacional e de que nos possamos orgulhar”.
Em resposta às críticas lançadas pelo socialista, José Ribau Esteves, presidente da Câmara de Aveiro, afirmou à Ria que já há “um projeto em curso” para a antiga lota. “Estamos a formalizar o projeto de execução e temos um fundo comunitário aprovado, do ITI [Instrumentos Territoriais Integrados] das Redes Urbanas, no caso das Cidades Azuis, que vai comparticipar uma primeira fase das obras de urbanização e infraestruturação daquele terreno”, disse.
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