Montenegro, Souto e Ribau alinhados contra “retroescavadora” da oposição na última ação da ‘Aliança’
No último dia da campanha eleitoral destas autárquicas, a ‘Aliança com Aveiro’ voltou a trazer Luís Montenegro, presidente do PSD e primeiro-ministro, para participar num comício da coligação. Durante o seu discurso, o líder dos sociais-democratas aludiu à dívida deixada pelo executivo liderado por Alberto Souto ao dizer que “aqueles que estiveram antes de nós depauperaram as finanças do Município”. Enquanto José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), desejou “boas-idas” ao PS, à “retroescavadora socialista” e ao seu “partido-adjunto Chega”, Luís Souto, candidato à CMA, adaptou a música de campanha do PSD às legislativas e pediu: “Deixa o Luís trabalhar, Aveiro não pode parar”.
Redação
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Perante uma praça que foi enchendo ao longo da tarde, com vários carros de campanha a buzinar e a mostrar bandeiras da coligação, o primeiro a tomar a palavra foi o ainda presidente da autarquia. Em vez de fazer o discurso de “boas-vindas” que lhe foi pedido, Ribau Esteves optou por fazer um discurso de “boas-idas”. Em primeiro lugar, o autarca desejou “boas-idas” ao PS para levar a “retroescavadora que quer trazer para a governação do Município […] para um sítio onde seja útil”. Diz o presidente que “só vê um sítio onde a retroescavadora socialista que quer andar para trás com o tempo e partir com tudo aquilo que andámos a fazer”: a sede do próprio Partido Socialista, localizada junto ao Rossio.
Ainda com o dedo apontado ao PS, o autarca escolheu também atacar o Chega. Se, em 2021, o PS decidiu concorrer coligado com o PAN na corrida aos órgãos autárquicos de Aveiro – aquilo que considera ter sido um “erro dramático” -, em 2025, Ribau diz que os socialistas “criaram um partido-adjunto com o qual articularam o discurso”. “Articularam a tipologia de mentira, articularam a má-língua que marcou esta campanha do Partido Socialista […] e do seu adjunto Partido Chega”, atirou.
Também a Luís Souto o autarca dá uma “boa-ida” até domingo, dia em que se realizam as eleições. Aqui, tendo em consideração que a campanha termina nesta sexta-feira, dia 10, e que sábado é dia de reflexão, as palavras proferidas por Ribau Esteves podem dar aso a diferentes interpretações: “Nunca se esqueçam, há muito trabalho político para fazer até domingo às 19h00. É muito tempo que temos pela frente”.
A “boa-ida” final foi para Luís Montenegro, a quem diz que dar “boas-vindas” seria pouco original, uma vez que o presidente do partido já esteve em Aveiro no início da campanha. Ao também primeiro-ministro, o presidente da Câmara Municipal desejou que tenha uma “boa-ida” até à noite de domingo em que, espera, o PSD volte a governar a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).
Por seu lado, Luís Souto fez o rescaldo da campanha e disse que percorreu o concelho durante cerca de nove meses: “É o tempo de conceber um filho. É quase um filho que aqui temos, que é o resultado do contributo de todos”.
Ao lado do primeiro-ministro, o candidato voltou a reforçar a importância de ter um alinhamento político entre a autarquia e o Governo. Segundo afirma, Aveiro conta com o executivo liderado por Luís Montenegro para melhorar a qualidade de vida na habitação, na saúde, na educação, na mobilidade, no crescimento económico e emprego qualificado e no ambiente. Dessa forma, adaptando a música “Deixa o Luís trabalhar”, que acompanhou o agora primeiro-ministro na disputa das últimas eleições legislativas, Luís Souto pediu: “Deixa o barco navegar, não é hora de parar. Deixa o Luís trabalhar, Aveiro não pode parar”.
Como já tinha dito no início da semana, Luís Souto voltou a estabelecer os seus objetivos na maioria absoluta e na conquista de todas as freguesias. Já depois do comício, o candidato da ‘Aliança’ falou à Ria e disse que estava “mais confiante ainda”. “Eu também não seria uma pessoa tão conhecida quanto isso e acho que as pessoas que foram contactando comigo e com os nossos candidatos foram reconhecendo que esta é a escolha certa para Aveiro”, explicou, reforçando que a onda foi crescendo ao longo da campanha.
Luís Montenegro fechou o comício com um discurso essencialmente voltado para o país. Naquilo que diz respeito a Aveiro, o presidente do PSD assinalou que foi com o trabalho conjunto entre Ribau Esteves, presidente da Câmara, e Luís Souto, presidente da Assembleia Municipal, que o Município “recuperou a capacidade da Câmara poder utilizar o seu património, nomeadamente financeiro, para poder, depois, refletir as suas decisões na vida das pessoas”.
A partir daí, o também chefe de governo aproveitou para disparar na direção do Partido Socialista: “O que aconteceu em Aveiro já tinha acontecido também no país. Aqueles que aqui estiveram antes de nós depauperaram as finanças do Município e com isso prejudicaram os investimentos que aqueles que lhes sucederam tinham a possibilidade de fazer”.
Luís Montenegro reforçou também aquele que já tinha sido o discurso de Luís Souto ao apontar que “a confiança que se dá a uma Junta de Freguesia ou a uma Câmara Municipal com o reforço das candidaturas do PSD é também o reforço das condições do Governo continuar a executar o seu programa”.
Na mensagem para o país, Luís Montenegro aproveitou para fazer a defesa do Orçamento de Estado (OE) para 2026, que é um orçamento “bom para as pessoas, para as famílias, para as autarquias locais, para as empresas, para quem está a governar e até para a oposição, que tem um documento para poder viabilizar a bem do país”. Seguindo a linha de raciocínio, Luís Montenegro elogiou também os orçamentos que têm sido apresentados pela autarquia de Aveiro, “equilibrados e que potenciaram aquilo que aqui se cria com o trabalho e o esforço das pessoas”.
Luís Souto chama “censura” a divulgação de panfletos anónimos em Aradas e Esgueira; depois da eliminação das portagens ter ficado de fora do OE, diz que processo é “complexo”
Ainda no decorrer do discurso, o candidato da ‘Aliança’ falou sobre a divulgação de panfletos anónimos que se espalharam hoje por Esgueira e Aradas. Recorde-se que, como foi noticiado pela Ria, a coligação denunciou esta manhã a divulgação de panfletos acusatórios dos cabeças-de-lista às freguesias.
Durante o discurso, Luís Souto disse que a oposição recorreu a “receitas à moda do passado”: “São calúnias cobardes depositadas à última da hora em papelinhos anónimos, como se fazia no tempo da PIDE”.
Em entrevista à Ria, o cabeça-de-lista da ‘Aliança’ falou ainda sobre o facto de o fim das portagens da A25, entre Albergaria-a-Velha e Aveiro", não constar do Orçamento de Estado. Luís Souto recordou que, apesar de considerar a questão “vital”, é “muito complexa” e “se fosse simples já tinha sido resolvida há muito tempo”. “O PS foi quem esteve mais tempo no poder e nunca resolveu isso em definitivo”, atirou.
O candidato garante que, uma vez eleito para a Câmara Municipal de Aveiro, vai continuar na “linha da frente” a reivindicar uma solução. Não obstante, aponta que Luís Montenegro já disse estar “atento ao problema”.
Questionado se, não constando do OE, não se podem esperar soluções já em 2026, Luís Souto respondeu que “essa é uma questão que tem que colocar ao primeiro-ministro”. Na passagem por Aveiro, Luís Montenegro não prestou declarações aos jornalistas.
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