Nuno Teixeira: PCP está em fase de “discussão” para avançar com candidato à Câmara de Aveiro
Nuno Teixeira, atual membro da comissão concelhia do PCP de Aveiro foi o quinto convidado no âmbito das grandes entrevistas aos presidentes dos partidos políticos de Aveiro, inseridas no podcast ‘Eleições Autárquicas 2025’, promovido pela Ria – Rádio Universitária de Aveiro.
Isabel Cunha Marques
JornalistaQuestionado, tal como os restantes convidados, acerca do balanço dos últimos 19 anos de governação PSD-CDS em Aveiro, Nuno Teixeira realçou que o partido “dificilmente” consegue fazer um balanço positivo e que o mesmo tem uma outra visão para a cidade. “(…) Temos também um balanço que se coloca muito centralizado na figura do senhor presidente porque, verdadeiramente, ele assume arrogância em relação a um conjunto de temas (…) Quando uma câmara municipal avança para uma obra tão importante como é a questão do Rossio e não ouve as populações denota-se bem (…)”, atirou. Para o membro da comissão concelhia do PCP de Aveiro uma cidade não se constrói com base em uma cabeça. “(…) Constrói-se uma cidade para as pessoas. As pessoas têm de se sentir bem. É mais uma questão de podermos viver na nossa cidade (…) Não digo que não esteja melhor em certos aspetos, mas temos de pensar dessa forma”, continuou.
Relativamente à obra do Rossio e ao balanço do primeiro ano desde a sua inauguração, Nuno Teixeira criticou, entre outros aspetos, a forma como o espaço tem vindo a ser utilizado na vertente cultural. “(…) A Câmara Municipal de Aveiro (CMA) vive de eventos para o espectador. A população de Aveiro necessita de participar (…) Nós não precisamos de eventos que não deixem nada para trás. Acabou a Capital Portuguesa da Cultura o que é que ficou dela? É isto que se coloca. É uma visão diferente que temos para a cidade (…)”, relembrou.
Ainda no âmbito das críticas, o membro da comissão concelhia do PCP de Aveiro julgou a postura da Câmara Municipal na matéria da habitação, afirmando que a mesma tem sido de “mera especuladora imobiliária”. “(…) Se nós formos ver os terrenos da Câmara que poderiam ser utilizados verdadeiramente para habitação a custos controlados.... Estão hoje a nascer ou já nasceram empreendimentos que poucos aveirenses têm possibilidade para ir lá viver. Estamos aqui numa universidade, com milhares de jovens que vêm de outros lados e as dificuldades que todos os anos os jovens se deparam para encontrar um espaço para poder morar…”, exprimiu.
A Ria questionou ainda Nuno Teixeira relativamente ao projeto-lei apresentado pelo PS para acabar com as portagens nas ex-SCUT [Sem Custos para os Utilizadores] e sobre o facto de o PCP ter votado a favor das mesmas [sendo que a proposta excluía duas das concessões existentes, na A25, no caso de Aveiro ao que o membro da concelhia relembrou que “cada passo que contribua para a melhoria” o partido estará “cá para dar”, mas que objetivo final será a eliminação de todas as portagens.
Ainda sobre a polémica da demolição da sede do PCP em Aveiro, na Avenida Lourenço Peixinho, o membro da comissão concelhia garantiu à Ria que “houve muitas fake news pelo caminho” e que o partido está de “consciência tranquila”. “(…) Eu acho que o caminho que foi feito foi uma decisão do PCP. Eu (...) nasci, cresci e formei-me naquela casa... Custou-me, mas era um passo que tinha de ser dado, porque nós também temos de ter melhores condições para prestar um melhor trabalho. Adoraríamos que os problemas urbanísticos, em Aveiro, fossem simplesmente a Vivenda Aleluia (…)”, referiu.
No que toca à escolha do candidato do PCP para as eleições autárquicas de 2025, Nuno Teixeira afirmou que “é um processo” e que o partido está, neste momento, em fase de “discussão”. No entanto, este preferiu não avançar com uma data em concreto. “(…) Nem que seja por questões legais, nós temos de entregar listas por volta de julho, portanto, terá de ser antes (…)”, frisou. Sobre o perfil desse candidato, o membro da concelhia recordou que tem de ser alguém que “está para trabalhar” e que se “vai dedicar à tarefa que tem”. “Ao ser eleito cada voto que elegeu é uma responsabilidade que nós temos (…)”, sublinhou.
Interpelado ainda sobre a possibilidade do partido se coligar com outros partidos, como, por exemplo, o Bloco de Esquerda (BE), Nuno Teixeira descartou essa opção, realçando que o PCP já tem a coligação CDU (Coligação Democrática Unitária) e que é dessa forma que continuará a fazer o seu “caminho”.
Sobre a primeira proposta do programa às eleições autárquicas já anunciada pelo PS [que consiste na criação de um “Programa Municipal de Rearborização” em Aveiro], Nuno Teixeira não se mostrou contra a sugestão da mesma, mas relembrou que, neste momento, é necessário, primeiramente, “discutir o central” e não o “acessório”.
Sobre a construção do novo Pavilhão Municipal Nuno Teixeira afirmou que “Ribau Esteves assume a construção de um pavilhão desportivo (…) e nós achamos que é importante o pavilhão para Aveiro, da mesma forma como são importantes umas piscinas municipais em Aveiro. Não existem. Um pavilhão que pretende construir junto ao estádio e se nós pensarmos que não há uma rede de transportes para lá... Como é que os aveirenses vão para lá? É preciso um pavilhão sem dúvida, mas esse pavilhão tem de ser discutido também com as coletividades (…) Nós não queremos que isto continue. Nós não podemos ter mais uma obra importante para a cidade sem que haja uma discussão (…)”, continuou.
Numa etapa final da conversa, a Ria questionou ainda Nuno Teixeira sobre a possibilidade de ele ser o candidato às eleições autárquicas pelo PCP ao que o membro da concelhia respondeu que se “o PCP ou o coletivo” se decidirem pelo seu nome que será uma “tarefa” que assumirá.
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