PS apresenta candidatura em São Bernardo e critica estagnação da freguesia e gestão da ‘Aliança’
O Partido Socialista (PS) de Aveiro apresentou esta quarta-feira, 10 de setembro, no Auditório da Sociedade Musical Santa Cecília, André Ferreira como candidato à Junta de Freguesia de São Bernardo. Durante a sessão, o candidato criticou a gestão da ‘Aliança com Aveiro’, acusando a atual Junta de deixar a freguesia estagnada e de falhar em áreas como cultura, desporto e infraestruturas.
Redação
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Na sua intervenção, André Ferreira começou por recordar algumas das memórias que fazem de São Bernardo a sua “casa” e o seu “lar”. Referindo-se à freguesia, destacou o seu potencial enquanto “polo de crescimento e desenvolvimento”, mas reconheceu que, “nos últimos anos”, esse dinamismo tem vindo a perder força. “Sentimos uma estagnação que não corresponde à nossa história. É como se a freguesia tivesse parado no tempo, e eu não me conformo com esta realidade”, afirmou.
Com 41 anos, André Ferreira é técnico superior de Justiça. Em 2021 integrou, como número três, o movimento independente São Bernardo Mais e Melhor (SB-MM), pelo qual foi eleito vogal na Assembleia de Freguesia, cargo que ainda exerce. Nas últimas autárquicas, a coligação 'Aliança com Aveiro' venceu em São Bernardo com 53,61% dos votos e seis mandatos, seguida do SB-MM com 29,02% e três mandatos. O PS não teve representação direta.
O candidato justificou agora a sua candidatura com um “compromisso para fazer com que São Bernardo volte a ser um exemplo de prosperidade”, assumindo como áreas prioritárias da sua ação a cultura e o desporto. “São os pilares que constroem a identidade, que unem as gerações e oferecem aos nossos jovens um futuro com mais oportunidades”, reforçou.
No que respeita à cultura, entre as medidas apresentadas por André Ferreira destaca-se a construção de um Centro Cultural e Cívico, pensado para valorizar o associativismo e reforçar a identidade da freguesia. “Um lugar onde a criatividade não tenha barreiras, onde o crescimento seja livre e acessível, onde a nossa história e a nossa herança sejam celebradas”, explicou. Segundo o candidato, o espaço deverá assumir-se como um polo de formação e convívio. “Um centro cultural e cívico é uma promessa de que a cultura será mais do que um passatempo.Será a forma como as nossas crianças e jovens crescerão e aprenderão, rodeados de arte, música e conhecimento, em conjunto”, continuou.
Entre as propostas, destacou ainda a construção da sede da Associação Musical e Cultural de São Bernardo, questão que classificou como “uma ferida aberta na comunidade há mais de duas décadas”. No campo do desporto, André Ferreira considerou o Centro Desportivo de São Bernardo um “bastião” não só da freguesia, mas também “de toda a cidade de Aveiro”, assumindo o compromisso de continuar a apoiar a sua atividade.
Relativamente às infraestruturas, manifestou a vontade de promover uma “freguesia moderna e acessível”, com “ruas seguras, espaços verdes cuidados e um ambiente onde todos se sintam bem-vindos”. Sobre os desafios do crescimento, apontou em particular a questão do trânsito, que considera uma prioridade a enfrentar. Para tal, sugeriu a construção de uma avenida entre a Igreja Paroquial e o Pavilhão de São Bernardo com ligação à Estrada Nacional 235, apelando à estreita articulação do Município.
Sobre a nova via, acrescentou: “Vai alavancar o desenvolvimento da freguesia ao criar uma nova via de acesso abrindo as portas para novos tipos de habitação, comércio, indústria, o que significa mais emprego, mais dinamismo económico e mais opções para as nossas famílias”.
O candidato abordou ainda a situação do antigo Centro de Saúde Mental de São Bernardo, que se encontra “há mais de 20 anos” ao abandono, destacando a necessidade de intervenção nesta infraestrutura. “Mais de 20 anos de promessas e de oportunidades perdidas. Este é um símbolo da inércia, de um problema que foi ignorado e que se tornou uma ferida na nossa freguesia”, atirou. “Não podemos esperar mais”, apelou André Ferreira. Sobre o futuro do espaço, acrescentou que ele poderá ter um novo propósito, seja para “serviços de saúde ou habitação social”. “O importante é que deixe de ser um problema para ser uma oportunidade”, exprimiu.
André Ferreira enfatizou também o desafio da mobilidade, defendendo negociações com a Câmara de Aveiro e as empresas de transportes. “O alargamento dos horários, uma maior frequência e horários mais flexíveis dos transportes públicos são essenciais para que mais pessoas possam deixar o carro em casa, reduzindo o trânsito e contribuindo para um ambiente mais limpo”, explicou. O candidato socialista garantiu ainda que a criação de “mais e melhores espaços de lazer” será outra das prioridades da sua candidatura, apontando como destaque a requalificação da zona do parque da freguesia. Nesse sentido, propôs a criação de “balneários e casas de banho públicas no parque para que se torne um local mais aprazível e de mais fácil utilização para todos”.
O candidato adiantou ainda a intenção de abrir ao público um espaço dedicado aos animais. “Neste ponto tenho de dizer que já está construído embora pouca gente saiba, mas está.Só que foi deixado ao abandono sem água canalizada, (…) com ervas daninhas maiores do que os equipamentos, embora me tenham dito à entrada que esta semana foram cortadas as ervas”, expôs. Quanto ao bem-estar animal, o candidato defendeu a necessidade de promover campanhas de sensibilização para a adoção e contra o abandono, bem como medidas de apoio à esterilização de animais de rua.
No Centro Paroquial, deixou também a convicção de que se poderão desenvolver programas de mentoria e atividades conjuntas entre gerações. “Juntos podemos construir uma freguesia mais solidária, onde ninguém é deixado para trás. É tempo”, sublinhou.
PS defende refundação de São Bernardo e responde a Luís Souto de Miranda
Alberto Souto de Miranda, candidato do PS à Câmara de Aveiro, aproveitou a deixa para recordar que “ninguém fica para trás” é o “lema” e a “matriz” do PS.
Referindo-se ao antigo Centro de Saúde Mental, o candidato socialista considerou que se trata de uma frustração sua, do presidente Hélio Maia e, possivelmente, “também uma frustração do presidente Ribau Esteves”. “É um caso flagrante de inépcia e incompetência do Estado na gestão do seu património”, admitiu. “Está ali há 25 anos, meço as minhas palavras, fechado. A única coisa que mudou foi que o entaiparam. É a única coisa que mudou”, concretizou.
Alberto Souto de Miranda sugeriu que o equipamento seja aproveitado para fins de “utilidade social”, como residências universitárias ou apartamentos T0 e T1. “Porque não termos ali um complexo residencial para jovens ou menos jovens? Uma unidade de cuidados continuados, mantendo a tradição do edifício ligado à saúde, é outra possibilidade. Enfim, muitas utilizações aquele imóvel pode ter”, apontou.
Aproveitando também a construção da nova avenida em São Bernardo, o candidato do PS afirmou que o partido pretende promover uma “revolução em São Bernardo”. “Nós vamos refundar São Bernardo, no sentido de que, como já foi referido, tem estado estagnada, parada”, sublinhou. “No início desta sessão, até o chamei à parte: ‘Oh André, confirma aqui, na verdade não se fez nada nos últimos quatro anos ou nos últimos 12 anos em São Bernardo? Ou está-me a escapar alguma coisa?’ E ele disse: ‘Não, não se fez nada’”, partilhou.
O candidato aproveitou ainda para reforçar a importância de uma “rede municipal de passeios”, esclarecendo que não utilizará calçada portuguesa, mas sim “pisos equivalentes às ciclovias, que se conseguem construir 500 metros num dia, muito mais rápido, muito mais barato e muito menos deteriorável”. “Nós vamos fazer isso também em São Bernardo”, assegurou. Para as freguesias de “São Bernardo, Santa Joana e Cacia”, deixou ainda a intenção de criar pistas cicláveis seguras e segregadas, onde seja fácil e seguro circular de bicicleta.
Na ocasião, aproveitou também para criticar diretamente Luís Souto de Miranda, candidato da ‘Aliança Com Aveiro’ (PSD/CDS-PP/PPM), a propósito do debate sobre educação que decorreu na passada segunda-feira, 8 de setembro, no Auditório do Conservatório de Música de Aveiro. “Eu nunca andei a lardear o meu currículo, mas o candidato da Aliança lembrou que era professor, que já tinha dado aulas B, (…) e meus amigos (…) com tantas aulas que assistiu no debate (…) só teve uma ideia sobre o projeto educativo para Aveiro: Conferir autonomia aos professores para comprarem o papel higiénico, os parafusos e os tinteiros”, comentou.
Referindo-se às “caneladas” de Luís Souto, que alegadamente o acusaram de querer “parar tudo” nos casos da Escola Secundária Homem Cristo e do Conservatório de Música, o candidato respondeu: “Nem uma coisa nem outra”. “Não vale a pena lançar boatos nesta campanha eleitoral. Eu não quero parar uma escola nem outra. Eu quero é parar dois erros que se vão cometer nas duas escolas”, sublinhou. No seguimento, acrescentou ainda que o “futuro não é demolir a casa do CERCIAV [Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Aveiro]”.
Recorde-se que o candidato socialista avançou com uma providência cautelar para impedir a demolição da antiga moradia situada junto ao Conservatório de Música de Aveiro. Apesar de, na altura, ter sido suspensa a execução da obra no dia 2 de setembro, a Câmara Municipal de Aveiro comunicou que os atos relacionados com a requalificação e ampliação do Conservatório - Calouste Gulbenkian iriam prosseguir conforme o previsto, depois de “duas decisões favoráveis” ao Município, recebidas formalmente a 1 de setembro.
Sobre a Escola Secundária Homem Cristo referiu que se tiver de existir um novo edifício que se preserve a “vocação inicial com que nasceu aquela escola”. “Em segundo, o novo edifício não pode ser meter o Rossio na betesga como querem fazer, encavalitando-o em cima da João Afonso de Aveiro, cortando árvores e avançando para cima da estrada”. “Não nos podemos conformar”, vincou.
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