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Teatro Aveirense lança quadrimestre “intenso e diverso” com ciclo sobre “problema da habitação”

Na apresentação do novo quadrimestre do Teatro Aveirense, que aconteceu esta terça-feira, Luís Souto defendeu uma programação “eclética e sem preconceitos”. Destaca-se, na ótica do autarca, um ciclo de teatro “além do Equador”, um ciclo em torno do “problema da habitação” e a “internacionalização” do teatro.

Teatro Aveirense lança quadrimestre “intenso e diverso” com ciclo sobre “problema da habitação”

Finda a pausa na programação do Teatro Aveirense, que decorrer durante grande parte do mês de agosto, a “rentrée” do equipamento cultural foi esta terça-feira, dia 8, apresentada por Luís Souto, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), e Leonor Barata, diretora do Teatro Aveirense.

Destacando a “intensidade” e a “grande diversidade” que vão pautar a programação do próximo quadrimestre, Luís Souto começou por dizer que Aveiro era já uma “cidade non-stop”, quase ao nível “Nova Iorque”. A visão foi corroborada por Leonor Barata, que enalteceu também a “musculatura” de uma programação que se desdobra entre teatro, música, dança, cinema, conversas e ações de formação.

“Temos aqui uma programação muito eclética e sem preconceitos, o que é muito importante - vai desde Viena de Áustria, portanto, a música clássica […], mas também houve espaço) para esse grande artista que é o João Baião, que encheu o Teatro Aveirense durante dois dias [no mês de julho] […] Não tem que ser difícil entrar no Teatro Aveirense. Os espaços culturais têm de estar abertos para uma diversidade de públicos. Isto é uma casa municipal e o Município é de todos”, frisou o presidente.

Entre as propostas da programação, Luís Souto destacou a internacionalização do Teatro, com uma exibição da Orquestra do Palácio de Schönbrunn de Viena e o espetáculo “Flamingo”, do coreógrafo neerlandês Remy Tilburg; a passagem da Mostra de Teatro Além do Equador “Todos São Palco”, uma iniciativa da companhia conimbricense “Teatrão” que vai passar por uma série de estruturas da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses. No Teatro Aveirense, entre 18 de setembro e 3 de outubro, serão exibidos cinco espetáculos e haverá três oficinas neste âmbito; e o ciclo “O Problema da Habitação”, que envolve música, cinema, teatro, conversas e uma exposição.

Neste tópico, à boleia da exposição “Arquitetas da Liberdade”, sobre “casas porque lutaram mulheres antes e depois do 25 de abril, o presidente da Câmara aproveitou para deixar uma reflexão sobre o próprio Município de Aveiro: “Valorizamos muito a arquitetura em Aveiro […] Eu gostaria muito que os arquitetos investissem muito na sua criatividade em Aveiro, fazendo edifícios… não importa a altura, como toda a gente já sabe, eu não tenho muitas vertigens. Acho que é preciso que começamos a crescer em altura, já afirmei isso várias vezes”.

Outro dos destaques da programação foi o Festival PRISMA, que decorre entre 8 e 10 de outubro. Adiantando que haverá uma conferência de imprensa específica dedicada ao festival, Luís Souto preferiu não desvendar já detalhes.

Embora assuma que já teve dedo na programação deste quadrimestre, Leonor Barata recorda que José Pina, ex-programador, tinha deixado toda a programação de 2026 alinhada e que, portanto, o desenho deste quadrimestre ainda foi feito pelo anterior responsável.

Conheça os principais espetáculos da programação quadrimestral do Teatro Aveirense

De acordo com informação divulgada pelo Teatro à agência Lusa, entre os destaques para os últimos quatro meses de 2026 estão a mostra “Todos São Palco – Mostra de Teatro Além do Equador”, dedicada às teatralidades da Amazónia, e um programa multidisciplinar em torno da habitação, desenvolvido a partir do espetáculo “O Problema da Habitação”, de Jorge Louraço Figueira.

Ainda antes da mostra amazónica, o Teatro Aveirense recebe, em estreia, nos dias 11 e 12 de setembro, “Promised Valley Conference Center”, de Mickaël de Oliveira, sobre um grupo de teatro universitário cristão que se prepara para participar num festival ecuménico nos Estados Unidos.

A “Todos São Palco”, que percorre vários teatros da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses, apresenta-se no Teatro Aveirense entre 18 de setembro e 3 de outubro, com cinco espetáculos e três oficinas, com artistas e companhias de Manaus, Bogotá, São Paulo e Lima.

A programação inclui “Los Devoró la Selva”, uma criação inspirada no romance “A Voragem” (“La Vorágine”, no original), do colombiano José Eustasio Rivera, que cruza corpo, território e memória com uma reflexão sobre a fragilidade da Amazónia e os desafios ambientais; “Ponto Final, Ponto Seguido”, performance da artista indígena Uýra sobre memória, cura e reencontro com a Terra; e “Fértil em terras áridas”, uma criação de uma companhia de bufões que recorre à sátira para abordar a hipocrisia e a corrupção.

A mostra encerra com “Des-conocido”, peça peruana que aborda saúde mental, confinamento, esquecimento e exclusão, e “O Avesso da Pele”, adaptação do romance homónimo do escritor brasileiro Jeferson Tenório, que aborda temas como racismo, identidade e violência.

O programa inclui ainda oficinas como “Futuros Ecossomáticos”, “O Ator Criador” e “O Avesso do Baile: Dramaturgia da Dança”.

A questão da habitação é outro dos eixos da programação, com a estreia de “O Problema da Habitação”, de Jorge Louraço Figueira, a que se juntam três conversas, um ciclo de cinema, a exposição “Arquitetas da Liberdade”, patente entre 13 de outubro e 15 de dezembro, e o concerto “Home”, de Francisco Sasseti, a 6 de novembro, “propondo diferentes perspetivas sobre uma das questões mais presentes no debate atual”.

Ainda no teatro, sobe ao palco a peça “Começar tudo outra vez”, com direção artística e interpretação de Raquel André e Tonan Quito, numa coprodução do Teatro Aveirense.

O programa musical inclui o regresso da Schönbrunn Palace Orchestra Vienna, nos dias 28 de setembro e 1 de outubro, com um programa de valsas, polcas e operetas do repertório vienense, e “Happy Birthday Mr. Mercury”, pelo Quinteto de Cordas e Piano da Orquestra Sinfónica de Lisboa.

A programação musical inclui ainda a presença do cantor e compositor norueguês Sondre Lerche que regressa a Portugal para apresentar “Acrobats”, o seu novo álbum de estúdio.

No dia 25 de novembro, o Ensemble Efémero Internacional apresenta “Todos os Sons vão dar à UA”, no âmbito do ciclo de Festivais de Outono, que encerra dois dias depois com “O Som da Água, Música em estado líquido”, interpretado pela Orquestra das Beiras e pela Orquestra Sinfónica do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro.

Na dança, Clara Andermatt apresenta, a 16 de outubro, “Do Terreiro ao Mundo”, criação da Companhia Instável, inspirada nos Pauliteiros de Miranda, enquanto “Axiom Casino”, de Jonathan Uliel Saldanha, chega ao Aveirense nos dias 3 e 4 de dezembro.

A 11 de dezembro, o coreógrafo holandês Remy Tilburg apresenta “Flamingo”, um espetáculo sobre a relação entre o ser humano e o planeta.

A criação artística ligada a Aveiro terá igualmente presença no último quadrimestre, com Susie Filipe a apresentar, a 17 de outubro, o seu primeiro álbum a solo, “Em Tempo Real”, acompanhada pela Banda Amizade – Banda Sinfónica de Aveiro.

A colaboração com a Arte no Tempo prossegue a 24 de outubro, com “Uma Linha de Luz na Água”, interpretado por João Reis e Nuno Aroso, enquanto a Red Cloud Teatro de Marionetas estreia, nos dias 5 e 6 de dezembro, “en.tre.nar.ra.ti.vas”, depois de uma residência artística no Teatro Aveirense.

A programação de criação local encerra no dia 20, com o espetáculo musical dirigido às famílias “A Poesia das Pequenas Coisas”, da Arte no Tempo.

No que respeita à programação para a infância, a organização destaca, no dia 14 de novembro, a apresentação de “Bastien e Bastienne”, de W. A. Mozart, uma ópera de marionetas, pela Orquestra das Beiras e Ópera Nómada; bem como, no dia 08 de dezembro, “As mais belas coisas do mundo”, uma peça a partir de texto de Valter Hugo Mãe, com encenação de Joana Providência.

Entre 8 e 10 de outubro, regressa Prisma/Art Light Tech, festival que cruza arte e tecnologia e ocupará vários espaços da cidade, contando com a participação de artistas nacionais e internacionais, numa programação, cujos detalhes serão divulgados posteriormente.

De acordo com os organizadores, a programação do Teatro Aveirense para os últimos meses de 2026 procura reforçar a ligação à criação contemporânea e aos artistas e estruturas locais, mantendo uma oferta diversificada de linguagens artísticas e iniciativas dirigidas a diferentes públicos.

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