PCP preocupada com falta de médicos anestesistas no Hospital da Feira
A bancada parlamentar do PCP está preocupada com a falta de médicos anestesistas na Unidade Local de Saúde do Entre Douro e Vouga (ULS EDV) e alerta que isso está a motivar o encaminhamento de doentes para hospitais privados, conforme avança a agência Lusa.
Redação
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Segundo revela hoje, dia 17, o partido em comunicado, o problema afeta sobretudo o Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira, mas também tem impacto nos blocos operatórios de São João da Madeira e Ovar – unidades que, juntamente com a de Oliveira de Azeméis, estão sob a tutela da mesma ULS do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto.
“Apesar da abertura recente de novas salas de bloco operatório na ULS EDV, têm chegado denúncias de falta de aproveitamento das mesmas devido à falta crónica de recursos humanos no serviço de Anestesiologia”, diz o PCP.
Disso resulta, por um lado, “uma enorme pressão e sobrecarga de trabalho sobre os médicos que fazem parte daquele serviço, dada a necessidade de realização de inúmeras horas extra”, e, por outro, face à dificuldade da ULS em cumprir os tempos máximos de espera recomendados pela lei, também “o encaminhamento dos utentes para unidades privadas”.
Por sua vez, esse desvio para hospitais externos ao Serviço Nacional de Saúde cria “desigualdades no tratamento dos pacientes” e conduz a um acompanhamento pós-cirurgia “desadequado”.
Realçando que as vagas abertas para anestesistas no último concurso do Governo “não cobrem nem metade das necessidades”, os deputados comunistas defendem ainda que a sobrecarga de trabalho prejudica “a atratividade da instituição”, que assim vê dificultada a sua capacidade de recrutar e fixar profissionais, e, por consequência, também fica com a sua capacidade de resposta cirúrgica diminuída.
Com base nesses aspetos, o PCP já questionou o Ministério da Saúde sobre a situação da ULS EDV, aguardando agora que a tutela indique que medidas tem previstas para garantir uma resposta cirúrgica atempada aos utentes, assegurar os direitos dos trabalhadores do serviço de Anestesiologia, reduzir o recurso à realização de horas extraordinárias, aumentar o número de vagas para esses profissionais e assegurar a atratividade da instituição junto dos médicos mais qualificados.
Questionada pela Lusa, a administração da unidade admite que o serviço de Anestesiologia foi recentemente reorganizado devido à reforma de alguns profissionais e à mobilidade de outros, mas rejeita que a situação tenha gerado “qualquer constrangimento na atividade cirúrgica”.
“Graças a um esforço rigoroso de gestão e ao compromisso das equipas médicas, os tempos de resposta cirúrgica mantêm-se controlados e salvaguardados, assegurando o normal funcionamento dos novos blocos operatórios”, afirma a direção da ULS EDV, referindo também que se manteve igual o número de utentes encaminhados para hospitais privados. Esse indicado, garante a administração, mantém-se “perfeitamente estável”.
A ULS realça, ainda assim, que “já se encontra aberto o procedimento concursal para a contratação de novos médicos especialistas em Anestesiologia” e diz-se “focada na atratividade e no reforço contínuo da sua capacidade de resposta, continuando a trabalhar ativamente para dotar o serviço de todos os recursos necessários”.
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