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Dia da UA: Joana Regadas enaltece esforço estudantil e deixa bicadas ao novo modelo da ação social

Decorreu no passado sábado, dia 13, a cerimónia dedicada aos estudantes do Dia da Universidade de Aveiro (UA). O discurso de Joana Regadas, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), centrou-se nas diferenças de oportunidades entre estudantes e criticou a alteração ao modelo de ação social que prevê que estudantes residentes a menos de “50 quilómetros em linha reta” deixam de ser considerados “estudantes deslocadas”.

Dia da UA: Joana Regadas enaltece esforço estudantil e deixa bicadas ao novo modelo da ação social

No dia em que se premiaram os estudantes com melhor desempenho académico da Universidade de Aveiro, Joana Regadas fez uso da sua intervenção para falar sobre as variações na “distância até à meta” que enfrentam os diferentes estudantes.

Enunciando à partida que “não partimos todos do mesmo lugar”, a dirigente afirma que o “ponto de partida” começa por não ser o mesmo ainda antes do ingresso no Ensino Superior: “A viagem de um estudante […] inicia-se quando não existem as mesmas oportunidades de educação em diferentes pontos do país, da europa e do mundo. Quando o acesso a práticas de ensino inovadoras, centradas no estudante se focam apenas em certas regiões, quando estudantes têm de fazer quilómetros para conseguirem chegar a uma escola.”

Nesse contexto, Joana Regadas deixa no ar que o ensino pode não estar a “cumprir o seu propósito” de “diminuir desigualdades”. “Para muitos dos que se sentam aqui hoje, esta terá sido uma questão diária. Uma questão que, para ser ultrapassada, implicou: para mais de 330 estudantes, utilizarem um avião; para mais de 280 estudantes, mais de três horas em transportes públicos; e para mais de 3900, um apoio para conseguirem frequentar e permanecer no Ensino Superior”.

Para lá das naturais dúvidas e da “ansiedade” com que cada estudante se prende sobre o seu percurso académico, a presidente da direção da AAUAv nota que as “viagens diárias” continuam para quem “não encontrou casa ou que não tem possibilidade para pagar uma”. A complexidade da própria permanência no ensino superior leva a dirigente a concluir que “estamos bastante longe da equidade que ambicionamos”.

Com o novo modelo de ação social em mente, Joana Regadas aponta que está também longe a “educação que consegue chegar a todos por igual, especialmente aos que agora se encontram a uma distância em linha reta de 50 quilómetros”. Recorde-se que, de acordo com o as alterações, apresentadas pelo Governo no passado mês de maio, o estatuto de estudante deslocado exige que a residência do requerente seja a mais de 50 quilómetros da instituição – antes, este estatuto dependia da inexistência ou incompatibilidade de transportes públicos entre a residência e a instituição de ensino.

Em conversa com a Ria, a dirigente argumenta que, “para alguns estudantes, a distância não se mede bem assim”. “Muitos ficarão excluídos porque os transportes públicos não andam todos em linha reta […] Temos o caso, por exemplo, de Oliveira de Azeméis… É necessário perceber o porquê desses 50 quilómetros em linha reta e não a distância de 50 quilómetros face a uma linha de transportes públicos”, sustenta.

O discurso da dirigente estudantil estendeu-se àqueles que apoiam quem estuda, sem os quais diz não ser possível “ultrapassar a diferença de pontos de partida”. Nas suas palavras, o “apoio invisível” também vê o reconhecimento “como um pouco seu”.

Também a pensar nas diferentes “distâncias” que cada aluno enfrenta, Artur Silva, reitor da UA, destacou que “mais de 1100 dos estudantes que celebramos concluíram a sua formação com o apoio de uma bolsa dos Serviços de Ação Social da Universidade de Aveiro”.

“Este número recorda-nos que o sucesso académico depende […] também da capacidade das instituições para criarem condições que permitam a todos concretizar o seu potencial. É essa a missão de uma universidade pública e é também uma das prioridades que queremos continuar a afirmar: uma Universidade de Aveiro cada vez mais inclusiva, mais próxima e mais atenta às necessidades dos seus estudantes, onde ninguém veja o seu percurso condicionado por razões económicas ou sociais”, garante o reitor.

Artur Silva aproveitou ainda para anunciar que terá na relação com os antigos alunos uma prioridade para o novo mandato à frente da instituição. Segundo explica, a Universidade deve acompanhar os diplomados “para além do momento da graduação” de forma a “aprender com a experiência, o conhecimento e a visão daqueles que passaram por esta casa”.

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