Diogo Soares Machado quebra silêncio sobre polémica em Aradas e ataca Luís Souto e Catarina Barreto
No frente-a-frente desta quarta-feira, promovido pela Ria – Rádio Universitária de Aveiro, o candidato do Chega à Câmara Municipal de Aveiro (CMA), Diogo Soares Machado, respondeu pela primeira vez ao caso que levou à saída do cabeça de lista em Aradas, depois de uma notícia do Jornal de Notícias. Ao mesmo tempo, lançou críticas a Luís Souto e à presidente da Junta de Freguesia de Aradas, Catarina Barreto, denunciando uma nova polémica em Aradas.
Redação
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A polémica estalou ontem, 10 de setembro, quando o Jornal de Notícias revelou que Luís Silvano, cabeça de lista do Chega à Junta de Freguesia de Aradas, fora despedido por justa causa do INEM, em 2019, por, alegadamente, ter utilizado cartões de abastecimento da frota de ambulâncias para consumo privado. Diogo Soares Machado chegou assim ao seu primeiro frente-a-frente dos debates promovidos pela Ria com o objetivo de esclarecer os eleitores e encerrar a polémica.
“Retirou a candidatura [já] no dia 8 de setembro. Tenho aqui comigo a declaração de desistência”, afirmou, sublinhando que a decisão “não resultou da notícia do Jornal de Notícias”, mas sim de contactos diretos com o candidato. “Quando soube que este episódio iria ser divulgado e noticiado – e saliento que não tinha conhecimento de absolutamente nada, caso contrário nunca teria sido candidato – falei com ele e a decisão foi tomada de imediato. Só não foi entregue antes porque o tribunal estava fechado no sábado, mas na segunda-feira passada ficou resolvido”, explicou.
Apesar disso, o candidato do Chega frisou que “o registo criminal da pessoa em causa está completamente limpo, tanto para o exercício de funções no INEM como para o exercício de funções públicas, como ser candidato a uma junta de freguesia”, acrescentando que “em lado nenhum está escrito – nem sequer no despacho de despedimento publicado no Diário da República – que Luís Silvano roubou gasóleo”.
Assumindo a responsabilidade política, Diogo Soares Machado afirmou: “Alguma coisa tem de haver… A partir do momento em que leio o despacho que diz ‘por justa causa’, para mim o caso fica arrumado. Eu não fujo às minhas responsabilidades: assumo-as todas.”
O candidato garantiu ainda que “a direção nacional do partido está a avaliar se há ou não fundamento para que ele deixe de ser militante”.
Diogo Soares Machado aponta o dedo a Luís Souto, Catarina Barreto e ao atual tesoureiro da Junta de Aradas
Depois de esclarecer todos os passos que seguiu assim que tomou conhecimento da polémica, Diogo Soares Machado procurou não só encerrar o caso que afetou a candidatura do Chega em Aradas, apresentando-se como responsável pela decisão de afastar o candidato, mas também inverter o foco do debate político e apontar baterias a Luís Souto, candidato à CMA da coligação ‘Aliança com Aveiro’, bem como a Catarina Barreto, atual presidente da Junta de Freguesia de Aradas e recandidata a um novo mandato.
“Há outros casos aqui na terra que não têm tido a cobertura que o caso do Chega teve”, atirou. Em concreto, questionou o silêncio de Luís Souto perante uma sentença recente contra a Junta de Aradas. “O que tem a dizer sobre o despacho do Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro, de 13 de julho de 2025, que condena a Junta e a sua presidente Catarina Barreto a entregar documentos que deveriam ser públicos e que nunca entregou?”, perguntou.
O candidato denunciou ainda uma nova polémica em Aradas: “No dia 3 de agosto instei a presidente de Junta e Luís Souto a explicarem todo o dossier ligado a Aradas. Não é só a senhora presidente, é também o atual tesoureiro, que foi reformado compulsivamente em 2004 e continua [em funções no Executivo]! Porque é que se trata o Chega de uma maneira e os outros de outra?”
Diogo Soares Machado referia-se a Danilo Almeida, atual tesoureiro na equipa de Catarina Barreto e presidente da Direção dos Bombeiros Velhos de Aveiro. No documento que disponibilizou à Ria e que consta do “Apêndice n.º 73 - II Série - n.º 101 - 25 de maio de 2005” do Diário da República, pode ler-se que o tesoureiro da Junta de Aradas foi de facto “aposentado compulsivamente”, na sequência de uma deliberação do conselho de administração dos Serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Aveiro.
Nesse mesmo documento, verifica-se que o aviso surge “nos termos e para os efeitos do estabelecido no n.º 2 do artigo 70.º do Decreto-Lei n.º 24/84”. Trata-se do “Estatuto Disciplinar dos Funcionários e Agentes da Administração Central, Regional e Local”, o que significa que a aposentação compulsiva resultou de uma sanção disciplinar. Já a norma citada prevê a publicação obrigatória em Diário da República de todas as penas disciplinares graves.
Perante este cenário de “aposentação compulsiva” que, tal como o despedimento por justa causa do ex-candidato do Chega em Aradas, resulta igualmente de uma pena disciplinar, Diogo Soares Machado quer que o candidato da ‘Aliança com Aveiro’ esclareça se vai seguir o mesmo caminho e afastar o atual tesoureiro. “É preciso que Luís Souto venha dizer se mantém ou não a confiança naquela senhora e naquela equipa”, desafiou.
Sem meias medidas, vai mais longe e afirma mesmo que Luís Souto não tem capacidade para assumir que Catarina Barreto não pode ser candidata “por não entregar documentação que devia ser transparente, como descontos para a ADSE ou despesas de representação”. Recorde-se que, tal como noticiado pela Ria, o movimento independente ‘Sentir Aradas’, candidato à Junta de Freguesia, quer ver esclarecida uma denúncia segundo a qual Catarina Barreto estaria inscrita na ADSE – o subsistema de saúde da Administração Pública – e teria, alegadamente, beneficiado de descontos que lhe permitiram reduzir substancialmente os custos de um tratamento médico.
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