RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

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Comédia infantil do Nobel Egas Moniz em livro e peça de teatro em Estarreja

A Câmara de Estarreja revelou hoje a adaptação para livro e peça de teatro da obra "Lobisome", uma comédia infantil escrita por Egas Moniz em 1936.

Comédia infantil do Nobel Egas Moniz em livro e peça de teatro em Estarreja
Redação

Redação

09 mai 2025, 13:33

A obra, escrita pelo Nobel da Medicina português para os seus sobrinhos-netos, foi adaptada para livro e peça de teatro no âmbito das comemorações dos 150 anos do seu nascimento, informa a autarquia.

A apresentação do livro, com ilustrações de Cinara Saiónára, na Casa Museu Egas Moniz, em Avanca, decorre no sábado, pelas 15:00, segundo adianta uma nota de imprensa da Câmara de Estarreja.

“Este conto revela a faceta lúdica e a transversalidade do neurocientista, num texto com 89 anos”, destaca a nota, revelando que já será feito “um momento de interpretação da obra” no lançamento do livro pelo Grupo de Teatro Infantil do Município de Estarreja (Trama).

A estreia da adaptação teatral propriamente dita terá lugar só a 22 de junho, com encenação e adaptação de Leandro Ribeiro, encerrando as comemorações dos 150 anos do nascimento de Egas Moniz, iniciadas no ano passado.

O programa comemorativo inclui ainda a exposição “Egas Moniz – Um Encontro”, patente até dia 24 na Casa da Cultura e o concerto de “Alma de Coimbra”, dia 31, no Cine-Teatro.

As celebrações dos 150 anos do nascimento de Egas Moniz visam homenagear a vida e o legado do cientista nascido em Avança, no concelho de Estarreja, distrito de Aveiro.

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A abertura oficial da temporada acontece no domingo, pelas 15:30, com a apresentação do musical “Johnny Johnson”, de Kurt Weill, numa produção do Teatro Nacional São Carlos, com direção do maestro João Paulo Santos. O cartaz dos próximos meses destaca nomes internacionais como Wim Mertens (01 de fevereiro) e Chico César (22 de março), a par de artistas nacionais como João Pedro Pais (14 de fevereiro) e o guitarrista Pedro Branco (28 de fevereiro), este último com o projeto “Branco Toca Marco Paulo”, com Benjamim como convidado. Na vertente das artes performativas o público poderá assistir a trabalhos do coreógrafo Paulo Ribeiro, que apresenta “Louis Lui” no dia 07 de fevereiro, e do artista de circo contemporâneo João Paulo Santos em “Une Partie de Soi”, dia 25 deste mês. Até março o público vai poder assistir no CAE de Vale de Cambra, no distrito de Aveiro, espetáculos como “A Caminhada dos Elefantes”, pela Formiga Atómica, “Lições de Voo”, do Teatro de Marionetas do Porto ou “Duas Casas” pela Imaginar do Gigante, entre outros. As artes visuais estarão representadas pelos ilustradores António Jorge Gonçalves e Paula Delecave, que vão ter exposições a serem inauguradas no dia 17 de janeiro e patentes até 10 de abril. Nesse mesmo dia de abril vai ser apresentado o espetáculo “Desenhar os Sons com a Luz dos Dedos”, que junta os músicos Rodrigo Leão e Gabriel Gomes ao ilustrador António Jorge Gonçalves. Além dos espetáculos para o público em geral, o equipamento promove projetos participativos como “Anoitecer” e atividades para escolas, procurando “estreitar a ligação entre a arte e o território”. O trimestre de eventos antecede as celebrações do primeiro aniversário do CAE que serão assinaladas com uma programação especial durante o mês de abril, segundo adiantou fonte municipal.

Arouca distingue 201 bombeiros com medalha de ouro
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A cerimónia decorre sexta-feira, pelas 20:45, com a entrega da medalha de mérito municipal de grau ouro aos bombeiros das corporações de Arouca, Fajões e Nespereira, e distingue o quadro de comando e o quadro ativo das três corporações. No total serão homenageados 201 operacionais pelo trabalho no combate aos grandes incêndios que atingiram o território de Arouca no mês de julho. A proposta de louvor foi apresentada em reunião de câmara pela presidente da autarquia, Margarida Belém, e mereceu a aprovação unânime. A autarca sublinha que a distinção pretende “expressar a gratidão da comunidade pelos operacionais que asseguram a segurança e tranquilidade dos cidadãos”. Segundo Margarida Belém, a homenagem “serve também para promover o voluntariado e inspirar as gerações mais jovens para a participação cívica e apoio aos vulneráveis”. No mês de julho, os fogos consumiram cerca de quatro mil hectares de área florestal, só no concelho de Arouca, e obrigaram ao encerramento dos Passadiços do Paiva. As chamas chegaram a ameaçar habitações em várias freguesias e mobilizaram um dispositivo recorde, que chegou a contar com cerca de 800 operacionais no terreno, além de diversos meios aéreos e terrestres. O incêndio, que começou a 28 de julho e se prolongou por vários dias, foi um dos maiores do país, obrigando à evacuação de algumas aldeias, numa altura em que a onda de calor e fortes ventos dificultavam o seu combate.

Venezuela: bandeiras em algumas janelas de Aveiro assinalam detenção de Maduro
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As comunicações com os familiares que permanecem lá, feitas a medo “porque os telefones e telemóveis são escutados”, são estabelecidas usando as redes sociais consideradas, apesar de tudo, menos controladas. Vão sabendo que há intermináveis filas para os supermercados, onde falta quase tudo, mas também que está a ser reposto o abastecimento de combustível. Acompanham a informação dada pelos canais de televisão, a que prestam redobrada atenção desde a captura de Nicolas Maduro, e o diálogo com o jornalista, quando consentido, é feito com prudência. Mesmo por quem já veio da Venezuela em 2006, como C. Oliveira, que foi para lá com apenas cinco anos e conheceu o país antes do Chavismo, onde permaneceu por 40 anos. “O meu sentir é de muita esperança de que a Venezuela volte a ser o país que era”, diz, não escondendo a satisfação com a notícia da prisão de Maduro. Descreve a Venezuela como um "país dourado" antes de Chávez, rico em petróleo, “onde nada faltava” e recorda que “as empresas petrolíferas americanas tiveram um papel significativo na riqueza do país”. Ainda tem muitos familiares na Venezuela e deseja que o país “recupere a prosperidade”, mas reconhece que a saída de Maduro não garante uma mudança imediata.  “Muitos generais e outros oficiais envolvidos no ‘cartel dos soles’ permanecem e não há certeza de que a situação vá melhorar rapidamente”, afirma Oliveira, com 40 anos de Venezuela e que é hoje considerado uma espécie de porta-voz da comunidade, em Estarreja, onde em 2019 a Câmara criou um gabinete de apoio, através de um protocolo com a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas. Quanto ao futuro, acredita que “a recuperação será demorada, não apenas pela substituição dos líderes atuais, mas também pelo desafio de desarmar os grupos armados que operam no país”. Mais pessimista está Luís Brito, que antevê uma guerra civil. Regressado da Venezuela há quatro anos, estabeleceu-se em Aveiro com uma mercearia que é local de encontro de outros ex emigrantes, lusodescendentes e de imigrantes venezuelanos. “A maioria do apoio ao regime por quem lá está é por conveniência e por obrigação, não por convicção. Funcionários públicos e milícias são forçados a participar em manifestações, sob pena de retaliação, em troca de sacos de comida e subsídios”, avalia. Brito está convencido que “apenas 15 a 20% dos que se declaram apoiantes são verdadeiramente maduristas”, mas não augura nada de bom, no futuro próximo. “Os ‘coletivos’ [milícias armadas pelo Estado] formarão guerrilhas urbanas e de montanha, tornando inviável qualquer governo futuro”, antevê.  Luís declara-se "anti-madurista", mas não concorda com as ações recentes, que vê como “motivadas por interesses económicos”, sem se alongar nas considerações. Vai dizendo que a história da crise venezuelana começa com a nacionalização do petróleo: Chávez transformou as concessões petrolíferas americanas em empresas estatais estratégicas, resultando na perda de maquinaria e infraestruturas valiosas para empresas como a Chevron e Texaco, pioneiras na exploração. “Os Estados Unidos não estão realmente interessados em entregar o poder à oposição venezuelana, mas sim em recuperar o controlo dos recursos petrolíferos”, comenta. Quando chegou à Venezuela há 42 anos, o país era "totalmente diferente", um "mundo de prosperidade, com um "boom" na produção petrolífera e uma moeda (Bolívar) estável", segundo as suas palavras. A degradação económica levou-o a deixar a Venezuela onde havia construído a sua vida, ligada à panificação.  A segurança degradou-se "muito" antes de sair, com aumento de extorsão e sequestros, o que o levou a tomar a decisão: regressar a Portugal.

Sérgio Godinho, Ana Lua Caiano e Chico César passam pelo Cine-Teatro de Estarreja até março
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Segundo uma nota de imprensa enviada às redações, a programação de janeiro arrancou ontem, dia 4, com um “Encontro de Trupes de Reis”. Segue-se este sábado, 10 de janeiro, o tradicional concerto de Ano Novo “A Grande Viagem”, proporcionado pela Banda Bingre Canelense (BBC) e dirigido pelo maestro Paulo Almeida. Ainda este mês, é a vez de Sara Barradas e Diogo Martins levaram à cena a peça de teatro “Se Acreditares Muito”, no dia 17, que conta a história de Alex e Rupert, um casal improvável, mas a quem um encontro no metro fez despertar uma chama. Arranca ainda o ciclo de concertos íntimos com o espetáculo “Dois Pares de Botas” (dia 24) que nasceu da vontade de Nena e Joana Almeirante de criar um concertoonde toda a inspiração se baseia na música country. Já em fevereiro, Ana Lua Caiano (dia 28) mostra o seu trabalho através da original fusão musical que combina música tradicional portuguesa com música eletrónica. Para este mês está ainda marcado o regresso do “Trampolim Fado” (dia 21) que contará com Matilde Cid e André Baptista. A encerrar, a Orquestra das Beiras voltará a marcar presença nas comemorações da "Elevação de Estarreja a Cidade" (dia 31), que contará como convidado com ocontrabaixista Rafael Aguiar. Em março, o Ballet do Douro apresenta “Camilo Vida e Obra” (dia 7). No dia seguinte, 8, é a vez da Orquestra Filarmonia das Beiras proporcionar, mais uma vez, ao público infantil e às famílias um concerto de família “Animália”. A programação de música inclui ainda o concerto do estarrejense Joaquim Ferreira (dia 14), finalista da presente edição noThe Voice Portugal 2025. Segue-se a companhia de música teatral com o espetáculo “A liberdade a passar por aqui” no dia 15 de março. A encerrar a programação trimestral estará ainda Chico César com o espetáculo “Aos Vivos” (dia 21) e Sérgio Godinho com “LIBERDADE25”, no dia 28. A programação inclui também as “Quintas de Cinema”, que trarão filmes europeus e de autor, passando pelo cinema infantil e de cartaz. A programação completa pode ser consultada aqui.

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Estudantes de Medicina da UA passam a integrar a ANEM como membros observadores
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Estudantes de Medicina da UA passam a integrar a ANEM como membros observadores

Segundo a notícia publicada no site da UA, com esta adesão, os estudantes da MIM-UA passam a estar representados a “nível nacional e internacional, podendo, no futuro, após a passagem pelo estatuto de Membros Observadores, participar de forma mais direta nas discussões sobre políticas de ensino médico e nos processos de tomada de decisão que influenciam a experiência dos mesmos no ensino médico em Portugal”. Entre as vantagens estão a “integração numa rede nacional de estudantes de Medicina, bem como a possibilidade de participação em programas de intercâmbio e projetos de educação médica e saúde pública, que complementam a formação académica e promovem o desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes”. A entrada na ANEM permite ainda uma “maior visibilidade” do MIM-UA no contexto do ensino médico nacional. A UA destaca ainda que no último Congresso Nacional de Estudantes de Medicina, iniciativa promovida pela ANEM, os estudantes do 1º e 2º anos do MIM-UA já participaram.  A ANEM é o órgão representativo dos estudantes de Medicina em Portugal. A associação congrega diferentes núcleos de estudantes dos cursos de Medicina do país e assume-se como um “papel ativo na defesa dos interesses dos alunos, na promoção da qualidade do ensino médico e no desenvolvimento de projetos de âmbito académico, científico e social”.

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UA acelera transformação na formação ao longo da vida com apoio da Universidade ECIU
Universidade

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Foi num sofá branco, no centro dos Serviços de Gestão Académica da Universidade de Aveiro, no Edifício Central da Reitoria, que Paulo Jorge Ferreira e Niall Power refletiram sobre a aposta da instituição na formação ao longo da vida. Durante cerca de meia hora, ao final do dia, a conversa decorreu com o som das portas que iam marcando a saída dos funcionários após mais um dia de trabalho. Numa parte inicial da conversa, a Ria começou por desafiar Paulo Jorge Ferreira a comentar os últimos dados divulgados, no ano passado, a nível nacional, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), onde, conforme noticiado pelo jornal Eco, revelavam que, em 2022, “menos de metade dos adultos em Portugal participaram em, pelo menos, uma atividade de educação (formal ou não)”. O país encontrava-se ainda abaixo da média comunitária. Questionado sobre o que está a falhar, o reitor foi direto: “Tem falhado nas soluções de requalificação e nas soluções de formação superior profissional”. Segundo explicou, é precisamente nas formações de curta duração, que não se enquadram nem nas licenciaturas nem nos mestrados tradicionais, que se encontram as maiores lacunas. “No número de jovens adultos com diplomas de licenciatura ou de mestrado, Portugal até está um ponto acima da média da OCDE. No restante, infelizmente, estamos vários pontos abaixo”, afirmou. Paulo Jorge Ferreira recordou ainda que muitos trabalhadores e empregadores continuam sem plena consciência da importância da formação ao longo da vida. “Isto foi demonstrado em inquéritos que nós próprios fizemos. Quer os trabalhadores, quer as empresas que os empregam, não têm absoluta consciência daquilo que seria para eles vantajoso e oportuno proceder a essas formações”, sublinhou. Sobre o papel da Universidade de Aveiro neste processo, o reitor destacou o caminho desenvolvido desde 2019, ano em que a instituição integrou a Universidade Europeia ECIU. “O compromisso principal era providenciar soluções de requalificação para um mundo em mudança.Isso obriga a desenhar métodos específicos para essa requalificação e a alterar todo o paradigma de ensino para que faça sentido”, explicou. “Requalificar um conjunto de 20 pessoas com histórias e passados formativos (…) e idades totalmente diferentes, expectativas quanto às carreiras totalmente diferentes, é muito mais difícil do que pegar num grupo de pessoas com 18, 20 ou 22 anos e levá-los do ponto inicial até ao ponto final”, continuou Paulo Jorge Ferreira. Questionado sobre a forte aposta da UA nestas formações curtas, como microcredenciais, e como a instituição poderia aumentar o número de matriculados, o reitor recordou o papel dos “governantes”. “Dizem-nos os nossos governantes que temos pleno emprego, nesta altura. Pleno emprego, o que é? É estarmos empregados? Ou é termos um emprego no qual damos o melhor que seríamos capazes de dar? E aqui é que começa a diferença entre a necessidade da requalificação e a ligação da requalificação com o progresso económico e o progresso do país e a situação em que estamos”, vincou. “Pleno emprego para mim é quando cada um está a dar o máximo que é capaz de dar, quando cada um foi até ao limite das suas competências, e está a transformá-las em valor no mercado”, prosseguiu Paulo Jorge Ferreira. Quanto ao futuro das microcredenciais, o reitor acredita que as diferenças atualmente visíveis na oferta destas formações entre as diferentes unidades orgânicas, na UA, se irão acabar por “desvanecer”. “Se esperarmos alguns anos, vamos ver que estas diferenças de arranque que se toleram neste momento, em que estamos numa fase muito embrionária das propostas, se vão desvanecer e eu acho que vai aparecer propostas de requalificação por todas as áreas”, esperançou. Numa segunda etapa da conversa, Niall Power aproveitou ainda o momento para apresentar a Universidade ECIU. “É uma associação de universidades a nível europeu, desde 1998, para que as universidades participantes possam cooperar, colaborar, procurar soluções para as suas próprias universidades, regiões e fazer isto em cooperação com outros parceiros”, descreveu. A UA juntou-se a este consórcio, tal como descrito acima, no ano de 2019. Questionado sobre o impacto atual da ECIU na instituição, Niall deu nota que, atualmente, a associação envolve, no caso da UA, mais de “3500 estudantes individuais” e mais de “6 mil participações”. Ainda assim, mais do que aumentar o número de participações, a UA pretende cumprir com um outro objetivo: “Propor um modelo de ensino superior com uma dimensão europeia que seja muito atraente e alcançável pelos cursos que existem também em Portugal e nos diferentes países participantes. Queremos antecipar um modelo de ensino superior que seja alcançável para todos”, admitiu. Segundo o diretor, desde 2022, a Universidade ECIU oferece mais de “440 cursos”, através da sua plataforma. “Eu não vou dizer que é igual à Netflix, mas a ideia está um pouco inspirada. (…) Os estudantes da UA podem entrar e escolher cursos entre os desafios societais ou microcursos que levem depois à microcredencial”, explicou. “Quando um estudante realiza um desses cursos, é automaticamente emitido um passaporte eletrónico de competências, associado ao Europass, ao sistema europeu de reconhecimento de qualificações. (…) A ECIU é a única rede europeia de universidades capaz de oferecer essa oportunidade, de obter um microcredencial emitido pelo Europass”, continuou Niall. Apesar de, até ao momento, os cursos da Universidade ECIU só estarem disponíveis para os estudantes da UA, Niall Power anunciou à Ria que em “muito breve prazo, nas próximas semanas, vão-se tomar decisões importantes que vão proporcionar a possibilidade dos antigos alunos ou recém-graduados” poderem também participar. “Estamos também em conversas e a trabalhar em conjunto com algumas empresas, inclusive, em Portugal, para que os seus próprios quadros possam também participar nos cursos de ECIU”. Prestes a entrarmos na reta final da conversa, Paulo Jorge Ferreira recordou ainda que, nos dias de hoje, a Universidade ECIU envolve “cerca de 350 mil estudantes” por toda a Europa. Para o reitor, o potencial de crescimento deste consórcio e no conjunto de formações curtas “é muito grande”. “Uma coisa que, no futuro, acho que pode acontecer é o estudante solicitar formações em áreas concretas e, no fundo, consolidar, empilhar todas essas formações e constituir algo que lhe é reconhecido como uma habilitação oficial de nível superior. (…) Era a passagem de currículos pré-fabricados pelas instituições para currículos que eram construídos pelo próprio estudante. E isto seria o máximo da flexibilidade e o máximo da motivação porque permitia a cada um escrever a sua própria caderneta formativa e, em certa medida, escolher o seu próprio futuro”, rematou.