RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

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Artur Silva acredita que novas residências privadas podem beneficiar a Universidade de Aveiro

Artur Silva, reitor da Universidade de Aveiro (UA), defendeu, em entrevista à Ria, que a construção das novas residências privadas em frente ao Hospital de Aveiro podem trazer benefícios para a instituição. Consciente de que o valor dos quartos não será tão acessível como o das residências dos Serviços de Ação Social (SAS) da Universidade, o responsável lembra que o edifício "vai contribuir para haver mais oferta na cidade” e que pode servir também investigadores visitantes.

Artur Silva acredita que novas residências privadas podem beneficiar a Universidade de Aveiro

Na ótica do reitor, as novas residências universitárias privadas a ser edificadas em frente ao Hospital de Aveiro são uma mais-valia para a instituição de Ensino Superior. Não pertencendo à Universidade e, portanto, não tendo um custo tão acessível à maioria dos estudantes, as residências não deixam de representar “mais camas disponíveis”, explica Artur Silva.

“Existem seguramente estudantes que têm dificuldades, mas existem outros estudantes que têm capacidade de pagar outro tipo de valor […] Há mais disponibilidade e alguns investigadores que nos visitam precisam de [onde] estar e, às vezes, não vêm porque não há sítio para as pessoas se alojarem. Posso-vos dizer que existem algumas pessoas que colaboram comigo, num grupo de investigação, que já estão a alojar-se em Avanca, percebem?”, argumenta.

Recorde-se que, quando a residência foi anunciada pela Câmara Municipal de Aveiro (CMA), em janeiro de 2025, o antigo presidente José Ribau Esteves negava que pudesse vir a haver instrumentos de controlo dos preços praticados para estudantes: “Era o que mais faltava. Nós somos social-democratas e democratas cristãos. Aqui não há comunistas. Estamos a falar de mercado. O mercado não tem obrigação nenhuma a não ser que contratualize com o Estado”.

Também no sentido de contornar o aumento dos custos da habitação, Artur Silva defende que, à semelhança do que já fazem outras organizações do país, a Universidade, em colaboração com a autarquia, “ir [ter] com a comunidade aveirense” e procurar “pessoas que vivem sozinhas e que estão disponíveis para ter um estudante com elas”.

Presidente da Câmara de Aveiro disse que será preciso fazer ponto de situação da crise da habitação do Município quando todas as residências estiverem construídas; Reitor não acredita que problema vá ficar resolvido

Tanto em reunião da Câmara Municipal de Aveiro (CMA) como na Assembleia Municipal de Aveiro (AMA), Luís Souto, presidente da autarquia, já deu notas de que acredita que a crise habitacional em Aveiro terá de ser estudada depois de ser finalizada a construção de todas as residências universitárias a ser edificadas. Recorde-se que, no âmbito do PRR, estão previstas 421 novas camas na esfera de ação da Universidade de Aveiro, embora nem todas no Município de Aveiro. Já a nova residência privada representa, pelo menos, o acréscimo de 219 camas.

Observando que, quando todas as residências estiverem operacionais, a cidade terá cerca de “1500/1600” camas, Artur Silva nota que os valores ainda estão muito aquém dos 17 mil estudantes que frequentam a UA. “Existem muitos estudantes que não ficam em Aveiro. São de regiões próximas, têm acesso pelo transporte ferroviário e vão e vêm todos os dias. Mas eu penso que, do balanço total, […] não acho que o problema fica resolvido”, conclui.

Não obstante, o reitor refere que, mesmo que a CMA não queira limitar o mercado, a UA e a autarquia vão continuar a discutir para perceber se “existem ou não” possibilidades de colaboração no sentido de “acrescentar mais camas disponíveis para os nossos estudantes”.

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