Movimento ‘Agitar a UA’ mobiliza dezenas de estudantes contra descongelamento das propinas
Um grupo de cerca de seis dezenas de estudantes juntou-se esta quarta-feira, dia 28, na Cantina de Santiago, para contestar a proposta de descongelamento das propinas inscrita na proposta do Orçamento do Estado para 2027. À Ria, Leonor Lopes, porta-voz do movimento ‘Agitar a UA’, fez um balanço “bastante positivo” da ação e disse estar crente de que os estudantes vão conseguir com que o valor da propina não se altere no próximo ano letivo. OS presentes decidiram estar presentes na manifestação nacional do próximo dia 18, em Lisboa, e, contactada pela Ria, Joana Regadas, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), também confirmou a mobilização da estrutura.
Gonçalo Pina
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O movimento de estudantes ‘Agitar a UA’ saiu à rua na hora de almoço desta quarta-feira, dia 28, junto à Cantina de Santiago, para protestar contra a proposta do Orçamento do Estado para 2027. No dia em que a proposta do Governo é votada na generalidade, os cerca de 60 estudantes envolvidos dizem que “não se conformam” com “o anúncio da tentativa do descongelamento da propina”.
Recorde-se que a medida agora apresentada prevê o descongelamento das propinas de licenciatura, dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), dos mestrados indispensáveis ao exercício de uma atividade profissional ou dos casos em que a exigência do grau de mestre esteja definida nos estatutos de ordens profissionais – segundo a proposta, o valor máximo do próximo ano letivo passa a ser igual ao teto fixado para o atual ano letivo de 2026/2027, 697 euros anuais, acrescido da taxa de variação média do Índice de Preços no Consumidor (IPC), sem habitação, registada em 2026. Quanto aos restantes mestrados e doutoramentos, deixa de existir um teto máximo do valor da propina. O custo destes cursos deve passar a “ter em consideração o custo real da formação".
Apesar de o protesto também ter tocado a entrada em vigor do novo modelo da ação social, “a exigência de melhores condições na Universidade, nas residências e camas públicas” ou a precariedade na investigação científica, Leonor Lopes, porta-voz do movimento, sublinha que “a principal razão que trouxe [os estudantes à rua] foi a proposta de aumento da propina”.
O balanço da adesão à ação é, para Leonor Lopes, “bastante positivo”, tendo em consideração os “recursos limitados” do “número alto de pessoas presentes a demonstrar a sua força”. Durante a ação, os presentes acabaram a votar – e aprovar por unanimidade - uma moção em como se comprometem a participar na manifestação do próximo dia 18 de novembro, em Lisboa.
A convicção da estudante de Biotecnologia na Universidade de Aveiro (UA) é de que, à semelhança do que aconteceu no último ano – quando o Governo também propunha o aumento da propina -, a proposta de descongelamento das propinas vai ser “chumbada pelos estudantes”: Está a haver imensas ações noutras universidades, já houve imensas ações noutras universidades na semana passada e o culminar de tudo isto [acontece] no dia 18 de novembro. Num ano em que se vê que as pessoas estão cada vez mais a dar voz à sua revolta nas ruas, estou com plena confiança de que a proposta de aumento [das propinas] vai ser chumbada novamente”.
Recorde-se que, no ano passado, a proposta do Governo foi barrada no Parlamento com os votos dos partidos da oposição – inicialmente, o Chega tinha-se posicionado ao lado do Governo, mas acabou por mudar o sentido de voto e, juntamente com PS, PCP, BE, Livre, PAN, JPP, fez com que o valor se mantivesse. Na altura da votação do Orçamento do Estado para 2026, os estudantes do Conselho das Associações Académicas Portuguesas (CAAP) – entre os quais, os responsáveis da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), que mobilizaram “cerca de 20 estudantes” - também se deslocaram a Lisboa para, em frente à Assembleia da República, protestar contra o aumento da taxa.
Leonor Lopes disse acreditar que “este ano vai ser possível levar ainda mais pessoas a Lisboa”, embora ainda não exista um pronunciamento oficial da direção da AAUAv. “Com o comunicado que fizeram [em conjunto com as restantes associações académicas] contra o descongelamento, acredito que, como nas vezes anteriores, estão ao nosso lado e fornecerão transporte, como nos outros anos”, afirma.
Contactada pela Ria, Joana Regadas, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), confirmou que a estrutura vai voltar a participar na ação em moldes semelhantes aos do último ano. Segundo a dirigente estudantil, a AAUAv estará ao lado de várias associações académicas do país numa causa que reúne “consenso”, sendo que o anúncio público deve ser feito em breve.
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