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À terceira foi de vez: Executivo de Aradas aprovado com o apoio do Chega

À terceira foi de vez e, tal como avançado pela Ria, Catarina Barreto, presidente eleita da Junta de Freguesia de Aradas, conseguiu aprovar esta quarta-feira, 19 de novembro, a sua proposta de executivo na Assembleia de Freguesia. Em cima da mesa esteve a integração de Ricardo Nascimento, do Chega, no executivo.

À terceira foi de vez: Executivo de Aradas aprovado com o apoio do Chega

Pela primeira vez, o Salão Nobre Manuel Simões Madaíl não se revelou pequeno para acolher as pessoas que quiseram assistir ao momento. Ao contrário da última Assembleia de Freguesia, em que estiveram presentes Paula Urbano Antunes e Leonardo Costa, vereadores eleitos pelo PS na Câmara Municipal de Aveiro, além de Firmino Ferreira, presidente da concelhia do PSD-Aveiro, e Diogo Machado, vereador eleito pelo Chega à Câmara, desta vez, ninguém marcou presença.

A terceira sessão de instalação arrancou exatamente no mesmo ponto da anterior: na votação do nome do primeiro vogal do executivo, que anteriormente tinha sido reprovado pelos membros da Assembleia com sete votos contra e seis a favor. Desta vez, porém, o desfecho foi diferente. A votação alterou-se e a primeira proposta, de Sandra Monteiro (PSD), acabou por ser aprovada com sete votos a favor e seis contra. O mesmo aconteceu com a restante votação, seguindo-se a aprovação dos nomes de Ricardo Nascimento (Chega), de Sara Ferreira (PSD) e de Vítor Tavares (PSD).

Logo após, seguiu-se a eleição da mesa da Assembleia. Para a eleição dos membros, a presidente colocou à consideração dos membros a opção entre votação uninominal, tal como a votação dos nomes do executivo, ou a votação por listas. Acabou por ser aprovada, por unanimidade, a votação por listas.

Nessa votação foram apresentadas duas listas: a lista A [que integrava membros da ‘Aliança’] e a lista B [que integrava membros do PS e do Movimento Independente ‘Sentir Aradas’]. Contudo, apenas a lista A foi a votos, obtendo sete votos a favor e seis contra. Assim, foram eleitos como presidente da mesa Vítor Silva (PSD), como primeira secretária Cláudia Pinho (PSD) e como segunda secretária Virgília Simões de Almeida (PSD). “Dado os resultados obtidos, a lista B não avançou para votação, [ficando] empossada a lista A à mesa da Assembleia de Freguesia”, leu o novo presidente da mesa na ata, no final da sessão.

Recorde-se que, tal como avançado pela Ria esta quarta-feira, as duas anteriores propostas de executivo apresentadas pela presidente da Junta foram chumbadas, após os representantes das três forças políticas da oposição na Assembleia de Freguesia - 'Sentir Aradas', Partido Socialista e Chega - terem exigido, em conjunto, a realização de uma auditoria, a entrega de documentos determinados por sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro e a reintegração de duas funcionárias que alegam ter sido alvo de assédio laboral nas suas anteriores funções.

“Não vamos fazer uma oposição descarada, mas continuamos na oposição”

Questionado à margem da Assembleia de Freguesia sobre o porquê da mudança de posição, Ricardo Nascimento vincou aos jornalistas que “não mudou de opinião” e que “tudo anda de acordo com o que o partido faz”. “O partido está de acordo com a posição. Tudo o que é feito é feito de acordo com todo o mundo. Alguma coisa tinha de ser feita e foi feita”, exprimiu. “O partido fala. O Ricardo Nascimento é partido. O Ricardo Nascimento é Chega”, continuou. Relembre-se que, na primeira sessão de instalação, o membro do Chega tinha afirmado aos jornalistas que a oposição não pretendia qualquer lugar no executivo, mas apenas “garantias de transparência”.

Interpelado sobre o facto de falar em nome do partido e se isso significava que não tinha sido ele a encetar as conversações com Catarina Barreto, o membro do Chega rejeitou a ideia. “Eu represento quem? Eu não represento o Ricardo Nascimento. Eu represento o Chega”, insistiu.

Recordado ainda sobre as últimas declarações aos órgãos de comunicação, em que Marlene Teixeira da Rocha, em representação de Ricardo Nascimento, dava a entender que as três forças da oposição estariam “unidas”, o membro do Chega remeteu a decisão para o “povo”. “A nossa opinião pessoal, neste momento, procede de que é que o povo quer. Se o povo votou na gente, eu, Ricardo Nascimento, não tenho de querer nada. Eu fui eleito pelo povo”, declarou. “A gente tentou de todas as maneiras e conseguimos o que queríamos… Vocês vão saber depois. Eu não estou autorizado a falar”, acrescentou.

Sobre a existência de um acordo escrito com a presidente da Junta, voltou a reiterar: “Eu não tenho autoridade para falar”, garantindo, contudo, que o conjunto de condições [exigidas pela oposição] tinha chegado a “alinhamento”. “Pode ter a certeza disso”, assegurou. Relativamente à auditoria externa [uma das condições] repetiu: “Não posso falar mais nada sobre isso. Não tenho autoridade”.

Relembrado também sobre um vídeo que o Chega promoveu, à porta da Junta de Freguesia de Aradas, há cerca de um mês, nas redes sociais, no âmbito das eleições autárquicas, onde Diogo Soares Machado, Ricardo Nascimento e Armando Grave, deputado que encabeçava a lista do partido à Assembleia Municipal, denunciavam a falta de “transparência” do executivo, o membro do Chega afirmou que: “Pode ter a certeza de que a transparência vem à tona. Acha que o Diogo Machado não conseguiu a transparência? Pode ter a certeza que ele conseguiu. É só isso que eu posso dizer”.

Recorde-se ainda que Diogo Machado, no final da primeira Assembleia de Freguesia, na sequência da rejeição do primeiro vogal proposto pela 'Aliança com Aveiro' para o executivo, elogiou a postura de Ricardo Nascimento, considerando-o uma “voz tranquila, mas inflexível nas questões de princípio, honestidade e rigor na gestão da coisa pública”. Na altura, acrescentou que era “tempo de devolver a democracia a Aradas”.

Sobre a sua integração no executivo, Ricardo Nascimento afirmou que, para garantir a transparência, é necessário “abdicar de algumas coisas”. “Vocês vão descobrir que a transparência vem. Não dá para falar disso hoje. Vocês vão descobrir que a gente tomou a atitude que tomou porque o povo precisa de saber o que está a acontecer e vai saber. Então, eu apoio, eu assino porque alguma coisa vai acontecer. Não vamos fazer uma oposição descarada, mas continuamos na oposição”, defendeu.

No seguimento, assegurou ainda que “todos” na oposição teriam conhecimento do acordo alcançado com Catarina Barreto, embora, instado a precisar, apenas tenha dito: “Eu acredito que sim. Tem de perguntar a eles”. Questionado, de forma particular, sobre se voltou a falar com o PS ou com o Sentir Aradas, afirmou “já não ter essa posição”. “Eu sou o cabeça de lista, mas sou só um. Estamos a falar de uma situação que é Junta de Freguesia com concelho. Hoje, eu tenho a felicidade de ter o Diogo Machado no concelho para viabilizar algumas coisas que podem ajudar ainda mais Aradas, mantendo sempre a oposição”, reforçou.

A Ria procurou ainda ouvir a oposição, à margem da sessão, mas ambos os partidos não quiseram prestar qualquer tipo de declaração. Note-se que Gilberto Ferreira, eleito pelo Movimento Independente ‘Sentir Aradas’, não marcou presença na terceira sessão, tendo sido substituído.

Por fim, questionado sobre uma eventual atribuição de pelouros a Diogo Machado na Câmara Municipal, o membro do Chega respondeu imediatamente: “É mentira”. “O partido, nem todo o mundo, fica contente com o que acontece, mas temos de pensar em quem nos elegeu e é o que a gente está a fazer”, continuou. Contudo, recorde-se que, contactado pela Ria esta quarta-feira, o vereador do Chega não descartou a opção. “Não confirmo nem desminto”, afirmou Diogo Machado.

Catarina Barreto diz que acordo com Chega “está à vista de todos”

Também à margem da sessão de instalação, Catarina Barreto falou aos jornalistas. Questionada sobre o que tinha mudado desde a última Assembleia, tal como Ricardo Nascimento, afirmou que “foi um acordo alcançado”. “Estamos aqui por bem, de boa fé, a trabalhar por Aradas”, declarou. Interpelada sobre o acordo com o Chega, Catarina voltou a repetir: “Foi um acordo alcançado”, sem confirmar se houve ou não um documento escrito. “O acordo está à vista de todos. Correu bem e o órgão executivo está formado e a mesa está eleita”, continuou.

Quanto à integração de um elemento do Chega no executivo, a autarca referiu ainda que era “livre de propor” para o órgão executivo”. “Saio muito satisfeita e, sobretudo, com a boa-fé demonstrada e a vontade de que Aradas continue a crescer”.

Sobre a votação por listas- para a eleição da mesa da Assembleia- e o facto de apenas uma delas ter sido votada [a lista A], Catarina Barreto justificou que a lista B não foi levada a votos “porque houve um sinal do Partido Socialista para não avançar”. “Foi feito um sinal pela Sónia [Aires] (…) e tanto é que não contestaram”, explicou, acrescentando que, caso não tivesse havido sinal, colocaria igualmente a lista B a votação, “ainda que não ao mesmo tempo”. Na sequência das questões dos jornalistas, acrescentou ainda que nada mudaria “até porque já tínhamos uma lista aprovada”.

A Ria questionou, entretanto, Sónia Aires, eleita pelo PS, sobre se tinha feito ou não sinal a Catarina Barreto, ao que respondeu ser “mentira”.

Sobre o acordo com o Chega, Catarina voltou a reiterar o que já havia afirmado à Ria: “Os acordos devem ficar no recato dos acordos para serem bem cumpridos”. Quanto à eventual atribuição de pelouros no Município a Diogo Machado, garantiu “não saber”. “Não sei nada disso. Tem de fazer a pergunta ao Diogo Machado e ao presidente Luís Souto. Não é a mim. Eu não sei se conversam… Eu sei aquilo que tratei”, rematou.

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