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Dois anos depois, a nova Avenida Lourenço Peixinho continua a dividir opiniões

Dois anos após a requalificação da Avenida Lourenço Peixinho, em Aveiro, a Ria foi ouvir os comerciantes daquela que é uma das principais artérias da cidade. Apesar da Câmara Municipal destacar as melhorias feitas na apresentação do livro “Avenida – Uma História com Futuro”, muitos lojistas mantêm uma visão crítica, apontando falhas na obra e efeitos negativos que, dizem, ainda se fazem sentir nos seus negócios.

Dois anos depois, a nova Avenida Lourenço Peixinho continua a dividir opiniões

Na passada quarta-feira, 7 de maio, a Câmara Municipal de Aveiro lançou o livro “Avenida Uma História com Futuro”. Uma edição do Município que, segundo uma nota da autarquia, conta “a história da Avenida Dr. Lourenço Peixinho”.

A Avenida nasceu com a missão de servir a Estação de Comboios e a mais recente requalificação foi, segundo o livro, feita “no sentido de uma maior humanização do espaço público”. O lançamento decorreu na nova livraria Bertrand e contou com a presença de José Ribau Esteves, atual presidente da CMA, que destacou a transformação da Avenida durante o seu último mandato, sublinhando a abertura de novos espaços comerciais e unidades de alojamento local.

Na sua intervenção, Ribau Esteves afirmou ainda que o livro procura “deixar contada a história” da Avenida, enaltecendo não só “o momento em que a nossa responsabilidade existiu”, como também aquele em que foi tomada a decisão de “mexer na herança”, com o objetivo de “melhorar, qualificar e dar uma injeção de energia e de vida”.

Da história mais recente, o presidente do Município de Aveiro frisou o aumento verificado no número de licenças de construção, utilização e de novas unidades comerciais instaladas. Segundo o autarca, entre 2010 e 2014 foram emitidas nove licenças de construção, número que subiu para 19 entre 2015 e 2019, antes de cair para 12 entre 2020 e 2024. Também o alojamento local registou um aumento de dez novos estabelecimentos, entre 2010 e 2024. O número de novas unidades comerciais instaladas foi o que registou um maior crescimento, tendo passado de zero novas unidades entre 2010 e 2014 para 23 entre 2020 e 2024.

“Estes são os números da estatística e a estatística é o que é. Os números são formais, são oficiais. Depois há os outros números ou as outras coisas que mais interessam: são as vivências. E de facto, todos nós temos consciência que a Avenida ganhou vida, ganhou conforto próprio”, frisou Ribau Esteves. Sobre as licenças de utilização, o autarca aponta também um crescimento, ainda que lembre que o mesmo “em termos de estatísticas tem que ser percebido com alguma delicadeza”.

As críticas à obra de Ribau Esteves que não aparecem no livro sobre a Avenida

Contudo, quem trabalha diariamente na Avenida vê a requalificação com outros olhos. A Ria falou com vários comerciantes da zona e nem todos olham para a intervenção com agrado. Apesar da nova imagem dividir opiniões, o consenso é claro quanto à funcionalidade: “em termos estéticos ficou melhor, em termos de funcionalidade, nem por isso”, afirma um dos lojistas.

Mais acima na Avenida há quem defenda ainda que, antes da requalificação, o espaço era “mais verde e mais acolhedor”. “Tinha mais estacionamento, tinha mais árvores, tinha banquinhos para as pessoas se sentarem e não havia tanta confusão, porque, como tinha duas faixas de rodagem para cada lado, o trânsito escoava melhor”, aponta um outro comerciante. Além disso, aponta problemas na calçada portuguesa, referindo que os buracos têm causado dificuldades, especialmente a pessoas com mobilidade reduzida. “Nós para termos a esplanada pagamos a licença e temos a obrigatoriedade de manter limpo, mas a Câmara não cumpre com a obrigação de pelo menos arranjar o passeio”, atenta.

“A Avenida está bonita, está airosa, está cinco estrelas… para quem vem de fora e para o turismo, (…) mas não ficou funcional para nós trabalharmos”, começa por reparar uma outra comerciante. Uma das principais críticas é a limitação de espaço para esplanadas, mesmo com passeios mais largos em alguns trechos. “Temos esta filinha encostada à nossa fachada. Para nós não valeu de nada, porque nós julgávamos que podíamos estender mais um bocadinho [a esplanada], e não, [a nova Avenida] é apenas um corredor para direcionar o turismo todo para o mesmo sítio”, lamenta um dos comerciantes, que também critica a falta de diálogo com a autarquia.

Outro ponto recorrente nas críticas é a escassez de estacionamento e a ausência de zonas adequadas para cargas e descargas. “O camião para do outro lado e os fornecedores passam a estrada para nos entregar a mercadoria”, dá nota um outro comerciante. “Foi pensado para o turismo”, garantem.

Os comerciantes apontam ainda que a empreitada, por ter demorado mais do que o previsto, não ajudou o negócio. “Apanhamos a pandemia, depois as obras… Não tem sido fácil”, apontam. Além disso, há quem considere que a requalificação “a nível de urbanismo e de circulação, não tem tido o melhor impacto. O trânsito de viaturas não é o melhor”, alertam. “Se a ideia era fazer com que as pessoas caminhassem mais, fechavam a avenida, porque agora não está bom nem para as pessoas nem para o trânsito”, frisam.

Também quem espera pelos autocarros nas paragens tem uma palavra a dizer. “Funciona bem, tirando o engarrafamento”, brinca um dos passageiros. As pessoas que utilizam os transportes públicos diariamente apontam sentir mais movimento na Avenida: o que consideram positivo, mas entendem que nem todos possam pensar o mesmo. “Para mim é ótimo, mas eu não tenho carro. Quem anda de carro deve pensar diferente”, repara uma passageira assídua nos autocarros.

Oposição defende desvio do trânsito da Avenida

Alberto Souto de Miranda, antigo presidente da CMA e candidato pelo Partido Socialista (PS) à presidência da autarquia, tem sido uma das vozes mais críticas da governação de Ribau Esteves. A Avenida Lourenço Peixinho é um dos temas em que o socialista e o social-democrata entram em desacordo, com Alberto Souto a defender a recolocação de árvores “na placa central da Av. Lourenço Peixinho”, bem como o desvio do trânsito da Avenida. A este propósito, o candidato tem defendido mesmo “a retirada do trânsito e estacionamento, «permitindo apenas cargas e descargas a moradores e veículos de emergência», de forma a «recuperar a avenida para as pessoas»”.

Sobre o trânsito e o arvoredo José Ribau Esteves defendeu, na passada quarta-feira, que a autarquia quis “mudar”. “Quisemos que a avenida deixasse de ser uma rodovia por onde se passa e quisemos que ela passasse a ser uma via urbana onde se vive”, considerando ter sido feita “uma mudança radical de paradigma”. O autarca destaca ainda que “já não se pode fazer aquilo que tantos de nós fazíamos, quando tínhamos pressa para apanhar o comboio, que era percorrer a avenida entre os 140 e os 145 km/h”.

Sobre o valor ambiental da requalificação da Avenida, Ribau Esteves sublinhou que “quisemos que a performance ambiental da nossa avenida (…) tivesse também aqui um contribuinte especial”, destacando a plantação de Ginkgo Bilobas, uma árvore “considerada pela ciência” como “uma das árvores que mais fixa carbono”. “Uma avenida que é um centro urbano, onde também há circulação automóvel, esse fator [ambiental] é um fator importante colocando a árvore no sítio certo, e o sítio certo não é no meio da avenida a servir os carros, é junto aos passeios, junto às fachadas urbanas onde estão os passeios onde os peões circulam”, considerou o autarca.

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