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Feira de Março: CMA não garante contratualizar concessões à restauração, apesar de obrigação legal

No passado dia 17 de abril, os empresários da restauração da Feira de Março entenderam fechar todos os estabelecimentos em protesto com uma alegada quebra de promessa por parte da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), que teria garantido a contratualização das concessões a partir da próxima edição. À margem da reunião de executivo camarário de ontem, dia 4, Luís Souto, presidente da autarquia, disse que a ação “não impressiona” e não deu garantias de que a Câmara vá aceder às reivindicações. A Ria procurou perceber melhor o caso junto do advogado Pedro Teixeira, que considera que a lei obriga a que os contratos sejam celebrados.

Feira de Março: CMA não garante contratualizar concessões à restauração, apesar de obrigação legal

Foi já perto do fim da Feira de Março que, em protesto com a Câmara Municipal de Aveiro (CMA), os empresários da restauração presentes resolveram fechar os seus estabelecimentos. Na altura, uma fonte ouvida pela Ria contava que existia a promessa de que, a partir de 2027, a presença na Feira ia deixar de ser definida via concurso público e que passaria a ser firmado contrato com todos os negócios. No entanto, o vereador Pedro Almeida teria dado a indicação de que o compromisso não viria a ser cumprido.

Aquando da publicação da notícia da Ria, a autarquia não quis fazer nenhum comentário sobre assunto, não se tendo pronunciado até agora. À margem da reunião de Câmara da passada segunda-feira, dia 4, o presidente Luís Souto falou pela primeira vez, dizendo que “pressões sobre a Câmara Municipal podem fazer as que quiserem, não vale a pena”.

“Essas situações ocorreram pontualmente, não nos impressionam nem alteram um milímetro naquilo que nós temos a fazer. Nem nesse caso, nem outro.Não vale a pena criar aqui uma ideia em Aveiro que se pode fechar o que quer que seja ou outro tipo de ações, que isso não nos impressiona absolutamente nada. Nós vamos por aquilo que será o melhor interesse público, sempre”, aponta.

Luís Souto foi ainda mais longe e deixou uma mensagem aos empresários da restauração: “Uma coisapoderemos fazer.Nós vamos avaliar em sede de contratos estabelecidosse este tipo de ações são ou não são legítimas para o futuro.Ah, isso vamos avaliar”.

Ora, uma das principais reivindicações era precisamente a contratualização da concessão dos espaços na Feira de Março. Questionado diretamente sobre essa exigência, o presidente afirmou apenas que “não há decisões” e que “é um processo que se iniciou”. “O vereador Pedro Almeida está com esse pelouro e, calmamente… agora fizemos o balanço e aprendemos com a experiência vários aspetos que há a corrigir. Ele está a fazer esse trabalho e está a ser preparada a edição do próximo ano”.

Advogado Pedro Teixeira acredita que procedimento da Câmara não é legal e tem de ser alterado

Para se inteirar da total dimensão desta situação, a Ria procurou falar com o advogado aveirense Pedro Teixeira. Na sua ótica, não há margem para dúvidas: “A Câmara está vinculada à contratação pública e, portanto, tem de seguir as regras da contratação pública, independentemente de isso ter acontecido nos anos passados […] Tem de ter as suas contratações documentadas e tem que haver transparência na contratação”.

No entendimento do advogado, a prática corrente não está dentro da legalidade, o que apenas se pode justificar por “hábitos que se foram criando”. “A contratação no âmbito da contratação pública deve estar reduzida a um documento escrito, até para que os próximos presidentes da Câmara possam saber com o que estão vinculados […] Devia estar e tem de estar reduzido a escrito”, explica.

Caso assim o entendam, os estabelecimentos de restauração que encerraram os seus estabelecimentos podem, de acordo com o advogado, reagir. Para isso, precisam de comprovar que houve “má-fé”, reunindo “um conjunto de provas de que a sua contratação foi feita nuns determinados termos que depois não foram realizados”.

No entanto, afirma, é mesmo preciso “ter provas disso”. “Muitas vezes fazem-se promessas que não sei até que ponto são juridicamente eficazes. Que ficam [na Feira de Março] neste ano, no próximo e no seguinte. Aí eles não têm um vínculo jurídico que lhes permita ter segurança”, aponta.

De acordo com o advogado, “ se através de e-mails, conversações, prova testemunhal… provarem que houve aqui uma legítima expectativa jurídica, podem sentir-se defraudados e reagir contra a Câmara”.

A Ria procurou ainda pela existência de contratos públicos de contratação de empresas de restauração para a Feira de Março que estivessem disponíveis no Portal Base Gov, mas não teve sucesso.

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