Investimento no SC Beira-Mar está “atrasado” e Quintaneiro não garante a concretização do negócio
Nuno Quintaneiro, presidente da direção do Sport Clube Beira-Mar (SC Beira-Mar), disse esta segunda-feira, 5 de janeiro, à Ria, que o processo de constituição da sociedade desportiva do clube “está atrasado por razões que dizem respeito aos investidores”. Segundo o dirigente, a demora coloca em causa o investimento na equipa principal planeado para janeiro. Embora reforce crença na “seriedade” do investidor, Nuno Quintaneiro não descarta que o negócio possa vir a cair.
Redação
À entrada para 2026, o principal objetivo do SC Beira-Mar volta a ser o mesmo: a constituição de uma sociedade desportiva. Quem o diz é Nuno Quintaneiro, que, em entrevista à Ria, explica que o passo “é tão fundamental para o desenvolvimento do futebol sénior, como para dar espaço de crescimento e de aposta no ecletismo” do clube.
Recorde-se que, em 2025, o SC Beira-Mar chegou a ter contas acertadas com o investidor brasileiro Breno Dias Silva. No entanto, segundo disse o presidente em Assembleia Geral no passado mês de julho, o empresário não conseguiu cumprir com os prazos pré-definidos com o clube e a direção acabou por desistir do negócio.
Mais tarde, na Assembleia de dia 31 de outubro, o presidente avançou que já existia um “princípio de acordo” com investidores nacionais que deveria ser formalizado em dezembro. Para além dos dez milhões de euros previstos para a operação, o investidor comprometia-se também a injetar 200 mil euros nas equipas principais de futebol do clube ainda na presente temporada.
Nuno Quintaneiro revela agora que o investimento está “atrasado por razões que dizem respeito aos investidores”. Conforme aponta, o cronograma estabelecido em outubro “já está ultrapassado” e, portanto, ainda não foi possível concretizar o investimento inicial acordado.
“Estamos agora em janeiro a tentar recuperar o atraso, mas naturalmente há aqui questões que não dependem só do clube – e, nessas questões, por mais que nós tentemos contribuir, colaborar, facilitar… encontramos sempre aqui dificuldades que não são do nosso lado”, explica o presidente.
Para já, o primeiro impacto deve sentir-se no mercado de janeiro, onde o clube planeava reforçar a sua equipa principal. Embora assuma que a próxima época não deve ficar prejudicada, Quintaneiro afirma que o SC Beira-Mar queria “dar uma crescente qualidade em alguns setores do plantel principal”, mas que assim fica “muito condicionado”.
Questionado sobre a possibilidade de o negócio ainda poder não se vir a realizar, o presidente não deu certezas: “Não vou fazer nenhum exercício de adivinhação futura (…) se se vai concretizar ou não… Não posso substituir quem está do outro lado da equação”, atirou.
As reticências que mantém derivam das más experiências do passado, mas, até ao momento, “nada faz acreditar que as coisas não se vão concretizar”. O presidente sublinha que “quer acreditar que as pessoas irão cumprir o que acordaram com o clube, que são sérias e honestas” e que “os atrasos que têm tido são normais da vida corrente”.
Presidente olha com “preocupação” para a má fase da equipa, mas garante “confiança inabalável”
À entrada para o Ano Novo e num momento em que comemora 104 anos de história, o SC Beira-Mar está na luta pela manutenção no Campeonato de Portugal – neste momento, encontra-se no 9º lugar da Série B, a dois pontos e com mais um jogo do que o 10º, que será despromovido. Vindo de uma série de quatro jogos sem ganhar, Nuno Quintaneiro afirma que o clube continua com o objetivo da permanência, que foi estabelecido no início da temporada.
A má fase “preocupa”, mas “a confiança no grupo é inabalável”, diz o presidente, que também afirma que a sorte não tem estado do lado dos beiramarenses: “Além de lesões, tivemos várias situações de doenças e de problemas físicos […] Desde que o campeonato começou, o Beira-Mar não teve um jogo em que tivesse contado com todo o plantel disponível, é algo incrível”. Para lá das indisponibilidades, o dirigente também tece duras críticas em relação às arbitragens, que, segundo afirma, têm vindo a “penalizar” o Beira-Mar.
“Ninguém pense que só porque os resultados não estão a traduzir aquela que é a qualidade, o empenho e o trabalho da equipa, que isso vai representar uma descrença e uma desconfiança tal que leva a malta a duvidar de si própria”, sublinha o presidente. Quintaneiro acredita mesmo que o SC Beira-Mar vai fazer uma melhor segunda volta do campeonato e “alcançar tranquilamente o objetivo da manutenção”.
Se não puder contar com o apoio previsto do investidor em janeiro, Nuno Quintaneiro assume que o clube “não tem folga” para se aventurar no mercado de inverno. O orçamento é “extremamente restritivo” e, por isso, as adições ao plantel estarão sempre condicionadas à saída de jogadores.
Nesse sentido, o presidente reconhece a falta de jogadores capazes de “causar desequilíbrios” na frente do terreno e que consigam capitalizar as oportunidades de golo criadas, mas diz que “um jogador que tem golo (…) tem sempre um mercado, do ponto de vista financeiro, muito mais exigente para poder atacar”. As restrições financeiras que o Beira-Mar tem são, de facto, uma condicionante muito grande”, admite.
A pensar já na próxima temporada, contando com a integração do novo parceiro, Nuno Quintaneiro acredita que os objetivos devem passar pela construção de um plantel que queira atacar a subida à Liga 3. No entanto, frisa, “essa resposta terá de ser dada pelas pessoas responsáveis pelo investimento e não tanto pela direção do clube”.
Nova sede social no SC Beira-Mar no centro de Aveiro é objetivo para 2026
Na mensagem de aniversário do presidente publicada nas redes sociais do clube, o estabelecimento de uma nova sede social do clube em Aveiro é uma das metas traçadas para 2026. À Ria, Nuno Quintaneiro recorda que a criação desta sede é um compromisso da Câmara Municipal de Aveiro (CMA) que remonta a 2016 que nunca chegou a ser cumprido.
Nas palavras do presidente, o espaço – que pode ser instalado ou construído no centro da cidade – deve contar com uma loja do clube: “Falta-nos uma referência num espaço central da cidade com qualidade para servir clientes, para receber turistas, para receber os nossos sócios e adeptos, de modo que possamos apostar numa receita importante de merchandising”.
Atualmente, o clube conta apenas com um gabinete na antiga Junta de Freguesia de Vera Cruz que, para Nuno Quintaneiro, “é muito pequenino, minúsculo”. “Visou salvaguardar um serviço que o clube não tinha quando fechou a antiga Casa do Beira-Mar, mas temos que perceber que essa função transitória e precária já ultrapassou em muito o prazo que deveria ter durado”, aponta.
Recomendações
Aveiro acolhe esta sexta-feira a 6ª edição do corta-mato e traz condicionamentos de trânsito
A atividade será composta por “quatro provas”, onde estão incluídas as provas adaptadas, e com distâncias que variam entre os 1000 e os 3500 metros. O corta-mato tem início marcado para as 10h15 e fim previsto para as 13h00. Na nota, a autarquia alerta ainda que para a realização do evento haverá alguns condicionamentos de trânsito, ao “longo da manhã nas imediações do Parque”. Assim, cinco arruamentos estarão com trânsito condicionado: Avenida Araújo e Silva; Rua das Pombas; Rua de Santa Maria da Feira; Rua Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Aveiro e Rua de Oliveira de Azeméis. “A Câmara Municipal de Aveiro apela, por isso aos condutores, que evitem esta zona da Cidade entre as 09h30 e as 13h30 desta sexta-feira”, lê-se.
Prova de Corta-Mato que decorre no Parque da Cidade condiciona trânsito na sexta-feira
Nesta 6.ª edição do Corta-Mato do Município de Aveiro está programada a participação de cerca de 1300 alunos entre os 5º e o 12º ano de todas as escolas básicas e secundárias de Aveiro. A competição é composta por quatro provas, onde se encontram incluídas as provas adaptadas, tem o seu início marcado para as 10h15 e o fim previsto para as 13h00. As distâncias variam entre os 1000 e os 3500 metros. Devido à realização da prova, vão estar condicionadas a Avenida Araújo e Silva, a Rua das Pombas, a Rua de Santa Maria da Feira, a Rua Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Aveiro e a Rua de Oliveira de Azeméis. Os constrangimentos vigoram entre as 9h30 e as 13h30.
Um morto em despiste de camião na A17 em Aveiro
Por motivos ainda não determinados, o camião, que transportaria madeira e seguia no sentido Aveiro/Figueira da Foz, despistou-se na zona de Oliveirinha. Do acidente resultou a morte do condutor e único ocupante do pesado de mercadorias, tendo o óbito sido declarado no local. O alerta para o acidente foi recebido pelas 12:21, tendo sido deslocado para o acidente a viatura médica de emergência (VMER) e meios dos Bombeiros Velhos de Aveiro, além do Destacamento de Trânsito da GNR e de uma equipa técnica da ASCENDI, concessionária daquela autoestrada.
Aveiro aprova mais de 49 mil euros para obras complementares em três ruas
De acordo com uma nota de imprensa enviada à Ria, os trabalhos complementares aprovados têm um “valor de 49.671,73 euros, acrescido de IVA”, e um prazo de execução de “sete dias”. Além do mais, foi ainda aprovada a supressão de trabalhos no valor de “46.259,32 euros, correspondente a uma redução de 6,251% do valor da adjudicação, sem lugar a indemnização ao empreiteiro”. No comunicado, a autarquia recorda ainda que esta é uma obra “prioritária” dado o “elevado desgaste dos arruamentos, sujeitos a tráfego intenso, nomeadamente na ligação entre a Estrada de São Bernardo e a rotunda junto ao Parque de Exposições de Aveiro”. A obra foi adjudicada à empresa Urbiplantec – Urbanizações e Terraplanagens, Lda., pelo valor de 784.400 euros, e abrange uma extensão total de cerca de 1,45 quilómetros e tem como objetivo melhorar a qualidade urbana, a segurança e o conforto da circulação rodoviária e pedonal, bem como qualificar as redes de águas pluviais.
Últimas
Estudantes de Medicina da UA passam a integrar a ANEM como membros observadores
Segundo a notícia publicada no site da UA, com esta adesão, os estudantes da MIM-UA passam a estar representados a “nível nacional e internacional, podendo, no futuro, após a passagem pelo estatuto de Membros Observadores, participar de forma mais direta nas discussões sobre políticas de ensino médico e nos processos de tomada de decisão que influenciam a experiência dos mesmos no ensino médico em Portugal”. Entre as vantagens estão a “integração numa rede nacional de estudantes de Medicina, bem como a possibilidade de participação em programas de intercâmbio e projetos de educação médica e saúde pública, que complementam a formação académica e promovem o desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes”. A entrada na ANEM permite ainda uma “maior visibilidade” do MIM-UA no contexto do ensino médico nacional. A UA destaca ainda que no último Congresso Nacional de Estudantes de Medicina, iniciativa promovida pela ANEM, os estudantes do 1º e 2º anos do MIM-UA já participaram. A ANEM é o órgão representativo dos estudantes de Medicina em Portugal. A associação congrega diferentes núcleos de estudantes dos cursos de Medicina do país e assume-se como um “papel ativo na defesa dos interesses dos alunos, na promoção da qualidade do ensino médico e no desenvolvimento de projetos de âmbito académico, científico e social”.
Centro de Artes de Vale de Cambra com Wim Mertens, Chico César e João Pedro Pais até março
A abertura oficial da temporada acontece no domingo, pelas 15:30, com a apresentação do musical “Johnny Johnson”, de Kurt Weill, numa produção do Teatro Nacional São Carlos, com direção do maestro João Paulo Santos. O cartaz dos próximos meses destaca nomes internacionais como Wim Mertens (01 de fevereiro) e Chico César (22 de março), a par de artistas nacionais como João Pedro Pais (14 de fevereiro) e o guitarrista Pedro Branco (28 de fevereiro), este último com o projeto “Branco Toca Marco Paulo”, com Benjamim como convidado. Na vertente das artes performativas o público poderá assistir a trabalhos do coreógrafo Paulo Ribeiro, que apresenta “Louis Lui” no dia 07 de fevereiro, e do artista de circo contemporâneo João Paulo Santos em “Une Partie de Soi”, dia 25 deste mês. Até março o público vai poder assistir no CAE de Vale de Cambra, no distrito de Aveiro, espetáculos como “A Caminhada dos Elefantes”, pela Formiga Atómica, “Lições de Voo”, do Teatro de Marionetas do Porto ou “Duas Casas” pela Imaginar do Gigante, entre outros. As artes visuais estarão representadas pelos ilustradores António Jorge Gonçalves e Paula Delecave, que vão ter exposições a serem inauguradas no dia 17 de janeiro e patentes até 10 de abril. Nesse mesmo dia de abril vai ser apresentado o espetáculo “Desenhar os Sons com a Luz dos Dedos”, que junta os músicos Rodrigo Leão e Gabriel Gomes ao ilustrador António Jorge Gonçalves. Além dos espetáculos para o público em geral, o equipamento promove projetos participativos como “Anoitecer” e atividades para escolas, procurando “estreitar a ligação entre a arte e o território”. O trimestre de eventos antecede as celebrações do primeiro aniversário do CAE que serão assinaladas com uma programação especial durante o mês de abril, segundo adiantou fonte municipal.
Arouca distingue 201 bombeiros com medalha de ouro
A cerimónia decorre sexta-feira, pelas 20:45, com a entrega da medalha de mérito municipal de grau ouro aos bombeiros das corporações de Arouca, Fajões e Nespereira, e distingue o quadro de comando e o quadro ativo das três corporações. No total serão homenageados 201 operacionais pelo trabalho no combate aos grandes incêndios que atingiram o território de Arouca no mês de julho. A proposta de louvor foi apresentada em reunião de câmara pela presidente da autarquia, Margarida Belém, e mereceu a aprovação unânime. A autarca sublinha que a distinção pretende “expressar a gratidão da comunidade pelos operacionais que asseguram a segurança e tranquilidade dos cidadãos”. Segundo Margarida Belém, a homenagem “serve também para promover o voluntariado e inspirar as gerações mais jovens para a participação cívica e apoio aos vulneráveis”. No mês de julho, os fogos consumiram cerca de quatro mil hectares de área florestal, só no concelho de Arouca, e obrigaram ao encerramento dos Passadiços do Paiva. As chamas chegaram a ameaçar habitações em várias freguesias e mobilizaram um dispositivo recorde, que chegou a contar com cerca de 800 operacionais no terreno, além de diversos meios aéreos e terrestres. O incêndio, que começou a 28 de julho e se prolongou por vários dias, foi um dos maiores do país, obrigando à evacuação de algumas aldeias, numa altura em que a onda de calor e fortes ventos dificultavam o seu combate.
UA acelera transformação na formação ao longo da vida com apoio da Universidade ECIU
Foi num sofá branco, no centro dos Serviços de Gestão Académica da Universidade de Aveiro, no Edifício Central da Reitoria, que Paulo Jorge Ferreira e Niall Power refletiram sobre a aposta da instituição na formação ao longo da vida. Durante cerca de meia hora, ao final do dia, a conversa decorreu com o som das portas que iam marcando a saída dos funcionários após mais um dia de trabalho. Numa parte inicial da conversa, a Ria começou por desafiar Paulo Jorge Ferreira a comentar os últimos dados divulgados, no ano passado, a nível nacional, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), onde, conforme noticiado pelo jornal Eco, revelavam que, em 2022, “menos de metade dos adultos em Portugal participaram em, pelo menos, uma atividade de educação (formal ou não)”. O país encontrava-se ainda abaixo da média comunitária. Questionado sobre o que está a falhar, o reitor foi direto: “Tem falhado nas soluções de requalificação e nas soluções de formação superior profissional”. Segundo explicou, é precisamente nas formações de curta duração, que não se enquadram nem nas licenciaturas nem nos mestrados tradicionais, que se encontram as maiores lacunas. “No número de jovens adultos com diplomas de licenciatura ou de mestrado, Portugal até está um ponto acima da média da OCDE. No restante, infelizmente, estamos vários pontos abaixo”, afirmou. Paulo Jorge Ferreira recordou ainda que muitos trabalhadores e empregadores continuam sem plena consciência da importância da formação ao longo da vida. “Isto foi demonstrado em inquéritos que nós próprios fizemos. Quer os trabalhadores, quer as empresas que os empregam, não têm absoluta consciência daquilo que seria para eles vantajoso e oportuno proceder a essas formações”, sublinhou. Sobre o papel da Universidade de Aveiro neste processo, o reitor destacou o caminho desenvolvido desde 2019, ano em que a instituição integrou a Universidade Europeia ECIU. “O compromisso principal era providenciar soluções de requalificação para um mundo em mudança.Isso obriga a desenhar métodos específicos para essa requalificação e a alterar todo o paradigma de ensino para que faça sentido”, explicou. “Requalificar um conjunto de 20 pessoas com histórias e passados formativos (…) e idades totalmente diferentes, expectativas quanto às carreiras totalmente diferentes, é muito mais difícil do que pegar num grupo de pessoas com 18, 20 ou 22 anos e levá-los do ponto inicial até ao ponto final”, continuou Paulo Jorge Ferreira. Questionado sobre a forte aposta da UA nestas formações curtas, como microcredenciais, e como a instituição poderia aumentar o número de matriculados, o reitor recordou o papel dos “governantes”. “Dizem-nos os nossos governantes que temos pleno emprego, nesta altura. Pleno emprego, o que é? É estarmos empregados? Ou é termos um emprego no qual damos o melhor que seríamos capazes de dar? E aqui é que começa a diferença entre a necessidade da requalificação e a ligação da requalificação com o progresso económico e o progresso do país e a situação em que estamos”, vincou. “Pleno emprego para mim é quando cada um está a dar o máximo que é capaz de dar, quando cada um foi até ao limite das suas competências, e está a transformá-las em valor no mercado”, prosseguiu Paulo Jorge Ferreira. Quanto ao futuro das microcredenciais, o reitor acredita que as diferenças atualmente visíveis na oferta destas formações entre as diferentes unidades orgânicas, na UA, se irão acabar por “desvanecer”. “Se esperarmos alguns anos, vamos ver que estas diferenças de arranque que se toleram neste momento, em que estamos numa fase muito embrionária das propostas, se vão desvanecer e eu acho que vai aparecer propostas de requalificação por todas as áreas”, esperançou. Numa segunda etapa da conversa, Niall Power aproveitou ainda o momento para apresentar a Universidade ECIU. “É uma associação de universidades a nível europeu, desde 1998, para que as universidades participantes possam cooperar, colaborar, procurar soluções para as suas próprias universidades, regiões e fazer isto em cooperação com outros parceiros”, descreveu. A UA juntou-se a este consórcio, tal como descrito acima, no ano de 2019. Questionado sobre o impacto atual da ECIU na instituição, Niall deu nota que, atualmente, a associação envolve, no caso da UA, mais de “3500 estudantes individuais” e mais de “6 mil participações”. Ainda assim, mais do que aumentar o número de participações, a UA pretende cumprir com um outro objetivo: “Propor um modelo de ensino superior com uma dimensão europeia que seja muito atraente e alcançável pelos cursos que existem também em Portugal e nos diferentes países participantes. Queremos antecipar um modelo de ensino superior que seja alcançável para todos”, admitiu. Segundo o diretor, desde 2022, a Universidade ECIU oferece mais de “440 cursos”, através da sua plataforma. “Eu não vou dizer que é igual à Netflix, mas a ideia está um pouco inspirada. (…) Os estudantes da UA podem entrar e escolher cursos entre os desafios societais ou microcursos que levem depois à microcredencial”, explicou. “Quando um estudante realiza um desses cursos, é automaticamente emitido um passaporte eletrónico de competências, associado ao Europass, ao sistema europeu de reconhecimento de qualificações. (…) A ECIU é a única rede europeia de universidades capaz de oferecer essa oportunidade, de obter um microcredencial emitido pelo Europass”, continuou Niall. Apesar de, até ao momento, os cursos da Universidade ECIU só estarem disponíveis para os estudantes da UA, Niall Power anunciou à Ria que em “muito breve prazo, nas próximas semanas, vão-se tomar decisões importantes que vão proporcionar a possibilidade dos antigos alunos ou recém-graduados” poderem também participar. “Estamos também em conversas e a trabalhar em conjunto com algumas empresas, inclusive, em Portugal, para que os seus próprios quadros possam também participar nos cursos de ECIU”. Prestes a entrarmos na reta final da conversa, Paulo Jorge Ferreira recordou ainda que, nos dias de hoje, a Universidade ECIU envolve “cerca de 350 mil estudantes” por toda a Europa. Para o reitor, o potencial de crescimento deste consórcio e no conjunto de formações curtas “é muito grande”. “Uma coisa que, no futuro, acho que pode acontecer é o estudante solicitar formações em áreas concretas e, no fundo, consolidar, empilhar todas essas formações e constituir algo que lhe é reconhecido como uma habilitação oficial de nível superior. (…) Era a passagem de currículos pré-fabricados pelas instituições para currículos que eram construídos pelo próprio estudante. E isto seria o máximo da flexibilidade e o máximo da motivação porque permitia a cada um escrever a sua própria caderneta formativa e, em certa medida, escolher o seu próprio futuro”, rematou.