SC Beira-Mar deve constituir sociedade desportiva até ao final da época com investidores portugueses
Nuno Quintaneiro, presidente da direção do Sport Clube Beira-Mar (SC Beira-Mar), anunciou na passada sexta-feira, dia 31, durante a Assembleia Geral do clube, que existe um “princípio de acordo” com investidores nacionais para a constituição de uma sociedade desportiva. O acordo deve ser firmado até ao final da temporada, mas só terá efeito a partir de 2026/2027, embora preveja um investimento de 200 mil euros nas equipas séniores de futebol ainda esta temporada.
Redação
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Após ter caído o acordo que o SC Beira-Mar tinha com Breno Dias Silva para a constituição de uma Sociedade Desportiva por Quotas (SDQ), Nuno Quintaneiro conta que, durante o verão, voltou ao processo de “abrir as portas” do clube para ouvir propostas. Durante esse período, o presidente conta que “apanhou de tudo” e foi vítima de um “assédio constante” por parte de quem se queria constituir como parceiro do Beira-Mar, mas acabou por reduzir as opções a três potenciais investidores: dois estrangeiros e um português.
O escolhido acabou por ser mesmo o português, que foi conduzido ao clube por intermédio de Gualter Barros, administrador da IRBAL S.A. – uma pessoa que, diz o presidente, merece a confiança do Beira-Mar. Apesar de garantir que se trata de alguém com experiência no mundo do futebol, Nuno Quintaneiro não revelou a identidade do parceiro escolhido a pedido do próprio, que alega que se o acordo fosse revelado agora poderia criar “instabilidade” noutros negócios em que está envolvido.
Inicialmente, conta o presidente, o investidor estava reticente em aceitar os princípios impostos pelos associados para a constituição de uma sociedade desportiva. Mais tarde, acabou por perceber que “deste lado existe gente séria” e, depois de “dar luta” e de os responsáveis do Beira-Mar “forçarem, forçarem, forçarem”, ambas as partes acabaram por chegar a um entendimento.
A principal novidade deste acordo é que, para além dos dez milhões de euros previstos para a operação – um milhão e meio a ser usados para a liquidação da dívida do clube, e oito para a sociedade desportiva, sendo desses três milhões e meio para a construção de um centro de alto rendimento e cinco para a equipa principal de futebol -, o investidor vai também investir 200 mil euros ao longo da presente temporada nas equipas principais de futebol.
Segundo conta Nuno Quintaneiro, tanto o clube tem pressa para que o negócio avance como o próprio investidor, por “segurança jurídica dos investimentos que estão a fazer”. Prevê-se que em dezembro o acordo seja formalizado, embora o prazo seja extensível até ao final da temporada. Já a transmissão dos direitos desportivos do clube só pode acontecer em 2026/2027.
Direção do SC Beira-Mar decidiu não aplicar a “regra de ouro”
Conforme tinha sido noticiado pela Ria, a reunião de associados do clube tinha também na ordem de trabalhos o ponto “Informação aos sócios sobre a aplicação da ‘regra de ouro’, respeitante ao triénio 2021-2024, nos termos e para os efeitos previstos no art. 27º, nº 4 dos Estatutos”. De acordo com os estatutos do clube, cada direção deve ter como “regra de ouro” que, “no final do seu mandato, a situação líquida do S. C. Beira-Mar, seja, se nada de anormal e extraordinário ocorrer, pelo menos igual à existente aquando da sua tomada de posse, devendo o eventual agravamento da mesma, após confirmação por auditoria promovida pela nova Direção, ser assumido solidariamente pelos membros em funções da Direção cessante”.
Após fazer uma contextualização histórica sobre a entrada da regra nos estatutos do clube, Nuno Quintaneiro acabou por concluir que “o défice do Beira-Mar é um défice estrutural” e que, por isso, no paradigma atual, a responsabilidade não pode ser imputada totalmente à direção. “Enquanto estivermos neste contexto no Campeonato de Portugal é praticamente impossível não ter défice […] Esta regra serve para proteger uma situação de equilíbrio, não para sancionar as pessoas que num contexto extremamente adverso acabam por apresentar uma situação líquida negativa”, apontou.
Assim, a decisão da atual direção do SC Beira-Mar foi a de não aplicar a “regra de ouro” à direção que esteve em funções entre 2021 e 2024, presidida por Afonso Miranda. Não obstante, o presidente salientou que concorda com a manutenção da regra nos estatutos e disse que é seu “objetivo” entregar o Beira-Mar numa “situação de equilíbrio” a quem lhe suceder. Por outro lado, pode ler-se na deliberação do Conselho Fiscal que a regra não deve ser aplicada nem à direção anterior nem à atual e fica a recomendação de que se reveja o texto dos estatutos.
A Assembleia Geral do SC Beira-Mar serviu ainda para aprovar o Relatório de Atividades e Contas do exercício de 2024/2025, que apenas não mereceu o voto favorável de um associado presente, que votou contra o documento. O relatório dá nota de um resultado líquido negativo superior a 54 mil euros, que, segundo Nuno Quintaneiro, representa uma “grande recuperação”. No ano anterior, o valor ultrapassava os 200 mil euros negativos.
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