Moções discutidas na Assembleia Geral de Alunos da AAUAv geram divergências
O fim das propinas e a guerra no Médio Oriente foram os temas que geraram a maior controvérsia, na ordem de trabalhos, na última Assembleia Geral de Alunos ordinária da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) que decorreu, esta terça-feira, no Complexo Pedagógico da Universidade de Aveiro (UA).
Isabel Cunha Marques
JornalistaAmbas as temáticas foram apresentadas, no ponto seis da ordem de trabalhos, pelo estudante Pedro Coutinho. Relativamente à primeira moção, que tinha como objetivo o fim das propinas no Ensino Superior, o estudante recordou que “com o marco histórico dos 50 anos do 25 de Abril e os sucessivos ataques às conquistas que saíram desta Revolução, urge defender e concretizar o Ensino Superior tal como ele está consagrado na Constituição da República Portuguesa, um Ensino Superior público, gratuito, democrático e de qualidade”. Assim, para Pedro Coutinho a existência da propina “é inconciliável com estes objetivos, pelo obstáculo financeiro que representa ao acesso e frequência, fomentando não só a elitização do Ensino Superior, como também o seu subfinanciamento, já que serve como justificação para se desresponsabilizar o Estado Central da sua tarefa constitucional de financiar o Ensino Superior Público”.
No que toca aos Serviços de Ação Social, o estudante apelou à necessidade de garantir mais residências públicas, melhorar as existentes e aumentar o valor do complemento de alojamento, considerando o “preço incomportável” com o da habitação em Portugal.
No documento apresentado, Pedro Coutinho apontou ainda críticas às refeições sociais na UA, realçando ser contra o seu aumento “para os 2,80 euros” e denunciando a falta de condições que leva a que os tempos de espera sejam muito longos”, tal como noticiado pela Ria.
Assim, com a aprovação desta moção, o estudante exigia que a AAUAv “publicitasse exaustivamente esta moção e todas as iniciativas em torno da luta pelo fim da propina”; prestasse contas sobre as diligências “que tomou para cumprir os pontos desta moção” e que participasse e se mobilizasse “para a luta pelo fim da propina por mais e melhores residências públicas, por melhores condições nas cantinas da UA e por mais ação social escolar, no dia 5 de novembro às 16h00 em frente à reitoria”.
Wilson Carmo, presidente da AAUAv parabenizou a proposta, mas sugeriu algumas alterações ao documento, nomeadamente, no que toca à extinção total da propina. “Esta direção defende a gratuitidade do ensino superior. Quanto à propina [a direção] defende uma redução progressiva e não uma redução para amanhã (…) O custo do ensino superior não são só as propinas (…) Acreditamos que a base está no reforço da ação social para criar condições económicas para conseguir comportar os custos do ensino superior”, afirmou.
Quanto à proposta de manifestação, no dia 5 de novembro, o presidente da AAUAv discordou da iniciativa dando nota que a Associação Académica já “participou numa manifestação em março” e de que tem estado em “reuniões sucessivas” com a UA e com o Ministério da Educação para discutir o tópico. “Não nos parece que esta seja a melhor forma de divulgar”, reconheceu. Face a isto, sugeriu ainda a votação deste ponto de forma isolada.
Após um período de discussão com o restante plenário, as sugestões foram aceites por Pedro Coutinho, tendo sido os dois primeiros pontos [fim gradual da propina e as contas sobre as diligências da moção] aprovados com um voto contra, uma abstenção e 31 votos a favor. Relativamente ao terceiro ponto [manifestação na reitoria] foi reprovado com 14 votos contra, dez abstenções e nove votos a favor.
Em declaração de voto, Samuel Xavier, um dos estudantes presentes na Assembleia Geral, realçou que a direção da AAUAv deve ter “autonomia” em participar no que “muito bem entender” em relação a manifestações. “Caso contrário, entramos num pretexto de sermos uma direção mendiga que está à espera de que a Assembleia Geral lhe diga o que deve fazer. Acho que a direção deve sim [ter autonomia] por também considerar que a direção publica mais festas e paródias do que qualquer outro tema (…) Se quiser organizar uma manifestação eu sou a favor e eu lá estarei… Só não acho que deva ser a Assembleia Geral a forçar”, sugeriu.
“Fica aqui o meu desagrado e descontentamento”
Num momento posterior, Pedro Coutinho propôs ainda a aprovação de uma moção pela paz no Médio Oriente. Segundo o estudante, “perante a violação sucessiva da Carta Universal dos Direitos Humanos, nomeadamente do seu artigo 3° que consagra que todos os seres humanos têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. É urgente que se adote uma solução que coloque um fim ao horror a que os palestinianos estão expostos”.
Face ao apresentado, a direção da AAUAv enviou à mesa da Assembleia uma proposta alternativa à moção que tinha como objetivo exigir a “paz global”. De acordo com Wilson Carmo a moção apresentada por Pedro Coutinho estava “muito focada no Médio Oriente e (…) aquilo que devemos lutar seria pela paz (…) em geral e não apenas no Médio Oriente”, justificou.
Após a apresentação de ambos os argumentos, o plenário decidiu deliberar e votar sobre ambos os documentos [do Pedro e da direção da AAUAv] tendo sido aprovado apenas o da direção com 0 votos contra, quatro abstenções e 24 votos a favor. A primeira moção foi rejeitada com 11 votos contra, nove a favor e oito abstenções.
Face ao chumbo, mais uma vez, Samuel Xavier voltou a pedir uma declaração de voto onde afirmou ser “assustador e deprimente, a direção da AAUAv votar contra uma moção que fala de um tema tão sensível como são as atrocidades que estão a ser feitas contra o povo palestiniano. Fica aqui o meu desagrado e descontentamento”, expôs. Em forma de resposta, o presidente da AAUAv assegurou que a “segunda proposta que foi aprovada não vai contra o que está a acontecer (…) só não menciona de forma tão vincada. A leitura não é justa”, insistiu.
Gustavo Oliveira, secretário-geral da direção da AAUAv, acrescentou ainda que a moção "alternativa" acaba por ser "muito mais completa e geral". "Aqui a principal questão é que a AAUAv tem de definir um equilíbrio justo (...) Nós temos de ter um critério único de forma a que estas questões sejam abordadas de forma clara e a interpretação seja igual. A nossa abordagem tem de ser nesse sentido", relembrou.
Pedro Coutinho salientou não perceber os argumentos da AAUAv, realçando que a sua proposta não era uma "moção alternativa, mas sim adicional". "Vejo que foi muito bem aprovada a moção global (...) como ao bocado a direção não teve a oportunidade de responder à minha pergunta volto a perguntar o porquê do voto contra e não uma mera abstenção ou aprovação se realmente na vossa própria moção defendem a paz universal", questionou.
Wilson Carmo referiu, em "forma de correção", que não foi a direção da AAUAv que votou contra a sua moção, mas antes "alguns dos estudantes que fazem parte da direção", realçando que "houve até estudantes que fazem parte da direção que se abstiveram".
Após as várias trocas de argumentos, Pedro Coutinho voltou a solicitar que gostaria de dar mais uma oportunidade aos membros da direção da AAUAv [que votaram contra a sua proposta] sobre o porquê de não terem optado pela “abstenção”, solicitando à mesa da assembleia que ficasse registado em ata a falta de respostas por parte destes.
Assembleia Geral de Alunos fez um minuto de silêncio pelos incêndios na região
Ao longo da Assembleia Geral de alunos da AAUAv foram ainda aprovados um conjunto de votos de louvor, nomeadamente, à Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) pela realização das fases finais dos Campeonatos Nacionais Universitários (CNU’s) em Aveiro, com zero votos contra, duas abstenções e 52 votos a favor; ao Conselho Nacional da Juventude pela realização do Encontro Nacional da Juventude em Aveiro com zero votos contra, cinco abstenções e 46 votos a favor; aos atletas vencedores de competições desportivas de elevado renome com zero votos contra, uma abstenção e 50 votos a favor e às Assembleias Municipais de Aveiro, Oliveira de Azeméis, Águeda, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga e Estarreja pelos incêndios que afetaram a região de Aveiro em setembro deste ano com zero votos contra e abstenções e 52 votos a favor. Após a aprovação deste último ponto cumpriu-se um minuto de silêncio.
Ainda na ordem de trabalhos o presidente da mesa da Assembleia Geral, Gonçalo Marques e o presidente da direção da AAUAv apresentaram as suas propostas de membros para a restruturação interna dos órgãos sociais da AAUAv. Após votação, Renato Alexandre Lourenço Dias foi o escolhido para secretário da mesa da Assembleia Geral e Guilherme José Rodrigues Carola para vogal da direção da AAUAv. A candidatura de Renato foi aprovada com dez votos contra, cinco votos em branco e 26 votos a favor e a do Guilherme com 12 votos contra, quatro votos em branco e 25 votos a favor.
*Notícia atualizada no dia 24 de outubro, pelas 21h44, em virtude do Gustavo Oliveira ser secretário-geral da direção da AAUAv e ter respondido às declarações do estudante Pedro Coutinho.
Recomendações
Universidade de Aveiro vai preservar discos de goma-laca de 78 rotações
A intervenção compreende a componente visual de discos de 78 rotações, através da captura em alta resolução de rótulos e inscrições de fábrica, que contêm metadados cruciais sobre a indústria fonográfica nacional. “A equipa técnica dos serviços de biblioteca da Universidade de Aveiro utilizará normas internacionais de imagem para criar substitutos digitais, que evitem o manuseamento físico da goma-laca, por se tratar de um material quimicamente instável”, descreve uma nota de imprensa da Universidade. A execução do projeto está prevista para o mês de fevereiro e inclui o acondicionamento dos originais em materiais de conservação, bem como a criação de uma galeria digital pública, no repositório da Universidade. O projeto obteve financiamento através do Fundo para o Desenvolvimento Internacional dos Arquivos e foca-se na recuperação de património anterior a 1925, classificado pela UNESCO como Património Cultural Imaterial. O trabalho conta com a consultoria científica de Susana Sardo e os novos dados “servirão para a produção de conhecimento nas áreas da etnomusicologia e da sociologia histórica do início do século XX”.
CESAM lança série audiovisual para se aproximar dos “pares de outras unidades de investigação”
De acordo com Amadeu Soares, o principal público-alvo da série está nos “pares de outras unidades de investigação”, mas o trabalho “pode ser usado em outros níveis de ensino para divulgação”. Joaquim Pedro Ferreira, do Serviço de Apoio à Comunicação, Promoção e Divulgação do CESAM, que vai estar responsável pela conceção do formato, da estrutura narrativa e do grafismo, completa: “Cada vídeo serve um bocadinho (…) para chamar a atenção para conhecer determinado tipo de investigação que pode até ser relevante para pessoas que são de outras áreas. (…) É, no fundo, para promover transdisciplinaridade dentro do CESAM e também dentro da Universidade”. De acordo com o responsável, a ideia da série “ABSTRACT” é, em cada episódio, a partir de um artigo científico, “pegar no abstract - o resumo do artigo - para construir a narrativa audiovisual do episódio da série, que é um vídeo de dois minutos”. Durante o programa tenta responder-se a três questões, explica: “O que é que os investigadores pretendiam fazer, o que é que descobriram e que ilações tiram”. Para além de serem usadas imagens identificadas pelos próprios autores, também cabe em cada um dos episódios um pequeno depoimento de um dos responsáveis pela investigação. Amadeu Soares explica que resumir em “30/40 segundos” é um grande desafio para os investigadores, “que não estão habituados” a sintetizar o trabalho em tão pouco tempo. No total, cada temporada deve ter 12 episódios, divididos em dois episódios dedicados a artigos científicos provenientes de cada Cluster de Investigação (RC). O diretor do CESAM explica que, para selecionar os artigos em destaque, é pedido ao coordenador de cada RC que faça uma pré-seleção de artigos, sendo que a decisão final acaba sempre por ser feita pela direção do centro. Os episódios, que começam a ser publicados quinzenalmente a partir da próxima semana, vão ficar disponíveis no YouTube do CESAM e serão divulgados nas redes sociais institucionais (LinkedIn, Instagram e Facebook). Cada episódio estará em língua portuguesa, com destaques e elementos gráficos em inglês.
UA promove formação para candidatos a provas de acesso aos seus cursos
O curso destina-se a candidatos Cursos Técnicos Superiores Profissionais e a Licenciaturas da UA através do concurso especial para maiores de 23 anos, a candidatos internacionais, a pessoas que necessitem de realizar uma prova de acesso local e a interessados em reforçar competências científicas nas áreas avaliadas nos exames. Os horários, os custos e meios de pagamento e o formulário de inscrição estão disponíveis na página do continua. As candidaturas estão abertas até 10 de fevereiro, sendo que as aulas terão início ainda durante o mês de fevereiro.
Depressão Kristin: Docente da UA afasta alterações climáticas e reconhece limites da previsão
Inicialmente, Aveiro chegou a ser identificada como uma das zonas de maior risco à passagem da Kristin, que sucedeu à depressão Joseph, conforme noticiado pela Ria. Na manhã seguinte, viria a confirmar-se que Aveiro não tinha sido das regiões mais afetadas, mas sim os distritos de Leiria (por onde entrou a depressão), Coimbra, Santarém e Lisboa. Da passagem da depressão sabe-se ainda que deixou um rasto de destruição, com pelo menos cinco mortos e vários desalojados. Face a este cenário, em entrevista à Ria, José Manuel Castanheira começou por sublinhar que o fenómeno foi “claramente previsto”. “Foi por essa razão que o IPMA alertou a Proteção Civil e houve todos os alertas vermelhos. A Proteção Civil elevou o estado de prontidão para o nível máximo (4)”, expôs. Ainda assim, reconheceu que a previsão meteorológica tem um “limite teórico”. “A previsão sequencial do estado do tempo (…) vai-se degradando (…) com o horizonte temporal. O que estou a prever para amanhã é diferente de prever depois de amanhã”, apontou. Apesar da antecipação do fenómeno, o professor auxiliar salientou que os impactos dependem também da forma “como a população reage”, admitindo que houve situações “inevitáveis”. “Face à violência do vento, há muitas estruturas que não resistiram”, apontando como exemplo a queda da roda-gigante na Figueira da Foz. “Os estragos são consequência da violência daquilo que está a acontecer”, afirmou. Consciente das vítimas mortais, José Manuel Castanheira recordou ainda ser necessário tomar “medidas de cautela”. “Tenho um professor em Lisboa que se farta de referir que há uma inconsciência das pessoas. Por exemplo, quando há tempestade irem para a linha da Costa para ver a força do vento… Às vezes, corremos riscos desnecessários”, recordou, sublinhando ser importante “salvaguardar vidas e bens”. Sem conseguir prever quando um fenómeno semelhante voltará a ocorrer, o docente não tem dúvidas de que este tipo de “eventos” se repetirá em Portugal. “Há uma coincidência… A zona mais atingida por esta depressão coincidiu com uma zona que foi muito afetada por uma tempestade em outubro de 2018. (…) Estes fenómenos são eventos extremos pela sua violência, mas também pelo facto de serem pouco frequentes”, explicou, acrescentando que, se acontecessem com regularidade, “nem conseguiríamos viver em algumas regiões”. Questionado sobre o nível de preparação do país, José Manuel Castanheira elogiou o trabalho da Proteção Civil e do IPMA. “Eu acho que a proteção civil atuou bem. O IPMA fez as previsões… Vemos agora alguns previsores pós acontecimento a dizer que ‘previam que a depressão passasse uns quilómetros mais abaixo’…. Isso é completa ignorância da pessoa que está a falar”, criticou. Ainda assim, reconheceu que há “aspetos a melhorar”, nomeadamente ao nível do “desenvolvimento científico” e de “questões organizacionais”. “Eu acho que o país está preparado… Agora se se perde, muitas vezes, bens isso não enriquece”, sublinhou, salientando que “em termos de previsão ainda não é possível fazer melhor”. “Os instrumentos que se utilizam para fazer previsão são os mesmos que se usam para fazer levantar um avião. (…) A antevisão não é só o IPMA que faz… Há primeiro uma escala mundial (…) que é feita no centro europeu (…) e depois (…) o IPMA vai buscar essas previsões e interpreta-as”, explicou. José Manuel Castanheira considerou, por fim, que o fenómeno não pode ser diretamente atribuído às alterações climáticas. “A alteração climática é a alteração da frequência com que ocorre. Não é uma coisa que se diz ‘antes não ocorria e depois passou a ocorrer’. É essa a diferença entre clima e tempo”, contou, acrescentando que, mesmo que estes eventos se tornem mais frequentes, “é fundamental continuar a manter e a reforçar as estruturas de previsão”.
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Ílhavo já tem Gabinete Municipal de Apoio ao Associativismo e às pessoas com deficiência a funcionar
Segundo uma nota de imprensa enviada às redações, o novo serviço iniciou, na tarde de ontem, com o “atendimento à Associação Regional de Danças e Cantares da Gafanha do Carmo”. O Gabinete Municipal de Apoio ao Associativismo e às pessoas com deficiência e suas famílias destina-se a “apoiar dirigentes associativos, bem como pessoas com deficiência e/ou as suas famílias, disponibilizando acompanhamento técnico, jurídico, administrativo e fiscal”. O objetivo, conforme explica a nota, passa por “simplificar processos e reduzir encargos burocráticos, permitindo que associações e cidadãos se concentrem no desenvolvimento das suas atividades e projetos”. O atendimento está ainda disponível através de “marcação prévia, através do número de telefone 234 329 600 ou do endereço de email [email protected]”. De acordo com o Município, a iniciativa enfatiza o “compromisso” da autarquia “com o associativismo local, reconhecendo o papel determinante dos clubes e associações na promoção da coesão social, na dinamização do território e na melhoria da qualidade de vida da comunidade”. “Paralelamente, o Gabinete traduz uma aposta clara no apoio às pessoas com deficiência, doença incapacitante e respetivas famílias, promovendo uma resposta mais próxima, integrada e inclusiva às suas necessidades”, remata a nota.
Hospital de Aveiro com urgência de Ginecologia e Obstetrícia condicionada no fim de semana
No sábado, 31 de janeiro, o serviço estará condicionado no Hospital Infante Dom Pedro, em Aveiro, entre as 08:30 e as 24:00; no Hospital Santo André, em Leiria, entre as 00:00 e as 24:00; no Hospital São Francisco Xavier todo o dia; no Hospital Distrital de Santarém, entre as 00:00 e as 08:30, e no Hospital de Vila Franca de Xira, entre as 09:00 e as 21:00. Ainda no sábado três urgências de Pediatria vão funcionar de forma referenciada, atendendo apenas casos encaminhados pelo CODU/INEM. No Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, o serviço estará condicionado entre as 21:00 e as 24:00, no Hospital de Vila Franca de Xira, a urgência pediátrica funcionará de forma referenciada durante 24 horas, e no Hospital de Santa Maria Maior, em Barcelos, o serviço estará limitado entre as 00:00 e as 08:00 e novamente entre as 22:00 e as 24:00. Por sua vez, no domingo, 1 de fevereiro, as urgências de Obstetrícia e Ginecologia vão operar de forma referenciada no Hospital Santo André, em Leiria, durante 24 horas, no Hospital Infante Dom Pedro, em Aveiro, entre as 00:00 e as 08:30, e no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, ao longo de todo o dia. No mesmo dia, os serviços de urgência pediátrica vão estar condicionados no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, entre as 00:00 e as 09:00 e entre as 21:00 e as 24:00, no Hospital de Vila Franca de Xira, durante 24 horas, e no Hospital de Santa Maria Maior, em Barcelos, entre as 00:00 e as 08:00 e entre as 22:00 e as 24:00. De acordo com as escalas, estarão ainda encerradas as urgências de Ginecologia e Obstetrícia, no sábado, no Hospital São Bernardo, em Setúbal, e também a urgência básica do Hospital São Pedro Gonçalves Telmo, em Peniche, no distrito de Leiria. No domingo, prevê‑se o encerramento das urgências de Ginecologia e Obstetrícia dos hospitais de Setúbal e do Barreiro, bem como do Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa. Nesse dia, também estará fechada a urgência básica do Hospital São Pedro Gonçalves Telmo, em Peniche. As escalas disponibilizadas no portal do SNS indicam ainda que cerca de 127 serviços de urgência estarão abertos em todo o país durante o fim de semana, aos quais se juntam 33 urgências de Ginecologia e Obstetrícia a funcionar no âmbito do projeto piloto no sábado e 34 no domingo, implicando contacto prévio com a linha SNS 24. As autoridades de saúde recomendam que, antes de recorrer a uma urgência, a população contacte a Linha SNS 24 (808 24 24 24) para obter orientação adequada.
DGS alerta para cuidados com água e alimentos após tempestade Kristin
A DGS emitiu um conjunto de recomendações na quinta-feira à noite na sequência da tempestade que afetou várias regiões do país na madrugada que quarta-feira, provocando falhas no fornecimento de energia elétrica que ainda se mantêm em algumas localidades, o que pode comprometer a qualidade da água para consumo e a segurança dos alimentos. “Situações como esta têm impacto na segurança dos alimentos conservados no frigorífico e no congelador, assim como na qualidade da água, especialmente em áreas onde o abastecimento depende de sistemas elétricos”, alerta em comunicado. Para reduzir estes riscos, a autoridade de saúde apela à adoção de medidas preventivas e comportamentos seguros, como evitar o consumo de água de fontes que não estão ligadas à rede pública de abastecimento, como poços ou minas, por poderem estar contaminadas. A DGS aconselha a população a não beber água da torneira, lavar alimentos ou escovar os dentes com essa água, a menos que exista confirmação oficial da sua segurança, devendo, sempre que possível, utilizar água engarrafada. Entretanto, a DGS esclareceu que estes cuidados com o consumo de água dizem respeito à água da torneira que não esteja ligada à rede pública. “Se não tiver água engarrafada, ferver a água durante 10 minutos antes de usar ou desinfetar com lixívia sem corantes, detergentes ou perfumes (cerca de 2 gotas por litro de água)”, recomenda, aconselhando ainda a população a lavar bem as mãos antes de manusear água tratada ou alimentos. Relativamente ao saneamento, a autoridade recomenda que, sempre que possível, se continue a utilizar a sanita, mas evitar deitar água usada se a rede estiver inoperacional. As águas residuais, como as provenientes da lavagem, não devem ser despejadas em solos ou ribeiros, devendo também o lixo doméstico e resíduos sanitários ser mantidos afastados de quaisquer fontes de água. Quanto à alimentação, a DGS esclarece que, se a interrupção de energia no frigorífico não tiver ultrapassado as 12 horas, os alimentos poderão ter-se mantido em condições de segurança para consumo. No caso dos hortícolas e fruta, como cenoura, tomate, couve, laranja ou limão, estes podem permanecer seguros mesmo para além desse período. Já os congeladores conseguem manter os alimentos congelados até 48 horas, ou 24 horas se estiverem apenas meio cheios, desde que a porta permaneça fechada. Segundo a DGS, alimentos que, após o restabelecimento da energia, ainda apresentem cristais de gelo ou se mantenham frios como se estivessem refrigerados poderão, na maioria dos casos, ser cozinhados ou voltarem a ser congelados. “Os alimentos que estivam armazenados no frigorífico ou congelador, durante a interrupção de energia, devem ser consumidos ou confecionados o mais rapidamente possível e confecionados através de métodos que atinjam temperaturas elevadas (maiores que 75 °C)”, sublinha. A DGS aconselha a população a avaliar os sinais de degradação dos alimentos, a não provar alimentos para verificar se estão bons e deitar fora qualquer alimento com cheiro, cor ou textura invulgar. Deixa ainda conselhos para a segurança da população durante tempestades como “não atravessar áreas inundadas a pé ou de carro”, porque as águas podem ser mais profundas e perigosas do que aparentam, e evitar contacto direto com águas das cheias. Limpar e desinfetar superfícies que tenham estado em contacto com água da cheia, usar luvas e botas impermeáveis durante limpezas, não manusear aparelhos elétricos enquanto houver água acumulada no interior da casa, remover, sempre que possível, água acumulada e materiais húmidos para reduzir o risco de bolor, são outros conselhos da DGS. Apela ainda à população para evitar zonas com árvores instáveis ou estruturas danificadas, ter lanternas e pilhas acessíveis, seguir as instruções das autoridades e manter-se abrigado em locais seguros.
Combate a incêndios em Albergaria-a-Velha reforçado com tanques de água
“A medida visa garantir maior rapidez de resposta no terreno e apoio direto aos bombeiros e às Unidades Locais de Proteção Civil (ULPC)”, justifica a Câmara de Albergaria-a-Velha em nota de imprensa. A autarquia definiu, numa primeira fase, seis locais para a colocação dos depósitos de água: Angeja, Branca, Ribeira de Fráguas, São João de Loure, Valmaior e Zona Industrial. “As localizações situam-se em zonas de contacto entre áreas urbanas e florestais consideradas críticas em cenários de incêndio” pelas autoridades. “Para além de funcionarem como pontos estratégicos de reabastecimento, estes equipamentos têm ainda a vantagem de poderem ser deslocados rapidamente para outras áreas do concelho”, acrescenta a nota. Cada novo tanque terá capacidade para 100 metros cúbicos e o abastecimento será assegurado “através de mães de água estratégicas”, podendo os equipamentos ser deslocados conforme as necessidades operacionais de combate. “O projeto pretende garantir uma cobertura equilibrada do território para abranger progressivamente todas as freguesias e o investimento municipal foca-se na prevenção e proximidade de recursos, para proteger as populações e evitar a repetição de catástrofes”, explica o texto. Albergaria-a-Velha viveu, em setembro de 2024, um dos piores incêndios dos últimos anos, que causou quatro mortos e 36 feridos, e consumiu quase nove mil hectares de floresta. As chamas atingiram 60 habitações e 53 empresas, com prejuízos estimados em 30 milhões de euros.