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Diogo Machado garante levar queixa contra Ribau Esteves e Rui Soares Carneiro “até ao fim”

Depois de anunciar, através das suas redes sociais, na tarde de sexta-feira, dia 3, a apresentação de uma queixa-crime contra Ribau Esteves e Rui Soares Carneiro por declarações em reunião de executivo municipal, Diogo Soares Machado, candidato do Chega à Câmara Municipal de Aveiro (CMA), voltou a abordar o tema em conferência de imprensa realizada no mesmo dia. O ex-diretor da AveiroExpo acusa ambos de difamação agravada e fala em tentativa de “linchamento de carácter e assassinato político”, garantindo que levará o processo “até ao fim”.

Diogo Machado garante levar queixa contra Ribau Esteves e Rui Soares Carneiro “até ao fim”

A conferência de imprensa tinha sido marcada com o intuito de falar sobre a situação da Junta de Freguesia de Aradas, mas o foco acabou por mudar com a reunião de Câmara da passada quinta-feira. Diogo Machado começou por falar sobre a queixa-crime por prática de difamação agravada que, durante a tarde, já tinha anunciado que tinha apresentado contra José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA) e Rui Soares Carneiro, vereador independente.

Em causa estavam as acusações do autarca na reunião de Câmara da passada quinta-feira, dia 2, quando, ao aprovar a extinção da AveiroExpo, Ribau Esteves atacou o candidato do Chega e ex-diretor da empresa: “Algumas dessas pessoas até estão em disputas política-eleitorais e têm dívidas graves e de montante relevante para com a nossa empresa”. Na altura, o vereador Rui Carneiro interpelou o presidente sobre uma das “imparidades reconhecidas” relacionadas com o “adiantamento por conta de despesas do ex-funcionário Diogo Machado, de um valor superior a 20 mil euros”, ao que Ribau Esteves respondeu que “é da vida” e que não tem “grandes ilusões” de receber esse montante.

Na resposta, o candidato do Chega afirmou que se trata de uma “mentira grosseira com dolo”, uma vez que tem a intenção de prejudicar a sua candidatura. Nas palavras de Diogo Soares Machado, o que Ribau Esteves tentou fazer foi uma tentativa de “linchamento de carácter e assassinato político”. Segundo afirma, não é a primeira ocasião em que o autarca tenta atacar opositores da mesma forma: foi o caso de Manuel Sardo, ex-presidente da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré, que Ribau Esteves terá acusado de usar dinheiros públicos em benefício próprio.

O cabeça-de-lista do Chega na corrida à Câmara Municipal de Aveiro (CMA) explica que foi ele quem avançou com um processo contra a AveiroExpo e não o contrário – processo de que viria a sair vencedor. Diogo Soares Machado nega que possa manter uma dívida para com a empresa, tendo em conta que a ata de audiência de julgamento, datada de 29 de janeiro de 2015, dita que “com o cumprimento do presente acordo, autor [Diogo Soares Machado] e ré [AveiroExpo] declaram, reciprocamente, que nada mais têm a haver um do outro”.

Por isto, diz que não vai “perdoar” as palavras do autarca e do vereador, que apelidou de “escroques da política”, por terem protagonizado um “teatro burlesco e bizarro” na reunião do executivo municipal. Diogo Soares Machado assinala que a queixa “é para ir até ao fim”.

Para além dos ataques a Ribau Esteves, que disse ter sido “transformado” pelo poder, Diogo Soares Machado também se estendeu nas críticas a Rui Soares Carneiro. Para além de alegar que o vereador pode estar a caminho da direção da Aveiro Parquexpo – “é um «suponhamos»”, disse -, o candidato do Chega também disse que o autarca foi visto no mercado de Cacia com sacos da candidatura da ‘Aliança com Aveiro’. Recorde-se que o vereador foi eleito pelo Partido Socialista, mas que, depois de ter admitido não apoiar o partido na corrida à Câmara Municipal de Aveiro, foi-lhe retirada a confiança política.

Entretanto, o vereador já reagiu à queixa-crime apresentada através da sua conta do Facebook. Nas suas palavras, “é curioso: não o conheço pessoalmente, nada me move contra ele, e até politicamente seria difícil mover-me - afinal, é complicado fazer oposição ao vazio. O vazio não tem forma, nem ideias, nem proposta - apenas ruído, como fica mais uma vez provado”.

Rui Soares Carneiro alega que se “limitou” a ler o Relatório de Gestão e Contas e o Relatório Final dos Liquidatários da Aveiro-Expo, EM, pelo que afirma: “pelos vistos, ler documentos oficiais é agora considerado difamação - uma inovação jurídica digna de registo”. “O país inteiro procura novas formas de empreendedorismo, Aveiro encontrou o seu primeiro empreendedor do vitimismo político”, conclui o vereador.

Para o vereador, é “estranho” que Diogo Soares Machado se tenha sentido difamado e não tenha apresentado queixa sobre a empresa que o considera credor. Na sua leitura, o candidato revela “intolerância democrática” ao querer condicionar quem fiscaliza, “fragilidade política” por falar de suspeitas sem apresentar provas e “tendência persecutória” por “transformar o contraditório em queixa”.

O vereador eleito pelo PS acrescenta ainda que os avanços de Diogo Soares Machado aconteceram “com uma pressa notável” e salientou que “a queixa foi apresentada […] a poucos dias de o relatório seguir para a Assembleia Municipal”. Segundo afirma Rui Soares Carneiro, terá sido “coincidência” ou “talvez apenas o receio de ouvir o próprio nome ser novamente lido”.

Numa última nota, Rui Soares Carneiro nota ainda estar “absolutamente tranquilo” e afirma “cada um faz campanha com as armas que tem. Uns com ideias, outros com queixas”.

Diogo Soares Machado voltou a apontar o dedo a “ilegalidades sucessivas” de Catarina Barreto

A situação política na freguesia de Aradas não deixou também de ser mencionada durante a conferência. Diogo Soares Machado, acompanhado de Ricardo Nascimento, novo cabeça-de-lista pelo Chega a Aradas, começou por recordar que Luís Silvano, primeiro candidato a ser anunciado na corrida à Junta de Freguesia, foi afastado do partido depois de ter sido tornado público que o ex-concorrente tinha sido afastado do INEM por furto de combustível.

Foi nesse sentido que disse não perceber o porquê de Luís Souto, cabeça-de-lista da ‘Aliança com Aveiro’, ainda manter a confiança em Catarina Barreto, recandidata à presidência da Junta. Diogo Soares Machado lembra que a Junta foi condenada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) a facultar uma série de documentos e acusou a autarca de praticar “ilegalidades gravíssimas”, tendo sido o “exemplo mais aberrante” o caso em que beneficiou indevidamente de verbas da ADSE, embora tenha mencionado também o que diz que a autarca “fez às funcionárias e funcionários”. Lembre-se que a Junta de Freguesia de Aradas foi alvo de uma auditoria por parte da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) no passado mês de agosto devido a uma queixa de uma colaboradora da Junta, relativa a factos ocorridos em 2021.

Sobre esta situação, Diogo Soares Machado atirou-se aos jornalistas e disse que, depois de o Chega ter abdicado da sua candidatura, é a comunicação social que “permite que Catarina Barreto continue [como candidata]”. Embora os jornalistas presentes tenham realçado que os desenvolvimentos da situação em Aradas têm sido sempre noticiados, o candidato do Chega reforçou que o jornalismo tem o dever de investigar, alegando um diferente tratamento entre os partidos. “Imaginem que a Catarina Barreto era do Chega. Davam 1000 notícias!”, rematou.

Entretanto, a Ria já questionou a ADSE sobre o caso citado pelo candidato do Chega. De acordo com a notícia publicada esta tarde, dia 6, Catarina Barreto recebeu indevidamente verbas do instituto durante quase cinco anos, tendo reposto todas as verbas depois de ter sido notificada sobre as irregularidades. Embora não tivesse direito a estar inscrita na ADSE, a presidente da Junta de Freguesia de Aradas defende que se tratou de um “erro administrativo”.

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