Em viagem pelo Vouguinha, BE Aveiro alerta para atrasos e propõe remunicipalização dos transportes
O Bloco de Esquerda (BE) em Aveiro viajou esta quarta-feira, 8 de outubro, no “Vouguinha”, o comboio que faz a ligação entre Aveiro e Águeda. A comitiva bloquista partiu da Taipa rumo a Aveiro, mas a viagem ficou marcada por alguns percalços.
Isabel Cunha Marques
JornalistaÚltimas
Segundo contou à Ria João Moniz, candidato do BE à Câmara de Aveiro, o comboio “estava previsto sair do apeadeiro da Taipa às 9h26”, mas acabou por se atrasar cerca de 20 minutos. O grupo chegou mesmo a ponderar alternativas, uma vez que previu que a ligação pudesse ser suprimida. “Nós até estávamos prontos para fazer uma espécie de remendo à conferência de imprensa porque estávamos sem comboio”, partilha.
Para o candidato, o atraso não foi propriamente uma surpresa. Antes da viagem, a comitiva ouviu a população local e constatou que essa é uma das principais queixas dos utilizadores da linha. “Falaram-nos de outra situação preocupante, que é a supressão constante de comboios”, realçou João Moniz.
Citando uma notícia do jornal Público, que diz que entre 31 de julho e 14 de agosto foram suprimidos 92 comboios na Linha do Vouga, a maioria dos quais entre Aveiro e Sernada do Vouga, o bloquista referiu que“há um falhanço não só da CP, mas também das autarquias desta região, que também não fazem a pressão para (...) ter um Vouguinha que funcione”.
João Moniz acrescentou que outra das queixas se prende com a “falta de conforto no material circulante” e com os próprios apeadeiros que “não têm garantias de conforto e de segurança mínimas”. “A estação da Taipa dava para ver que tinha pouca iluminação. Nós fizemos esta iniciativa durante o dia, portanto, não foi um problema, mas imagino como será para pessoas que querem apanhar o comboio (…) durante o inverno, e provavelmente há pouca iluminação ali”, partilhou.
Em plena campanha eleitoral, o candidato do BE sublinhou que estas questões “têm de ser debatidas” e que a autarquia, “através da sua força política”, e da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), “tem de exigir à tutela requalificação e investimentos que são necessários na Linha do Vouga”.
“Foi anunciada há pouco tempo a construção de mais apeadeiros e isso é bom, mas se não há comboios (…) os apeadeiros podem lá estar, mas (…) também não servem as necessidades”, insistiu. “Portanto, é preciso fazer esse investimento, porque a Linha do Vouga pode ter um papel estruturante no sistema de mobilidade que nós queremos construir em Aveiro”, vincou João Moniz.
Sem esquecer os restantes transportes da cidade, o candidato do BE voltou a recordar que o serviço prestado pela concessionária Transdev não serve as necessidades da população, defendendo a remunicipalização dos mesmos. “A partir dessa empresa pública fazer a articulação do sistema de mobilidade como um todo. Deve ser intermodal e articulado com a Linha do Vouga, do Norte, com a CP, com as políticas de mobilidade pedonal, etc”, disse.
João Moniz foi mais longe, defendendo que essa futura empresa pública venha a ter uma dimensão intermunicipal, permitindo avançar com “investimentos de escala mais alargada”, como a criação de um metro de superfície que ligue Aveiro, Ílhavo e Vagos.
O bloquista voltou ainda a pronunciar-se sobre a concessão dos transportes públicos à Busway, reafirmando a posição do partido: “A nossa posição é que, no final da concessão, a empresa Busway seja impedida de poder renovar ou de concorrer novamente ao concurso público que vai haver. Se o Bloco de Esquerda ganhar, não vai haver concurso público, vai haver empresa pública intermunicipal”, garantiu.
Na sequência da ação simbólica do BE realizada na passada segunda-feira, o candidato reiterou também o fim dos três últimos pórticos pagos da A25, localizados entre Esgueira e Albergaria. “Esta é uma reivindicação antiga do Bloco de Esquerda e, obviamente, não podia deixar de ser referida na campanha autárquica de 2025”, atentou.
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