Dia D: PSD-Aveiro decide hoje à noite se indica Ângela Almeida ou Catarina Barreto para a AR
Firmino Ferreira, presidente da concelhia do PSD-Aveiro, referiu, esta quinta-feira, 20 de março, à Ria que Catarina Barreto, atual presidente de junta de Aradas e Ângela Almeida, atual presidente de junta de Esgueira e deputada à Assembleia da República (AR), vão a votos, esta noite, para a concelhia decidir quem integra a lista de deputados pelo PSD do círculo de Aveiro nas próximas eleições legislativas.
Isabel Cunha Marques
JornalistaA concelhia do PSD-Aveiro reúne esta noite, 20 de março, pelas 21h30, na sede do partido, na Avenida Lourenço Peixinho, para decidir que pessoa vai indicar para integrar a lista de deputados do círculo de Aveiro, nas próximas eleições legislativas. O nome será, posteriormente, analisado e decidido pela Distrital e pela Nacional do partido.
Confrontado com os nomes de Catarina Barreto e Ângela Almeida, Firmino Ferreira, presidente da concelhia do PSD-Aveiro, confirmou à Ria que estas foram, por enquanto, as únicas propostas [de nomes] que recebeu. “Existem mais possibilidades, embora, não propostas. Felizmente, nós temos aqui um conjunto de pessoas que poderiam ser indicadas, mas existiram duas que se disponibilizaram e, portanto, dentro deste quadro pensamos que qualquer uma delas pode perfeitamente desempenhar as funções [de deputada à AR]”, exprimiu. “Por isso, a Comissão Política irá pronunciar-se logo sobre aquela que está em melhores condições de desempenhar o perfil e a função”, completou.
À Ria, o presidente da concelhia do PSD-Aveiro disse ainda que logo serão apenas estes dois nomes sujeitos à votação, “embora as portas não estejam fechadas”. “Sempre referi isto no seio da Comissão Política e digo a todos… Se me aparecesse alguém que se disponibilizasse, conforme as duas candidatas (...), naturalmente que também acolheria o nome para ser discutido”, frisou.
Ao contrário do PS-Aveiro que terá indicado dois nomes para a lista de deputados do círculo de Aveiro, tal como noticiado pela Ria, Firmino Ferreira adiantou que, no caso do PSD, apenas será indicado um desses nomes [Catarina Barreto ou Ângela Almeida]. “Sairá, garantidamente, um desses dois nomes. Só indicaremos uma candidata. Foi pedido por sugestão e recomendação da Nacional e da Distrital que cada concelhia indique um candidato”, explicou. O presidente da concelhia acrescentou ainda que a Nacional não se “oporá” na escolha de qualquer um desses nomes, referindo que “aceitarão aquilo que é a nossa indicação sem qualquer problema”.
A Ria contactou também Ângela Almeida e Catarina Barreto para perceber se confirmavam disponibilidade para serem indicadas na reunião de logo para a lista de deputados do PSD no círculo de Aveiro. Ambas confirmaram a pretensão.
Em conversa com a Ria, Ângela Almeida, deputada à Assembleia da República nesta legislatura que agora terminou, relembrou que o seu ciclo “foi interrompido”, por força das eleições legislativas antecipadas, e que está “obviamente” disponível para continuar com esse cargo. “Obviamente, o ciclo foi interrompido porque a oposição assim o quis. É um trabalho que não está terminado e estamos aqui para continuar este trabalho”, frisou.
Questionada se continua a ter o perfil para ser deputada, a presidente de junta de Esgueira exprimiu que “gosta muito pouco de ser advogada em causa própria”. Contudo, deixa um recado “não cheguei a deputada por autoproposta, cheguei por indicação e é assim que eu vejo a política”. E acrescenta: “Portanto, se há um ano - nem tanto - fui a indicação do partido em Aveiro, é um processo… Nem sequer estou preocupada com isso (…) Há um perfil definido pela Nacional, portanto, o perfil está indicado”, assegurou.
Ângela Almeida disse ainda que acredita que Aveiro manterá “um bom lugar”. “Portanto, aquilo que eu acho é que devemos manter - ou pelo menos tentar manter - o lugar que temos. Fizemos um bom trabalho, acho que temos todos que nos orgulhar do trabalho que está feito pelo nosso Governo, a nível nacional e, por isso, é manter”, reforçou.
Relativamente a outros nomes em equação, a também presidente de junta preferiu não avançar com nenhum. “Todos nós que andamos na política podemos querer ser tudo. Isso é uma questão que tem de falar com essas pessoas. Não sei se há outros nomes…”, considerou.
Por sua vez, Catarina Barreto não vê no nome de Ângela Almeida a solução para o partido. “Como é que uma pessoa que não tinha disponibilidade para assumir a concelhia há três semanas tem disponibilidade para ser candidata a deputada? Questiono isto. Não consigo entender… Como há três semanas está com indisponibilidade pessoal para assumir a concelhia no momento em que a cidade precisou e o PSD precisou. Agora tem disponibilidade... Muito bem”, desabafou.
Para esta, o seu nome tem o “perfil” para ser a escolha da concelhia na reunião de logo. “Acho que tenho todas as características necessárias e tenho o perfil, como é óbvio. Um perfil adequadíssimo. Aliás, pela minha própria natureza da profissão e porque eu já demonstrei do que sou capaz”, sublinhou a advogada aveirense.
Catarina Barreto partilhou à Ria que quer alinhar Aveiro “com a estratégia nacional para beneficiar a cidade”. “Tenho disponibilidade para servir o partido no que for necessário e útil. Entendo que o partido, neste momento, e os nossos representantes devem estar alinhados com a estratégia nacional e com o nosso futuro presidente da Câmara”, defendeu. “Aveiro tem perdido em todos os campos… Nos pórticos [da A25], na ampliação do hospital, etc. Uma série de posições que Aveiro tem perdido junto do Governo”, continuou.
Numa etapa final da conversa e, novamente, sobre o nome de Ângela Almeida, Catarina Barreto recordou ainda os resultados das últimas eleições legislativas. “(…) Basta analisarmos a votação que a freguesia de Esgueira teve nas legislativas e que outras freguesias tiveram”, atirou. Recorde-se que nas últimas eleições legislativas, em 2024, o PSD em Aradas conquistou 38,59% dos votos e em Esgueira 28,99% dos votos, uma diferença significativa que Catarina Barreto quis recordar.
A Ria sabe que esta situação está a gerar muito nervosismo e tensão no seio da concelhia do PSD-Aveiro e há receio que este processo resulte em novas divisões num momento em que tudo parecia acalmar. Alguns militantes que a Ria quis ouvir falam mesmo numa situação complexa. Segundo os mesmos, se Ângela Almeida não for indicada, isso pode resultar numa nova demissão na Comissão Política e, se Catarina Barreto não for a escolhida, há receio que isso tenha impacto na freguesia de Aradas, onde o partido tem somado vitórias importantes.
Recomendações
Entrada de Firmino Ferreira na lista de deputados do PSD resulta na demissão de Bruno Costa
Em declarações à Ria, Bruno Costa confirma que a sua decisão se prende com o facto de ser Firmino Ferreira o candidato a deputado por Aveiro, contrariamente à decisão que tinha sido tomada em sede de concelhia. “Previamente eram definidas as orientações, deixou de ser assim. Nos últimos tempos passamos a ser informados à posteriori apenas: e para estar apenas a ser uma caixa de ressonância daquilo que alguém decide, não sou necessário e não estou”, refere Bruno Costa. “Ontem a decisão tinha sido de orientar para Ângela Almeida e soubemos por vocês [comunicação social] que quem ia na lista era Firmino Ferreira”, frisa. “A indicação de Luís Souto para mim não é a questão, é a questão do processo”, repara Bruno Costa que utiliza o anúncio da candidatura de Cristina Gonçalves, atual tesoureira da Junta de Freguesia de São Jacinto a presidente de Junta, como um outro exemplo. “Fomos informados”, repara. Bruno Costa exerce funções como secretário da Comissão Política do PSD de Aveiro desde 2022. Em nota enviada às redações Bruno Costa afirma acreditar “que em Democracia, as decisões são participadas, partilhadas e aceites quando tomadas pela maioria. Que os órgãos eleitos existem sem ser caixas de ressonância das suas lideranças, que existe meritocracia. Acredito que os Partidos ainda são a base fundamental de todo o sistema democrático, que ninguém vence eleições sozinho, que ninguém se promove sem ter equipa a apoiar!”. O secretário demissionário garante, no entanto, não se demitir da “participação cívica, da minha opinião, como da oposição à candidatura liderada por Alberto Souto, tal como há 20 anos”. “Vou continuar vigilante, por Aveiro e com Aveiro!”, aponta. Com a demissão de Bruno Costa sobe para sete o número total de demissões no PSD-Aveiro. Tendo em conta que a lista era constituída por um total de 5 suplentes, não será agora possível substituir o secretário do órgão.
PCI festejou o sétimo aniversário e apresentou o seu plano estratégico até 2030
“Porquê transformação e porquê sustentabilidade? [A] (…) inovação é um momento extremamente dinâmico e que altera todos os dias. Seja ela setorial, seja ela geográfica, seja ela geopolítica (…) Isto todos os dias exige reposicionamento. Sustentabilidade porquê? Porque nós temos uma estrutura de Parque de Ciência e Inovação (…) que não é uma sociedade [anónima] para lucro, mas para resultados, ou seja, tem de ser sustentável. E a sustentabilidade não pode ser, neste tipo de iniciativas fundamentada unicamente por fundo público. Mas sim em projetos públicos e em projetos privados”, começou por explicar Luís Barbosa. Assim, o diretor do PCI garantiu que o plano estratégico do PCI, para os próximos cinco anos, estará dividido em duas fases: de 2025 a 2027 e de 2027 a 2030. “De 2025 a 2027 há um programa de transformação que está já em execução. De 2027 a 2030 será um programa [pensado] para a sustentabilidade. Aí sim, o nosso revenue model [modelo de negócio] (…) determina que iremos ter capacidade para trabalhar com projetos privados, como startups, com empresas, com outro tipo de entidades, com projetos de cariz privado”, avançou. Atualmente, com quatro edifícios e com 16 lotes disponíveis para construção, segundo o site do PCI, Luís Barbosa destacou que alguns desses “espaços livres” estão destinados à construção de “centros de excelência”. “Essa é a visão. Desenvolver centros de excelência e construir uma estrutura que possa alocar essa empresa para maturar, para crescer, mas simultaneamente ser uma entidade de incubação de novas startups dentro desse setor que operam”, afirmou. O diretor do PCI acrescentou ainda que tem a ambição de que o Parque seja reconhecido por “transformar a criatividade em inovação, na região de Aveiro, atuando como um veículo privilegiado de soluções tecnológicas sustentáveis para os desafios com que nos deparamos”, exprimiu. Com um olhar mais atento sobre os números atuais, Luís Barbosa disse ainda que o PCI tem cerca de “21 milhões de euros de investimento total”; “106 empresas residentes” e “cerca de 1.100 colaboradores” em todos os edifícios e “cerca de 60 eventos, por ano, com tendência para aumentarmos e continuarmos a potenciar o resultado desta estrutura”. Sobre a taxa de ocupação dos edifícios: “Temos o edifício TICE com 96% de ocupação, o edifício Mat+Agro com cerca de 84% de ocupação e o edifício central com 76% de ocupação, dos quais 90% de ocupação é incubadora, ou seja, empresas startups presentes na incubadora”, completou. Relativamente à origem dessas empresas, Luís Barbosa adiantou que a “maior parte delas nasceu na Universidade de Aveiro (UA)”, no entanto, existem algumas do “Brasil, África do Sul, Singapura e outras regiões”. O evento contou ainda com a presença de Paulo Jorge Ferreira, reitor da UA, que ao longo do seu discurso partilhou o “entusiasmo” e a “felicidade” por integrar o projeto, esperançando que “os próximos sete anos ainda sejam melhores”. Também o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, José Ribau Esteves, assim como o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, João Campolargo marcaram presença no aniversário. O PCI foi inaugurado no dia 6 de março de 2018 e tem como principal objetivo promover a inovação, a pesquisa aplicada e o empreendedorismo na região de Ílhavo. Ocupa uma área de cerca de 35 hectares, sendo que 30 hectares estão localizados no município de Ílhavo, na zona da Coutada. A sua criação marca a expansão física da UA para este território. O PCI é gerido pela PCI Creative Science Park – Aveiro Region, uma entidade com a Universidade de Aveiro como principal acionista. Além da UA, participam neste projeto os municípios de Aveiro e Ílhavo, a Caixa Geral de Depósitos, entre outras entidades.
Bancadas do PSD, do CDS e Ribau Esteves protestam “má condução” dos trabalhos de Luís Souto
A polémica teve início durante a intervenção da deputada municipal do Bloco de Esquerda, Celme Tavares, que aproveitou o tema para criticar a gestão cultural da Câmara Municipal de Aveiro. A deputada apontou a subida dos preços dos bilhetes nos museus, a carência de recursos humanos e a degradação de serviços e edifícios, mencionando inclusive a recente queda de telhas na cobertura do museu. A intervenção motivou um protesto imediato do líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal, Manuel Prior, que se dirigiu à mesa: "Senhor presidente, protesto à mesa. Eu penso que deixou - enquanto gestor desta Assembleia - a intervenção do antecedente a algo que não está escrito na convocatória e que não faz parte da ordem de trabalhos e da parte da bancada do PSD penso que o senhor presidente devia ter atenção a estas fugas ao 'não tema'." Em resposta, Luís Souto de Miranda rejeitou a crítica, afirmando que "não é totalmente descabido que se façam apreciações" dentro do contexto da proposta de adesão ao ICOM. "Não vamos fazer agora aqui o filme de todas as sessões até hoje e, com certeza, também já lhe ocorreu a si, a partir de um determinado tema, fazer certas ilações que estejam minimamente conexas com o tema", afirmou o presidente da Assembleia Municipal. Jorge Greno, líder da bancada do CDS, subscreveu o protesto do PSD e ironizou a conexão entre os temas abordados: "O CDS também subscreve o protesto que o PSD fez. Também aproveito para dizer que na minha casa - isto também é conexo - com o temporal também se levantaram umas telhas e também choveu. É conexo. Posso falar das obras em minha casa: é conexo. No entanto, relativamente ao tema em apreço - e é para isso que estamos cá e não para coisas conexas - nós estamos de acordo com a adesão do Município." Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, para além de se mostrar bastante irritado com Luís Souto e de ter feito várias apartes, também se manifestou contra a condução da sessão, reforçando a posição das bancadas do PSD e do CDS: "Há aqui uma questão que é preciso clarificar e, obviamente, também para ficar na ata, o meu protesto sobre a má condução do presidente [da Assembleia Municipal] deste ponto da ordem de trabalhos." A sessão seguiu com as intervenções subsequentes, mas ficou marcada pelo ambiente de tensão. A Ria sabe que Manuel Prior, líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal, também não terá ficado agradado com a opção de Luís Montenegro escolher Luís Souto como candidato à Câmara Municipal. A Ria foi contactada, esta quinta-feira, por Manuel Prior que não confirmou, nem desmentiu a informação. Questionado sobre a escolha de Luís Souto este preferiu não exprimir qualquer opinião. “Da minha parte, na altura, o que estava a decorrer é que o presidente da mesa da Assembleia conduziu mal os trabalhos. Foi só isso. Não teve a ver com mais rigorosamente nada”, explicou, reafirmando que a sua atitude em nada teve a ver com a sua opinião pessoal sobre Luís Souto de Miranda. *Notícia atualizada às 16h54 desta quinta-feira face ao contacto de Manuel Prior à Ria, relativamente, ao atual penúltimo parágrafo da notícia.
Sexta demissão no PSD-Aveiro: Ângela Almeida demite-se da vice-presidência
A decisão surge após a recente investigação, no seguimento de uma denúncia anónima, que revelou que Ângela Almeida se apresentava como licenciada pela Universidade de Aveiro, informação que foi desmentida pela própria Instituição de Ensino Superior. Simultaneamente, foi ontem anunciada a lista de deputados do PSD pelo círculo de Aveiro, onde se ficou a saber que a também presidente da Junta de Freguesia de Esgueira foi afastada da lista, sendo substituída por Firmino Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de Oliveirinha e atual presidente do PSD-Aveiro, que ocupará o 11.º lugar. A saída de Ângela Almeida agrava ainda mais a instabilidade interna do PSD-Aveiro, que já tinha sido abalada por uma série de demissões na sequência da escolha unilateral de Luís Souto de Miranda, pela direção nacional do partido, como candidato do partido à Câmara Municipal de Aveiro. Recorde-se que, nessa altura, apresentaram a sua demissão Simão Santana, presidente da Comissão Política de Secção, assim como Rogério Carlos, Paulo Páscoa e Rui Félix Duarte, vogais do mesmo órgão, e ainda Ribau Esteves, que presidia à Assembleia de Secção. Com esta nova demissão, o PSD-Aveiro vê-se numa situação crítica. De acordo com o artigo 17.º do Regulamento Eleitoral do PSD, sempre que o presidente e os vice-presidentes da Comissão Política, ou a maioria dos membros efetivos, se demitam e as vagas não possam ser preenchidas por suplentes, são convocadas novas eleições. O órgão é composto por 13 membros efetivos e 5 suplentes, sendo que, após a saída de Ângela Almeida e assim que se proceda à sua substituição, já não há mais suplentes disponíveis para preencher novas vacaturas existentes, o que pode obrigar à realização de um novo ato eleitoral se surgirem novas demissões. A direção local do PSD ainda não se pronunciou oficialmente sobre o futuro imediato da Comissão Política de Secção, mas a Ria sabe que foi convocada uma reunião de emergência para esta quinta-feira, 27 de março, para definir os próximos passos do partido em Aveiro.
Últimas
AAUAv instalou manifestação simbólica para alertar para os custos do alojamento
No âmbito da programação da AAUAv relativa à celebração do Dia Nacional do Estudante, a associação colocou uma cama em frente ao edifício central da Reitoria com o objetivo de alertar para o acesso ao alojamento estudantil. Os preços praticados são para Joana Regadas, presidente da direção da AAUAv, “o maior entrave ao acesso ao ensino superior”. A manifestação foi replicada, numa escala menor, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração (ISCA-UA), bem como na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA) e na Escola Superior Aveiro-Norte (ESAN). “Quisemos fazer em todos os polos da UA por uma questão de mostrarmos também aos estudantes das escolas que estamos presentes e que estamos cientes de que o alojamento não é um problema exclusivo da cidade de Aveiro”, reforça Joana Regadas. A representante dos estudantes frisa a sazonalidade da região de Águeda que faz com que os estudantes sejam “despejados durante os meses de verão”. “Para um estudante que está no mínimo três anos a frequentar uma instituição de ensino superior mudar de casa de dez em dez meses” compromete “toda esta questão do bem-estar”, aponta a presidente da AAUAv. “Não há estabilidade”, termina. Em Oliveira de Azeméis Joana frisa que, por ser uma cidade “com características mais peculiares, muito mais familiar”, o alojamento estudantil acaba por ser mais distante da ESAN. “Sabemos que há já projeto para construírem as residências num campo adjacente ao local onde se encontra a ESAN, mas há uma urgência nesta temática: temos muitos estudantes da ESAN que vão e vêm diariamente de Aveiro para Oliveira de Azeméis (…) não estamos em pé de igualdade aqui, o ensino superior tem de ter um acesso em permanência equitativo”, repara Joana. Segundo dados do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES), o preço médio para arrendar um quarto em Aveiro é de cerca de 350 euros. A subida é de cerca de 100 euros relativamente ao ano de 2020, o primeiro ano que o PNAES regista na sua plataforma. Desde fevereiro de 2023 que o preço médio dos quartos não se encontra, em Aveiro, abaixo dos 300 euros. Num agregado familiar que viva com o rendimento mínimo, o aluguer de um quarto em Aveiro significa, assim, que cerca de 2/5 do rendimento será alocado para essa despesa. Em Águeda o preço médio para o alojamento estudantil situa-se nos 275 euros mensais e em Oliveira de Azeméis nos 308 euros. Joana deixa um alerta precisamente para os “custos financeiros que estão em cima das famílias e dos próprios estudantes que muitas vezes se veem obrigados a arranjar um part-time para conseguirem estudar e ter alojamento”. “Temos camas em Aveiro a 350 euros, há muitos estudantes que pagam este valor e mesmo assim não têm as condições mínimas”, aponta Joana Regadas. “Estamos a falar de estudantes que estão a viver numa sala, (…) que partilham todo o espaço de habitação com sete ou oito colegas. Isto claramente não é promoção do bem-estar”, atenta ainda a presidente da AAUAv. “A temática é antecedente já a 2022 e não existem melhorias significativas”, conclui. À margem da sessão de abertura das Jornadas de Educação, que decorreu ontem no ISCA, a Ria interpelou José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, relativamente à iniciativa de alerta levada a cabo pela AAUAv. O autarca sublinha o ato como “um exercício democrático normal” que acolhe, “como político, sempre com a maior alegria”. “Nós, democratas, ao contrário do que às vezes se diz, gostamos imenso que nos chamema atenção, que se proteste”. Refere, no entanto, não precisar “de manifestação nenhuma” por ser “um presidente de Câmara atento, conhecedordo que se passa”, reconhecendo que o alojamento do município, à semelhança do que acontece na “corda litoral, grosso modo, entre Braga eSetúbal”, “está a níveis dos mais altos do país”. Como solução, aponta a necessidade de aumentar a oferta do alojamento. Ribau Esteves sublinha, assim, a importância da empreitada das novas residências do Crasto e aponta a aposta levada a cabo pelo investidor privado,“no âmbito de um concurso que a Câmara fez de venda de um terreno” como exemplos de iniciativas promovidas para o aumento da oferta de alojamento estudantil. “Temos neste momento, em fase final de licenciamento (…) mais duas residências com cerca de 200 alojamentos e numa fase ainda em desenvolvimento, (…) mais três unidades de tamanhomais pequeno, com um total de 120 quartos, as três somadas”, acrescenta o autarca. “Nós vamos para essa Europa fora, o alojamento dos estudantes é muito caro ou é gratuitoquando é do Estado, e depois há uns mecanismos de financiamento, e é aí que nós queremostrabalhar mais com o Governo do país e com a Universidade”, sublinha o edil.
Entrada de Firmino Ferreira na lista de deputados do PSD resulta na demissão de Bruno Costa
Em declarações à Ria, Bruno Costa confirma que a sua decisão se prende com o facto de ser Firmino Ferreira o candidato a deputado por Aveiro, contrariamente à decisão que tinha sido tomada em sede de concelhia. “Previamente eram definidas as orientações, deixou de ser assim. Nos últimos tempos passamos a ser informados à posteriori apenas: e para estar apenas a ser uma caixa de ressonância daquilo que alguém decide, não sou necessário e não estou”, refere Bruno Costa. “Ontem a decisão tinha sido de orientar para Ângela Almeida e soubemos por vocês [comunicação social] que quem ia na lista era Firmino Ferreira”, frisa. “A indicação de Luís Souto para mim não é a questão, é a questão do processo”, repara Bruno Costa que utiliza o anúncio da candidatura de Cristina Gonçalves, atual tesoureira da Junta de Freguesia de São Jacinto a presidente de Junta, como um outro exemplo. “Fomos informados”, repara. Bruno Costa exerce funções como secretário da Comissão Política do PSD de Aveiro desde 2022. Em nota enviada às redações Bruno Costa afirma acreditar “que em Democracia, as decisões são participadas, partilhadas e aceites quando tomadas pela maioria. Que os órgãos eleitos existem sem ser caixas de ressonância das suas lideranças, que existe meritocracia. Acredito que os Partidos ainda são a base fundamental de todo o sistema democrático, que ninguém vence eleições sozinho, que ninguém se promove sem ter equipa a apoiar!”. O secretário demissionário garante, no entanto, não se demitir da “participação cívica, da minha opinião, como da oposição à candidatura liderada por Alberto Souto, tal como há 20 anos”. “Vou continuar vigilante, por Aveiro e com Aveiro!”, aponta. Com a demissão de Bruno Costa sobe para sete o número total de demissões no PSD-Aveiro. Tendo em conta que a lista era constituída por um total de 5 suplentes, não será agora possível substituir o secretário do órgão.
PCI festejou o sétimo aniversário e apresentou o seu plano estratégico até 2030
“Porquê transformação e porquê sustentabilidade? [A] (…) inovação é um momento extremamente dinâmico e que altera todos os dias. Seja ela setorial, seja ela geográfica, seja ela geopolítica (…) Isto todos os dias exige reposicionamento. Sustentabilidade porquê? Porque nós temos uma estrutura de Parque de Ciência e Inovação (…) que não é uma sociedade [anónima] para lucro, mas para resultados, ou seja, tem de ser sustentável. E a sustentabilidade não pode ser, neste tipo de iniciativas fundamentada unicamente por fundo público. Mas sim em projetos públicos e em projetos privados”, começou por explicar Luís Barbosa. Assim, o diretor do PCI garantiu que o plano estratégico do PCI, para os próximos cinco anos, estará dividido em duas fases: de 2025 a 2027 e de 2027 a 2030. “De 2025 a 2027 há um programa de transformação que está já em execução. De 2027 a 2030 será um programa [pensado] para a sustentabilidade. Aí sim, o nosso revenue model [modelo de negócio] (…) determina que iremos ter capacidade para trabalhar com projetos privados, como startups, com empresas, com outro tipo de entidades, com projetos de cariz privado”, avançou. Atualmente, com quatro edifícios e com 16 lotes disponíveis para construção, segundo o site do PCI, Luís Barbosa destacou que alguns desses “espaços livres” estão destinados à construção de “centros de excelência”. “Essa é a visão. Desenvolver centros de excelência e construir uma estrutura que possa alocar essa empresa para maturar, para crescer, mas simultaneamente ser uma entidade de incubação de novas startups dentro desse setor que operam”, afirmou. O diretor do PCI acrescentou ainda que tem a ambição de que o Parque seja reconhecido por “transformar a criatividade em inovação, na região de Aveiro, atuando como um veículo privilegiado de soluções tecnológicas sustentáveis para os desafios com que nos deparamos”, exprimiu. Com um olhar mais atento sobre os números atuais, Luís Barbosa disse ainda que o PCI tem cerca de “21 milhões de euros de investimento total”; “106 empresas residentes” e “cerca de 1.100 colaboradores” em todos os edifícios e “cerca de 60 eventos, por ano, com tendência para aumentarmos e continuarmos a potenciar o resultado desta estrutura”. Sobre a taxa de ocupação dos edifícios: “Temos o edifício TICE com 96% de ocupação, o edifício Mat+Agro com cerca de 84% de ocupação e o edifício central com 76% de ocupação, dos quais 90% de ocupação é incubadora, ou seja, empresas startups presentes na incubadora”, completou. Relativamente à origem dessas empresas, Luís Barbosa adiantou que a “maior parte delas nasceu na Universidade de Aveiro (UA)”, no entanto, existem algumas do “Brasil, África do Sul, Singapura e outras regiões”. O evento contou ainda com a presença de Paulo Jorge Ferreira, reitor da UA, que ao longo do seu discurso partilhou o “entusiasmo” e a “felicidade” por integrar o projeto, esperançando que “os próximos sete anos ainda sejam melhores”. Também o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, José Ribau Esteves, assim como o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, João Campolargo marcaram presença no aniversário. O PCI foi inaugurado no dia 6 de março de 2018 e tem como principal objetivo promover a inovação, a pesquisa aplicada e o empreendedorismo na região de Ílhavo. Ocupa uma área de cerca de 35 hectares, sendo que 30 hectares estão localizados no município de Ílhavo, na zona da Coutada. A sua criação marca a expansão física da UA para este território. O PCI é gerido pela PCI Creative Science Park – Aveiro Region, uma entidade com a Universidade de Aveiro como principal acionista. Além da UA, participam neste projeto os municípios de Aveiro e Ílhavo, a Caixa Geral de Depósitos, entre outras entidades.
Bancadas do PSD, do CDS e Ribau Esteves protestam “má condução” dos trabalhos de Luís Souto
A polémica teve início durante a intervenção da deputada municipal do Bloco de Esquerda, Celme Tavares, que aproveitou o tema para criticar a gestão cultural da Câmara Municipal de Aveiro. A deputada apontou a subida dos preços dos bilhetes nos museus, a carência de recursos humanos e a degradação de serviços e edifícios, mencionando inclusive a recente queda de telhas na cobertura do museu. A intervenção motivou um protesto imediato do líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal, Manuel Prior, que se dirigiu à mesa: "Senhor presidente, protesto à mesa. Eu penso que deixou - enquanto gestor desta Assembleia - a intervenção do antecedente a algo que não está escrito na convocatória e que não faz parte da ordem de trabalhos e da parte da bancada do PSD penso que o senhor presidente devia ter atenção a estas fugas ao 'não tema'." Em resposta, Luís Souto de Miranda rejeitou a crítica, afirmando que "não é totalmente descabido que se façam apreciações" dentro do contexto da proposta de adesão ao ICOM. "Não vamos fazer agora aqui o filme de todas as sessões até hoje e, com certeza, também já lhe ocorreu a si, a partir de um determinado tema, fazer certas ilações que estejam minimamente conexas com o tema", afirmou o presidente da Assembleia Municipal. Jorge Greno, líder da bancada do CDS, subscreveu o protesto do PSD e ironizou a conexão entre os temas abordados: "O CDS também subscreve o protesto que o PSD fez. Também aproveito para dizer que na minha casa - isto também é conexo - com o temporal também se levantaram umas telhas e também choveu. É conexo. Posso falar das obras em minha casa: é conexo. No entanto, relativamente ao tema em apreço - e é para isso que estamos cá e não para coisas conexas - nós estamos de acordo com a adesão do Município." Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, para além de se mostrar bastante irritado com Luís Souto e de ter feito várias apartes, também se manifestou contra a condução da sessão, reforçando a posição das bancadas do PSD e do CDS: "Há aqui uma questão que é preciso clarificar e, obviamente, também para ficar na ata, o meu protesto sobre a má condução do presidente [da Assembleia Municipal] deste ponto da ordem de trabalhos." A sessão seguiu com as intervenções subsequentes, mas ficou marcada pelo ambiente de tensão. A Ria sabe que Manuel Prior, líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal, também não terá ficado agradado com a opção de Luís Montenegro escolher Luís Souto como candidato à Câmara Municipal. A Ria foi contactada, esta quinta-feira, por Manuel Prior que não confirmou, nem desmentiu a informação. Questionado sobre a escolha de Luís Souto este preferiu não exprimir qualquer opinião. “Da minha parte, na altura, o que estava a decorrer é que o presidente da mesa da Assembleia conduziu mal os trabalhos. Foi só isso. Não teve a ver com mais rigorosamente nada”, explicou, reafirmando que a sua atitude em nada teve a ver com a sua opinião pessoal sobre Luís Souto de Miranda. *Notícia atualizada às 16h54 desta quinta-feira face ao contacto de Manuel Prior à Ria, relativamente, ao atual penúltimo parágrafo da notícia.