Luís Souto admite que “terá de atuar” caso Catarina Barreto tenha beneficiado indevidamente de ADSE
As suspeitas da oposição de que Catarina Barreto, candidata incumbente da “Aliança com Aveiro” à Junta de Freguesia de Aradas (JFA), terá beneficiado indevidamente de ADSE - o subsistema de saúde da Administração Pública -mereceram hoje, dia 11, resposta de Luís Souto, candidato da “Aliança” à Câmara Municipal de Aveiro (CMA). À Ria, o candidato disse estar de “consciência tranquila”, afirmando que “terá de atuar” se se verificar a veracidade das acusações e desafiou os jornalistas a investigar o caso.
Gonçalo Pina
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O assunto voltou ontem, dia 10, a estar na ordem do dia, depois de ter sido abordado no debate organizado pela Ria que colocou frente-a-frente os candidatos à CMA Diogo Soares Machado, do Chega, e João Moniz, do Bloco de Esquerda. Questionado sobre o afastamento do candidato que encabeçava a lista do seu partido a Aradas, Diogo Machado criticou a dualidade de critérios que leva a que, no seu entender, “outros casos aqui na terra não tenham a cobertura que o caso do Chega teve”.
No seguimento, Diogo Machado acusou Luís Souto de não se pronunciar sobre o despacho do Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro, de 13 de julho de 2025, que “condena a Junta e a sua presidente Catarina Barreto a entregar documentos que deveriam ser públicos e que nunca entregou”. Da mesma forma, a 3 de agosto, diz ter “instado” a presidente da Junta de Aradas e o candidato à CMA a “explicarem todo o dossier de Aradas”.
“Instou? Mas instar como? Ele pode instar o que bem quiser. Pode atirar tiros para o ar, é pólvora seca. Não há cá «o Diogo Machado vai instar», quem tem de instar são as autoridades administrativas judiciais", reagiu Luís Souto.
Quanto à exigência da consulta de documentos, o candidato da “Aliança” vê com naturalidade que o processo possa demorar: “Todos somos a favor da transparência na administração […] Mas temos de dar tempo, regras e razoabilidade a essa consulta”. Luís Souto não desvaloriza o papel do despacho do Tribunal e frisa mesmo que “o Tribunal tem de aplicar o direito”, embora sublinhe que, na sua visão, o processo foi desencadeado por motivações políticas e não merece muita atenção.
O cabeça-de-lista da “Aliança” aponta que não há nenhum “indício, investigação ou condenação por um euro de desvio na Junta de Aradas” e que, por isso, o que está em causa são apenas questões de foro administrativo. No entanto, conforme avançado pela Ria, a insistência dos partidos da oposição prende-se com uma suspeita de que Catarina Barreto terá beneficiado indevidamente de ADSE enquanto governava a freguesia.
Consciência tranquila? “Claro, era o que mais faltava”, responde Luís Souto. O candidato da “Aliança” faz a ressalva de que a ADSE tem “vários modelos de utilização” e de que “pode ter havido algum lapso de interpretação”, mas lembra aquela que tem sido a atuação do PSD para garantir que, caso se venha a verificar algum crime, vão ser tomadas medidas: “Toda a gente sabe as linhas gerais que estão emanadas no partido e que se aplicam a todos os candidatos. Se houver algum candidato que estejam envolvidos em algum caso de corrupção ou de desvio de dinheiros públicos, seja em géneros ou seja em dinheiro, obviamente que aí teremos de atuar”.
O caso é, de acordo com o candidato, uma “cortina de fumo político” montada pelo movimento “Sentir Aradas”. Luís Souto acusa os independentes de serem apenas “um grupo de pessoas que não foram escolhidas em devido tempo e que criaram um partido contra ela [Catarina Barreto]”.
De forma a apurar a verdade, Luís Souto chama a palco a comunicação social. O candidato afirma que não é ele próprio que tem de responder a questões sobre a ADSE e incita os jornalistas a fazer uma investigação “como se fazia antigamente”. Na opinião do representante da “Aliança”, quem pode esclarecer a questão é a própria ADSE.
Diogo Machado denunciou reforma compulsiva do tesoureiro da Junta de Aradas em 2004. “Valha-me Deus, agora vamos recuar a 2004?”, reage Luís Souto
No debate de ontem, conforme já foi noticiado pela Ria, o candidato do Chega levantou nova polémica em Aradas. Recorde-se que, de acordo com o “Apêndice n.º 73 - II Série - n.º 101 - 25 de maio de 2005” do Diário da República, o tesoureiro da Junta de Aradas foi “aposentado compulsivamente”, na sequência de uma deliberação do conselho de administração dos Serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Aveiro.
Na resposta, o candidato da “Aliança” acusa Diogo Machado de ser “mais um candidato que vem do passado e que está sempre a olhar lá para trás”. Diz Luís Souto que não faz sentido recuar mais de 20 anos no tempo para retomar este caso e nota que “até no direito há o conceito da prescrição”.
Sobre a reforma compulsiva de Danilo Almeida, tesoureiro da Junta de Aradas, Luís Souto não se pronuncia. Acrescenta apenas que o responsável é uma personalidade que “tem dado muito de si à comunidade e que exigia mais respeito” do candidato do Chega. No mesmo sentido, recorda que o tesoureiro já foi agraciado com uma medalha de honra aprovada por unanimidade na sua freguesia.
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