Candidato do PS à Câmara da Murtosa reúne com administração da Unidade Local de Saúde
Augusto Vidal Leite, vereador do PS e candidato à Câmara Municipal da Murtosa, acompanhado dos autarcas socialistas Hugo Figueiredo e Diamantino Matos, membros da Assembleia Municipal e da deputada à Assembleia da República Susana Correia, reuniram, na passada segunda-feira, 10 de março, no Centro de Saúde da Murtosa, com a coordenadora da Unidade de Saúde Familiar (USF) Terra Marinhoa e com a Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da região de Aveiro.
Redação
Segundo uma nota de imprensa enviada à Ria, a reunião teve como objetivos obter mais informações sobre o atual funcionamento dos cuidados de saúde primários que servem a população da Murtosa. “A integração dos cuidados de saúde daquela região na Unidade Local da Região de Aveiro é uma realidade desde janeiro de 2024, que impôs uma mudança e, portanto, Augusto Vidal Leite, entende ser necessário acompanhar a organização e o funcionamento dos cuidados de saúde no concelho da Murtosa, para o bem de toda esta comunidade”, lê-se.
Na nota da concelhia do PS da Murtosa é ainda sublinhado a importância de Augusto Vidal Leite “ouvir no terreno a voz dos cidadãos e dos profissionais numa área tão importante como a saúde, constituindo um dos pilares da existência humana e um direito fundamental a preservar”.
Atual vereador da oposição, Augusto Carlos Vidal Leite, de 41 anos, casado e natural da freguesia do Monte, no concelho da Murtosa, é licenciado em Comércio pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda da Universidade de Aveiro e doutorando em Território Riscos e Políticas Públicas, pela mesma universidade.
Recomendações
Empresa ucraniana de gestão de compras vai lançar operação ibérica a partir de Arouca
Segundo explicou Maryna Trepova, que é a diretora-executiva da firma criada em Kiev em 2018, ainda não está definido se a sede da nova estrutura ficará registada em Portugal ou Espanha, mas é já certo que, independentemente da morada, a operação terá âmbito ibérico e funcionará quase integralmente em regime remoto, dado que grande parte da equipa afeta ao projeto é constituída por consultores contratados consoante a área de especialização exigida para cada cliente. “No ano passado mudámos a nossa estratégia três vezes, primeiro para introduzir maior automatismo e inteligência artificial na gestão de compras, depois para alargar o leque de oportunidades de negócio na Ucrânia, porque há muitas empresas à procura de negócios lá, e finalmente para definir a operação em Portugal e Espanha, onde há potencial para mais serviços profissionais relacionados com aprovisionamento”, declarou à Lusa a diretora da IPSM - International Procurement & Supply Chain Management. Maryna Trepova reconheceu que o mercado espanhol “é muito mais amplo”, mas, trabalhando entre Portugal e a Ucrânia, onde a empresa que fundou com Victoria Kravchenko emprega atualmente 15 pessoas, planeia desenvolver a sua atividade em termos que lhe permitam continuar a residir em Arouca, no distrito de Aveiro, para onde se mudou em março de 2022 após uma análise “muito fria e racional” aos prós e contras de um grupo restrito de países que considerou opções viáveis quando decidiu fugir à guerra com outras oito pessoas da família. Gerindo a IPSM a partir de Arouca, a empresária conseguiu garantir a sobrevivência da firma de Kiev nos meses de paragem ditados pela invasão russa, recuperou depois os contratos suspensos e acabou por consolidar a sua carteira de clientes, 15% dos quais situados fora da Ucrânia, com especial incidência no Cazaquistão, no Quirguistão e nos Emiratos Árabes Unidos. Em 2025, o volume de negócios da marca foi na ordem dos 120.000 euros, para o que contribuiu experiência acumulada em setores como a agricultura, indústria alimentar, telecomunicações, banca, farmacêutica e defesa – através de clientes como a Vodafone, os laticínios Bel e a fabricante de gelados RUD. “Otimizamos custos, organizamos um processo de aprovisionamento eficaz e detetamos fraudes”, disse Maryna Trepova, ralçando que foi possível reposicionar "todos os elementos do processo de compras no local e momento mais ajustados da cadeia, para que se cumpra melhor a visão que o cliente tem para a sua marca, não só em termos financeiros, mas também de gestão de tempo, eficiência técnica, impacto social, etc.”. Graças a um investimento que não será superior a 10.000 euros, a operação a lançar no próximo trimestre deverá agora elevar significativamente o volume de negócios global da IPSM: “Contamos chegar ao fim de dezembro com pelo menos o dobro da faturação do ano passado, embora eu acredite que até possamos atingir os 400.000 euros”. Nesses resultados terá influência a própria Ucrânia enquanto “mercado de interesse crescente” para o tecido empresarial português e espanhol, em especial para médias e grandes empresas das áreas da indústria, agricultura, banca e tecnologias de informação. “Esses serviços estão a fazer falta na Ucrânia e, como conhecemos muito bem o país e já lá temos contactos, sabemos que o diálogo com a Península Ibérica pode ser muito útil a ambas as partes”, concluiu Maryna Trepova, que não hesita em assumir-se “nada otimista” quanto ao fim da guerra num futuro próximo.
Executivo municipal de Ovar pede estratégia de defesa da costa em reunião com deputados do PS
A visita dos deputados socialistas seguiu os últimos episódios de mau tempo e serviu para avaliar os efeitos da erosão costeira e para fazer o ponto de situação relativamente aos investimentos do PRR. Segundo o comunicado de imprensa, a autarquia “sublinhou a urgência de uma estratégia integrada e de âmbito nacional para a Defesa da Costa, capaz de garantir soluções duradouras para a proteção das populações, da economia local e do planeamento sustentável do território”. Para além da reunião, a deslocação dos socialistas passou ainda por visitas à Praia do Furadouro e à Praia de Maceda. Na Praia do Furadouro, observam, foi possível verificar as obras em curso de defesa aderente e constatar o avanço significativo do mar, estimado em cerca de 20 metros no último ano. Já na Praia de Maceda, “o cenário observado evidencia a gravidade da situação, tornando premente a continuidade de estudos técnicos e científicos que permitam definir metas claras e soluções eficazes de mitigação, com o envolvimento da comunidade académica e científica”. Houve ainda espaço para discutir a estratégia local de habitação. O executivo deu nota aos deputados das dificuldades que tem sentido no cumprimento de prazos, decorrentes da escassez de mão de obra e da excessiva complexidade burocrática associada aos programas, assim como fez um ponto de situação dos investimentos em curso.
Produtores da Bairrada de portas abertas para promover e valorizar a casta baga
A iniciativa acontece em 2 de maio e é promovida pelos Baga Friends para assinalar o Dia Internacional da Baga, que é celebrado no primeiro sábado de maio. “A Baga está mais viva do que nunca e, nesta edição, faremos ainda mais prova disso”, evidenciaram os Baga Friends, que, em 2022, instauraram o Dia Internacional da Baga. Os oito produtores mentores da celebração - Giz by Luís Gomes, Filipa Pato, Luís Pato, Quinta da Vacariça, Quinta das Bágeiras, Quinta de Baixo - Niepoort, Vinhos Sidónio de Sousa e Vadio Wines – vão voltar a abrir as portas das suas adegas para um dia “repleto de provas de vinhos, petiscos tradicionais e diversos momentos de celebração da casta rainha da Bairrada”. A iniciativa tem como novidades um arraial, no Centro Cultural da Poutena, bem como uma sessão com a presença dos Baga New Voices, onde projetos emergentes vão apresentar as suas interpretações da Baga. “É tão bom ver nascer novos projetos que escolhem esta casta como ponto de partida, algo impensável há duas décadas. A diversidade de interpretações é precisamente aquilo que confirma a sua versatilidade e projeção internacional”, afirmaram os Baga Friends. De acordo com a organização, o arraial simboliza a abertura à comunidade, enquanto os Baga New Voices mostram que “a energia criativa em torno da Baga está longe de abrandar”. “Estamos a criar pontes entre gerações e a reforçar a dinâmica da região”. Na última edição, o Dia Internacional da Baga “recebeu mais de 700 visitantes”, entre enófilos e profissionais do setor, esperando-se este ano “tanto ou mais pessoas”. Os bilhetes para o Dia Internacional da Baga estão disponíveis na página oficial do evento, com preços a partir dos 55 euros por pessoa. Com este bilhete, todos os visitantes vão poder “circular livremente pelas adegas dos oito produtores, desfrutar dos seus vinhos e contactar diretamente com eles, entre as 10h00 e as 18h00”. A partir das 18h00, poderão dirigir-se ao Centro Social da Poutena e provar gratuitamente vinhos dos Baga New Voices.
Pedro Firmeza, do Clube de Vela da Costa Nova, vence 3ª Prova de Apuramento Regional Optimist
O grande destaque da prova foi para o velejador Pedro Firmeza, do CVCN, que venceu a prova em juvenis. De acordo com a nota de imprensa, o resultado é “muito positivo” e, para o grupo, foi também “importante para a evolução de todos”. O comunicado de imprensa dá nota de que, no primeiro dia, realizaram-se as três regatas possíveis, com “boas condições no campo de regatas”: vento entre os 16 e os 22 nós e sol. No domingo, o vento “apresentou-se mais fraco”, mas ainda foi possível realizar mais uma regata. A próxima prova será já para a semana, com a realização da 2.ª PAR no Porto, regata que tinha sido adiada na altura das tempestades.
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Estudo da UA revela que incêndios e pressão humana ameaçam presença do lobo-ibérico a sul do Douro
O estudo, conduzido pela Unidade de Vida Selvagem (UVS) do Centro de Estudos do Ambiente (CESAM) e do Departamento de Biologia da UA, alerta para o impacto negativo dos sucessivos incêndios e queimadas, essencialmente nas áreas de matos, habitat identificado como "essencial" para a permanência desta espécie protegida. A investigação indica ainda que o lobo tende a evitar áreas com maior presença humana devido ao elevado nível de conflito associado aos prejuízos causados aos produtores de gado e à consequente perseguição sentida na região. Segundo os investigadores, esta combinação de fatores leva o lobo a selecionar áreas de menor qualidade de habitat, tendo de procurar um equilíbrio entre a distância aos humanos e uma paisagem menos adequada. Nos últimos 15 anos, a equipa da UA tem monitorizado a população a sul do rio Douro através da recolha de indícios, análises genéticas e câmaras de armadilhagem fotográfica para confirmar a existência de alcateias e detetar eventos de reprodução. Face aos resultados, os especialistas sublinham que "há futuro para a espécie", mas sugerem uma gestão do território mais adequada. Entre as principais recomendações destacam-se a redução da área ardida e a promoção da regeneração de espécies nativas em zonas afastadas das povoações, permitindo criar refúgios para o lobo e para as suas presas selvagens. Para os investigadores, é fundamental realizar um esforço de "contacto próximo com as comunidades locais", assegurando uma comunicação clara sobre as medidas de conservação. A nota enviada à Ria reforça ainda a importância de valorizar as áreas de matos e de reformular o sistema de compensação de prejuízos causados pelo lobo, de modo a torná-lo "mais célere, simples e transparente", reduzindo a carga burocrática para os criadores de gado.
Sindicato afirma que maioria das universidades não reposicionou docentes um ano após despacho
A situação foi denunciada à Lusa pelo Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), após realizar um levantamento das instituições que já efetivaram as progressões remuneratórias com base nos pontos acumulados desde 2009, um ano após a publicação do despacho que fixou os encargos financeiros para os reposicionamentos. Enquanto os docentes da maioria dos institutos politécnicos progrediram na carreira após a publicação do despacho, em março de 2025, são poucas as universidades que já estão a proceder ao reposicionamento remuneratório dos seus docentes. Segundo o levantamento realizado pelo SNESup, só as universidades do Porto e do Algarve iniciaram esse processo e as universidades de Aveiro e Coimbra comprometeram-se a apresentar propostas. Nas restantes, os professores continuam sem saber se poderão ou não progredir na carreira. “O que nos deixa bastante desagradados é ter constatado que, durante 2025, depois de sair a autorização para as progressões remuneratórias, muitas das universidades nada fizeram”, lamentou, em declarações à Lusa, Paulo Teixeira, da direção do SNESup. Os professores das universidades e dos institutos politécnicos progridem na carreira após seis anos consecutivos de avaliação máxima, mas os estatutos preveem também, desde 2009, “progressões gestionárias”. As progressões por esta via estão dependentes dos regulamentos internos das instituições, tendo como condição respeitar os limites financeiros definidos anualmente por despacho governamental. Só no ano passado é que o Governo desbloqueou, finalmente, as progressões, com a publicação do despacho anual que define o montante máximo dos encargos financeiros que pode ser afetado à alteração do posicionamento remuneratório, fixado até ao limite de 1% da massa salarial total do pessoal docente. Sem enquadramento legal para progredirem por opção gestionária durante mais de 15 anos, muitos docentes acumularam pontos durante esse período e estariam agora em condições de subir dois ou três escalões. Foi o caso de Paulo Teixeira, que leciona no Instituo Politécnico do Cávado e do Ave e que este ano subiu três escalões, passando do início para o topo da carreira de professor adjunto. Para o docente e dirigente sindical, a situação cria desigualdades entre os docentes das universidades e dos politécnicos e Paulo Teixeira critica, sobretudo, a desconsideração demonstrada pelas universidades para com os docentes, que continuam sem qualquer informação sobre o futuro. Ainda assim, compreende as dificuldades financeiras apontadas pelas instituições e acompanha as preocupações manifestadas, há uma semana, pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), que, numa carta dirigida ao Governo, alerta que o sistema “atingiu o limite da sua elasticidade financeira e administrativa”. No ofício, o CRUP, que vai reunir na quarta-feira com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, defende a inscrição de uma norma legal que garanta o princípio da neutralidade orçamental, ou seja, que medidas impostas às universidades impliquem o financiamento adicional que assegurem a sua viabilidade, defendida também pelo SNESup. “Compreendemos que a tutela não deve fazer sair normas que impliquem despesas para as instituições de ensino superior sem lhes dar o devido cabimento. É normal que as instituições sintam alguma dificuldade, mas não devem refletir as suas dificuldades nos docentes, devem fazer refletir essas dificuldades na tutela”, sublinha Paulo Teixeira. Segundo o presidente do SNESup, José Moreira, o sufoco financeiro das instituições reflete-se também na não abertura de concursos para a integração de investigadores na carreira, situação que prejudica mais de 500 profissionais e a quem o Supremo Tribunal Administrativo deu razão, ordenando a abertura de concursos.
PSP anuncia vários investimentos em instalações no Comando Distrital de Aveiro
Durante a sessão solene do 139.º aniversário do Comando Distrital de Aveiro da PSP, que decorreu no município de Ovar, Virgínia Cruz destacou o esforço conjunto da direção nacional e dos municípios na reabilitação de instalações deste comando distrital. Entre as intervenções previstas está a construção da nova esquadra da PSP de Ovar, num investimento de 2,4 milhões de euros, cujo concurso ficou deserto por falta de interessados. Virgínia Cruz referiu que a autarquia lançou um novo concurso público, manifestando-se otimista quanto à sua adjudicação e início da obra, uma vez que, poucos minutos antes, o presidente da Câmara tinha anunciado que a autarquia estava "a dias de fazer a adjudicação". Para além desta obra, a responsável disse que está a decorrer atualmente a reabilitação da esquadra de São João da Madeira, com o apoio da Câmara Municipal, estando previstas para o corrente ano intervenções de reabilitação na sede do comando distrital e na sede da Divisão Policial de Aveiro. A diretora nacional adjunta referiu ainda que foi apresentada uma proposta à tutela para a relocalização da esquadra de Santa Maria da Feira, tendo sido inscrita a reabilitação da divisão policial de Espinho no próximo quadro da Lei de Programação de Infraestruturas e Equipamentos das Forças e Serviços de Segurança, do Ministério da Administração Interna. No seu discurso, Virgínia Cruz sublinhou ainda o papel da PSP durante e após a passagem da depressão Kristin, lembrando que o comando de Aveiro foi um dos primeiros a responder ao pedido de reforço dos comandos mais afetados, em especial o comando distrital de Leiria. “No meio destas crises esquecemos que as mesmas também afetam os polícias não só na esfera profissional, mas também na esfera pessoal. Ainda assim, nada demove o espírito dos profissionais da PSP que continuaram e continuam a dar o seu melhor todos os dias”, observou. O comandante do Comando Distrital de Aveiro da PSP, António Monteiro, também evidenciou a forma como os polícias desempenharam a sua missão durante este período. “Obrigado por terem instintivamente dito presente quando foram chamados a reforçar aqueles que estiveram no centro do furacão e mesmo perdendo grande parte do seu património continuaram a ser polícias”, afirmou. António Monteiro, que assumiu o comando distrital a 20 de outubro, disse que o maior objetivo continua a ser aumentar a proximidade da polícia aos cidadãos e incrementar a sua visibilidade na via pública, nos estabelecimentos de ensino e nos estabelecimentos comerciais. Nesse sentido, o responsável defendeu que se revela de extrema importância a implementação de sistemas de videovigilância como complemento à atividade policial, adiantando que espera dar continuidade a todos os projetos iniciados e se possível alargar os sistemas a todas as cidades na área de responsabilidade da PSP. De acordo com o balanço anual apresentado, o Comando Distrital de Aveiro da PSP realizou, em 2025, 1.200 detenções, sendo 994 em flagrante delito e 206 mandados de detenção. Na área da prevenção e segurança rodoviária, foram realizadas 814 operações de fiscalização de trânsito, 11.604 testes de despiste de álcool, tendo sido controladas 142.434 viaturas por radar e fiscalizadas 45.046 viaturas. A PSP processou 32.444 infrações ao código da estrada, sendo 978 muito graves, 4.742 graves e 26.724 leves. Em termos de sinistralidade, foram participados 2.336 acidentes, dos quais resultaram cinco vitimas mortais, 24 feridos graves e 677 feridos ligeiros. O comando distrital da PSP de Aveiro, que conta este ano com quase 500 polícias, encontra-se implementado numa área de responsabilidade de 188 quilómetros quadrados, abrangendo os municípios de Aveiro, Espinho, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Ovar, e serve uma população residente de 153 mil habitantes.
Empresa ucraniana de gestão de compras vai lançar operação ibérica a partir de Arouca
Segundo explicou Maryna Trepova, que é a diretora-executiva da firma criada em Kiev em 2018, ainda não está definido se a sede da nova estrutura ficará registada em Portugal ou Espanha, mas é já certo que, independentemente da morada, a operação terá âmbito ibérico e funcionará quase integralmente em regime remoto, dado que grande parte da equipa afeta ao projeto é constituída por consultores contratados consoante a área de especialização exigida para cada cliente. “No ano passado mudámos a nossa estratégia três vezes, primeiro para introduzir maior automatismo e inteligência artificial na gestão de compras, depois para alargar o leque de oportunidades de negócio na Ucrânia, porque há muitas empresas à procura de negócios lá, e finalmente para definir a operação em Portugal e Espanha, onde há potencial para mais serviços profissionais relacionados com aprovisionamento”, declarou à Lusa a diretora da IPSM - International Procurement & Supply Chain Management. Maryna Trepova reconheceu que o mercado espanhol “é muito mais amplo”, mas, trabalhando entre Portugal e a Ucrânia, onde a empresa que fundou com Victoria Kravchenko emprega atualmente 15 pessoas, planeia desenvolver a sua atividade em termos que lhe permitam continuar a residir em Arouca, no distrito de Aveiro, para onde se mudou em março de 2022 após uma análise “muito fria e racional” aos prós e contras de um grupo restrito de países que considerou opções viáveis quando decidiu fugir à guerra com outras oito pessoas da família. Gerindo a IPSM a partir de Arouca, a empresária conseguiu garantir a sobrevivência da firma de Kiev nos meses de paragem ditados pela invasão russa, recuperou depois os contratos suspensos e acabou por consolidar a sua carteira de clientes, 15% dos quais situados fora da Ucrânia, com especial incidência no Cazaquistão, no Quirguistão e nos Emiratos Árabes Unidos. Em 2025, o volume de negócios da marca foi na ordem dos 120.000 euros, para o que contribuiu experiência acumulada em setores como a agricultura, indústria alimentar, telecomunicações, banca, farmacêutica e defesa – através de clientes como a Vodafone, os laticínios Bel e a fabricante de gelados RUD. “Otimizamos custos, organizamos um processo de aprovisionamento eficaz e detetamos fraudes”, disse Maryna Trepova, ralçando que foi possível reposicionar "todos os elementos do processo de compras no local e momento mais ajustados da cadeia, para que se cumpra melhor a visão que o cliente tem para a sua marca, não só em termos financeiros, mas também de gestão de tempo, eficiência técnica, impacto social, etc.”. Graças a um investimento que não será superior a 10.000 euros, a operação a lançar no próximo trimestre deverá agora elevar significativamente o volume de negócios global da IPSM: “Contamos chegar ao fim de dezembro com pelo menos o dobro da faturação do ano passado, embora eu acredite que até possamos atingir os 400.000 euros”. Nesses resultados terá influência a própria Ucrânia enquanto “mercado de interesse crescente” para o tecido empresarial português e espanhol, em especial para médias e grandes empresas das áreas da indústria, agricultura, banca e tecnologias de informação. “Esses serviços estão a fazer falta na Ucrânia e, como conhecemos muito bem o país e já lá temos contactos, sabemos que o diálogo com a Península Ibérica pode ser muito útil a ambas as partes”, concluiu Maryna Trepova, que não hesita em assumir-se “nada otimista” quanto ao fim da guerra num futuro próximo.