Tensões na Distrital do PS-Aveiro: Bruno Aragão e Joana Sá Pereira retiram-se da lista de deputados
A reunião da Comissão Política da Federação Distrital do Partido Socialista (PS) de Aveiro, realizada na Escola Secundária José Estêvão durante a noite de ontem, 31 de março, ficou marcada por momentos de grande tensão devido à lista de candidatos a deputados pelo círculo de Aveiro. A proposta apresentada pelo secretariado federativo gerou contestação entre vários dirigentes socialistas, expondo divisões internas que se arrastam destas as últimas eleições para a federação.
Redação
O presidente da Câmara de São João da Madeira e antigo presidente da federação, Jorge Sequeira, foi uma das vozes mais críticas, lamentando a "falta de qualidade" da lista apresentada e o afastamento de figuras que poderiam fortalecer a representação do distrito na Assembleia da República, dando o exemplo da atual deputada à Assembleia da República, Cláudia Santos. Recorde-se que Cláudia Santos é natural de Aveiro e não foi indicada pela Comissão Política da concelhia do PS-Aveiro, que preferiu indicar Filipe Neto Brandão e Rosa Aparício. Contudo, Cláudia Santos era deputada à Assembleia da República desde 2019 e foi sempre uma indicação da direção nacional do PS.
A insatisfação alastrou-se a várias concelhias, com vários apoiantes da candidatura de Jorge Sequeira, nas últimas eleições para a distrital, a demonstrarem o seu descontentamento. Um deles foi Joaquim Jorge, atual presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, que manifestou descontentamento pela descida do deputado Bruno Aragão na lista, vendo nisso um desrespeito pela sua estrutura local.
As divisões internas na distrital do PS de Aveiro ficaram ainda mais evidentes com a decisão de Bruno Aragão (Oliveira de Azeméis) e Joana Sá Pereira (Mealhada), transmitida durante a reunião, de que pretendiam que o seu nome fosse retirado da lista de deputados como sinal de protesto.
Mais sorte teve Filipe Neto Brandão, atual deputado à Assembleia da República que, mesmo tendo apoiado Jorge Sequeira na disputa eleitoral para a federação com Hugo Oliveira, acabou por se manter em lugar elegível na proposta do atual presidente da distrital. Neto Brandão lamentou a indisponibilidade de Bruno Aragão e de Joana Sá Pereira para continuarem na lista e deu nota que o presidente da federação o tinha informado de que apenas consideraria para a lista de deputados indicações das concelhias.
O presidente da Federação Distrital do PS de Aveiro, Hugo Oliveira, aproveitou a sua intervenção final para recordar os presentes que tinha “muito orgulho” por ter garantido nas negociações com a direção nacional do PS que o número dois da lista fosse alguém do distrito e relembrou o antigo presidente da distrital, Jorge Sequeira, que os candidatos que subiram agora posições na lista de deputados (Paulo Tomaz de Águeda e Nuno Almeida de Espinho) já tinham integrado as listas anteriores feitas pelo próprio Jorge Sequeira, e que, assim sendo, não entendia as referências à falta de qualidade da lista apresentada.
A lista acabou por ser aprovada com 50 votos a favor, 26 contra e 2 em branco, evidenciando que Hugo Oliveira continua com o apoio da larga maioria dos dirigentes socialistas do distrito de Aveiro.
As listas de deputados serão amanhã aprovadas pelos órgãos nacionais do PS e aguarda-se pela indicação da nacional para o quinto lugar da lista que terá que ser uma mulher. Cláudia Santos poderá ainda integrar a lista se o secretário-geral do partido, Pedro Nuno Santos, assim o entender.
Lista de deputados do PS pelo círculo de Aveiro
1 - Pedro Nuno Santos (Indicação da direção nacional)
2 - Susana Correia (Santa Maria da Feira)
3 - Hugo Oliveira (Estarreja)
4 - Filipe Neto Brandão (Aveiro)
5 - Indicação da direção nacional (terá que ser uma mulher)
6 - Paulo Tomaz (Águeda)
7 - Nuno Almeida (Espinho)
8 - Ana Marta Santos (Ovar)
9 - Catarina Gamelas (Albergaria-a-Velha)
10 - José António Rocha (Castelo de Paiva)
11 - Ricardo Conceição (Anadia)
12 - Daniela Gonçalinho (Oliveira do Bairro)
13 - Regina Fontes (Arouca)
14 - João Figueiredo (Santa Maria da Feira)
15 - Cláudia Campos (Murtosa)
16 - Ana Patrícia (Sever do Vouga)
Suplentes:
1 - Justino Monteiro (Ovar)
2 - LaSallete Monteiro (Vagos)
3 - Eduardo Conde (Ílhavo)
4 - Ana Magalhães (Vale de Cambra)
5 - Irene Gomes (São João da Madeira)
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Alberto Souto de Miranda promove encontro temático sobre democracia local em Esgueira
De acordo com uma nota de imprensa enviada à Ria, o encontro tem como objetivo “refletir sobre os desafios da participação cívica nos processos de decisão local e explorar novos caminhos para aumentar o envolvimento dos cidadãos, sobretudo daqueles pertencentes aos grupos sub-representados, em resposta aos principais desafios societais, nomeadamente a inclusão social, a transição energética e climática e a inovação urbana”. “A democracia local é muito mais do que a eleição periódica de responsáveis políticos para câmaras municipais ou juntas de freguesia. É também uma oportunidade para envolver os cidadãos e as organizações locais em decisões relevantes para o futuro dos territórios, reforçando a legitimidade política, proporcionando uma resposta mais eficaz aos problemas das comunidades e atendendo melhor ao interesse coletivo”, realça a nota. O debate contará com a presença de José Carlos Mota, professor auxiliar do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e Territoriais da Universidade de Aveiro e investigador do GOVCOPP, e Giovanni Allegretti, investigador sénior do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. A iniciativa será aberta à participação de todos os aveirenses.
Mark Eitzel tem canções sobre Trump e guerra, mas prefere gravar “amor e compaixão”
Será esse o espírito do álbum que espera poder lançar em 2026, como revelou em entrevista à Lusa durante o ensaio com os nove estudantes da Escola Profissional de Música de Espinho e do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga que o irão acompanhar nos concertos de hoje na Culturgest de Lisboa, sexta no Auditório de Espinho e sábado no Theatro Circo de Braga. Entusiasmado com a qualidade dos “jovens espetaculares” que terá em palco, meigo e amável no tom, e evocando várias vezes o “homem bom” com que está há 15 anos, o que se enquadra no estilo confessional que lhe granjeou um culto próprio, o ‘crooner’ indie que começou por afirmar-se como vocalista da banda American Music Club e que depois se consagrou com vários álbuns a solo hesita alguns segundos quando questionado sobre a guerra na Ucrânia, o regresso de Trump ao poder, a sua aparente aliança com Putin e a alegada antipatia pela Europa. “Eu escrevo sobre tudo isso. Tenho umas cinco canções novas que são todas sobre esses temas, mas não vou falar disso porque quero voltar ao meu país. Não quero ser preso e é com isso que todos estamos preocupados agora. Não quero acabar num campo de concentração. Porque estão a fazer isso: dizes a coisa errada e eles vão buscar-te”, declara, no tom mais triste e sério da entrevista. A lista de canções novas é, no entanto, maior e cresce a cada dia. “Tenho umas 40 para gravar, todas completas, acabadas e misturadas, mas eu prefiro dedicar-me à que vem a seguir”, conta Mark Eitzel, já com melhor ânimo, embora assumindo que essa tarefa é dificultada pela restrição temática que se impôs. “Já não consigo ouvir música violenta, já não consigo ver filmes violentos, já não consigo olhar para nada em que as mulheres sejam magoadas…”, revela. “Quero fazer um álbum sobre amor e compaixão – e isso não é fácil para mim, porque eu não sou esse tipo de pessoa! Mas estou casado com um homem que fez de mim um ser humano melhor, que me fez ver quais devem ser as minhas prioridades, e é por isso que eu tento”, explica. Dois ataques cardíacos no currículo, ainda recentes, não o desmotivam. Teve-os porque come mal? Porque bebe muito? Porque tem outros maus hábitos? “Foi por isso tudo”, diz a rir. Mas se esses sustos não foram suficientes para que num ápice a vida lhe passasse toda à frente dos olhos, como se diz que acontece nos derradeiros momentos, o facto é que há dúvidas que, aos 66 anos, ainda lhe tiram o sono. “Tenho arrependimentos e fico acordado à noite a pensar em coisas que aconteceram há 30 anos, em asneiras que fiz”, confessa. Não ter trabalhado mais com Bob Dylan não o preocupa particularmente, até porque a sua onda “é mais Joni Mitchell”, mas uma certeza identifica: “Devia ter percebido mais cedo que não sou a personagem principal na sala. Embora possa ser o vocalista e a estrela, há outras pessoas no palco e eu devia tê-las inspirado mais, como o Elvis Presley fazia com a sua banda”. Um conselho para os jovens músicos que o acompanham nestes três concertos e para outros que pretendam seguir a carreira artística é, por isso, que se façam distinguir por boas razões. “Acho que estes jovens até sabem mais que eu, tão diferente que é o mundo deles hoje em relação ao que foi o meu, quando as expectativas eram tão baixas que até podias ser um idiota e mesmo assim dar alguma coisa”, diz Mark Eitzel. "Mas na música clássica só podes abandalhar se fores brilhante! Podes ser uma diva, mas só se fores uma muito, muito boa”.
Bombeiros de Ílhavo adquirem viatura para combate a incêndios de risco químico
A viatura, que deverá ser recebida pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo até 31 de julho, conta com 15 mil litros de capacidade de água e mil litros de agente espumífero para incêndios em hidrocarbonetos. Possui ainda um monitor de incêndios de alta projeção, sistemas avançados de análise térmica e monitorização de atmosferas explosivas, bem como comunicações adaptadas a zonas de risco de explosão (ATEX). A viatura vem equipada com acessórios para contenção de derrames e proteção química e respiratória. “A aquisição deste veículo representa um avanço significativo na proteção das infraestruturas, do meio ambiente e das populações locais, reforçando a capacidade operacional dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo e permitindo uma resposta mais eficaz a emergências”, explica uma nota de imprensa da autarquia do distrito de Aveiro. O investimento na nova viatura especial ultrapassa meio milhão de euros e foi viabilizado por um protocolo celebrado pela corporação de bombeiros com a Câmara de Ílhavo, a Administração do Porto de Aveiro, e empresas do setor químico. Segundo uma nota de imprensa da Câmara de Ílhavo, “o projeto resulta de um esforço conjunto entre o Município de Ílhavo, a Administração do Porto de Aveiro (APA) e as empresas instaladas no Terminal de Granéis Líquidos do Porto de Aveiro”. Estas entidades assinaram em novembro um protocolo para atribuição de um apoio financeiro à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo para viabilizar a aquisição do veículo. Nos termos desse protocolo, caberá à Câmara de Ílhavo suportar o financiamento de 100 mil euros, outro tanto será suportado pela Administração do Porto de Aveiro, enquanto as empresas instaladas no Terminal de Granéis Líquidos financiarão o montante restante da despesa. “O Município de Ílhavo, a Administração do Porto de Aveiro e as empresas do Terminal de Granéis Líquidos reafirmam, assim, o seu compromisso com a segurança e o desenvolvimento sustentável, fortalecendo a cooperação para a proteção das infraestruturas críticas e do meio ambiente”, salienta a nota.
Município de Albergaria-a-Velha promove Expo Animal Solidária
No local, os visitantes poderão encontrar aconselhamento veterinário e nutricional “para tratar da melhor forma os seus amigos de quatro patas”. Na área de exposição estarão presentes associações, clínicas veterinárias e empresas ligadas aos animais, apresentando o trabalho desenvolvido, os seus produtos e serviços. Ao longo do dia, são dados a conhecer os animais para adoção do Centro de Recolha Oficial de Animais (CROAA) e das associações de proteção animal.
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O Jardim Secreto dos Partidos: Carlos Jalali explica-nos como são escolhidos os deputados
Atualmente, Portugal utiliza o sistema eleitoral de representação proporcional de lista fechada (RPLF) para eleger os 230 deputados para o Parlamento, na Assembleia da República. Os mandatos são distribuídos por 22 círculos eleitorais com base no número de eleitores recenseados, usando o método de Hondt [um sistema de distribuição de mandatos em eleições proporcionais]. Com as eleições legislativas antecipadas no horizonte, surge a questão: como escolhem os partidos os 230 deputados que compõem a Assembleia? Nas eleições legislativas, segundo o estudo, “a Constituição de 1976 consagra o monopólio de representação parlamentar aos partidos políticos”. Significa isto que do ponto de vista legal, praticamente qualquer cidadão pode ser candidato, “inclusive com dupla nacionalidade”, desde que esteja inserido numa lista partidária. O mesmo aplica-se aos chamados “candidatos não partidários” e que se identificam como independentes. Neste caso, para Carlos Jalali a decisão é, em última análise, do partido. “Um cidadão comum qualquer não pode simplesmente seguir ou concorrer a deputado: tem de ter um partido que o aceite como candidato (…) e que o coloque num lugar elegível [para ser deputado]”, explicou. “Obviamente que há independentes que entram nas listas, mas é um processo de pessoas que têm uma ligação, muitas vezes, ao partido”, continuou. Para o docente do DCSPT há “vantagens e desvantagens” neste processo de seleção de deputados. “Obviamente que uma das vantagens de ter um sistema mais aberto é que o eleitor passa a ter mais escolha na seleção dos candidatos. No entanto, também corre o risco e tem a potencial desvantagem de criar grupos parlamentares que são menos coesos. O que pode tornar mais difícil o processo de decisão coletiva no Parlamento”, alertou. “O exemplo extremo disto é o Brasil que tem um sistema eleitoral de representação proporcional e onde as pessoas podem votar em candidatos individuais. Neste caso, o Parlamento é composto por grupos parlamentares que são muito pouco coesos e onde os deputados saltam de partido em partido”, exemplificou. Face a isto, Carlos Jalali relembrou que “não há sistemas eleitorais perfeitos”. “Se existissem sistemas eleitorais perfeitos, todos os países teriam o mesmo sistema eleitoral, o que não acontece”, atentou. O estudo “O Essencial da Política Portuguesa” sugere que o facto de se utilizar um sistema eleitoral RPLF em Portugal, implica que, na prática, os partidos são “os únicos guardiões do processo de seleção de candidatos”. “Os eleitores têm uma escolha nas eleições. Escolhem o partido em que vão votar, mas a seleção dos candidatos individuais (…) é determinada pelos partidos. A exceção é o partido Livre (L) que tem alguma abertura no processo de seleção de candidatos, através das [eleições] primárias”, reconheceu o docente. “Obviamente que os partidos têm algum interesse em selecionar candidatos que possam atrair votos (…) Essa dimensão tende a centrar-se a nível dos cabeça de lista, que são aqueles que têm visibilidade, sobretudo em círculos maiores. E a verdade é que a perceção que tenho, até de perguntar a alunos, é que só uma proporção minoritária conhece os deputados dos círculos eleitorais onde elegeu”, constatou Carlos Jalali. Na prática, conforme reforça esta obra, os partidos estabelecem nos seus “estatutos internos a maior parte das regras aplicáveis aos processos de candidatura, sem sofrerem grande pressão externa”. Apesar desta realidade, o docente não deixa de reconhecer que na composição das listas dos diferentes partidos políticos há um “grau de pertença local relevante”. “As listas têm um elemento importante de pessoas que têm uma ligação ao círculo eleitoral e ao distrito pelo qual são eleitos, e, portanto, nesse aspeto, essa representação existe. Um parêntese que é importante é que (…) a Constituição [Portuguesa] diz, explicitamente, que eles representam todo o país e (…) não [só] os aveirenses em específico”, relembrou o investigador. Ainda sobre o processo de seleção de candidatos, Carlos Jalali acrescentou que um deputado que queira ser “re-selecionado” tem que, “obviamente, mostrar lealdade à liderança partidária, mas também (…) mostrar serviço local, porque isso ajuda que as concelhias e as distritais, consoante o partido, digam que há interesse em manter essa pessoa nas listas”. Desde 2006 que a “aprovação da lei de quotas parlamentares” constituiu uma outra “importante restrição exógena ao modo como os partidos podem formar as suas listas”. Inicialmente, a lei estabelecia que as listas partidárias deveriam incluir, pelo menos, “um terço de candidatos de cada um dos sexos” e que nenhum dos sexos deveria “ocupar mais de duas posições consecutivas”. Uma revisão desta lei, após 12 anos, estabeleceu “um novo limite mínimo para cada sexo (40%) e sanções mais pesadas (rejeição das listas) em caso de incumprimento”, conforme refere o estudo. Na perceção do docente do DCSPT a aplicação da lei de quotas parlamentares teve um efeito “muito positivo” ao aumentar a representação feminina no Parlamento. Ainda assim, segundo os dados do estudo, esta realidade “está longe de assegurar a paridade”. “Sabemos que uma lei de quotas (…) funciona a longo prazo quando ela deixa de ser necessária. Nós não estamos sequer remotamente perto disso. A lei de quotas continua a ser necessária, porque continuam a existir barreiras estruturais à representação das mulheres. Existem também barreiras estruturais à representação de minorias étnicas”, alertou. Por exemplo, no caso das mulheres, “os padrões de divisão do trabalho familiar em Portugal são, infelizmente, historicamente muito desiguais na questão do acompanhamento dos filhos. Se as reuniões dos partidos forem sempre à noite, a uma hora em que uma mulher possa ter de estar em casa [já é uma barreira]”, reconheceu Carlos Jalali. Atualmente, as regras que ditam o processo de seleção destes deputados “estão pouco formalizadas e encontram-se expostas desigualmente nos estatutos dos partidos”. Segundo o estudo, nos “dois maiores partidos”, PS e PSD, as regras estão “mais pormenorizadas”, sendo “bastante vagas” no CDS-PP, no BE, no Pan, no Chega e no Livre” e “praticamente ausentes” no “PCP e na IL”. No entendimento do docente, esta realidade não lhe causa estranheza já que para si “as regras formais são, em larga medida, omissas”. “Na prática, o que acontece é que há uma interação e uma negociação entre as estruturas a nível central e as estruturas a nível distrital e local. Aliás, o trabalho que a Ria tem feito, nas últimas semanas, sobre o processo de seleção de candidatos no PSD e no PS reflete isto bem”, opinou. Esta “omissão” referida acima leva ainda Carlos Jalali a concluir e a refletir no estudo que esta é uma área “onde os partidos devem considerar um maior diálogo e abertura”. “Há aqui dinâmicas internas que são fechadas ao cidadão. Por um lado, percebe-se que os partidos, como qualquer organização, têm processos internos que devem ter em sua reserva. Por outro lado, sabendo nós do grau de desconfiança que os portugueses depositam nos partidos e da importância da seleção de deputados e da importância do cidadão em ter um sentimento de proximidade com os seus representantes eleitos, talvez esta seja uma área onde os partidos devem considerar um maior diálogo e uma maior abertura”, observou. Para o docente este é um processo, ainda hoje, “muito opaco”. “O eleitor vê a lista, sabe qual é a lista que é apresentada, sabe quem são os candidatos, mas os partidos raramente explicam a lógica de seleção dos candidatos. Quer dizer, temos o Livre que tem primárias e, portanto, neste caso podemos perceber como é que se chega a esta lista (…). Agora, nos restantes… As notícias da Ria são muito interessantes, porque dão-nos nota de debates internos, de diferentes alinhamentos”, frisou. Carlos Jalali foi mais além e considerou mesmo que existe “verdadeiramente um jardim secreto no funcionamento dos partidos”. [Este efeito] “muito elevado” de desconfiança “pode-se traduzir na abstenção, mas também se pode traduzir no voto em partidos antissistema e populistas. [Também] pode não se manifestar nem numa coisa nem noutra (…). É prejudicial, no sentido em que os partidos são o veículo central da representação política”, reforçou. “Há um trabalho de comunicação, de explicação, daquilo que é a seleção de candidatos, que os partidos nunca fizeram, e que acho que é importante fazerem”, notou o docente. Também no mesmo estudo, outra das conclusões que os investigadores referem é que “os candidatos não são particularmente representativos da população geral”. Para Carlos Jalali, esta caraterística pode ser explicada por, atualmente, os deputados apresentarem “um perfil bastante elitista face ao grau de escolaridade, estatutos socioeconómicos, carreiras partidárias, que os distinguem da generalidade da população”. “Comparando com a generalidade da população, o nível educacional do deputado e o seu estatuto socioeconómico tende a ser bastante superior”, afirmou. No entendimento do docente esta realidade pode criar outras “barreiras estruturais”. “Podem até existir grupos que sentem que nem sequer são capazes [de chegarem a deputados] (…). Isso é mau, porque em democracia, teoricamente, todos devemos ter capacidade de influenciar e participar”, refletiu. "O Essencial da Política Portuguesa" é um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, coordenado por António Costa Pinto, Pedro Magalhães e Jorge Fernandes. Publicado no ano de 2023, reúne 68 investigadores para analisar os 50 anos de democracia em Portugal. O livro aborda temas como instituições políticas, partidos, participação eleitoral, políticas públicas e relações externas. O capítulo 21 que se dedica à “Seleção de Candidatos em Portugal” contou com os contributos de Carlos Jalali e Edalina Rodrigues Sanches, investigadora auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
AAUAv terminou 2024 com saldo negativo superior a 250 mil euros
Foi apresentado e aprovado no dia 31 de março o RAC final relativo ao ano de 2024. O balanço confirma que a AAUAv termina 2024 com saldo negativo, tal como previsto em janeiro, mas o valor encontra-se acima do inicialmente esperado. Em janeiro, o RAC preliminar apontava para um saldo negativo na ordem dos 80 mil euros, mas o documento ontem apresentado aponta para um valor superior aos 250 mil. De notar que o ano de 2023 terminou com um saldo positivo de quase 48 mil euros. Wilson Carmo, antigo presidente da AAUAv, reparou que o “resultado financeiro” não o deixa “orgulhoso”, mas considera que em três anos, deixou “a AAUAv num dos seus auges de desporto, de cultura, de política e de sociedade”. Sublinhou, no entanto, que o valor é relativo a toda a estrutura da AAUAv e que neste valor entra uma parcela de 58 mil euros relativa à desvalorização dos “equipamentos comprados”. “Os equipamentos comprados (…) todos os anos, e mesmo depois de pagos, desvalorizam; (…) todos os anos, essa desvalorização, por mais que o dinheiro não saia da conta, vai acabando por ter uma amortização no valor negativo”, reparou Wilson Carmo. Retirando esse valor, o valor passa para a casa dos 190 mil euros. Wilson repara que os serviços constituem a maior fatia deste bolo, representando “cerca de 100 mil euros”. Apesar de realçar a importância dos serviços existentes de forma a colmatar as necessidades identificadas dos estudantes, aponta que o objetivo era também trazer receita para a instituição, “juntando o melhor dos dois mundos, que é dar resposta a uma deficiência que a academia tinha e de certa forma trazer alguma receita”, frisou o antigo dirigente. O antigo presidente da AAUAv aponta o Café Universitário de Aveiro (CUA) é o serviço da associação que mais contribui negativamente para o resultado final, apontando que se verificou, além do aumento dos custos com mercadoria, uma duplicação dos custos com salários. Rui Oliveira, estudante da licenciatura em Marketing, apontou que “a Associação Académica (…) deve existir para prestar o serviço aos estudantes”, contudo, entende ser necessário “tentar repensar e perceber” as variações sentidas, exemplificando com a venda de merchandising que em 2023 registou vendas na ordem dos 40 mil euros, caindo em 2024 para os 16 mil. Em relação ao CUA o estudante de marketing considerou que “a situação é preocupante”. “O CUA é uma mina de dinheiro. O CUA custa muito dinheiro, mas dá muito dinheiro. Contudo, quem tem de estar em cima daquilo não é um tesoureiro adjunto”, entende Rui Oliveira que defendeu ser “preciso ter pessoas responsáveis”. “Se isto continua assim, o CUA vai arrastar a Associação Académica para um sítio muito mau”, finaliza. Em resposta, Wilson reparou que a abertura do CUA contou com apoio por parte de um profissional da área da hotelaria, que aconselhou a associação na gestão do estabelecimento. “Esta pessoa no início do ano montou um estudo e nós confiamos (…) que sabia aconselhar e gerir; (…) a meio do ano o que nos dizem é que não está a dar lucro, mas também não está a dar prejuízo, (…) no final do ano, quando nós nos apercebemos que as coisas não são bem assim, esta pessoa foi contactada para ir embora”, contou. Wilson Carmo apontou ainda que, além dos serviços criados “houve uma atividade para nós muito importante que foi a realização das Fases Finais do Desporto Universitário aqui em Aveiro”. “Umas Fases Finais que são um prejuízo claro, muito significativo, mas que nós não encaramos como prejuízo, encaramos como um investimento”, frisou o antigo estudante que vê com felicidade a vontade de trazer os Jogos Europeus Universitários 2032 a Aveiro. A assembleia ficou ainda marcada pela crítica, por parte dos estudantes, à falta de comunicação relativamente à AGA realizada e pelo facto do site da associação estar fora de serviço, fazendo com que os estatutos e outros documentos não estejam à disposição dos estudantes. Em resposta, Joana Regadas, presidente da direção da AAUAv, deu nota de que iria colocar os estatutos disponíveis aos estudantes, enquanto o site está em baixo, numa rede social da associação. Relativamente à falta de comunicação da AGA, a direção garante que os estudantes foram informados por e-mail.
Alberto Souto de Miranda promove encontro temático sobre democracia local em Esgueira
De acordo com uma nota de imprensa enviada à Ria, o encontro tem como objetivo “refletir sobre os desafios da participação cívica nos processos de decisão local e explorar novos caminhos para aumentar o envolvimento dos cidadãos, sobretudo daqueles pertencentes aos grupos sub-representados, em resposta aos principais desafios societais, nomeadamente a inclusão social, a transição energética e climática e a inovação urbana”. “A democracia local é muito mais do que a eleição periódica de responsáveis políticos para câmaras municipais ou juntas de freguesia. É também uma oportunidade para envolver os cidadãos e as organizações locais em decisões relevantes para o futuro dos territórios, reforçando a legitimidade política, proporcionando uma resposta mais eficaz aos problemas das comunidades e atendendo melhor ao interesse coletivo”, realça a nota. O debate contará com a presença de José Carlos Mota, professor auxiliar do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e Territoriais da Universidade de Aveiro e investigador do GOVCOPP, e Giovanni Allegretti, investigador sénior do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. A iniciativa será aberta à participação de todos os aveirenses.
Microalga salina estudada na Universidade de Aveiro para tratar inflamação e diabetes
De acordo com os investigadores da Universidade de Aveiro, a 'Dunaliella salina' contém compostos que podem reduzir processos inflamatórios e controlar os níveis de açúcar no sangue. O estudo foi feito em parceria com o Centro Interdisciplinar de Investigação Marítima e Ambiental (CIIMAR), o centro de biotecnologia e química fina (CBQF)- Universidade Católica Portuguesa, o GreenCoLab e a Necton. “Os testes em laboratório demonstraram que o extrato lipídico desta microalga bloqueia a enzima COX-2, associada à inflamação no corpo humano”, refere uma nota de imprensa sobre aquele trabalho. Os investigadores chegaram ainda à conclusão de que a 'Dunaliella salina' “possui uma forte ação antioxidante e inibe a enzima a-glucosidase, responsável pela digestão de açúcares”. “Os resultados mostram que a 'Dunaliella salina' pode ter um impacto positivo na prevenção de doenças metabólicas, oferecendo uma abordagem natural para a regulação da inflamação e dos níveis de açúcar no sangue” explica Rosário Domingues, coautora do estudo e docente e investigadora da universidade da Aveiro. Os investigadores destacam que as microalgas podem ser uma alternativa natural aos suplementos convencionais, como os de ómega-3, que atualmente vêm sobretudo do óleo de peixe. “Ao utilizarmos microalgas como fonte de nutrientes, estamos não só a oferecer uma solução mais sustentável, mas também a aproveitar os seus múltiplos benefícios para a saúde humana”, sublinha Rosário Domingues, citada na nota de imprensa. O estudo foi realizado no âmbito do projeto Vertical Algas, que integra o Pacto da Bioeconomia Azul, um consórcio que reúne dezenas de empresas, universidades e centros de investigação dedicados ao setor das algas em Portugal.