RJIES: Governo recua em relação à proposta inicial e aumenta peso dos docentes na eleição do reitor
Foi apresentada e aprovada ontem, dia 6, em Conselho de Ministros, a proposta de revisão do RJIES. A proposta recua, em relação à proposta inicial apresentada pelo Governo, relativamente à proposta do mandato único de seis anos do reitor, e volta a rever o peso dos estudantes, antigos estudantes e docentes na eleição do reitor.
Ana Patrícia Novo
JornalistaÚltimas
A proposta de revisão inicial do RJIES previa o reforço do poder estudantil e a inclusão dos antigos estudantes na eleição do reitor, com a indicação de que o voto dos estudantes e antigo estudantes tivesse um peso de pelo menos 25%. Juntos, valeriam metade dos votos, mas agora não passarão dos 35%. Recorde-se que uma das principais preocupações do movimento associativo estudantil passava precisamente pelo peso dos antigos estudantes na eleição do reitor, pois entendiam que não devia ser superior ao peso dos atuais estudantes.
Na proposta aprovada ontem em Conselho de Ministros, o modelo de eleição direta - já previsto na proposta inicial - mantém-se. No entanto, no que diz respeito à distribuição das percentagens dos membros da comunidade na eleição do reitor, os antigos estudantes passam a ter um peso de pelo menos 15%, valor abaixo dos 25% inicialmente propostos, e os estudantes descem para pelo menos 20%, uma descida de 5%. A proposta prevê ainda pelo menos 50% dos votos para os docentes e investigadores de carreira, quando na proposta inicial se situava nos 30%. O peso do pessoal técnico e administrativo mantém-se na casa dos 10%.
A proposta de revisão apresentada ontem mostra ainda que os mandatos do reitor não deverão ser alvo de reforma, contrariamente ao apresentado inicialmente. Tal como avançado pela Ria, a proposta discutida previamente referia a limitação dos mandatos dos reitores para um único mandato com a duração de seis anos. Contudo, o documento ontem aprovado em Conselho de Ministros mostra que os mandatos se vão manter com a duração de quatro anos, renováveis uma vez.
Fernando Alexandre, ministro da Educação, salientou em conferência de imprensaque a alteração ao documento era uma “urgência”. Recorde-se que o documento não é revisto desde a sua implementação em 2007.
O reforço da autonomia das instituições de ensino superior, nomeadamente para definição de estratégias e dos instrumentos para a implementação dessas estratégias, o modo de eleição do reitor, as medidas de combate à endogamia e a abertura a que agências europeias de acreditação e avaliação possam avaliar e acreditar as instituições de ensino superior e os cursos foram os principais pontos destacados por Fernando Alexandre. O Governo voltar a reunir hoje, dia 7, com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP).
Últimas
Recomendações
Investigadores da Universidade de Aveiro propõem novo método para avaliar o ruído do trânsito
Uma investigação levada a cabo pela Universidade de Aveiro e pela Universidade de Salerno, em Itália, propõe uma nova forma mais fidedigna de medir o ruído do tráfego rodoviário.
GrETUA regressa às aulas com Field Stages e inaugura novo espaço com Mike El Nite
A programação do último quadrimestre de 2026 do Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro (GrETUA) arranca com o regresso dos percursos sonoros em torno da cidade de Aveiro no início de setembro. De acordo com nota de imprensa enviada à Ria, o início do ano letivo fica também marcado pela inauguração de um novo espaço da estrutura com um concerto de Mike El Nite, IBSXJAUR, Rufia Terno DJ Set e SoundPreta DJ Set.
UA: Professor condenado por homofobia vai apresentar recurso; Advogado acusa AAUAv de “perseguição”
Paulo Lopes, professor do Departamento de Física (DFis) da Universidade de Aveiro (UA), foi condenado no início deste mês de setembro a dois anos de pena suspensa, na sequência de uma acusação feita pela Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) por comentário homofóbicos, em 2022. Em conversa com a Ria, José Manuel Martins, advogado que representa Paulo Lopes no processo, defende que a sentença “viola o princípio da liberdade de expressão” e acusa a AAUAv de “perseguição” ao docente, adiantando que será apresentado recurso.
UA diz-se “impedida de fazer o que quer que seja” em relação a professor condenado por homofobia
O professor Paulo Lopes, do Departamento de Física (DFis) da Universidade de Aveiro (UA), foi condenado a dois anos de pena suspensa por comentários homofóbicos datados de 2022. O advogado do professor Paulo Lopes clarifica que, aquando da acusação, a UA decidiu demitir o docente, mas que depois a pena foi atenuada para uma suspensão de 240 dias - o professor levou o processo disciplinar da UA a tribunal e aguarda decisão. Fonte da reitoria da Universidade de Aveiro (UA) afirmou, em declarações à Ria, que está “impedida de fazer seja o que for” até que o tribunal se pronuncie.