Luís Souto critica “coligação negativa” e apresenta programa “ambicioso” a ministro da Economia
No Dia Nacional da Sustentabilidade, que se comemorou esta quinta-feira, 25 de setembro, a Casa da Sustentabilidade, instalada no edifício da Junta de Freguesia de Glória e Vera-Cruz, foi o palco escolhido para mais uma sessão dos “Encontros com Aveiro”, iniciativa promovida pela ‘Aliança com Aveiro’ (PSD/CDS-PP/PPM). Ao longo de cerca de duas horas, o encontro, que juntou também Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, procurou discutir temas como o desenvolvimento económico e a coesão territorial.
Isabel Cunha Marques
JornalistaÚltimas
Na sua intervenção, Luís Souto de Miranda, candidato da ‘Aliança’ à Câmara de Aveiro, em jeito de resposta ao comunicado da Ria, que denunciava que um jornalista do órgão de comunicação tinha sido alvo de intimidações, afirmou que: “uma campanha natural faz-se, naturalmente, daqueles momentos que podem ter rebuçados, porque não, como tivemos no outro dia. Embora haja pessoas que ficam intimidadas por uns rebuçados. Nem toda a gente entende este subliminar, mas outros entendem”.
Sem deixar de comentar a campanha autárquica, tal como já havia feito no encontro “Continuidade e Inovação”, Luís Souto de Miranda voltou a criticar a “coligação negativa” entre o Partido Socialista e o Chega, sublinhando que esta é “contra a economia”. “Sistematicamente tem dado sinais de querer afastar o investimento e, sobretudo, de desconfiança no investidor lançando um manto de suspeitas”, apontou.
Dirigindo-se diretamente ao ministro da Economia e da Coesão Territorial, Luís Souto de Miranda recordou que um dos lemas da Aliança é “contribuir para a felicidade dos aveirenses” através da criação de emprego, da melhoria dos transportes, da qualidade de vida e da saúde. Sobre este último ponto, reforçou: “Senhor ministro, estamos à espera do nosso hospital”.
Falando, desta vez, sobre o seu programa eleitoral, composto por “52 páginas” de propostas que considerou “sérias, ambiciosas, mas credíveis”, e abordando o tema da coesão territorial, Luís Souto de Miranda defendeu que “o país tem de ser mais coeso, mas os municípios dentro de si também têm de trabalhar a maior coesão territorial”. Destacou ainda que, em Aveiro, algumas freguesias necessitam atualmente de “equipamentos âncora”. Como exemplo, apontou São Jacinto, defendendo o projeto do aeródromo municipal para aquele lugar.
Luís Souto de Miranda aproveitou ainda para falar sobre a sua “íntima relação com a universidade”, em resposta às críticas de que a sua lista inclui poucos militantes conhecidos, salientando que “a cultura universitária é para trazer para dentro da gestão municipal”. Recorde-se que, conforme noticiado pela Ria, do atual Executivo Municipal apenas Ana Cláudia Oliveira, presidente da concelhia do CDS-Aveiro, transita para a lista à Câmara Municipal, sendo que as restantes escolhas são caras novas, muitas com ligações à Universidade de Aveiro, ocupando lugares elegíveis.
Continuando a apresentar projetos do seu programa, o candidato da ‘Aliança’ abordou a área do Baixo Vouga que afeta, sobretudo, a freguesia de Cacia, propondo a criação de um eco parque. Sobre o turismo, destacou que Aveiro tem registado “crescimentos muito interessantes”, mas apontou como problema a estadia curta dos visitantes. Para os “próximos anos”, defendeu a necessidade de desenvolver novos produtos turísticos e roteiros que levem os visitantes também às freguesias do concelho. Criticando diretamente o adversário, afirmou: “Não é como aquelas propostas do livro das 100 e tal medidas que depois passam a ser 50, que mais parecem sonhos ou pesadelos”, numa referência a Alberto Souto de Miranda, candidato do PS à Câmara de Aveiro.
Apontou ainda a necessidade de uma “Agência Municipal de Investimento e Inovação”. Novamente dirigindo-se à oposição, respondeu às críticas de favorecimento: “isto é para colocar os amigos”. “Esta é totalmente uma crítica que desqualifica totalmente quem a fez, é de uma falta completa de visão estratégica não perceber que criamos uma estrutura dedicada à captação de investimento. (…) Temos um braço estendido da Administração Municipal para ir à pesca, à procura, de forma ativa, de mais investimento no nosso município”, justificou.
No seguimento, Luís Souto de Miranda apontou também que a “Aveiro Tech City” é para “continuar” sublinhando que o partido pretende “incentivar este tipo de indústrias, de alta qualidade, de qualificação de emprego e de emprego bem remunerado”. “Portanto, é preciso criar e desenvolver áreas de acolhimento empresarial que deem gosto. (…) É preciso criar condições para retermos os talentos”, continuou.
Entre as propostas, destacou ainda o ex-centro de saúde mental de São Bernardo, um edifício do Estado atualmente abandonado. “Nós temos ideias para esse edifício e, seguindo aqui o princípio da subsidiariedade, eu apelo muito (…) a este governo (…) com um ministério para eliminar as burocracias”, referiu, salientando que “é necessário que o Estado confie nas autarquias”. Apontou também a necessidade de um novo quartel da GNR “numa localização adequada” e a construção de habitação a custos controlados.
Face às medidas apresentadas, Manuel Castro Almeida, que tinha o programa eleitoral da ‘Aliança’ na mão e o lia alguns pontos no momento, comentou que o candidato estava no “bom caminho” e referiu que, da sua experiência, o melhor cargo que ele poderia ter seria justamente o de presidente de Câmara.
Numa intervenção centrada principalmente na economia nacional, o ministro, que também detém a pasta da Coesão Territorial, falou ainda sobre os municípios, defendendo, tal como o candidato, entre outros, a criação de espaços para os jovens desenvolverem os seus projetos e a descentralização, incluindo a transformação de edifícios públicos abandonados em habitação pública.
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