Após 15 anos, a Agora Aveiro continua a “fazer acontecer” pela cidade
É num sótão no centro de Aveiro que a Agora Aveiro continua a “fazer acontecer” passado 15 anos. Com mais de uma centena de projetos realizados pela região, a associação juvenil tem promovido iniciativas como a plantação de florestas por mãos universitárias ou até mesmo abraços grátis pelas ruas da cidade. Hélder Berenguer, gestor de projetos, foi o mais recente convidado do podcast Ria Co(m)vida, onde partilhou o percurso da organização e o impacto que tem gerado na cidade e na região.
Isabel Cunha Marques
JornalistaFundada em 2010, a Agora Aveiro nasceu da vontade de um grupo de jovens em criar projetos com impacto na comunidade. “A Agora nasceu da vontade de fazer acontecer”, afirma Hélder, que se juntou à associação em 2015.
Desde então, a estrutura da associação evoluiu significativamente. Um dos marcos foi a criação de uma academia de voluntariado e, mais recentemente, de um banco de voluntários que permite a participação pontual de jovens em projetos. “Criámos uma equipa que é responsável pela identificação de problemas dentro da comunidade”, esclarece o gestor de projetos.
Com cerca de 124 projetos realizados, a associação atua em áreas tão diversas como o ambiente e a sustentabilidade, a intervenção social e a arte urbana. “Na prática, as áreas de atuação que nós anunciamos no nosso site foram criadas a partir dos projetos. (…) Nós permitimos que os voluntários olhem para a sociedade, inspirem-se no que se passa à sua volta e a partir daí criem os projetos”, sintetiza Hélder Berenguer. As ideias partem muitas vezes de inspirações do dia-a-dia: “Há coisas muito simples. Alguém vê algo no Instagram e pensa: ‘Podíamos fazer algo igual e ajudar esta associação’”, partilha.
É por esta abordagem criativa e visível nas ruas que o gestor de projetos não tem dúvidas de que reconhecimento por parte da comunidade tem sido crescente. Recorda até que as pessoas já os reconhecem pela “t-shirt vermelha” que envergam. “Nós tentamos fazer projetos que têm uma componente de marketing de guerrilha. (…) Coisas que saem do comum e que chamam a atenção”, frisa.
Um dos projetos mais duradouros e bem-sucedidos é o “Plantar o Futuro”, que desafia a comunidade académica da Universidade de Aveiro (UA) a adotar e a plantar árvores autóctones. “É dos melhores exemplos da ligação entre a associação, a região e a Universidade”, considera o gestor de projetos. O projeto nasceu em conjunto com o departamento de Biologia da UA e evoluiu, especialmente após os incêndios de 2017 de Pedrógão Grande, passando a envolver “mais de mil participantes de toda a Universidade”.
Além desta iniciativa, Hélder denota que tem “havido” também um maior interesse pela comunidade UA em se juntar a associação ainda que reconheça algumas dificuldades. “O que nós temos visto é que existe talvez uma sobrecarga, principalmente da parte dos jovens universitários, das cadeiras da Universidade. Alguns deles têm de fazer part-time para conseguir estudar e então a disponibilidade a longo prazo tem diminuído”, atenta.
“Estamos a desenvolver nos jovens capacidades que dificilmente são desenvolvidas num contexto formal da escola ou da universidade”
Natural da Ilha da Madeira, Hélder chegou a Aveiro em 2009 para estudar Biologia e acabou por se fixar na cidade. Afirma sem hesitação que a Agora Aveiro foi determinante para essa escolha. “Conseguimos criar um grupo de pessoas que vão fazer as coisas mudarem. Não é só através da discussão e do reclamar, mas do fazer. E é isso das principais motivações que me fazem continuar na associação até hoje”.
Quanto ao impacto da associação ao longo dos seus 15 anos, Hélder acredita que a cidade está “muito diferente”. “Eu creio que a associação tem sido muito útil ao inspirar a comunidade a fazer algo”. Mudança essa que sublinha ser transversal à atitude dos próprios voluntários. “Nós tínhamos voluntários que, quando chegaram, eram muito tímidos e passados alguns anos apresentam a associação e falam com empresas. Portanto, estamos a desenvolver nos jovens capacidades que dificilmente são desenvolvidas num contexto formal da escola ou da universidade”, expõe.
Apesar dos sucessos, a sustentabilidade financeira continua a ser uma das maiores preocupações para a associação. “Muitas vezes, existe uma falta de reconhecimento económico ou financeiro do trabalho que as associações fazem. Existe esta ideia de que o voluntariado é de graça, mas tem custos. O voluntário, em si, não recebe uma recompensa financeira pela atividade que está a fazer, mas nós proporcionamos o transporte, a alimentação, todos os materiais que é preciso, todas as contas que nós temos de pagar, os próprios recursos humanos que têm de ser pagos”, salienta Hélder Berenguer. “Infelizmente, em Portugal, há uma falta bastante grave do reconhecimento do valor que o voluntariado e o associativismo têm na comunidade”, lamenta.
Em relação ao futuro, o gestor de projetos é prudente, mas ambicioso. “O meu desejo é que consigamos ter uma maior sustentabilidade financeira para conseguir ter mais recursos humanos, mais voluntários, para criar projetos maiores, quer em Aveiro, quer na região, quer projetos internacionais.”
A Agora Aveiro continuará, como o próprio nome sugere, focada no presente e na ação. Para quem quiser juntar-se, Hélder convida: “Podem ir ao nosso site agoraaveiro.org e inscrever-se no Banco de Voluntários. A partir desse momento, integram uma comunidade e vão recebendo, ocasionalmente, oportunidades de voluntariado pontual”.
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Criado em Sever do Vouga sistema de apoio à mobilidade para invisuais
O projeto combina óculos inteligentes e bengala eletrónica, desenvolvidos com recurso a uma placa Arduíno e sensores de ultrassons para detetar obstáculos. O sistema de baixo custo emite alertas sonoros e táteis sempre que identifica objetos a curta distância, através de tecnologia de apoio à mobilidade autónoma. A equipa realizou pesquisa sobre necessidades específicas do público-alvo e construiu o protótipo mediante a metodologia de aprendizagem, baseada em projetos para responder a problemas da comunidade. Os testes efetuados em ambiente simulado permitiram ajustar o código e os sensores para garantir maior precisão na deteção de obstáculos e fiabilidade dos alertas em tempo real. A iniciativa, integrada no concurso “escola alerta”, prevê a realização de novos testes em contexto real e a integração de funcionalidades adicionais no equipamento tecnológico de apoio. A validação do dispositivo incluiu uma apresentação em conselho pedagógico com a presença de entidades parceiras como a Navigator Company, PCI Advanced e a Associação Comercial de Aveiro. De acordo com uma nota de imprensa da Escola Profissional de Aveiro, o sistema foi também apresentado numa sessão na delegação da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) que permitiu demonstrar o protótipo e recolher sugestões dos associados.