RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

Cidade

PS acusa CMA de querer “fazer a todo o custo” a obra do novo Pavilhão Municipal

A reunião camarária do Município de Aveiro desta quinta-feira, 6 de fevereiro, ficou marcada, entre outros aspetos, pela aprovação, por maioria, do terceiro concurso público para a construção do novo Pavilhão Municipal – Oficina do Desporto, em Aveiro, com um novo valor base superior a 22 milhões de euros. A proposta teve o voto contra do Partido Socialista (PS).

PS acusa CMA de querer “fazer a todo o custo” a obra do novo Pavilhão Municipal
Isabel Cunha Marques

Isabel Cunha Marques

Jornalista
07 fev 2025, 09:27

No período da ordem do dia, que tinha entre outros pontos de discussão a abertura de um novo procedimento para a construção do novo pavilhão municipal, Fernando Nogueira, vereador do PS pediu a palavra a José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), tendo mostrado desagrado com o aumento de “cerca de 30%” do terceiro concurso público face ao preço inicial [do primeiro concurso] fixado nos 17.4 milhões de euros. “É sabido que o PS votou favoravelmente por considerar que há necessidades reais das coletividades a que a proposta de construção deste pavilhão procura responder, mas é verdade também que na reunião de dezembro relativa à decisão de revogação de contratação do segundo concurso nos questionávamos sobre quais eram os limites aceitáveis para prosseguir com este projeto. E o que verificamos hoje é que o preço base do concurso proposto é já cerca de 30% maior do que o preço base do primeiro concurso e isto começa a parecer-nos (…) que há uma certa insistência num programa que se insiste em fazer… E que ainda por cima numa obra de envergadura é normal (…) que as derrapagens em 20% ou 30% do valor não são tão raras quanto isso e que nos sujeitamos a que no fim o pavilhão acabe nos 23 ou nos 24 milhões”, alertou.

“Por outro lado, sabemos que o mercado reagiu ao preço base do concurso (…) [e que] o preço base que é agora apresentado já é dois milhões acima do valor máximo das propostas não validadas apresentadas, ou seja, isto faz lembrar um pouco a ideia do Rossio”, comparou. “Insiste-se no programa e quer-se fazer a todo o custo”, continuou Fernando Nogueira, sugerindo a Ribau Esteves se não seria de “bom tom” adaptar o programa. O vereador socialista questionou ainda o autarca como é que a nova revisão de preços foi feita já que o índice de revisão de preços em empreitadas, em 2024, era “pouco mais do que 2%”.

Face a isto, Ribau Esteves explicou que quando falamos de “evolução de preços o índice geral não interessa para nada”. “Ninguém liga nada ao índice geral (…) Este fenómeno do crescimento dos preços da construção em Portugal e na Europa vai continuar a acontecer, no mínimo, até ao final do ano de 2026 (…) Alguma vez se pensou que uma obra de duas centenas de milhões de euros do metro de Lisboa ficasse deserta? É evidente que se quer fazer aquela obra e ou se espera x anos para os preços baixarem ou se tem de lançar, outra vez, o concurso com o preço mais alto. Não há volta a dar. Nós já vivemos isto… Lembro-me da obra mais dolorosa que foi a nossa primeira vez neste ciclo político que lançamos um concurso a terceira vez que foi a obra de reabilitação de habitações sociais em Santiago e, obviamente, tivemos de aumentar os valores (…) Isto está a acontecer, vai acontecer, neste tempo, 30% (…) é muito (…), mas nós entendemos que o que está aqui em causa… Esta importância deste pavilhão desportivo que Aveiro inacreditavelmente não tem”, explicou. “Era bem mais importante ter construído esta infraestrutura do que um estádio de futebol, mas entendeu-se que era ao contrário e, portanto, nós entendemos que esta é uma infraestrutura absolutamente capital”, prosseguiu o presidente da CMA, recordando as multifunções que a mesma terá. “(…) Além de ser uma infraestrutura desportiva (…) tem um bar, um restaurante, uma clínica, dois ginásios, área de trabalho para associações desportivas (…) E a capacidade de ser multiuso para que possamos fazer lá dentro eventos de outra natureza como congressos, eventos culturais (…)”, sublinhou.

Relativamente à comparação com o Rossio, o presidente da CMA atirou ao socialista que o partido não consegue “ultrapassar o trauma” da obra, criticando ainda a primeira proposta de Alberto Souto de Miranda, candidato do PS à CMA, em que propunha, entre outros aspetos, a replantação das palmeiras do Rossio. “(…) Essas maluqueiras que andam para aí em alguns socialistas de quererem plantar palmeiras no Rossio…. Duvido muito que vão ter essa possibilidade, mas também podem plantar palmeiras no telhado deste edifício. Quer dizer, hoje a tecnologia permite tudo e, portanto, nessas abordagens ridículas que vocês fazem às nossas obras e querem plantar palmeiras ridículas num sítio absurdo… Também podem vir a plantar palmeiras no telhado até pode dar uma paisagem mais tropical ao edifício (…)”, ironizou.

Ribau Esteves sublinhou ainda que o Rossio foi uma “obra de excelência, que toda a gente gosta dela e que tem tido rentabilidade financeira e social”. “Estamos muito felizes com a obra do Rossio e o nosso povo também mesmo que alguns digam ‘ó,ó,ó’. É um exercício de felicidade coletiva e, portanto, só queremos conseguir ter empreiteiro para começar esta obra (…) para que, obviamente, Aveiro venha a ter aquilo que nunca teve: um pavilhão desportivo com a devida qualidade e com estas multifunções que referenciei há pouco”, frisou.

Após as justificações, Fernando Nogueira voltou a pedir a palavra realçando que o PS não “acompanhará” a proposta e que, por isso, votaria “contra” a mesma.

Já no período de participação do público, um dos cidadãos trouxe, novamente, entre outros tópicos, o tema do Rossio questionando Ribau Esteves relativamente ao balanço de 2024 do parque subterrâneo do Rossio.

Face a isto, o presidente da CMA afirmou que os “balanços dos negócios das empresas são coisas das empresas”. “Portanto, nós temos acesso a alguma informação como entidade concessionária nos termos do contrato, parte dela pode ser tornada pública, parte dela não pode (…) Da parte da Empark estamos para receber o primeiro relatório da informação que eles nos têm a obrigação de dar por o contrato, precisamente, porque fez agora um ano, no passado dia 2 de fevereiro, que o parque abriu. Estamos a fazer esse balanço… Nós com o nosso concessionário e parte dessa informação vamos torná-la pública (…)”, adiantou.

Monumento evocativo à UA na rotunda do ISCA foi ideia da CMA

Ainda durante o período da intervenção do público, Ribau Esteves aproveitou para esclarecer os “disparates” que se dizem, relativamente, ao monumento evocativo à Universidade de Aveiro (UA) que está na nascer na rotunda junto ao Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA). “Aquele monumento foi ideia do presidente da CMA, apresentada ao reitor Manuel Assunção e reapresentada ao reitor Paulo Jorge Ferreira, logo que tomou posse (…) e a ideia que tivemos foi ter na cidade um monumento para evocar a sua universidade numa zona de proximidade da nossa universidade com o espaço urbano (…) Foi uma ideia nossa, propusemos à universidade porque entendíamos que não íamos fazer um monumento contra a vontade da universidade (…)”, sublinhou. “E o gosto foi tão grande da universidade, seja do reitor Manuel Assunção como do Paulo Jorge Ferreira (…) que foi a própria universidade, a sua equipa técnica de marketing e de engenharia civil que fez o projeto (…)”, continuou.

O presidente da CMA adiantou também que houve “muita dificuldade” em arranjar um empreiteiro já que é uma obra “muito difícil”. “(…) É uma peça de oito metros de altura em betão (…)”, disse.

Recomendações

SC Beira-Mar quer continuar invicto em 2026: Clube procura ser o primeiro a ganhar ao Rebordosa
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SC Beira-Mar quer continuar invicto em 2026: Clube procura ser o primeiro a ganhar ao Rebordosa

No novo ano civil, o Beira-Mar ainda não sabe o que é perder. O 1-0 frente ao Anadia em fim-de-semana de São Gonçalinho embalou os aurinegros para uma série de cinco jogos sem perder, atingindo o seu melhor momento no último fim-de-semana: a turma de Aveiro deslocou-se à freguesia de Torno, em Lousada, para golear o Aparecida por cinco bolas a uma. Trabalhar em cima de bons resultados é mais fácil e tem deixado os jogadores “mais motivados, animados e de sorriso no lábio”. Quem o diz é Fábio Barros, Fabeta no mundo do futebol, técnico da equipa principal do SC Beira-Mar: “Não vou dizer que estão mais empenhados, porque felizmente temos um grupo que se empenha sempre [...] [Mas] acreditamos que isto nos dá mais forças para encarar os próximos jogos”. Tiago Melo, o homem que normalmente enverga a braçadeira de capitão, corrobora as palavras do treinador. Conforme explica, “respira-se confiança” no balneário e os treinos têm sido um espaço “mais feliz” e de “maior alegria”. O próximo alvo é o Rebordosa, a quem o jogador diz que os beiramarenses “vão dar a primeira derrota”. Em primeiro lugar na Série B do Campeonato de Portugal, o adversário do SC Beira-Mar na partida deste domingo soma já 42 pontos: são 12 vitórias, seis empates e zero derrotas em 2025/2026. Na mesma frequência que o capitão, Fabeta garante que o clube vai lutar para que os três pontos fiquem no Mário Duarte. “Acredito que vai ser um um grande jogo [...] Tenho assistido a muitas das equipas que vêm a Aveiro com uma estratégia de baixar linhas, muitas vezes não jogam o jogo pelo jogo e tentam apostar mais na transição. Acredito que o Rebordosa não vai fazer isso, até porque não são as características deles”, explica, ciente de que a missão é “muito dura”. O diagnóstico de Nuno Quintaneiro, presidente do clube, dita que o elemento crucial na mudança de paradigma tem sido a melhoria da eficácia da equipa. Ao invés do que estava acontecer até dezembro, em que a equipa saía recorrentemente prejudicada por uma “pontinha de azar”, agora pode falar-se numa “pontinha de sorte” de um conjunto mais mortífero na hora do frente-a-frente com o guarda-redes. Embora ainda sem estar no momento ideal - Quintaneiro aponta que jogadores como Panda, Sérgio Silva, Pedra e Tomás Sério ainda estão entregues ao departamento médico -, o presidente dá nota de que a equipa também já não está tão condicionada pelas indisponibilidades como esteve noutros momentos da época. Para Fabeta, é mesmo o alargar do plantel, que vê jogadores a regressar física e mentalmente de lesões complicada, que justifica a boa fase. Na ótica do treinador não há nenhum jogador do plantel com lugar cativo no 11 titular: “Não há um jogador que se sinta confortável a dizer «Eu tenho neste momento o lugar agarrado por indisponibilidade do colega concorrente de posição». Todos obrigam com que o nível competitivo interno aumente”. Não tão feliz foi o mercado de inverno, onde, devido às restrições financeiras que o clube enfrenta, o SC Beira-Mar não foi capaz de se reforçar como ambicionava. Só integraram o clube Givon e Finisterra, dois jovens jogadores que já tinham passado pelas quadros do clube. Fabeta lembra que já ambos lhe tinham passado pelas mãos e fala numa aposta pessoal “para duas posições em que [o Beira-Mar] precisa de mais competitividade”, mas reconhece que “as mexidas não foram tão cirúrgicas como gostaria”. O que continua a pesar é a falta de um investidor que consiga dar outra folga ao clube, nota o presidente. Recorde-se que, para a direção do SC Beira-Mar, tem sido prioritária a constituição de uma Sociedade Desportiva por Quotas (SDQ). Depois de uma primeira tentativa de acordo com Breno Dias Silva, que acabou por sair gorada, o SC Beira-Mar assumiu em finais de outubro que já tinha novo parceiro. No entanto, contactado pela Ria em janeiro, o presidente do clube afirmou que o processo estava “atrasado” e não deu garantias de que se fosse concretizar. Mês e meio depois, Quintaneiro afirma que as coisas não evoluíram e diz “continuar na expectativa de encontrar soluções rápidas”. Para isso, afirma, é importante que o Beira-Mar garanta a manutenção, de forma a que o foco possa voltar-se para fora das quatro linhas. A passar um momento particularmente positivo da sua vida, Tiago Melo não só está há cinco jogos sem perder como foi herói na receção ao Resende, onde marcou o golo solitário da partida. Depois do tento, colocou a bola por dentro da camisola e apontou para a bancada - era a dedicatória à filha que viria a nascer poucos dias depois. Apesar de as coisas estarem a correr bem, o jogador é cauteloso em relação ao futuro próximo: “O Beira-Mar olha jogo a jogo e quer ganhar todos os jogos. O nosso objetivo definido no início da época era a manutenção, mas jogo a jogo”. A oito jogos do fim, com 24 pontos por disputar, os aurinegros estão a apenas seis pontos dos lugares que atiram o clube para os distritais e a nove pontos do segundo classificado, que vai disputar a fase de acesso à Liga 3. “Primeiro garantir o primeiro objetivo e a seguir poderemos olhar para cima”, atira Tiago Melo. Apesar de estar focado no próximo desafio, frente ao Rebordosa, o jogador não esconde que os dois primeiros lugares estão sempre na mente da equipa. No seu entendimento, num clube como o Beira-Mar, é “obrigação” do plantel ter em vista uma possível subida de divisão. Tiago Melo reconhece que “não foram competentes” para depender apenas de si mesmos, mas salienta que “no futebol tudo é possível”. A fazer contas por alto, Nuno Quintaneiro afirma que devem faltar cerca de seis pontos para que o Beira-Mar garanta a manutenção, sendo que a principal prioridade é alcançar o objetivo “o mais rapidamente possível”. Questionado sobre a possibilidade de, após conquistados estes seis pontos, o clube ainda procurar outros objetivos, o presidente cita António Gedeão: “O sonho comanda a vida”. “Nunca seremos candidatos, não somos minimamente favoritos. Portanto, é acreditar sempre que a equipa, pela ambição que tem, pelo caráter que tem, pela sua personalidade, vai querer sempre lutar pelos três pontos. No final fazemos as contas”, remata. Da mesma maneira, Fabeta também diz que o mais urgente é garantir que o clube não fica abaixo da linha de água. Mas, embora a distância seja de nove pontos para os lugares cimeiros e já não existam muitos jogos para disputar, o técnico afirma que, “se der algo mais, fantástico”. O jogo entre o SC Beira-Mar e o Rebordosa, que se joga este domingo, pelas 15h00, pode ser acompanhado com transmissão e relato no YouTube da Ria.

Espetáculo de dança propõe “entrega à fragilidade” esta noite no Teatro Aveirense
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Espetáculo de dança propõe “entrega à fragilidade” esta noite no Teatro Aveirense

Nas palavras de Hugo Calhim Cristóvão, um dos diretores, coreógrafos, dramaturgos e formadores do espetáculo, “Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil” apresenta a transição de “qualquer coisa que nos dá uma sensação de impotência, como a velhice, a guerra ou o genocídio”, para, a partir daí, “uma entrega ao presente e à fragilidade”. “Eu acho que o público pode esperar sentir-se bastante tocado, de certa maneira confrontado e comovido”, explica. Segundo afirma, o próprio espetáculo foi pensado para “reagir” ao que existe em torno da dança, mesmo do ponto de vista político, nomeadamente a “movimentos que não nos agradam e que podem pôr em causa a nossa liberdade de criar, de estar alegres, vivos e de ter esperança”. A ideia de presente frágil vive, para os responsáveis, entre a urgência de acontecer e a necessidade da pausa. Hugo reflete que, para que haja uma “pausa real”, é necessário ter bastante movimento antes: “Temos que ter bastante vida e, aí, a pausa cria-se sozinha”. Nesse sentido, defende que “a pausa é uma necessidade orgânica do corpo, que precisa de compreender aquilo que lhe aconteceu [...] Na coreografia acontece isso. Há momentos de extremo movimento, só que depois não é movimento por movimento. É qualquer coisa que toca às bailarinas, que nos toca a nós. Isso obriga a uma pausa para compreender”. Como tem sido hábito no trajeto dos coreógrafos, o espetáculo é envolvido numa série de referências relacionadas com a filosofia portuguesa, com a poesia, com a literatura e com a pintura - tanto assim é que contam com a colaboração do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto há dez anos para “fazer a ponte entre a filosofia e a dança”. Se, normalmente, o foco costuma estar em figuras femininas, Hugo conta que para este espetáculo a inspiração esteve em “figuras de sobrevivência” ou então em “figuras a que a Taciturna [a tal figura sombria que representa a impotência] ganhou”. Algumas das principais inspirações são Jacqueline du Pré, violinista britânica que, após perder a sensibilidade nas mãos, continuou a tocar, ou Paul Celan, poeta romeno sobrevivente do Holocausto. Dentro da cultura portuguesa, o espetáculo toma como referência intelectuais como Camilo Pessanha, Venceslau de Morais e Herberto Helder.  Nesta que é a primeira experiência em Aveiro, Hugo Calhim Cristóvão conta que a relação tem sido “bastante boa”. A masterclass que os coreógrafos ministraram na passada quarta-feira, dia 18, contou com a presença de “15, 16 pessoas”, o que “não é tão comum assim”, e Hugo tem sentido “carinho” da parte do Teatro, o que também é “raro” num ramo “não discursivo” da cultura. No que diz respeito à sala, o responsável afirma que a relação “é um bocadinho demasiado próxima” em relação que estava à espera, mas não considera que seja necessariamente um ponto negativo: “Vai permitir ao público ter uma proximidade cinestésica e tátil com as bailarinas e com a dança [...] Vai ser um privilégio, de certa forma”. Para além do espetáculo de dança “Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil”, que é hoje apresentado pelas 21h30, a programação do fim-de-semana do Teatro Aveirense conta também amanhã com um concerto de Camané, pelas 21h30.

Aveirense Dinis Mota é o primeiro a subir a palco na meia-final do Festival da Canção deste sábado
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Aveirense Dinis Mota é o primeiro a subir a palco na meia-final do Festival da Canção deste sábado

O jovem natural de Aveiro, - que, recorde-se, é o primeiro a representar a cidade dos canais no Festival da Canção desde a atuação de mema., em 2021 - começa a sua participação no concurso já este sábado, dia 21, com a subida a palco na primeira meia-final da competição. O artista, que apresenta o tema “Jurei”, ocupa a posição nº 1 e é, por isso, o primeiro a atuar. De acordo com a nota de imprensa, a música “tem ocupado os lugares cimeiros nos rankings dos sites da especialidade”. Dinis Mota chega ao Festival da Canção depois de ter sido escolhido como representante da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) para concorrer na “Prova de Acesso” – fase em que competiam alunos de cinco escolas de música do país -, tendo sido votado pelo público para estar na fase final do Festival da Canção. Em entrevista concedida à Ria após ter sido selecionado, o autor e intérprete de apenas 23 anos explicava que a presença na competição “foi sempre algo que quis ter no seu horizonte, mas que teria de trabalhar para isso e não que seria uma coisa do acaso”. Entretanto, o aveirense já comunicou que não irá participar na Eurovisão se vencer o Festival e se Israel se mantiver enquanto participante do concurso europeu. Em comunicado enviado às redações no passado mês de dezembro, Dinis Mota garantiu que, “enquanto cidadão, músico, ser humano […], nunca poderia estar do lado do agressor” e associou-se aos outros 11 concorrentes que também já anunciaram o boicote à Eurovisão.

Porto de Aveiro conclui implementação de Portarias Digitais após investimento de quase cinco milhões
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Porto de Aveiro conclui implementação de Portarias Digitais após investimento de quase cinco milhões

Segundo avançam os responsáveis, o projeto “marca um passo decisivo na modernização e digitalização do controlo de acessos terrestres aos terminais norte, granéis sólidos e líquidos do Porto de Aveiro”. Integradas com o Cartão Único Portuário (CUP) e com a Janela Única Logística (JUL), as Portarias servem para que seja possível o reconhecimento, validação e registo de pessoas, veículos e mercadorias, “permitindo a automatização integral dos processos de entrada e saída nos terminais”. Com esta modernização, procedimentos anteriormente realizados de forma manual passam a ser automatizados, possibilitando igualmente a monitorização do tempo de estadia nas instalações portuárias. De acordo com a nota, o novo sistema de controlo de acessos promove uma maior fluidez das cadeias logísticas, reforça a segurança das infraestruturas e permite a gestão do acesso aos terminais com base no prévio agendamento das operações portuárias, contribuindo para a redução de congestionamentos, sobretudo no início dos turnos de carga e descarga dos navios. Para além do reforço da eficiência operacional, a implementação das Portarias Digitais contribuirá ainda para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, através da otimização dos fluxos de veículos pesados, promovendo uma maior sustentabilidade ambiental e económica das cadeias logísticas que utilizam o porto. O Porto de Aveiro adianta ainda que o investimento “ascendeu a 4,6 milhões de euros”, tendo sido financiado pelo Programa Temático para a Ação Climática e Sustentabilidade – Sustentável 2030, através do Fundo de Coesão, com uma taxa de cofinanciamento de 85% do valor de investimento elegível.

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Não tão feliz foi o mercado de inverno, onde, devido às restrições financeiras que o clube enfrenta, o SC Beira-Mar não foi capaz de se reforçar como ambicionava. Só integraram o clube Givon e Finisterra, dois jovens jogadores que já tinham passado pelas quadros do clube. Fabeta lembra que já ambos lhe tinham passado pelas mãos e fala numa aposta pessoal “para duas posições em que [o Beira-Mar] precisa de mais competitividade”, mas reconhece que “as mexidas não foram tão cirúrgicas como gostaria”. O que continua a pesar é a falta de um investidor que consiga dar outra folga ao clube, nota o presidente. Recorde-se que, para a direção do SC Beira-Mar, tem sido prioritária a constituição de uma Sociedade Desportiva por Quotas (SDQ). Depois de uma primeira tentativa de acordo com Breno Dias Silva, que acabou por sair gorada, o SC Beira-Mar assumiu em finais de outubro que já tinha novo parceiro. No entanto, contactado pela Ria em janeiro, o presidente do clube afirmou que o processo estava “atrasado” e não deu garantias de que se fosse concretizar. Mês e meio depois, Quintaneiro afirma que as coisas não evoluíram e diz “continuar na expectativa de encontrar soluções rápidas”. Para isso, afirma, é importante que o Beira-Mar garanta a manutenção, de forma a que o foco possa voltar-se para fora das quatro linhas. A passar um momento particularmente positivo da sua vida, Tiago Melo não só está há cinco jogos sem perder como foi herói na receção ao Resende, onde marcou o golo solitário da partida. Depois do tento, colocou a bola por dentro da camisola e apontou para a bancada - era a dedicatória à filha que viria a nascer poucos dias depois. Apesar de as coisas estarem a correr bem, o jogador é cauteloso em relação ao futuro próximo: “O Beira-Mar olha jogo a jogo e quer ganhar todos os jogos. O nosso objetivo definido no início da época era a manutenção, mas jogo a jogo”. A oito jogos do fim, com 24 pontos por disputar, os aurinegros estão a apenas seis pontos dos lugares que atiram o clube para os distritais e a nove pontos do segundo classificado, que vai disputar a fase de acesso à Liga 3. “Primeiro garantir o primeiro objetivo e a seguir poderemos olhar para cima”, atira Tiago Melo. Apesar de estar focado no próximo desafio, frente ao Rebordosa, o jogador não esconde que os dois primeiros lugares estão sempre na mente da equipa. No seu entendimento, num clube como o Beira-Mar, é “obrigação” do plantel ter em vista uma possível subida de divisão. Tiago Melo reconhece que “não foram competentes” para depender apenas de si mesmos, mas salienta que “no futebol tudo é possível”. A fazer contas por alto, Nuno Quintaneiro afirma que devem faltar cerca de seis pontos para que o Beira-Mar garanta a manutenção, sendo que a principal prioridade é alcançar o objetivo “o mais rapidamente possível”. 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GrETUA lança podcast e abre livraria a conversa sobre jogos e literatura
Universidade

GrETUA lança podcast e abre livraria a conversa sobre jogos e literatura

Nesta edição, a conversa parte do mote do quadrimestre para explorar o tema do jogo. Em debate estarão tanto o jogo na literatura como os jogos enquanto objeto de leitura artística e cultural. A proposta passa por refletir sobre este ritual lúdico que acompanha a humanidade desde sempre, questionando o significado dos seus mecanismos na contemporaneidade, sem ignorar as possibilidades criativas abertas pelos videojogos e por novas formas de jogo. Os convidados desta sessão são João Paulo Guimarães, doutorado pela Universidade de Buffalo e investigador nas áreas da poesia experimental e da literatura comparada, e Inês Cardoso, investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa e membro do conselho editorial da revista Skhema. A moderação estará a cargo de David Calão e Vítor Alves Silva. A conversa nasce do armário-livraria dinamizado pelo GrETUA em parceria com a Livraria Snob. Para cada edição é preparado um pequeno lote de livros dedicado ao tema em destaque, estando a partir deste domingo disponível uma seleção dedicada ao jogo nas suas múltiplas ramificações. Esta é a segunda sessão do ciclo “Fora do Armário”, que ficará igualmente disponível em podcast. O primeiro episódio, já publicado, foi dedicado à figura do flâneur e à deambulação, contando com a participação de Diogo Marques. A entrada é livre.

Deputados do PS eleitos por Aveiro querem situação de calamidade para Castelo de Paiva e Anadia
Região

Deputados do PS eleitos por Aveiro querem situação de calamidade para Castelo de Paiva e Anadia

Numa nota enviada à Lusa, os deputados do PS/Aveiro referem que questionaram o ministro da Presidência sobre os danos provocados pela tempestade Kristin nos concelhos de Castelo de Paiva e Anadia e pedem que se avalie a declaração da situação de calamidade naqueles municípios. Os deputados socialistas dizem que estes dois municípios do distrito de Aveiro remeteram ao Governo uma exposição formal dando conta da dimensão dos estragos sofridos, solicitando a declaração de situação de calamidade, enquanto instrumento essencial para agilizar mecanismos excecionais de resposta e apoio. Recordam ainda que a ausência de enquadramento formal neste regime poderá limitar o acesso a instrumentos financeiros e logísticos indispensáveis à reposição da normalidade, colocando estes concelhos numa situação de particular vulnerabilidade. Os deputados do PS pretendem obter esclarecimentos do ministro da Presidência sobre qual a razão pela qual os concelhos de Castelo de Paiva e Anadia não foram incluídos entre os concelhos em situação de calamidade e que avaliação foi realizada relativamente aos danos provocados pela tempestade Kristin naqueles municípios. Perguntam, portanto, se o Governo tem conhecimento da extensão dos danos sofridos naqueles concelhos e se, nesse sentido, tenciona alargar aos mesmos a declaração de situação de calamidade. Para além disso, questionaram sobre que medidas de apoio foram ou estão a ser mobilizadas para apoiar as populações e as atividades económicas afetadas, que mecanismos de financiamento poderão ser acionados para apoiar a recuperação de infraestruturas e a reposição da normalidade e de que forma está a ser assegurada a articulação com estes dois municípios no levantamento de necessidades e na implementação de respostas. Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.

Espetáculo de dança propõe “entrega à fragilidade” esta noite no Teatro Aveirense
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Espetáculo de dança propõe “entrega à fragilidade” esta noite no Teatro Aveirense

Nas palavras de Hugo Calhim Cristóvão, um dos diretores, coreógrafos, dramaturgos e formadores do espetáculo, “Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil” apresenta a transição de “qualquer coisa que nos dá uma sensação de impotência, como a velhice, a guerra ou o genocídio”, para, a partir daí, “uma entrega ao presente e à fragilidade”. “Eu acho que o público pode esperar sentir-se bastante tocado, de certa maneira confrontado e comovido”, explica. Segundo afirma, o próprio espetáculo foi pensado para “reagir” ao que existe em torno da dança, mesmo do ponto de vista político, nomeadamente a “movimentos que não nos agradam e que podem pôr em causa a nossa liberdade de criar, de estar alegres, vivos e de ter esperança”. A ideia de presente frágil vive, para os responsáveis, entre a urgência de acontecer e a necessidade da pausa. Hugo reflete que, para que haja uma “pausa real”, é necessário ter bastante movimento antes: “Temos que ter bastante vida e, aí, a pausa cria-se sozinha”. Nesse sentido, defende que “a pausa é uma necessidade orgânica do corpo, que precisa de compreender aquilo que lhe aconteceu [...] Na coreografia acontece isso. Há momentos de extremo movimento, só que depois não é movimento por movimento. É qualquer coisa que toca às bailarinas, que nos toca a nós. Isso obriga a uma pausa para compreender”. Como tem sido hábito no trajeto dos coreógrafos, o espetáculo é envolvido numa série de referências relacionadas com a filosofia portuguesa, com a poesia, com a literatura e com a pintura - tanto assim é que contam com a colaboração do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto há dez anos para “fazer a ponte entre a filosofia e a dança”. Se, normalmente, o foco costuma estar em figuras femininas, Hugo conta que para este espetáculo a inspiração esteve em “figuras de sobrevivência” ou então em “figuras a que a Taciturna [a tal figura sombria que representa a impotência] ganhou”. Algumas das principais inspirações são Jacqueline du Pré, violinista britânica que, após perder a sensibilidade nas mãos, continuou a tocar, ou Paul Celan, poeta romeno sobrevivente do Holocausto. Dentro da cultura portuguesa, o espetáculo toma como referência intelectuais como Camilo Pessanha, Venceslau de Morais e Herberto Helder.  Nesta que é a primeira experiência em Aveiro, Hugo Calhim Cristóvão conta que a relação tem sido “bastante boa”. A masterclass que os coreógrafos ministraram na passada quarta-feira, dia 18, contou com a presença de “15, 16 pessoas”, o que “não é tão comum assim”, e Hugo tem sentido “carinho” da parte do Teatro, o que também é “raro” num ramo “não discursivo” da cultura. No que diz respeito à sala, o responsável afirma que a relação “é um bocadinho demasiado próxima” em relação que estava à espera, mas não considera que seja necessariamente um ponto negativo: “Vai permitir ao público ter uma proximidade cinestésica e tátil com as bailarinas e com a dança [...] Vai ser um privilégio, de certa forma”. Para além do espetáculo de dança “Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil”, que é hoje apresentado pelas 21h30, a programação do fim-de-semana do Teatro Aveirense conta também amanhã com um concerto de Camané, pelas 21h30.