PS acusa CMA de querer “fazer a todo o custo” a obra do novo Pavilhão Municipal
A reunião camarária do Município de Aveiro desta quinta-feira, 6 de fevereiro, ficou marcada, entre outros aspetos, pela aprovação, por maioria, do terceiro concurso público para a construção do novo Pavilhão Municipal – Oficina do Desporto, em Aveiro, com um novo valor base superior a 22 milhões de euros. A proposta teve o voto contra do Partido Socialista (PS).
Isabel Cunha Marques
JornalistaNo período da ordem do dia, que tinha entre outros pontos de discussão a abertura de um novo procedimento para a construção do novo pavilhão municipal, Fernando Nogueira, vereador do PS pediu a palavra a José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), tendo mostrado desagrado com o aumento de “cerca de 30%” do terceiro concurso público face ao preço inicial [do primeiro concurso] fixado nos 17.4 milhões de euros. “É sabido que o PS votou favoravelmente por considerar que há necessidades reais das coletividades a que a proposta de construção deste pavilhão procura responder, mas é verdade também que na reunião de dezembro relativa à decisão de revogação de contratação do segundo concurso nos questionávamos sobre quais eram os limites aceitáveis para prosseguir com este projeto. E o que verificamos hoje é que o preço base do concurso proposto é já cerca de 30% maior do que o preço base do primeiro concurso e isto começa a parecer-nos (…) que há uma certa insistência num programa que se insiste em fazer… E que ainda por cima numa obra de envergadura é normal (…) que as derrapagens em 20% ou 30% do valor não são tão raras quanto isso e que nos sujeitamos a que no fim o pavilhão acabe nos 23 ou nos 24 milhões”, alertou.
“Por outro lado, sabemos que o mercado reagiu ao preço base do concurso (…) [e que] o preço base que é agora apresentado já é dois milhões acima do valor máximo das propostas não validadas apresentadas, ou seja, isto faz lembrar um pouco a ideia do Rossio”, comparou. “Insiste-se no programa e quer-se fazer a todo o custo”, continuou Fernando Nogueira, sugerindo a Ribau Esteves se não seria de “bom tom” adaptar o programa. O vereador socialista questionou ainda o autarca como é que a nova revisão de preços foi feita já que o índice de revisão de preços em empreitadas, em 2024, era “pouco mais do que 2%”.
Face a isto, Ribau Esteves explicou que quando falamos de “evolução de preços o índice geral não interessa para nada”. “Ninguém liga nada ao índice geral (…) Este fenómeno do crescimento dos preços da construção em Portugal e na Europa vai continuar a acontecer, no mínimo, até ao final do ano de 2026 (…) Alguma vez se pensou que uma obra de duas centenas de milhões de euros do metro de Lisboa ficasse deserta? É evidente que se quer fazer aquela obra e ou se espera x anos para os preços baixarem ou se tem de lançar, outra vez, o concurso com o preço mais alto. Não há volta a dar. Nós já vivemos isto… Lembro-me da obra mais dolorosa que foi a nossa primeira vez neste ciclo político que lançamos um concurso a terceira vez que foi a obra de reabilitação de habitações sociais em Santiago e, obviamente, tivemos de aumentar os valores (…) Isto está a acontecer, vai acontecer, neste tempo, 30% (…) é muito (…), mas nós entendemos que o que está aqui em causa… Esta importância deste pavilhão desportivo que Aveiro inacreditavelmente não tem”, explicou. “Era bem mais importante ter construído esta infraestrutura do que um estádio de futebol, mas entendeu-se que era ao contrário e, portanto, nós entendemos que esta é uma infraestrutura absolutamente capital”, prosseguiu o presidente da CMA, recordando as multifunções que a mesma terá. “(…) Além de ser uma infraestrutura desportiva (…) tem um bar, um restaurante, uma clínica, dois ginásios, área de trabalho para associações desportivas (…) E a capacidade de ser multiuso para que possamos fazer lá dentro eventos de outra natureza como congressos, eventos culturais (…)”, sublinhou.
Relativamente à comparação com o Rossio, o presidente da CMA atirou ao socialista que o partido não consegue “ultrapassar o trauma” da obra, criticando ainda a primeira proposta de Alberto Souto de Miranda, candidato do PS à CMA, em que propunha, entre outros aspetos, a replantação das palmeiras do Rossio. “(…) Essas maluqueiras que andam para aí em alguns socialistas de quererem plantar palmeiras no Rossio…. Duvido muito que vão ter essa possibilidade, mas também podem plantar palmeiras no telhado deste edifício. Quer dizer, hoje a tecnologia permite tudo e, portanto, nessas abordagens ridículas que vocês fazem às nossas obras e querem plantar palmeiras ridículas num sítio absurdo… Também podem vir a plantar palmeiras no telhado até pode dar uma paisagem mais tropical ao edifício (…)”, ironizou.
Ribau Esteves sublinhou ainda que o Rossio foi uma “obra de excelência, que toda a gente gosta dela e que tem tido rentabilidade financeira e social”. “Estamos muito felizes com a obra do Rossio e o nosso povo também mesmo que alguns digam ‘ó,ó,ó’. É um exercício de felicidade coletiva e, portanto, só queremos conseguir ter empreiteiro para começar esta obra (…) para que, obviamente, Aveiro venha a ter aquilo que nunca teve: um pavilhão desportivo com a devida qualidade e com estas multifunções que referenciei há pouco”, frisou.
Após as justificações, Fernando Nogueira voltou a pedir a palavra realçando que o PS não “acompanhará” a proposta e que, por isso, votaria “contra” a mesma.
Já no período de participação do público, um dos cidadãos trouxe, novamente, entre outros tópicos, o tema do Rossio questionando Ribau Esteves relativamente ao balanço de 2024 do parque subterrâneo do Rossio.
Face a isto, o presidente da CMA afirmou que os “balanços dos negócios das empresas são coisas das empresas”. “Portanto, nós temos acesso a alguma informação como entidade concessionária nos termos do contrato, parte dela pode ser tornada pública, parte dela não pode (…) Da parte da Empark estamos para receber o primeiro relatório da informação que eles nos têm a obrigação de dar por o contrato, precisamente, porque fez agora um ano, no passado dia 2 de fevereiro, que o parque abriu. Estamos a fazer esse balanço… Nós com o nosso concessionário e parte dessa informação vamos torná-la pública (…)”, adiantou.
Monumento evocativo à UA na rotunda do ISCA foi ideia da CMA
Ainda durante o período da intervenção do público, Ribau Esteves aproveitou para esclarecer os “disparates” que se dizem, relativamente, ao monumento evocativo à Universidade de Aveiro (UA) que está na nascer na rotunda junto ao Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA). “Aquele monumento foi ideia do presidente da CMA, apresentada ao reitor Manuel Assunção e reapresentada ao reitor Paulo Jorge Ferreira, logo que tomou posse (…) e a ideia que tivemos foi ter na cidade um monumento para evocar a sua universidade numa zona de proximidade da nossa universidade com o espaço urbano (…) Foi uma ideia nossa, propusemos à universidade porque entendíamos que não íamos fazer um monumento contra a vontade da universidade (…)”, sublinhou. “E o gosto foi tão grande da universidade, seja do reitor Manuel Assunção como do Paulo Jorge Ferreira (…) que foi a própria universidade, a sua equipa técnica de marketing e de engenharia civil que fez o projeto (…)”, continuou.
O presidente da CMA adiantou também que houve “muita dificuldade” em arranjar um empreiteiro já que é uma obra “muito difícil”. “(…) É uma peça de oito metros de altura em betão (…)”, disse.
Recomendações
PS-Aveiro prepara nova disputa interna com eleições da concelhia previstas para maio ou junho
O Partido Socialista tem eleições diretas para secretário-geral marcadas para os dias 13 e 14 de março. Segue-se o congresso nacional do partido, que se realiza em Viseu, nos dias 27, 28 e 29 de março. Dentro do partido existe a perspetiva de que, após a realização do congresso, os órgãos nacionais se reúnam para aprovar um novo calendário eleitoral interno, onde deverão ficar definidas as datas das eleições para as concelhias e federações distritais. Entre dirigentes socialistas é generalizada a convicção de que as eleições para as estruturas concelhias deverão ocorrer entre maio e junho. Tal como a Ria noticiou após as eleições autárquicas, o melhor resultado eleitoral do PS-Aveiro nos últimos vinte anos não foi suficiente para reconquistar a Câmara Municipal, mantendo-se o partido na oposição após seis eleições autárquicas consecutivas sem vencer no concelho. Internamente, o partido continua dividido em duas principais fações. De um lado encontra-se o grupo liderado por Alberto Souto, Eduardo Feio e Filipe Neto Brandão, onde se insere também a atual presidente da concelhia do PS-Aveiro, Paula Urbano Antunes. Do outro lado está o grupo liderado por Manuel Sousa, antigo presidente da concelhia socialista e atualmente vice-presidente da estrutura distrital, onde se integra também João Sarmento, atual presidente da Juventude Socialista (JS) de Aveiro, e Mário Costa, ex-deputado socialista na Assembleia Municipal até às últimas eleições autárquicas. As disputas entre estes dois blocos têm marcado a vida interna do partido nos últimos anos. Um dos exemplos mais recentes ocorreu nas eleições internas de outubro de 2022, quando Paula Urbano Antunes venceu Manuel Sousa por 116 votos contra 85. A diferença foi curta: bastaria que 16 militantes tivessem invertido o sentido de voto para o resultado final ser diferente. Com a aproximação de novas eleições internas começam também a surgir os primeiros nomes. Do lado da fação ligada a Manuel Sousa, o nome mais falado para liderar uma candidatura à concelhia é o de Mário Costa, antigo deputado na Assembleia Municipal de Aveiro, ex-gerente bancário e ex-presidente do SC Beira-Mar, considerado um dos homens de maior confiança do antigo líder da concelhia. Já no grupo político associado a Alberto Souto não é descartada a possibilidade de uma recandidatura de Paula Urbano Antunes, embora também seja apontado o nome do atual vereador socialista na Câmara Municipal de Aveiro, Leonardo Costa. Outras fontes socialistas recordam ainda que Eduardo Feio terminou recentemente o seu percurso na liderança do Conselho de Administração do Porto de Aveiro, o que poderá permitir um regresso a uma participação mais ativa na vida interna do partido, depois de um período em que a sua intervenção política esteve mais limitada pelas funções que desempenhava. Entre militantes próximos da atual liderança concelhia existe também a convicção de que o grupo de Manuel Sousa demonstrou falta de solidariedade durante a campanha autárquica de 2025. Segundo estes socialistas, Manuel Sousa e alguns dos seus aliados não terão colaborado nem demonstrado entusiasmo com a candidatura de Alberto Souto. Para este grupo de militantes, a situação torna-se ainda mais difícil de compreender tendo em conta que Manuel Sousa ocupa atualmente o cargo de vice-presidente da distrital do partido e terá tido uma presença pouco visível na campanha socialista. Neste campo político também se questiona a capacidade de Mário Costa para liderar a concelhia, argumentando que não ocupa atualmente qualquer posição de combate político direto ao executivo municipal, uma vez que não integrou candidaturas do partido aos órgãos autárquicos nas últimas eleições. Entre estes socialistas defende-se que poderá ser uma vantagem que a liderança do partido seja assumida por alguém que tenha presença na Câmara Municipal ou na Assembleia Municipal, garantindo maior capacidade de intervenção política. Do lado oposto, os militantes próximos de Manuel Sousa apresentam uma leitura diferente da história recente do partido. Segundo estes socialistas, a fação liderada por Alberto Souto também demonstrou falta de colaboração em eleições anteriores, nomeadamente nas autárquicas de 2017 e 2021, quando era necessário enfrentar politicamente a liderança de José Ribau Esteves. Neste grupo existe a convicção de que o setor político de Alberto Souto evitou assumir diretamente esse combate eleitoral, ao mesmo tempo que mantinha posições relevantes ligadas ao partido ou ao Estado. Entre os exemplos apontados estão o mandato de Filipe Neto Brandão como deputado à Assembleia da República, as funções desempenhadas por Eduardo Feio na liderança do Instituto da Mobilidade e dos Transportes e, posteriormente, do Porto de Aveiro, ou ainda a passagem de Alberto Souto pelo Governo de António Costa como secretário de Estado. Manuel Sousa também não esquece um artigo de opinião publicado por Alberto Souto no Diário de Aveiro dias depois das eleições autárquicas de 2021, onde o antigo autarca criticou duramente a estratégia seguida pela direção concelhia nessas eleições. Entre os apoiantes de Manuel Sousa, esse episódio é frequentemente recordado como um exemplo de deslealdade interna, por levar para a esfera pública assuntos que, defendem, deveriam ter sido discutidos nos órgãos do partido. Apesar de ter suspendido o mandato como vereador na Câmara Municipal de Aveiro após as eleições autárquicas de 2025, Alberto Souto continua a ter uma presença relevante na vida interna do partido. Segundo vários militantes socialistas, o antigo autarca mantém um papel ativo na definição de posições políticas e estratégias de oposição ao executivo municipal liderado por Luís Souto. Entre setores críticos dentro do PS-Aveiro, esta influência é vista como um sinal da forte dependência do partido em relação à sua figura, sendo apontada por alguns militantes como um dos fatores que tem dificultado a renovação interna da estrutura concelhia. Entre os militantes próximos desta fação existe ainda a convicção de que a atual liderança concelhia está politicamente esgotada e sem capacidade para renovar os quadros do partido. Como exemplo, apontam o facto de pessoas do círculo pessoal e político mais próximo de Eduardo Feio ocuparem atualmente cargos autárquicos pelo PS, nomeadamente na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal. Para estes militantes, esta situação revela não apenas dificuldades na renovação interna, mas também uma tendência para o grupo se fechar sobre si próprio, privilegiando círculos de proximidade em detrimento da abertura a novos protagonistas. Outra incógnita prende-se com o posicionamento de militantes socialistas com tradição no partido. Nomes como Pedro Pires da Rosa, ex-presidente da concelhia e ex-deputado na Assembleia Municipal, e Francisco Picado, ex-líder da bancada socialista na Assembleia Municipal, que nos últimos anos tiveram intervenção ativa no debate político local, parecem atravessar atualmente um período de maior afastamento dos órgãos partidários. Segundo militantes socialistas ouvidos pela Ria, o PS-Aveiro terá atualmente cerca de 150 militantes ativos com quotas em dia, números considerados reduzidos para um partido que pretende recuperar o poder autárquico perdido em Aveiro em 2005. Num cenário de nova disputa interna, acredita-se que a diferença entre candidatos possa voltar a ser reduzida, com valores semelhantes aos registados nas últimas eleições internas. Com um novo cenário de divisão que se perspetiva para os próximos meses no PS-Aveiro, Luís Souto, atual presidente da Câmara Municipal de Aveiro, esfrega neste momento as mãos. As divisões internas no PS-Aveiro e a falta de quadros, as soluções encontradas pelo partido para satisfazer Ribau Esteves e Rogério Carlos (novo presidente da CCDR-Centro e novo vogal do Conselho de Administração do Porto de Aveiro), somadas à lista única apresentada à liderança da secção local do PSD-Aveiro, são ingredientes essenciais para a serenidade e estabilidade que Luís Souto procura para governar a Câmara Municipal de Aveiro. Ainda assim, entre militantes socialistas existe a convicção de que é cedo para antecipar o futuro político no concelho. Alguns defendem mesmo que Luís Souto ainda não demonstrou preparação suficiente para o cargo que ocupa, apontando como exemplo posições recentes assumidas pelo PS em comunicados públicos. Entre estes socialistas acredita-se também que a chamada “lista de união” apresentada no PSD poderá representar apenas um adiamento de tensões internas, que poderão surgir quando se aproximarem as decisões sobre a composição de futuras listas autárquicas e os equilíbrios entre os vários presidentes de junta ligados ao partido. Independentemente dos nomes que venham a avançar, uma coisa parece certa: os próximos meses serão decisivos para o futuro do PS-Aveiro, num processo interno que poderá redefinir lideranças, equilíbrios e estratégias no principal partido da oposição no concelho.
Torneio solidário de padel da JSD Aveiro recolhe 95 kg de bens para a Cáritas
O torneio decorreu nas instalações do Aveiro Padel e contou com a participação de várias duplas, reunindo jovens da cidade num ambiente de convívio, desporto e solidariedade. Os bens recolhidos durante a iniciativa foram posteriormente entregues, na segunda-feira, 9 de março, à Cáritas Diocesana de Aveiro, entidade responsável por encaminhar as doações para pessoas e famílias em situação de maior vulnerabilidade. De acordo com a organização, a iniciativa teve como objetivo promover o convívio entre jovens, incentivar a prática desportiva e reforçar o compromisso da estrutura com causas sociais e com a comunidade aveirense. Segundo a organização, a adesão ao evento permitiu superar as expectativas iniciais e marcou a primeira edição de uma iniciativa que a JSD Aveiro pretende repetir no futuro.
PS-Aveiro acusa Luís Souto de ter “visão autocrática” e diz que autarca “romantizou o cargo”
Na entrevista feita pelo Diário de Aveiro, Luís Souto atacou os socialistas por serem “força de bloqueio” ao tentarem “parar tudo” o que diz respeito à governação da Câmara. No entendimento do PS, trata-se de uma “desculpa” sem relação com a realidade e que apenas demonstra o desnorte e a incapacidade executiva do atual presidente da Câmara Municipal”. Sobre a queixa de que os socialistas têm “inundado” os serviços da Câmara com requerimentos, a Comissão Política Concelhia esclarece que só tinham sido feitos três requerimentos: “o primeiro sobre o Auditor externo, prontamente respondido; o segundo, em novembro, sobre a antiga Lota de Aveiro, ainda não integralmente respondido; e o terceiro relativo ao antigo Estabelecimento de Ensino Santa Joana, que teve resposta na semana passada”. “Os requerimentos foram efetuados porque o Presidente da Câmara não respondeu às questões que lhe foram colocadas em reunião de Câmara”, esclarece. Na nota, o PS escreve que os requerimentos não serviriam para “bloquear” os serviços, uma vez que “disponibilizar os processos que lhe são solicitados é um exercício rápido e digital”. No mesmo sentido, acrescentam que “os processos do Município estão devidamente organizados, documentados e prontos para consulta, não só pela competência organizativa dos seus funcionários, mas por cumprimento com exigências legais e de auditoria [...] Acresce ainda que, se por incúria de gestões anteriores, a estrutura se encontra desprovida dos recursos indispensáveis ao exercício transparente e democrático, cumpre corrigir o quanto antes o vício detetado e não persistir no erro”. Os responsáveis socialistas apontam ainda o dedo a Luís Souto por se contradizer ao considerar que “90 por cento dos assuntos discutidos na Câmara Municipal são consensuais”. Apesar de realçar que, das “183” propostas trazidas a reunião neste mandato, o PS só ter votado contra quatro vezes e de se ter abstido nove, não esquecem que há “grandes opções para Aveiro” em que as forças estão em desacordo: é o caso do “Cais do Paraíso, da requalificação dos antigos terrenos da Lota, da decisão estratégica do Pavilhão Oficina, da necessidade de uma nova Escola Homem Cristo e uma ação mais proativa da Câmara Municipal na resolução do problema da habitação”. Assim sendo, o PS entende que, na ótica de Luís Souto, a oposição é uma “grande maçada” e que “a visão autocrática do governo municipal entende-a como um empecilho”. “Os lamentos sobre «litigância» e «bloqueios» [...] leva-nos a admitir que o problema seja muito mais grave: tudo indica que o presidente desconhece o conceito de accountability”, notam. Esta conclusão leva a que os eleitos socialistas entendam que Luís Souto “romantizou o cargo que ocupa ao ponto de acreditar que o mesmo se resumiria a presenças em eventos, ovações constantes e zero críticas [...] A incapacidade demonstrada até à data pelo Sr. Presidente em potenciar consensos, criar pontes e princípios de entendimento, levando-o agora a procurar validar aproximações com parceiros de credenciais sobejamente documentadas [os socialistas referem-se ao Chega, partido com quem Luís Souto disse, na mesma entrevista, que “não tem complexos”], depende apenas de si próprio e da postura entrincheirada pela qual optou desde o início do seu mandato”.
Teatro Aveirense abre convocatória para projeto de dança e leva espetáculos a casas da cidade
O projeto “Percursos pela Arquitetura”, com autoria de Ana Figueira (Companhia Instável), foca-se na interação entre o corpo e o espaço. A convocatória é dirigida a alunos de dança com mais de 15 anos que queiram experimentar a criação de pequenas peças coreográficas em espaços informais. Os ensaios decorrerão na Escola Secundária Homem Cristo entre 6 de abril e 7 de maio, com apresentações finais agendadas para os dias 8, 10 e 11 de maio. As inscrições devem ser feitas através do e-mail [email protected]. Paralelamente, o roteiro performativo “Quando os Anjos Falam de Amor”, de Henrique Furtado Vieira, propõe uma "performance-ritual" inspirada nos Caça-Fantasmas. O espetáculo, que conta com a participação de Catarina Vieira, Leonor Mendes e Sérgio Matias, acontecerá nos dias 26 e 27 de março, às 18h00 e 21h30, e “irá acontecer em quatro casas da cidade e mudar por instantes a vivência doméstica dos seus habitante”. Quem desejar abrir as portas de sua casa para receber esta iniciativa pode inscrever-se gratuitamente pelo e-mail [email protected]. Esta segunda atividade insere-se na programação do Festival END – Encontros de Novas Dramaturgias, do Colectivo 84, que decorre a 26 e 27 de março. O evento contará com diferentes ações, entre as quais um seminário e uma leitura de Teresa Coutinho, uma performance de António Alvarenga, um audiowalk de Michaël de Oliveira e a estreia da peça “hurry up please it’s time”, de Luís Araújo. O festival integra ainda as comemorações do Dia Mundial do Teatro, que o Teatro Aveirense assinala com uma Oficina de Escrita Dramática, do Teatro Nova Europa, entre 24 e 28 de março, e o espetáculo “O Figurante”, protagonizado por Mateus Solano, no dia 28 de março.
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Arrancam trabalhos de pavimentação na Avenida Marginal do Porto de Pesca do Largo
Segundo informação divulgada pela Administração do Porto de Aveiro, a obra insere-se num projeto mais amplo de valorização desta zona portuária, com o objetivo de aumentar a resiliência da infraestrutura face às alterações climáticas. No âmbito da empreitada foi já construído um muro de contenção ao longo da linha de água, solução que permitiu mitigar as inundações que ocorriam durante períodos de marés vivas. A intervenção representa um investimento de cerca de 4,5 milhões de euros e deverá estar concluída em meados de julho deste ano. Entre os principais trabalhos previstos destacam-se a construção de um muro de betão armado ao longo da retenção marginal, a requalificação do pavimento da avenida, a criação de uma ciclovia partilhada, o reforço da retenção marginal, a intervenção na iluminação pública e a implementação de uma rede de combate a incêndios. Nesta fase, a área intervencionada terá uma extensão aproximada de 1300 metros. A zona já foi também dotada de novos cabeços de amarração, parque de estacionamento e lugares individuais ao longo da via, no âmbito da mesma empreitada. A Avenida Marginal do Porto de Pesca do Largo desempenha um papel relevante na atividade portuária ligada à pesca do largo, servindo atualmente 17 pontes-cais utilizadas por empresas dedicadas à pesca, processamento, congelamento e distribuição de pescado.
Jovens Trabalhadores Socialistas de Aveiro criticam Governo nas negociações do pacote laboral
Em comunicado enviado às redações, a estrutura critica diretamente a atuação da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, considerando que tem revelado “pouca abertura para acolher contributos que reforcem os direitos laborais, combatam a precariedade e promovam maior estabilidade nas relações de trabalho”. Segundo os Jovens Trabalhadores Socialistas de Aveiro, a concertação social deve constituir um espaço de diálogo e compromisso entre empregadores, trabalhadores e Estado. No entanto, defendem que as negociações das últimas semanas têm sido marcadas por uma postura governativa “excessivamente rígida” e por uma aproximação às posições das confederações patronais. A estrutura sublinha que esta realidade pode ter impactos particularmente negativos para os jovens trabalhadores, lembrando que Portugal continua a apresentar níveis elevados de precariedade laboral entre os mais jovens, caracterizados por contratos a termo, vínculos instáveis, baixos salários e reduzidas perspetivas de progressão profissional. No entendimento da federação, o direito do trabalho não deve ser encarado apenas como um instrumento de competitividade económica, mas antes como um pilar do Estado Social e da justiça laboral. O comunicado critica ainda a posição das confederações patronais, acusadas de insistirem numa visão centrada na flexibilização do mercado de trabalho “muitas vezes em detrimento da segurança e da dignidade do trabalho”. Os Jovens Trabalhadores Socialistas de Aveiro defendem que o país precisa de políticas públicas que promovam emprego estável, salários dignos e trajetórias profissionais previsíveis para as novas gerações. Nesse sentido, apelam às confederações patronais para que permitam retomar negociações “sérias” e à ministra do Trabalho para que abandone o que consideram ser uma postura de inflexibilidade, reassumindo o papel de garante de um processo de concertação social equilibrado. O comunicado é assinado por Gabriel Maia, coordenador federativo da estrutura e membro do secretariado nacional dos Jovens Trabalhadores Socialistas.
PS-Aveiro prepara nova disputa interna com eleições da concelhia previstas para maio ou junho
O Partido Socialista tem eleições diretas para secretário-geral marcadas para os dias 13 e 14 de março. Segue-se o congresso nacional do partido, que se realiza em Viseu, nos dias 27, 28 e 29 de março. Dentro do partido existe a perspetiva de que, após a realização do congresso, os órgãos nacionais se reúnam para aprovar um novo calendário eleitoral interno, onde deverão ficar definidas as datas das eleições para as concelhias e federações distritais. Entre dirigentes socialistas é generalizada a convicção de que as eleições para as estruturas concelhias deverão ocorrer entre maio e junho. Tal como a Ria noticiou após as eleições autárquicas, o melhor resultado eleitoral do PS-Aveiro nos últimos vinte anos não foi suficiente para reconquistar a Câmara Municipal, mantendo-se o partido na oposição após seis eleições autárquicas consecutivas sem vencer no concelho. Internamente, o partido continua dividido em duas principais fações. 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Entre os exemplos apontados estão o mandato de Filipe Neto Brandão como deputado à Assembleia da República, as funções desempenhadas por Eduardo Feio na liderança do Instituto da Mobilidade e dos Transportes e, posteriormente, do Porto de Aveiro, ou ainda a passagem de Alberto Souto pelo Governo de António Costa como secretário de Estado. Manuel Sousa também não esquece um artigo de opinião publicado por Alberto Souto no Diário de Aveiro dias depois das eleições autárquicas de 2021, onde o antigo autarca criticou duramente a estratégia seguida pela direção concelhia nessas eleições. Entre os apoiantes de Manuel Sousa, esse episódio é frequentemente recordado como um exemplo de deslealdade interna, por levar para a esfera pública assuntos que, defendem, deveriam ter sido discutidos nos órgãos do partido. 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Torneio solidário de padel da JSD Aveiro recolhe 95 kg de bens para a Cáritas
O torneio decorreu nas instalações do Aveiro Padel e contou com a participação de várias duplas, reunindo jovens da cidade num ambiente de convívio, desporto e solidariedade. Os bens recolhidos durante a iniciativa foram posteriormente entregues, na segunda-feira, 9 de março, à Cáritas Diocesana de Aveiro, entidade responsável por encaminhar as doações para pessoas e famílias em situação de maior vulnerabilidade. De acordo com a organização, a iniciativa teve como objetivo promover o convívio entre jovens, incentivar a prática desportiva e reforçar o compromisso da estrutura com causas sociais e com a comunidade aveirense. Segundo a organização, a adesão ao evento permitiu superar as expectativas iniciais e marcou a primeira edição de uma iniciativa que a JSD Aveiro pretende repetir no futuro.