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Joana Regadas: “Não temos medo de assumir que é preciso mudar algumas das coisas [na AAUAv]"

Joana Regadas, atual vice-presidente adjunta da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) foi a primeira a avançar com uma candidatura à presidência da AAUAv para o mandato de 2025. A também estudante no Mestrado em Engenharia Biomédica na Universidade de Aveiro (UA) lidera a lista A que apresenta como lema “Unidos pela Voz”.

Joana Regadas: “Não temos medo de assumir que é preciso mudar algumas das coisas [na AAUAv]"
Isabel Cunha Marques

Isabel Cunha Marques

Jornalista
10 dez 2024, 21:00

Em grande entrevista à Ria, Joana Regadas voltou a assegurar que a candidatura à AAUAv foi uma decisão muito ponderada” pela “responsabilidade” que o projeto acarreta. “É uma casa com muita história e com muito peso que me estou a propor a receber”, afirmou.

Como retrospetiva sob o seu percurso na Associação Académica [numa fase inicial no setor de Apoio aos Núcleos e, atualmente, como vice-presidente adjunta da direção], Joana recordou que a sua voz “foi um bocadinho complicada de conquistar” e que gostava de passar a mensagem aos estudantes que “todos nós temos uma voz”. “(…) Foi isso que este projeto fez comigo e gostava de ter a oportunidade de lhe retribuir”, assegurou.

Atualmente, a liderar o projeto da lista A, que apresenta como lema “Unidos pela Voz”, a atual estudante no Mestrado em Engenharia Biomédica na UA adiantou que o facto de conhecer de perto a estrutura interna da AAUAv lhe permitiu “identificar muitas das falhas daquilo que não tem corrido tão bem”, realçando que a Associação Académica precisa de “evoluir”. “O projeto precisa de crescimento. Não pode estar estagnado. Se eu não achasse que havia espaço para isso não estaria a colocar-me nesta posição”, disse.

Sobre o crescimento, Joana Regadas assegurou, tal como consta no manifesto da lista A, que o mesmo deve assentar em três objetivos: “inclusão, inovação e bem-estar”. “(…) Queremos marcar e primar pela diferença. Não temos medo de assumir que é preciso mudar algumas das coisas internas da Associação Académica. Temos uma equipa formada e com experiência de dentro e, acima de tudo, temos muita gente nova que acaba por trazer para a mesa todas estas realidades que às vezes dentro da bolha é um bocadinho difícil aperceber-se”, reconheceu.

Entre os vários aspetos a corrigir dentro da Associação, a atual vice-presidente adjunta da direção da AAUAv destacou que “há efetivamente um distanciamento que pode ter sido criado pelo facto da sede da Associação Académica ser do outro lado do campus, mas é uma coisa que nós reconhecemos e queremos, efetivamente, mudar. As pessoas têm de ter espaço e têm de se sentir confortáveis para ter a voz delas”. Como propostas [para contornar esta realidade] apontou, entre os exemplos, a realização de reuniões pelos departamentos da UA e a criação de um orçamento participativo “em que os estudantes acabam por ter a oportunidade de apresentar ideias dentro de um orçamento estabelecido que depois estará explícito quando for a altura devida”.

Já sobre os pontos a trabalhar na UA, a líder da lista A afirmou, entre os vários exemplos, que o Regulamento de Estudos “já não se adequa e precisa de ser revisto”. “Ele está num processo de revisão, efetivamente… Estamos à espera de uma das partes importantes que é a passagem dos coordenadores dos núcleos e responsáveis financeiros para terem um papel de dirigente [associativ] que, atualmente, têm um papel de agente [associativo]. Mas na parte da inovação pedagógica acho que é importante. Nós estamos a ter uma geração que é cada vez mais capacitada (…) e é necessário que o regulamento de estudos se atualize, que esteja previsto esta rápida transformação daquilo que está a ser a sociedade atualmente”, apontou.

Neste seguimento, deu ainda nota da “realidade muito complicada” que os estudantes internacionais estão inseridos, atualmente. “A maior parte deles acaba por chegar quase no final do 1.º semestre (…) é esperado que eles cumpram as unidades curriculares no período normal sem ter acesso a época especial... Para além de não estarmos já aqui a colocar o valor das propinas que acaba por ser muito maior do que aquilo que é a propina para os estudantes nacionais”, criticou.

No âmbito do desporto, Joana reconheceu que o atual estatuto de estudante-atleta “não é suficiente” para permitir que todos os estudantes possam ir aos treinos ou às competições internacionais e “mesmo quando têm direito pode não haver facilidade dos docentes em alterar testes, em ter acesso a época especial… Temos de ter uma voz mais ativa e mais presente”.

Confrontada com as declarações de Wilson Carmo, atual presidente da AAUAv e mandatário da lista A, em grande entrevista à Ria, sobre a relação da Associação com o Município de Aveiro, Joana Regadas referiu que o projeto da lista A tem o “intuito de começar uma página em branco (…) com todas as instituições que possam ser nossas parceiras”. “Acho que também só faz sentido porque temos uma equipa renovada, caras diferentes no projeto e acho que só assim podemos evoluir, marcar a diferença e crescer. (…) Estamos completamente disponíveis para criar parcerias com todas as Câmaras que englobam não só o polo de Aveiro, mas também de Águeda e Oliveira de Azeméis (…)”, sustentou.

Ainda como “prioridade” da lista A, Joana assegurou que quer “reformular” a comunicação da AAUAv. “Esta reformulação vem muito de termos ouvido aquilo que os estudantes pediam. Os estudantes sentiam que a informação às vezes não era clara, que não chegava a toda a gente e efetivamente a comunicação deve ser dos setores mais trabalhosos que temos (…) Queremos que haja espaço para haver reuniões nos departamentos, horários abertos onde as pessoas possam vir ter com a presidência ou com alguns membros da direção e que seja efetivamente discutido o projeto sem qualquer entrave porque o projeto só cresce se for discutido (…)”, defendeu.

Questionada sobre as críticas às redes sociais da AAUAv, na última Assembleia Geral de Alunos, em que os estudantes acusavam a direção de publicar “mais festas e paródias do que qualquer outro tema”, Joana reconheceu que “há uma grande dificuldade” em escolher que atividades devem ser comunicadas. “Temos um ritmo de atividades bastante elevado e queremos tentar perceber o que faz sentido ou não. Durante o último ano (…) não foi tão bem conseguido aquilo que foi a comunicação por parte da política educativa (…) mas é algo que estamos cientes e esse é o primeiro passo para mudar. Consciencializar que existe esse problema que nós admitimos e verificamos isso como um problema e queremos efetivamente mudar (…)”, exprimiu.

Já na reta final da conversa, a Ria questionou ainda a candidata à presidência da AAUAv sobre o vídeo publicado pela lista opositora [lista E], nas redes sociais, esta segunda-feira, em que eram tecidas um conjuntos de críticas à atual gestão da AAUAv, entre elas, a de que a Associação está num “ciclo vicioso”. Para Joana a acusação está associada ao facto de “nos últimos três anos” só terem sido eleitos “dois presidentes [diferentes]”. “Acaba por criar a ideia de que não há rotatividade dentro daquilo que é o projeto, mas isso é uma coisa que não é equacionada. Nós somos caras novas, temos objetivos diferentes e queremos primar pela diferença. É um dos nossos compromissos. (…) Acho que o ciclo vicioso acaba (…) quando entram pessoas novas”, frisou. “Temos aqui pessoas novas no projeto, uma cara diferente a assumir o projeto e acho que esse é o primeiro passo para perceber que o que foi, "foi" e acho que o futuro é que é o caminho e é isso que temos que efetivamente discutir porque só discutindo o futuro é que a Associação Académica pode crescer nunca invalidando aquilo que é o contexto histórico de 46 anos que tem de ser sempre colocado em cima da mesa”, acrescentou.

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