Festas de São Braz: “um progresso fora do normal”
Por estes dias, os habitantes da Quinta do Gato, em Santa Joana, Aveiro vivem a festa de São Braz. Uma festividade que há cerca de 20 anos cumpre o ritual de atirar rebuçados do alto da Capela de São Braz para os devotos. Apesar da tradição, a festa tem vindo a ganhar expressão e, neste momento, não são apenas os rebuçados que contribuem para atrair os aveirenses e forasteiros. A Ria foi procurar saber, afinal, qual é o segredo para o sucesso desta festividade.
Isabel Cunha Marques
JornalistaPara António Gonçalves e Manuel Oliveira, amigos há mais de 40 anos, a festa de São Braz começa com um copo de vinho tinto, durante a tarde, no Restaurante ‘São Brás’. Ambos vivem a 50 metros dali. “Para mim o pior é morar mesmo aqui encostado. A festa termina pela 1h00 e até às 4h00 o barulho continua…”, começa por contar, à Ria, António Gonçalves com uma gargalhada. Apesar de não ser natural de Santa Joana, António confidenciou que ganhou o gosto pela Festa de São Braz, desde os 18 anos, altura em que conheceu a sua esposa. “Eu fui obrigado a vir [por ela] … As festas não eram como agora. Isto agora tem uma proporção muito maior. Temos de elogiar os mordomos da festa, porque teve um progresso fora do normal. Para mim, a seguir a estas é o São Gonçalinho”, afirmou.
Ao contrário de António, Manuel Oliveira sempre viveu no lugar da Quinta do Gato e recorda-se de viver estas festas desde pequeno. “Antigamente atirava-se os foguetes, ia-se atrás das canas para tirar o fio e assim se passava. Não havia nada de rebuçados…. Rebuçados está bem está…. Vivia-se bem. Para mim era fabuloso e agora melhor”, recordou com um sorriso. Sobre o que mais gosta da festividade, Manuel realçou, com um especial brilho nos olhos, que tem um fascínio pelo “barulho dos músicos”. “Eu gosto de acompanhar as festas do Santoinho, mas aqui é melhor. É a minha terra”, exprimiu. Enquanto brindava com António, mais uma vez, realçava ainda à Ria que para o dia seguinte tinha já na sua casa “um presunto, muita cerveja e muito vinho” para oferecer aos mordomos. “É sempre uma alegria”, gracejou.
No largo da capela, enquanto o sino toca para a eucaristia, ouve-se, já ao fundo, um som estridente de um outro sino. É Décio Marques a chamar para o pão com chouriço que acabou de sair do forno a lenha. “Este toque do nosso sino significa a saída do pão”, conta-nos. Veio pela primeira vez à festa de São Braz, em trabalho, para angariar fundos para a Associação Centro Social e Cultural Nossa Senhora da Graça Quintãs. “Já trabalhamos [com o pão com chouriço] há 20 anos… Desde que foi realizado o Carnaval em Aveiro”, partilhou. Para esta festividade trouxe, pelo menos, 100 quilos de massa de pão que foi previamente preparada por uma padeira do Vale de Ílhavo. “A gente está preparada para a guerra (…) O segredo do pão com chouriço é a farinha que não pode ser qualquer uma, o chouriço e o amor que nós depositamos todos nele”, partilhou com um sorriso. À Ria prometeu ainda fazer as “delícias” dos festeiros [com o pão com chouriço] ao longo dos quatro dias.
São Braz tem a “melhor bifana do mundo”
Além do pão com chouriço, há um outro cheiro que se torna impossível não sentir naquele largo. Desta vez, é o cheiro das bifanas que estão a ser preparadas por dois elementos da mordomia e que já atraem forasteiros para as saborear. É o caso de David Antunes, um dos artistas responsáveis por abrilhantar a Festa de São Braz na primeira noite. “Esta malta é do melhor que há. Eles ganham-nos por isto, pelos rebuçados e depois pela melhor bifana do mundo. Ao bocado, enquanto estava a caminho [de Aveiro], vinha a dizer ao meu irmão que o melhor sítio para comer bifanas é aqui”, confidenciou. “Eu não sei o que têm de especial, mas se calhar também não quero saber… É o molho, mas há aqui qualquer coisa…”, exprimiu.
Este ano, a Mordomia de São Braz encomendou cerca de 400 quilos de bifanas para os quatro dias de festa. Em entrevista à Ria, Óscar Branco, juiz da mordomia referiu que o sucesso das bifanas foi por mera “coincidência” e “sorte”. “Antigamente, fazíamos um pernil, mas demorava muito tempo a servir… Era complicado e eram sempre filas. Então começamos a fazer bifanas. Este ano, temos um fornecedor de carne amigo (…) arranjamos carne de boa qualidade, bem cortada e bem temperada e agora é com os nossos cozinheiros da mordomia”, explicou com uma gargalhada. O segredo? Preferiu não revelá-lo à Ria.
Se por agora começam a ser as bifanas a fazer as tentações de quem procura esta festa, há também quem não abdique de a frequentar pela “chuva” de rebuçados de São Braz. Uma tradição com cerca de 20 anos em que os devotos se concentram junto à capela de São Braz para apanhar os rebuçados atirados pela mordomia, não fosse São Braz o padroeiro das dores de garganta. Este ano, foram prometidos pela mordomia cerca de 600 quilos. Óscar Branco recordou que a tradição começou com um grupo de amigos que concluiu o seu percurso académico na Universidade e que quis vir celebrar o feito até à Festa de São Braz. “Lembraram-se que queriam pôr as pessoas de gatas aqui no Lugar da Quinta do Gato… Então recordaram-se de atirar rebuçados de São Braz às pessoas (…) É por eles que isto acontece”, sublinhou, esperançando que quer que a tradição dure, pelo menos, mais “200 anos”.
“O segredo não são os rebuçados”
Independentemente das bifanas ou dos rebuçados de São Braz, a verdade é que a festa tem vindo a ganhar renome e atrai, todos os anos, cada vez mais pessoas. Para o juiz da mordomia “houve outros fatores” para o mesmo acontecer. “Em 2017, também como juiz desta festa reuni um grupo de amigos e é isso que fez toda a diferença. Nós demos muito da nossa vida para estar aqui. Nesse ano, decidimos colocar um toldo na rua para não chover e trazer artistas com algum nome nacional”, explicou. Um desses artistas foi Augusto Canário. “Ele era pouco conhecido em Aveiro e a partir daí começou a fazer muitos espetáculos cá (…) A seguir, foi só mais um bocadinho e, neste momento, temos uma festa com cabeças de cartaz em três dias”, continuou. “O segredo não são os rebuçados (…) A questão que está na base disto tudo é a nossa interajuda, gostarmos da nossa terra e fazermos uma festa para as pessoas virem cá”, recordou Óscar.
Entre as novidades do cartaz deste ano está a festividade ser apadrinhada por Augusto Canário. “Quando eu este ano voltei a assumir a festa a minha ideia foi fazer um revenge daquilo que aconteceu ao longo destes anos e convidar os artistas que vieram cá e que nos deixaram alguma coisa (…) [O Augusto Canário] já esteve connosco três ou quatro vezes e fala de nós por todo o lado onde vai, até porque ele acha que foi alvo de um milagre aqui no São Braz”, contou.
Sobre aquela que será a festa de São Braz em 2026, Óscar preferiu não adiantar, mas garantiu que a mordomia a procurará “melhorar” ainda mais, sempre numa perspetiva da festa de arraial. Sobre quem será o próximo juiz, Óscar Branco garantiu que passará a sua pasta, possivelmente, “ao seu irmão”. “Ainda não sabemos (…) Há sempre um suspense, mas daqui a um mês já deve haver uma decisão”, avançou.
A Festa de São Braz prossegue, este sábado, 1 de fevereiro, tendo como cabeça de cartaz o artista Zé Amaro que atuará, pelas 21h30. No domingo segue-se a atuação de Tiago Silva, pelas 15h00 e de Augusto Canário, pelas 21h30. No último dia, 3 de fevereiro, haverá a missa em honra de São Braz, pelas 19h00.
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Sete jovens identificados por utilização de artigos pirotécnicos em escola de Aveiro
Em comunicado, a PSP esclareceu que os jovens foram identificados no dia 5 de março, na sequência de uma ocorrência que envolveu artigos pirotécnicos no interior de um estabelecimento de ensino. Segundo a Polícia, os jovens estiveram envolvidos na deflagração de cinco artigos pirotécnicos no interior da referida escola, provocando algum alarme junto da comunidade escolar e colocando em risco a segurança de alunos, docentes e funcionários. "No âmbito das diligências policiais desenvolvidas, foi possível apreender um total de 357 artigos pirotécnicos, pertencentes às categorias F2 e F3, que terão sido adquiridos pelos jovens através de plataformas "online", em incumprimento da legislação em vigor", conclui a mesma nota. A PSP relembra que a posse, aquisição e utilização de artigos pirotécnicos estão sujeitas a regras específicas, nomeadamente no que respeita à idade mínima legal e aos locais autorizados para o seu uso. A utilização indevida destes artigos, especialmente em espaços fechados ou em contexto escolar, representa um elevado risco para a integridade física das pessoas e pode configurar ilícitos contraordenacionais ou criminais.
SC Beira-Mar enfrenta final da temporada com a calculadora na mão: As contas para fugir à distrital
No início da temporada, o SC Beira-Mar, ainda sem investidor para poder constituir uma Sociedade Desportiva, voltou a definir que o objetivo da temporada era a manutenção no Campeonato de Portugal. Há poucas semanas, em conversa com a Ria, Nuno Quintaneiro, presidente da direção do clube, olhava com satisfação para a entrada invicta no ano civil de 2026 e estimava que, conquistando seis pontos nos oito jogos que faltavam, a equipa devia ter a permanência garantida. O caminho parecia simples, mas entretanto o desafio complicou-se. Em quatro jogos, o Beira-Mar somou apenas mais um ponto - um empate em casa frente ao Leça e três derrotas com Rebordosa, Vila Real e Florgrade - e está a três pontos dos lugares que ditam a descida de divisão. Com apenas quatro jogos por disputar (12 pontos em jogo), o Beira-Mar tem neste momento 28 pontos e ocupa a nona posição da tabela classificativa, sendo que descem todos os que ficarem abaixo do décimo posto. Entre o 12º classificado e o sétimo distam apenas três pontos, embora haja ainda outras equipas que podem entrar nesta luta - é o caso do Resende, a cinco pontos dos lugares de salvação, e Vila Meã e Cinfães, quatro e cinco pontos acima da “linha de água”, respetivamente. Estamos então a falar de uma corrida a seis, que pode ser alargada a nove, para fugir aos distritais. (Legenda: Classificação disponível em zerozero.pt) O Beira-Mar acaba o campeonato frente ao melhor adversário que poderia pedir: o Gouveia, que já tem a descida de divisão garantida por apenas ter conseguido somar quatro pontos nos 22 jogos que disputou - quatro empates e 18 derrotas. No entanto, apesar de o adversário já não estar a lutar por nada, não se pode dizer que sejam “favas contadas”. O Gouveia já jogou duas vezes com os beiramarenses esta época: no primeiro embate, em casa, eliminou o clube de Aveiro da Taça de Portugal; no segundo, conquistou um ponto na deslocação ao Mário Duarte. Nas próximas duas jornadas, que decorrem no próximo domingo e no fim-de-semana de 4 de abril, o Beira-Mar recebe o Cinfães e desloca-se a Alpendorada, respetivamente. São dois adversários em condições idênticas - já se podem dizer arredados da luta pela subida à Liga 3, mas também têm alguma folga relativamente aos lugares de descida (embora possam garantir a manutenção no jogo com o Beira-Mar). Este enquadramento tanto pode ser benéfico para a equipa de Aveiro, que vê os adversários com maior abertura para lançar jovens e começar a pensar na próxima temporada, como pode ser prejudicial, uma vez que os pupilos de Fabeta se vêm obrigados a pontuar contra adversários com menor pressão nos ombros. Não obstante, o Beira-Mar não parece ser aquele que tem o calendário mais complicado entre os que procuram continuar a competir no Campeonato de Portugal. Analisando as seis equipas apenas separadas por três pontos - Salgueiros, União de Lamas, Beira-Mar, Vila Real, Anadia e Aparecida - o União de Lamas parece ser a formação com um trajeto mais complicado. Embora parta na mesma posição que o Beira-Mar, a equipa cruza com três rivais diretos, nomeadamente, o Beira-Mar, em Aveiro, o Salgueiros e o Anadia. Caso não vença na deslocação ao terreno Gouveia na próxima jornada - uma equipa que os adversários vão tentar transformar no “bombo da festa” durante esta fase - a turma natural de Santa Maria de Lamas enfrenta sérias dificuldades até ao final do campeonato. O Vila Real também não tem a vida fácil, dado que, para além de se encontrar com os dois primeiros classificados - e, recorde-se, o Rebordosa ainda não perdeu um único jogo na temporada -, joga ainda fora com o Aparecida, que está também abaixo da linha de água e em igualdade pontual, e com o Vila Meã, que ainda não está a salvo da descida. Para além do encontro com o Vila Real, o Aparecida joga ainda com Florgrade e Cinfães - duas das equipas que, em princípio, já não precisarão de pontos no momento das partidas - e com o Leça, que vai disparado para a Fase de Apuramento de Subida à Liga 3. Anadia ainda recebe o Gouveia, que será sempre uma oportunidade para pontuar, mas desloca-se a casa dos “aflitos” União de Lamas e Vila Meã e recebe ainda o Alpendorada. O Salgueiros, que está há oito jogos sem ganhar, joga com Florgrade, Cinfães e Alpendorada, todos à beira de garantir a permanência, e acaba em casa do União de Lamas, numa partida que poderá ser uma autêntica final para ambos os conjuntos. Nota ainda para o Vila Meã que, apesar de estar a quatro pontos dos lugares que levam à despromoção, já não vence desde 7 de dezembro, totalizando cinco derrotas e sete empates nos últimos 12 jogos. Na próxima jornada recebe o invicto Rebordosa, enfrenta depois o Gouveia e acaba com mais dois duelos com equipas em risco de descer, Vila Real e Anadia.
Aveiro Center recebe investimento de 2,2 milhões de euros na modernização
O projeto está a cargo da consultora Cushman & Wakefield e tem conclusão prevista para o próximo junho. "A intervenção incide sobre a requalificação de áreas comuns, incluindo espaços verdes, zonas de circulação e fachadas", afirmou o responsável André Navarro. Segundo André Navarro, a estratégia de valorização global do conjunto comercial inclui a implementação de um novo logótipo e de uma identidade visual, alinhada com a nova estética. "A intervenção foi planeada de forma faseada de modo a minimizar o impacto para lojistas e visitantes", esclareceu o diretor do Aveiro Center, Pedro Leal. O plano de modernização prevê ainda a integração de novos conceitos de restauração, nomeadamente uma unidade "drive-thru" que deverá começar a ser construída antes do verão. O imóvel é propriedade do fundo Euro V, gerido pela Savills Investment Management, e incorpora uma galeria comercial e "retail park".
Cais do Paraíso S.A. pede diálogo à CMA e admite negociar, mas avisa que a “paciência não é eterna”
Foi na passada terça-feira, dia 10, que o TAF de Aveiro julgou procedente a providência cautelar apresentada em janeiro pelo Ministério Público (MP) contra o Plano de Pormenor do Cais do Paraíso, determinando a suspensão da eficácia do documento aprovado pelo Município de Aveiro. Pela primeira vez a falar à comunicação social sobre o dossier, Munir Asharaf Aly confessou à Ria “não estar contente” com a decisão e procurou explicar a posição da Cais do Paraíso S.A. em todo o processo. A principal crítica do investidor dirige-se à falta de diálogo com o executivo municipal desde a tomada de posse de Luís Souto. Se Munir diz que “não se pode queixar” de José Ribau Esteves, que liderou a autarquia desde que a sociedade adquiriu os terrenos, em 2018, até ao passado mês de outubro, a relação com o atual presidente é descrita de forma bem diferente. Segundo o responsável, o novo líder do Município não só não procurou estabelecer contactos como também “não responde” às tentativas de comunicação feitas pela empresa. Apesar do impasse, o presidente do Conselho de Administração da Cais do Paraíso S.A. não exclui a possibilidade de negociar, quer através da relocalização do investimento, quer através de alterações ao projeto inicialmente previsto. Ainda assim, deixa um aviso: “Aveiro tem que decidir se quer investimentos ou não quer”. “O país está a ficar completamente burocrático e depois queixamo-nos de que os preços da habitação estão altos. Estão altos porque as autarquias não tomam decisões, não dialogam, não conversam, estão entretidas na politiquice e deixam-se passar muitas oportunidades”, acrescenta. Na conversa com a Ria, os responsáveis pela sociedade elogiaram também a postura “construtiva” de Diogo Soares Machado, vereador eleito pelo Chega, durante a reunião de Câmara em que foi discutida a revogação do Plano de Pormenor. Nessa altura, o autarca disse ter apalavrado uma reunião com Nuno Pereira, responsável de desenvolvimento de projetos imobiliários do Mully Group - que, até agora, tem sido a ponte entre a Ria e a Cais do Paraíso S.A. -, mas, desde então, não voltaram a existir contactos, nem com o executivo municipal nem com os partidos da oposição. Disponível para falar “com todos”, Munir afirma ainda que, à exceção desse episódio, nunca foi abordado por responsáveis políticos e que tem procurado dialogar apenas com quem governa a cidade, de forma a evitar ser colocado no centro de “querelas políticas”. No que diz respeito à providência cautelar, a sentença a que a Ria teve acesso indica que, depois de citados, nem o Município de Aveiro nem a Cais do Paraíso S.A. apresentaram oposição. Fonte próxima da sociedade considera, no entanto, que “não faz sentido contestar”. “O que eles [Ministério Público] quiseram foi que não fossem constituídos direitos. [...] Nós também nunca iríamos, perante uma discussão destas e o foguetório que foi feito, aproveitar para pôr um pedido qualquer licenciamento para constituir direitos. Queremos fazer um projeto, não queremos estar a receber indemnizações da Câmara Municipal”, explica. Segundo a mesma fonte, a Cais do Paraíso S.A. já contestou, no entanto, os processos principais, designadamente os interpostos pelo Ministério Público e pela família Bóia. Recorde-se que, de acordo com os proprietários do terreno adjacente aos terrenos da Cais do Paraíso S.A., o executivo liderado por Ribau Esteves, ao aprovar o Plano de Pormenor, terá dado “um alegado privilégio exclusivo a um só promotor”, ignorando os restantes proprietários e desrespeitando um compromisso assumido há mais de 50 anos com a família. Munir Asharaf Aly rejeita essa interpretação e contradiz a narrativa de que Ribau Esteves terá desenhado o plano “à medida do investidor”. Segundo afirma, aconteceu “bem pelo contrário”. Um dos exemplos apontados é a solução para o estacionamento, que o ex-presidente da Câmara terá exigido que seguisse o mesmo modelo adotado no Rossio. “Ele cortou a área de construção, cortou acesso ao edifício, cortou isso tudo, não nos deixou fazer as garagens como nós queríamos e obrigou-nos a fazer de outra forma, que era bastante mais oneroso”, refere. Outra fonte próxima da sociedade acrescenta que o Plano de Pormenor foi elaborado por imposição do antigo autarca e “por causa da questão dos Bóia”. Segundo explica, “não precisamos do terreno dos Bóia para nada, porque nós cumprimos [...] com aquilo tudo e não ganhamos capacidade construtiva pelo facto do terreno dos Bóia ter ou não capacidade construtiva. O presidente mandou-nos, na altura, falar com o Bóia, porque, no entendimento estético dele da cidade, ele achava que ter ali construção naquele terreno e o hotel por trás ia ficar mal. E nós andámos em negociações com o Bóia”. Apesar de continuar interessado em avançar com o projeto, Munir recorda que o processo se arrasta há vários anos. “Temos alguma paciência, mas não é eterna”, sublinha, lembrando que aguarda uma solução há cerca de oito anos e que o mercado imobiliário é volátil, o que poderá obrigar a reavaliar o investimento caso o processo continue bloqueado.
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Sete jovens identificados por utilização de artigos pirotécnicos em escola de Aveiro
Em comunicado, a PSP esclareceu que os jovens foram identificados no dia 5 de março, na sequência de uma ocorrência que envolveu artigos pirotécnicos no interior de um estabelecimento de ensino. Segundo a Polícia, os jovens estiveram envolvidos na deflagração de cinco artigos pirotécnicos no interior da referida escola, provocando algum alarme junto da comunidade escolar e colocando em risco a segurança de alunos, docentes e funcionários. "No âmbito das diligências policiais desenvolvidas, foi possível apreender um total de 357 artigos pirotécnicos, pertencentes às categorias F2 e F3, que terão sido adquiridos pelos jovens através de plataformas "online", em incumprimento da legislação em vigor", conclui a mesma nota. A PSP relembra que a posse, aquisição e utilização de artigos pirotécnicos estão sujeitas a regras específicas, nomeadamente no que respeita à idade mínima legal e aos locais autorizados para o seu uso. A utilização indevida destes artigos, especialmente em espaços fechados ou em contexto escolar, representa um elevado risco para a integridade física das pessoas e pode configurar ilícitos contraordenacionais ou criminais.
Operação da PJ por corrupção em iluminações festivas passa por Ovar e Santa Maria da Feira
Segundo a PJ, a investigação aponta para um “esquema criminoso, de caráter organizado e sistémico”, baseado na obtenção de informação privilegiada junto de entidades adjudicantes, a troco de contrapartidas financeiras, garantindo adjudicações à empresa visada. Os contratos sob suspeita ascendem a cerca de oito milhões de euros. No distrito de Aveiro, a operação passou pelos municípios de Ovar e Santa Maria da Feira, onde foram realizadas buscas no âmbito das 26 diligências levadas a cabo em todo o país. Apesar de o Município de Aveiro não constar entre as entidades alvo da operação, a empresa agora investigada manteve relações contratuais com a autarquia aveirense em anos anteriores. Dados do portal Base indicam que a Câmara Municipal de Aveiro adjudicou à Castros Iluminações Festivas vários contratos para iluminação de Natal entre 2017 e 2022, através de ajuste direto e consulta prévia, num valor global superior a 620 mil euros. O contrato de maior montante foi celebrado em 2019, por cerca de 345 mil euros. Em 2022, foi adjudicado um novo contrato no valor de 130 mil euros. Nos anos de 2017 e 2018, os contratos rondaram os 75 mil euros cada. Contudo, não existe qualquer indicação de que estes contratos estejam relacionados com a investigação em curso. A operação “Lúmen”, conduzida pela Diretoria do Norte da PJ, mobilizou cerca de 120 investigadores, bem como peritos financeiros e informáticos. O inquérito é dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto. Os detidos vão ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial.
SC Beira-Mar enfrenta final da temporada com a calculadora na mão: As contas para fugir à distrital
No início da temporada, o SC Beira-Mar, ainda sem investidor para poder constituir uma Sociedade Desportiva, voltou a definir que o objetivo da temporada era a manutenção no Campeonato de Portugal. Há poucas semanas, em conversa com a Ria, Nuno Quintaneiro, presidente da direção do clube, olhava com satisfação para a entrada invicta no ano civil de 2026 e estimava que, conquistando seis pontos nos oito jogos que faltavam, a equipa devia ter a permanência garantida. O caminho parecia simples, mas entretanto o desafio complicou-se. Em quatro jogos, o Beira-Mar somou apenas mais um ponto - um empate em casa frente ao Leça e três derrotas com Rebordosa, Vila Real e Florgrade - e está a três pontos dos lugares que ditam a descida de divisão. Com apenas quatro jogos por disputar (12 pontos em jogo), o Beira-Mar tem neste momento 28 pontos e ocupa a nona posição da tabela classificativa, sendo que descem todos os que ficarem abaixo do décimo posto. Entre o 12º classificado e o sétimo distam apenas três pontos, embora haja ainda outras equipas que podem entrar nesta luta - é o caso do Resende, a cinco pontos dos lugares de salvação, e Vila Meã e Cinfães, quatro e cinco pontos acima da “linha de água”, respetivamente. Estamos então a falar de uma corrida a seis, que pode ser alargada a nove, para fugir aos distritais. (Legenda: Classificação disponível em zerozero.pt) O Beira-Mar acaba o campeonato frente ao melhor adversário que poderia pedir: o Gouveia, que já tem a descida de divisão garantida por apenas ter conseguido somar quatro pontos nos 22 jogos que disputou - quatro empates e 18 derrotas. No entanto, apesar de o adversário já não estar a lutar por nada, não se pode dizer que sejam “favas contadas”. O Gouveia já jogou duas vezes com os beiramarenses esta época: no primeiro embate, em casa, eliminou o clube de Aveiro da Taça de Portugal; no segundo, conquistou um ponto na deslocação ao Mário Duarte. Nas próximas duas jornadas, que decorrem no próximo domingo e no fim-de-semana de 4 de abril, o Beira-Mar recebe o Cinfães e desloca-se a Alpendorada, respetivamente. São dois adversários em condições idênticas - já se podem dizer arredados da luta pela subida à Liga 3, mas também têm alguma folga relativamente aos lugares de descida (embora possam garantir a manutenção no jogo com o Beira-Mar). Este enquadramento tanto pode ser benéfico para a equipa de Aveiro, que vê os adversários com maior abertura para lançar jovens e começar a pensar na próxima temporada, como pode ser prejudicial, uma vez que os pupilos de Fabeta se vêm obrigados a pontuar contra adversários com menor pressão nos ombros. Não obstante, o Beira-Mar não parece ser aquele que tem o calendário mais complicado entre os que procuram continuar a competir no Campeonato de Portugal. Analisando as seis equipas apenas separadas por três pontos - Salgueiros, União de Lamas, Beira-Mar, Vila Real, Anadia e Aparecida - o União de Lamas parece ser a formação com um trajeto mais complicado. Embora parta na mesma posição que o Beira-Mar, a equipa cruza com três rivais diretos, nomeadamente, o Beira-Mar, em Aveiro, o Salgueiros e o Anadia. Caso não vença na deslocação ao terreno Gouveia na próxima jornada - uma equipa que os adversários vão tentar transformar no “bombo da festa” durante esta fase - a turma natural de Santa Maria de Lamas enfrenta sérias dificuldades até ao final do campeonato. O Vila Real também não tem a vida fácil, dado que, para além de se encontrar com os dois primeiros classificados - e, recorde-se, o Rebordosa ainda não perdeu um único jogo na temporada -, joga ainda fora com o Aparecida, que está também abaixo da linha de água e em igualdade pontual, e com o Vila Meã, que ainda não está a salvo da descida. Para além do encontro com o Vila Real, o Aparecida joga ainda com Florgrade e Cinfães - duas das equipas que, em princípio, já não precisarão de pontos no momento das partidas - e com o Leça, que vai disparado para a Fase de Apuramento de Subida à Liga 3. Anadia ainda recebe o Gouveia, que será sempre uma oportunidade para pontuar, mas desloca-se a casa dos “aflitos” União de Lamas e Vila Meã e recebe ainda o Alpendorada. O Salgueiros, que está há oito jogos sem ganhar, joga com Florgrade, Cinfães e Alpendorada, todos à beira de garantir a permanência, e acaba em casa do União de Lamas, numa partida que poderá ser uma autêntica final para ambos os conjuntos. Nota ainda para o Vila Meã que, apesar de estar a quatro pontos dos lugares que levam à despromoção, já não vence desde 7 de dezembro, totalizando cinco derrotas e sete empates nos últimos 12 jogos. Na próxima jornada recebe o invicto Rebordosa, enfrenta depois o Gouveia e acaba com mais dois duelos com equipas em risco de descer, Vila Real e Anadia.
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