Festas de São Braz: “um progresso fora do normal”
Por estes dias, os habitantes da Quinta do Gato, em Santa Joana, Aveiro vivem a festa de São Braz. Uma festividade que há cerca de 20 anos cumpre o ritual de atirar rebuçados do alto da Capela de São Braz para os devotos. Apesar da tradição, a festa tem vindo a ganhar expressão e, neste momento, não são apenas os rebuçados que contribuem para atrair os aveirenses e forasteiros. A Ria foi procurar saber, afinal, qual é o segredo para o sucesso desta festividade.
Isabel Cunha Marques
JornalistaPara António Gonçalves e Manuel Oliveira, amigos há mais de 40 anos, a festa de São Braz começa com um copo de vinho tinto, durante a tarde, no Restaurante ‘São Brás’. Ambos vivem a 50 metros dali. “Para mim o pior é morar mesmo aqui encostado. A festa termina pela 1h00 e até às 4h00 o barulho continua…”, começa por contar, à Ria, António Gonçalves com uma gargalhada. Apesar de não ser natural de Santa Joana, António confidenciou que ganhou o gosto pela Festa de São Braz, desde os 18 anos, altura em que conheceu a sua esposa. “Eu fui obrigado a vir [por ela] … As festas não eram como agora. Isto agora tem uma proporção muito maior. Temos de elogiar os mordomos da festa, porque teve um progresso fora do normal. Para mim, a seguir a estas é o São Gonçalinho”, afirmou.
Ao contrário de António, Manuel Oliveira sempre viveu no lugar da Quinta do Gato e recorda-se de viver estas festas desde pequeno. “Antigamente atirava-se os foguetes, ia-se atrás das canas para tirar o fio e assim se passava. Não havia nada de rebuçados…. Rebuçados está bem está…. Vivia-se bem. Para mim era fabuloso e agora melhor”, recordou com um sorriso. Sobre o que mais gosta da festividade, Manuel realçou, com um especial brilho nos olhos, que tem um fascínio pelo “barulho dos músicos”. “Eu gosto de acompanhar as festas do Santoinho, mas aqui é melhor. É a minha terra”, exprimiu. Enquanto brindava com António, mais uma vez, realçava ainda à Ria que para o dia seguinte tinha já na sua casa “um presunto, muita cerveja e muito vinho” para oferecer aos mordomos. “É sempre uma alegria”, gracejou.
No largo da capela, enquanto o sino toca para a eucaristia, ouve-se, já ao fundo, um som estridente de um outro sino. É Décio Marques a chamar para o pão com chouriço que acabou de sair do forno a lenha. “Este toque do nosso sino significa a saída do pão”, conta-nos. Veio pela primeira vez à festa de São Braz, em trabalho, para angariar fundos para a Associação Centro Social e Cultural Nossa Senhora da Graça Quintãs. “Já trabalhamos [com o pão com chouriço] há 20 anos… Desde que foi realizado o Carnaval em Aveiro”, partilhou. Para esta festividade trouxe, pelo menos, 100 quilos de massa de pão que foi previamente preparada por uma padeira do Vale de Ílhavo. “A gente está preparada para a guerra (…) O segredo do pão com chouriço é a farinha que não pode ser qualquer uma, o chouriço e o amor que nós depositamos todos nele”, partilhou com um sorriso. À Ria prometeu ainda fazer as “delícias” dos festeiros [com o pão com chouriço] ao longo dos quatro dias.
São Braz tem a “melhor bifana do mundo”
Além do pão com chouriço, há um outro cheiro que se torna impossível não sentir naquele largo. Desta vez, é o cheiro das bifanas que estão a ser preparadas por dois elementos da mordomia e que já atraem forasteiros para as saborear. É o caso de David Antunes, um dos artistas responsáveis por abrilhantar a Festa de São Braz na primeira noite. “Esta malta é do melhor que há. Eles ganham-nos por isto, pelos rebuçados e depois pela melhor bifana do mundo. Ao bocado, enquanto estava a caminho [de Aveiro], vinha a dizer ao meu irmão que o melhor sítio para comer bifanas é aqui”, confidenciou. “Eu não sei o que têm de especial, mas se calhar também não quero saber… É o molho, mas há aqui qualquer coisa…”, exprimiu.
Este ano, a Mordomia de São Braz encomendou cerca de 400 quilos de bifanas para os quatro dias de festa. Em entrevista à Ria, Óscar Branco, juiz da mordomia referiu que o sucesso das bifanas foi por mera “coincidência” e “sorte”. “Antigamente, fazíamos um pernil, mas demorava muito tempo a servir… Era complicado e eram sempre filas. Então começamos a fazer bifanas. Este ano, temos um fornecedor de carne amigo (…) arranjamos carne de boa qualidade, bem cortada e bem temperada e agora é com os nossos cozinheiros da mordomia”, explicou com uma gargalhada. O segredo? Preferiu não revelá-lo à Ria.
Se por agora começam a ser as bifanas a fazer as tentações de quem procura esta festa, há também quem não abdique de a frequentar pela “chuva” de rebuçados de São Braz. Uma tradição com cerca de 20 anos em que os devotos se concentram junto à capela de São Braz para apanhar os rebuçados atirados pela mordomia, não fosse São Braz o padroeiro das dores de garganta. Este ano, foram prometidos pela mordomia cerca de 600 quilos. Óscar Branco recordou que a tradição começou com um grupo de amigos que concluiu o seu percurso académico na Universidade e que quis vir celebrar o feito até à Festa de São Braz. “Lembraram-se que queriam pôr as pessoas de gatas aqui no Lugar da Quinta do Gato… Então recordaram-se de atirar rebuçados de São Braz às pessoas (…) É por eles que isto acontece”, sublinhou, esperançando que quer que a tradição dure, pelo menos, mais “200 anos”.
“O segredo não são os rebuçados”
Independentemente das bifanas ou dos rebuçados de São Braz, a verdade é que a festa tem vindo a ganhar renome e atrai, todos os anos, cada vez mais pessoas. Para o juiz da mordomia “houve outros fatores” para o mesmo acontecer. “Em 2017, também como juiz desta festa reuni um grupo de amigos e é isso que fez toda a diferença. Nós demos muito da nossa vida para estar aqui. Nesse ano, decidimos colocar um toldo na rua para não chover e trazer artistas com algum nome nacional”, explicou. Um desses artistas foi Augusto Canário. “Ele era pouco conhecido em Aveiro e a partir daí começou a fazer muitos espetáculos cá (…) A seguir, foi só mais um bocadinho e, neste momento, temos uma festa com cabeças de cartaz em três dias”, continuou. “O segredo não são os rebuçados (…) A questão que está na base disto tudo é a nossa interajuda, gostarmos da nossa terra e fazermos uma festa para as pessoas virem cá”, recordou Óscar.
Entre as novidades do cartaz deste ano está a festividade ser apadrinhada por Augusto Canário. “Quando eu este ano voltei a assumir a festa a minha ideia foi fazer um revenge daquilo que aconteceu ao longo destes anos e convidar os artistas que vieram cá e que nos deixaram alguma coisa (…) [O Augusto Canário] já esteve connosco três ou quatro vezes e fala de nós por todo o lado onde vai, até porque ele acha que foi alvo de um milagre aqui no São Braz”, contou.
Sobre aquela que será a festa de São Braz em 2026, Óscar preferiu não adiantar, mas garantiu que a mordomia a procurará “melhorar” ainda mais, sempre numa perspetiva da festa de arraial. Sobre quem será o próximo juiz, Óscar Branco garantiu que passará a sua pasta, possivelmente, “ao seu irmão”. “Ainda não sabemos (…) Há sempre um suspense, mas daqui a um mês já deve haver uma decisão”, avançou.
A Festa de São Braz prossegue, este sábado, 1 de fevereiro, tendo como cabeça de cartaz o artista Zé Amaro que atuará, pelas 21h30. No domingo segue-se a atuação de Tiago Silva, pelas 15h00 e de Augusto Canário, pelas 21h30. No último dia, 3 de fevereiro, haverá a missa em honra de São Braz, pelas 19h00.
Recomendações
Aveiro: AM aprova GOP e Orçamento, mas oposição aponta “muita continuidade e muito pouca inovação”
A última sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Aveiro decorreu com apenas um ponto na Ordem de Trabalhos: “Apreciação e votação das Grandes Opções do Plano, Orçamento, Mapa de Pessoal e Mapa Anual Global Consolidado de Recrutamentos Autorizados 2026”. Na apresentação dos documentos, Luís Souto de Miranda, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, destacou a aposta no setor cultural, que, afirma, corresponde a “10%” do Orçamento, e na habitação, para onde diz estar previsto “30 vezes mais” do que no último ano. O autarca destaca, no campo da educação, a intenção de fazer avançar a EB 23 São Bernardo, que “está já a caminho do Tribunal de Contas”, as obras de ampliação do Conservatório de Música de Aveiro e a Escola Homem Cristo, bem como a aposta nas obras na Alumieira, em Leirinhas, em Sarrazola, em Esgueira e em Oliveirinha. Já na área da saúde, Luís Souto referiu-se à conclusão do Centro de Saúde de Nossa Senhora de Fátima, à reabilitação de outras unidades de saúde e à criação do programa “Aveiro em Movimento”, que junta também desporto e educação. O único partido representado na Assembleia que acabou por votar contra os documentos apresentados foi o Livre, que esteve presente pela primeira vez numa sessão do órgão. Recorde-se que Bruno Fonseca, deputado único do partido, ainda não tinha tomado posse por estar “em comissão de serviço oficial no estrangeiro”. Na sua intervenção, o representante do Livre falou de um “orçamento de fantasia” e considerou que o documento “desmente” o que constava do programa eleitoral da ‘Aliança com Aveiro’. Depois da promessa de um maior investimento na habitação, Bruno Fonseca afirma que a habitação representa “apenas 3% do esforço financeiro garantido”. “66% desse valor [11,5 milhões de euros, a verba prevista para o programa “Habitação Mais”] tem financiamento não definido, ou seja, está dependente de fundos externos”, aponta. Outra “grande falha” referida pelo deputado prende-se com a “emergência climática”. Segundo defende, “um orçamento que destina 1% à proteção do ambiente e que investe 40 vezes mais na construção de novas estradas do que na limpeza das nossas florestas não é verde, é cinzento”. Como Bruno Fonseca, também Diogo Gomes, da Iniciativa Liberal, critica que apenas sejam destinados “61 mil euros para resolver as alterações climáticas”. O mesmo deputado parabenizou a autarquia pela criação da “Aveiro Investe”, embora tenha pedido uma maior concretização sobre o que será a iniciativa. Da mesma forma, questionou o executivo municipal sobre a dimensão pensada para a nova piscina municipal, alertou para a necessidade de mais estacionamento em Esgueira, defendeu a implementação de políticas de redução de resíduos na autarquia, - e não “lutar pela redução dos valores da Taxa de Redução de Resíduos e das tarifas pagas da ERSUC”, como dizem os documentos – e perguntou se, conforme escrevem os documentos, a Câmara quer “valorizar o Rossio” ou “consertar a porcaria que lá está”. Mais tarde, no momento dedicado às respostas aos deputados, Luís Souto não se adiantou relativamente às dimensões da futura piscina municipal, mas disse que a CMA está a trabalhar “num modelo que pode ser surpreendente”. Apesar de não estar referido, o autarca concordou com as palavras do liberal e disse que o estacionamento em Esgueira está a ser tido em conta. Sobre a obra do Rossio, Luís Souto defendeu o trabalho dos anteriores executivos e disse que o largo está “esplêndido”, embora “precise de melhorias”. Cláudia Rocha, também da Iniciativa Liberal, criticou as Grandes Opções do Plano por estarem “sobredimensionadas” para aquele que é o Orçamento apresentado. Na sua ótica, as opções dos últimos executivos municipais têm levado a que “o Município esteja a acumular dívida escondida para o futuro”. O líder da bancada parlamentar do Chega, Armando Grave, também fala de “orçamentos gigantes” para uma “execução anémica”. Para o deputado, falta definir “prioridades claras” para a autarquia e o orçamento está excessivamente assente naquilo que foi herdado do passado. No que concerne a questões concretas, Armando Grave mencionou o projeto de expansão do Hospital de Aveiro, de que não se conhecem novidades. Rosa Aparício, do Partido Socialista, recorda que em 2024 foi lançado o concurso para o Hospital, mas que, desde aí, nos últimos Orçamentos de Estado não houve qualquer referência a investimento. Por “acreditar” que este executivo tem “algum peso junto do Governo”, a deputada questionou Luís Souto se já teve a oportunidade de interrogar o executivo liderado por Luís Montenegro sobre possíveis avanços neste processo. Recorde-se que, no lançamento da candidatura do presidente da Câmara, o primeiro-ministro disse esperar que, quando Luís Souto tomasse posse, o Hospital “já estivesse mesmo em fase de obra”. Como em relação ao Eixo Aveiro-Águeda, Luís Souto disse que o Hospital devia ser um tema para “unir” os aveirenses, independentemente da cor política. Nesse tema, o autarca sublinha que não cabe à CMA avançar com as obras e lembra que os últimos executivos disponibilizaram terrenos para que os “sucessivos Governos” pudessem avançar – algo que nunca aconteceu. Segundo explica, a Câmara Municipal está a fazer o que pode, que é manter conversas com as várias entidades para ter novidades sobre a “novela”, e diz que é a “litigância que está a atrasar” o processo. Ainda do lado dos socialistas, Fernando Nogueira deixou críticas à autarquia por não ter tido em conta os contributos do PS e também considerou que as GOP e o Orçamento para 2026 estão “carregadas de esqueletos” e que “quase não há propostas novas”. Nas suas palavras, os documentos são “reféns da iniciativa de quem os antecedeu” e transparecem “muita continuidade” e “pouca inovação”. Sobre a habitação – área que também mereceu muitas críticas de Catarina Feio, deputada do PS -, Fernando Nogueira criticou a intenção da Câmara Municipal de avançar com um estudo depois de já ter sido elaborada a Estratégia Local de Habitação. “Das duas, uma: ou a estratégia aprovada é má e mesmo assim o executivo diz que vai segui-la, ou a estratégia é boa e os estudos não prestam”, critica. Relativamente aos contributos dados para a construção dos documentos, Luís Souto desmentiu o deputado e garantiu que ideias dos socialistas foram consideradas, embora algumas tenham ficado de fora. A título de exemplo, o autarca aponta que a CMA não tenciona dar “500 euros a cada bebé” nascido em Aveiro porque, apesar de ser uma medida popular, “não resolve nada”. Na habitação, Rui Santos, vice-presidente da Câmara Municipal com o pelouro da Habitação, defendeu que há várias ideias plasmadas nas GOP e orçamento para a área: recuperar casas devolutas, criar uma bolsa de terrenos prontos a construir em todo o concelho ou envolver os privados com políticas que promovam que os seus ativos regressem ao mercado. Neste domínio, o vereador apontou o dedo ao PS por não ter apresentado propostas para a habitação e recusou subarrendar casas no mercado para dar resposta às listas de espera e aos pedidos de habitação social. Recorde-se que esta última era uma proposta defendida pela candidatura de Alberto Souto nas últimas eleições autárquicas. Os deputados do PSD e do CDS, que fizeram com que o Orçamento fosse aprovado, salientaram alguns dos que consideraram ser os méritos da documentação. Entre os destaques, está a prioridade dada à educação e o regresso da Feira de Artesanato da Região de Aveiro (FARAV), enaltecida pela centrista Ana Maria Oliveira, o estreitar de relações com a Universidade de Aveiro, referido pela deputada do CDS Carlota Braga, ou o estímulo ao investimento privado em residências universitárias, conforme apontou Leonardo Maio, deputado do PSD. Os sociais-democratas não deixaram, no entanto, de ter uma postura crítica sobre os documentos. Joaquim Marques, líder da bancada parlamentar do PSD, afirma que os documentos “padecem de algumas maleitas”, nomeadamente pela “dependência de projetos herdados” – o deputado nota mesmo que “podia haver mais iniciativas” – e pela “limitada explicitação de métricas de desempenho”. Cristina Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia de São Jacinto, alertou ainda para a importância de intervir nos transportes públicos, com especial atenção para os transportes marítimos, dada a natureza da freguesia a que preside. Na mesma senda, a autarca frisou que há terrenos em São Jacinto que “podiam ser usados para habitação a custos controlados”. Chamado a responder, Luís Souto disse acompanhar as preocupações da colega relativamente aos transportes, embora tenha salientado o investimento que já tem foi feito com o ferry ‘Salicórnia’. Finda a discussão, PS, IL e Chega abstiveram-se na votação e PSD e CDS votaram a favor. Bruno Fonseca foi o único a votar contra.
Luís Souto deverá avançar para a liderança da secção local do PSD-Aveiro
Recorde-se de que no dia em que Firmino Ferreira anunciou a sua candidatura, a Ria avançou também que Nelson Santos, atual presidente da Junta de Freguesia de Cacia, se encontrava no terreno a recolher apoios para uma eventual candidatura à liderança da secção local. Nas semanas seguintes, ambos intensificaram contactos junto de militantes e começaram a desenhar-se listas concorrentes. Do lado de Firmino Ferreira, apontavam-se como apoios relevantes Óscar Ratola, presidente da Junta de Freguesia de Santa Joana, e Leonardo Maio, atual presidente da JSD-Aveiro. Já do lado de Nelson Santos, ganhava particular relevância o apoio de Catarina Barreto, presidente da Junta de Freguesia de Aradas, que até então era considerada uma das principais aliadas de Firmino Ferreira no contexto local do partido. Este cenário de divisão iminente fez soar os alarmes na distrital de Aveiro do PSD. Segundo fontes do partido, várias figuras com responsabilidades distritais promoveram contactos informais nos últimos dias, alertando para os riscos de uma disputa interna num período ainda marcado pelo desgaste do recente processo autárquico. Nesse contexto, vários dirigentes terão apelado a Luís Souto para a importância de assumir a liderança da secção local como forma de desbloquear o impasse e evitar uma fratura exposta entre os presidentes de Junta de Freguesia do partido. Para além de figuras relevantes da distrital do partido, também Rui Santos, vice-presidente da Câmara Municipal de Aveiro, terá sublinhado junto de Luís Souto a necessidade de uma candidatura agregadora capaz de preservar a coesão interna do PSD-Aveiro. Nos bastidores do partido já é dado como garantido que Rui Santos pretende tratar da sua transferência de militante do concelho de Vagos para Aveiro, assumindo gradualmente uma posição de destaque na estrutura local do partido. De acordo com as mesmas fontes, Luís Souto deverá mesmo avançar para a liderança da secção local do PSD-Aveiro, sendo o anúncio esperado para os próximos dias. Nos bastidores do partido fala-se numa lista de consenso, na qual Firmino Ferreira e Nelson Santos deverão participar em lugares de destaque, sendo provável que Catarina Barreto mantenha o seu lugar como presidente da Mesa da Assembleia de Secção. Apesar de alguns militantes, ouvidos pela Ria, reconhecerem que esta poderá ser a melhor solução no imediato para o partido, outros manifestam reservas quanto à estabilidade interna do PSD-Aveiro nos próximos anos. No entendimento destes militantes, com a aproximação de novos ciclos eleitorais, nomeadamente legislativas e autárquicas, poderão reabrir-se disputas internas e novas movimentações políticas no momento de preparação das listas. Estas reservas são reforçadas pelo facto de Nelson Santos e Catarina Barreto se encontrarem no último mandato enquanto presidentes de Junta de Freguesia, mantendo, por isso, ambições políticas para o futuro. Entre estes autarcas do PSD no concelho de Aveiro existe a perceção de que o peso político que têm vindo a assumir - e o contributo eleitoral que representam - deve ser reconhecido pelo partido nos próximos processos de decisão interna. Nesse sentido, recordam recentes indicações do PSD para cargos relevantes, como a nomeação de José Ribau Esteves para a presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) ou a integração de Rogério Carlos no Conselho de Administração do Porto de Aveiro. Os autarcas esperam agora um tratamento semelhante, sublinhando que sempre estiveram ao lado do partido e defendendo que esse percurso deve ser tido em conta nas decisões futuras. As eleições na secção local do PSD-Aveiro estão marcadas para dia 28 de fevereiro e a Ria continuará a acompanhar todos os desenvolvimentos. A Ria tentou ainda contactar esta segunda-feira, 2 de fevereiro, Firmino Ferreira, Nelson Santos e Luís Souto de Miranda, mas até ao momento não obteve resposta.
Autarcas do Município de Aveiro perdem lugar no Conselho Diretivo da ANAFRE
O distrito de Aveiro será agora representado por André Vivas, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria de Lamas, no concelho de Santa Maria da Feira. A escolha sucede ao mandato de Ângela Almeida, que integrou o Conselho Diretivo da ANAFRE nos últimos quatro anos, depois de ter sido membro do Conselho Geral entre 2013 e 2021, enquanto presidente da Junta de Freguesia de Esgueira. Segundo fontes próximas do processo, Catarina Barreto, atual presidente da Junta de Freguesia de Aradas, realizou vários contactos nos dias que antecederam o congresso com o objetivo de ocupar a vaga até então preenchida por Ângela Almeida. Apesar dessas diligências, a opção do distrito recaiu sobre André Vivas, um jovem autarca que venceu recentemente as eleições em Santa Maria de Lamas com 77,33% dos votos, garantindo oito mandatos em nove na Assembleia de Freguesia. A saída dos autarcas do Município de Aveiro do Conselho Diretivo da ANAFRE surge pouco depois de um cenário semelhante se ter verificado no Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), realizado em dezembro do último ano, onde o concelho de Aveiro também deixou de estar representado no Conselho Diretivo, com a saída de José Ribau Esteves. Nesse caso, o desfecho era considerado previsível, atendendo a que Luís Souto se encontra no primeiro mandato enquanto presidente da Câmara Municipal de Aveiro. Tal como agora na ANAFRE, também na ANMP a escolha do distrito recaiu num autarca de Santa Maria da Feira, concretamente em Amadeu Albergaria, atual presidente da Câmara Municipal. Este duplo resultado reforça a leitura, feita nos meios políticos locais, de que Santa Maria da Feira assume atualmente um papel central no contexto autárquico e político do PSD no distrito de Aveiro, algo que vários autarcas associam ao facto de o presidente da distrital de Aveiro do PSD ser o ex-presidente da Câmara da Feira e atual secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. Apesar de não integrar o Conselho Diretivo, Catarina Barreto continuará a desempenhar funções no Conselho Geral da ANAFRE, órgão para o qual foi novamente eleita. Destaca-se ainda a eleição de Carolina Santos, presidente da Junta de Freguesia de Oliveirinha, como suplente da Mesa do Congresso. A encerrar um ciclo de doze anos na ANAFRE, Ângela Almeida, ex-presidente da Junta de Freguesia de Esgueira, recorreu às redes sociais para sublinhar o significado do seu percurso, escrevendo que encerra “um ciclo de doze anos de trabalho, dedicação e empenho em prol das Freguesias de Portugal”, levando consigo “o conhecimento do Portugal profundo, com todas as suas assimetrias, as pessoas e as amizades especiais”. A ex-autarca de Esgueira considerou ainda ter sido “uma honra representar o concelho e o distrito de Aveiro na Associação Nacional de Freguesias”, desejando sucesso aos novos órgãos eleitos e, em particular, a André Vivas, a quem cabe agora “a nobre missão de representar Aveiro no Conselho Diretivo”. No mesmo congresso, Catarina Barreto viu ser aprovada por aclamação, num universo de cerca de 1300 delegados, a moção que apresentou, defendendo uma Administração Pública mais eficiente, previsível e próxima das populações. A autarca de Aradas sublinhou o papel das freguesias enquanto nível de governação mais próximo dos cidadãos e propôs medidas como a revisão do Estatuto do Eleito Local, a dignificação do mandato, o reforço da proteção social e jurídica dos eleitos, programas de formação contínua, simplificação administrativa e um maior reforço institucional e cooperação multinível. Para Catarina Barreto, a aprovação desta moção responde à necessidade de garantir “mais condições humanas, materiais e jurídicas” às juntas de freguesia, permitindo fortalecer o poder local com “regras claras, processos simples e meios ajustados” e, assim, atrair cidadãos qualificados e reforçar a credibilidade das instituições locais.
Hospital de Aveiro com urgência de Ginecologia e Obstetrícia condicionada no fim de semana
No sábado, 31 de janeiro, o serviço estará condicionado no Hospital Infante Dom Pedro, em Aveiro, entre as 08:30 e as 24:00; no Hospital Santo André, em Leiria, entre as 00:00 e as 24:00; no Hospital São Francisco Xavier todo o dia; no Hospital Distrital de Santarém, entre as 00:00 e as 08:30, e no Hospital de Vila Franca de Xira, entre as 09:00 e as 21:00. Ainda no sábado três urgências de Pediatria vão funcionar de forma referenciada, atendendo apenas casos encaminhados pelo CODU/INEM. No Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, o serviço estará condicionado entre as 21:00 e as 24:00, no Hospital de Vila Franca de Xira, a urgência pediátrica funcionará de forma referenciada durante 24 horas, e no Hospital de Santa Maria Maior, em Barcelos, o serviço estará limitado entre as 00:00 e as 08:00 e novamente entre as 22:00 e as 24:00. Por sua vez, no domingo, 1 de fevereiro, as urgências de Obstetrícia e Ginecologia vão operar de forma referenciada no Hospital Santo André, em Leiria, durante 24 horas, no Hospital Infante Dom Pedro, em Aveiro, entre as 00:00 e as 08:30, e no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, ao longo de todo o dia. No mesmo dia, os serviços de urgência pediátrica vão estar condicionados no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, entre as 00:00 e as 09:00 e entre as 21:00 e as 24:00, no Hospital de Vila Franca de Xira, durante 24 horas, e no Hospital de Santa Maria Maior, em Barcelos, entre as 00:00 e as 08:00 e entre as 22:00 e as 24:00. De acordo com as escalas, estarão ainda encerradas as urgências de Ginecologia e Obstetrícia, no sábado, no Hospital São Bernardo, em Setúbal, e também a urgência básica do Hospital São Pedro Gonçalves Telmo, em Peniche, no distrito de Leiria. No domingo, prevê‑se o encerramento das urgências de Ginecologia e Obstetrícia dos hospitais de Setúbal e do Barreiro, bem como do Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa. Nesse dia, também estará fechada a urgência básica do Hospital São Pedro Gonçalves Telmo, em Peniche. As escalas disponibilizadas no portal do SNS indicam ainda que cerca de 127 serviços de urgência estarão abertos em todo o país durante o fim de semana, aos quais se juntam 33 urgências de Ginecologia e Obstetrícia a funcionar no âmbito do projeto piloto no sábado e 34 no domingo, implicando contacto prévio com a linha SNS 24. As autoridades de saúde recomendam que, antes de recorrer a uma urgência, a população contacte a Linha SNS 24 (808 24 24 24) para obter orientação adequada.
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Já na área da saúde, Luís Souto referiu-se à conclusão do Centro de Saúde de Nossa Senhora de Fátima, à reabilitação de outras unidades de saúde e à criação do programa “Aveiro em Movimento”, que junta também desporto e educação. O único partido representado na Assembleia que acabou por votar contra os documentos apresentados foi o Livre, que esteve presente pela primeira vez numa sessão do órgão. Recorde-se que Bruno Fonseca, deputado único do partido, ainda não tinha tomado posse por estar “em comissão de serviço oficial no estrangeiro”. Na sua intervenção, o representante do Livre falou de um “orçamento de fantasia” e considerou que o documento “desmente” o que constava do programa eleitoral da ‘Aliança com Aveiro’. Depois da promessa de um maior investimento na habitação, Bruno Fonseca afirma que a habitação representa “apenas 3% do esforço financeiro garantido”. “66% desse valor [11,5 milhões de euros, a verba prevista para o programa “Habitação Mais”] tem financiamento não definido, ou seja, está dependente de fundos externos”, aponta. Outra “grande falha” referida pelo deputado prende-se com a “emergência climática”. Segundo defende, “um orçamento que destina 1% à proteção do ambiente e que investe 40 vezes mais na construção de novas estradas do que na limpeza das nossas florestas não é verde, é cinzento”. Como Bruno Fonseca, também Diogo Gomes, da Iniciativa Liberal, critica que apenas sejam destinados “61 mil euros para resolver as alterações climáticas”. O mesmo deputado parabenizou a autarquia pela criação da “Aveiro Investe”, embora tenha pedido uma maior concretização sobre o que será a iniciativa. Da mesma forma, questionou o executivo municipal sobre a dimensão pensada para a nova piscina municipal, alertou para a necessidade de mais estacionamento em Esgueira, defendeu a implementação de políticas de redução de resíduos na autarquia, - e não “lutar pela redução dos valores da Taxa de Redução de Resíduos e das tarifas pagas da ERSUC”, como dizem os documentos – e perguntou se, conforme escrevem os documentos, a Câmara quer “valorizar o Rossio” ou “consertar a porcaria que lá está”. Mais tarde, no momento dedicado às respostas aos deputados, Luís Souto não se adiantou relativamente às dimensões da futura piscina municipal, mas disse que a CMA está a trabalhar “num modelo que pode ser surpreendente”. Apesar de não estar referido, o autarca concordou com as palavras do liberal e disse que o estacionamento em Esgueira está a ser tido em conta. Sobre a obra do Rossio, Luís Souto defendeu o trabalho dos anteriores executivos e disse que o largo está “esplêndido”, embora “precise de melhorias”. Cláudia Rocha, também da Iniciativa Liberal, criticou as Grandes Opções do Plano por estarem “sobredimensionadas” para aquele que é o Orçamento apresentado. Na sua ótica, as opções dos últimos executivos municipais têm levado a que “o Município esteja a acumular dívida escondida para o futuro”. O líder da bancada parlamentar do Chega, Armando Grave, também fala de “orçamentos gigantes” para uma “execução anémica”. Para o deputado, falta definir “prioridades claras” para a autarquia e o orçamento está excessivamente assente naquilo que foi herdado do passado. No que concerne a questões concretas, Armando Grave mencionou o projeto de expansão do Hospital de Aveiro, de que não se conhecem novidades. Rosa Aparício, do Partido Socialista, recorda que em 2024 foi lançado o concurso para o Hospital, mas que, desde aí, nos últimos Orçamentos de Estado não houve qualquer referência a investimento. Por “acreditar” que este executivo tem “algum peso junto do Governo”, a deputada questionou Luís Souto se já teve a oportunidade de interrogar o executivo liderado por Luís Montenegro sobre possíveis avanços neste processo. Recorde-se que, no lançamento da candidatura do presidente da Câmara, o primeiro-ministro disse esperar que, quando Luís Souto tomasse posse, o Hospital “já estivesse mesmo em fase de obra”. Como em relação ao Eixo Aveiro-Águeda, Luís Souto disse que o Hospital devia ser um tema para “unir” os aveirenses, independentemente da cor política. Nesse tema, o autarca sublinha que não cabe à CMA avançar com as obras e lembra que os últimos executivos disponibilizaram terrenos para que os “sucessivos Governos” pudessem avançar – algo que nunca aconteceu. Segundo explica, a Câmara Municipal está a fazer o que pode, que é manter conversas com as várias entidades para ter novidades sobre a “novela”, e diz que é a “litigância que está a atrasar” o processo. Ainda do lado dos socialistas, Fernando Nogueira deixou críticas à autarquia por não ter tido em conta os contributos do PS e também considerou que as GOP e o Orçamento para 2026 estão “carregadas de esqueletos” e que “quase não há propostas novas”. Nas suas palavras, os documentos são “reféns da iniciativa de quem os antecedeu” e transparecem “muita continuidade” e “pouca inovação”. Sobre a habitação – área que também mereceu muitas críticas de Catarina Feio, deputada do PS -, Fernando Nogueira criticou a intenção da Câmara Municipal de avançar com um estudo depois de já ter sido elaborada a Estratégia Local de Habitação. “Das duas, uma: ou a estratégia aprovada é má e mesmo assim o executivo diz que vai segui-la, ou a estratégia é boa e os estudos não prestam”, critica. Relativamente aos contributos dados para a construção dos documentos, Luís Souto desmentiu o deputado e garantiu que ideias dos socialistas foram consideradas, embora algumas tenham ficado de fora. A título de exemplo, o autarca aponta que a CMA não tenciona dar “500 euros a cada bebé” nascido em Aveiro porque, apesar de ser uma medida popular, “não resolve nada”. Na habitação, Rui Santos, vice-presidente da Câmara Municipal com o pelouro da Habitação, defendeu que há várias ideias plasmadas nas GOP e orçamento para a área: recuperar casas devolutas, criar uma bolsa de terrenos prontos a construir em todo o concelho ou envolver os privados com políticas que promovam que os seus ativos regressem ao mercado. Neste domínio, o vereador apontou o dedo ao PS por não ter apresentado propostas para a habitação e recusou subarrendar casas no mercado para dar resposta às listas de espera e aos pedidos de habitação social. Recorde-se que esta última era uma proposta defendida pela candidatura de Alberto Souto nas últimas eleições autárquicas. Os deputados do PSD e do CDS, que fizeram com que o Orçamento fosse aprovado, salientaram alguns dos que consideraram ser os méritos da documentação. Entre os destaques, está a prioridade dada à educação e o regresso da Feira de Artesanato da Região de Aveiro (FARAV), enaltecida pela centrista Ana Maria Oliveira, o estreitar de relações com a Universidade de Aveiro, referido pela deputada do CDS Carlota Braga, ou o estímulo ao investimento privado em residências universitárias, conforme apontou Leonardo Maio, deputado do PSD. Os sociais-democratas não deixaram, no entanto, de ter uma postura crítica sobre os documentos. Joaquim Marques, líder da bancada parlamentar do PSD, afirma que os documentos “padecem de algumas maleitas”, nomeadamente pela “dependência de projetos herdados” – o deputado nota mesmo que “podia haver mais iniciativas” – e pela “limitada explicitação de métricas de desempenho”. Cristina Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia de São Jacinto, alertou ainda para a importância de intervir nos transportes públicos, com especial atenção para os transportes marítimos, dada a natureza da freguesia a que preside. Na mesma senda, a autarca frisou que há terrenos em São Jacinto que “podiam ser usados para habitação a custos controlados”. Chamado a responder, Luís Souto disse acompanhar as preocupações da colega relativamente aos transportes, embora tenha salientado o investimento que já tem foi feito com o ferry ‘Salicórnia’. Finda a discussão, PS, IL e Chega abstiveram-se na votação e PSD e CDS votaram a favor. Bruno Fonseca foi o único a votar contra.
Luís Souto deverá avançar para a liderança da secção local do PSD-Aveiro
Recorde-se de que no dia em que Firmino Ferreira anunciou a sua candidatura, a Ria avançou também que Nelson Santos, atual presidente da Junta de Freguesia de Cacia, se encontrava no terreno a recolher apoios para uma eventual candidatura à liderança da secção local. Nas semanas seguintes, ambos intensificaram contactos junto de militantes e começaram a desenhar-se listas concorrentes. Do lado de Firmino Ferreira, apontavam-se como apoios relevantes Óscar Ratola, presidente da Junta de Freguesia de Santa Joana, e Leonardo Maio, atual presidente da JSD-Aveiro. Já do lado de Nelson Santos, ganhava particular relevância o apoio de Catarina Barreto, presidente da Junta de Freguesia de Aradas, que até então era considerada uma das principais aliadas de Firmino Ferreira no contexto local do partido. Este cenário de divisão iminente fez soar os alarmes na distrital de Aveiro do PSD. Segundo fontes do partido, várias figuras com responsabilidades distritais promoveram contactos informais nos últimos dias, alertando para os riscos de uma disputa interna num período ainda marcado pelo desgaste do recente processo autárquico. Nesse contexto, vários dirigentes terão apelado a Luís Souto para a importância de assumir a liderança da secção local como forma de desbloquear o impasse e evitar uma fratura exposta entre os presidentes de Junta de Freguesia do partido. Para além de figuras relevantes da distrital do partido, também Rui Santos, vice-presidente da Câmara Municipal de Aveiro, terá sublinhado junto de Luís Souto a necessidade de uma candidatura agregadora capaz de preservar a coesão interna do PSD-Aveiro. Nos bastidores do partido já é dado como garantido que Rui Santos pretende tratar da sua transferência de militante do concelho de Vagos para Aveiro, assumindo gradualmente uma posição de destaque na estrutura local do partido. De acordo com as mesmas fontes, Luís Souto deverá mesmo avançar para a liderança da secção local do PSD-Aveiro, sendo o anúncio esperado para os próximos dias. Nos bastidores do partido fala-se numa lista de consenso, na qual Firmino Ferreira e Nelson Santos deverão participar em lugares de destaque, sendo provável que Catarina Barreto mantenha o seu lugar como presidente da Mesa da Assembleia de Secção. Apesar de alguns militantes, ouvidos pela Ria, reconhecerem que esta poderá ser a melhor solução no imediato para o partido, outros manifestam reservas quanto à estabilidade interna do PSD-Aveiro nos próximos anos. No entendimento destes militantes, com a aproximação de novos ciclos eleitorais, nomeadamente legislativas e autárquicas, poderão reabrir-se disputas internas e novas movimentações políticas no momento de preparação das listas. Estas reservas são reforçadas pelo facto de Nelson Santos e Catarina Barreto se encontrarem no último mandato enquanto presidentes de Junta de Freguesia, mantendo, por isso, ambições políticas para o futuro. Entre estes autarcas do PSD no concelho de Aveiro existe a perceção de que o peso político que têm vindo a assumir - e o contributo eleitoral que representam - deve ser reconhecido pelo partido nos próximos processos de decisão interna. Nesse sentido, recordam recentes indicações do PSD para cargos relevantes, como a nomeação de José Ribau Esteves para a presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) ou a integração de Rogério Carlos no Conselho de Administração do Porto de Aveiro. Os autarcas esperam agora um tratamento semelhante, sublinhando que sempre estiveram ao lado do partido e defendendo que esse percurso deve ser tido em conta nas decisões futuras. As eleições na secção local do PSD-Aveiro estão marcadas para dia 28 de fevereiro e a Ria continuará a acompanhar todos os desenvolvimentos. A Ria tentou ainda contactar esta segunda-feira, 2 de fevereiro, Firmino Ferreira, Nelson Santos e Luís Souto de Miranda, mas até ao momento não obteve resposta.
Polimedicação em idosos pode aumentar “risco de iatrogenia”, revela estudo da UA
Numa nota enviada às redações, a UA começa por recordar que o envelhecimento da população é “uma das principais tendências demográficas em Portugal, resultado da diminuição da natalidade e do aumento da esperança média de vida”, trazendo novos desafios no sistema de saúde, nomeadamente, na população mais idosa. “Portugal apresenta o segundo índice de envelhecimento mais elevado da União Europeia, e muitos idosos têm condições de saúde complexas, estão sujeitos à polimedicação e a múltiplos tratamentos, o que aumenta o risco de doença iatrogénica [danos causados por cuidados de saúde ou pela medicação]”, aponta a responsável”, recorda Maria Teresa Herdeiro. Segundo a também coordenadora do projeto STOP-IATRO na UA, as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e outras orientações internacionais “não estão ainda a ser totalmente implementadas de forma eficaz pelos profissionais de saúde”. “O ideal seria que estas recomendações fossem integradas nas guidelines do Serviço Nacional de Saúde e nos protocolos institucionais, permitindo a sua aplicação na prática clínica”, sublinha, defendendo ainda a importância da formação contínua e do envolvimento de equipas multidisciplinares. De acordo com a investigadora, muitos destes eventos iatrogénicos são “conhecidos, estudados e podem ser evitados”. “Os profissionais de saúde de uma forma global estão despertos para a iatrogenia, nomeadamente medicamentosa, contudo, apontam a necessidade de instrumentos de avaliação do risco e do estado funcional dos idosos”, alerta a coordenadora do estudo”, refere. Na nota, a Universidade de Aveiro refere ainda que numa fase inicial participaram “64 profissionais de saúde”, tendo a maioria dos inquiridos “mais de dez anos de experiência profissional”. “Os resultados revelam lacunas ao nível do conhecimento das orientações internacionais. Cerca de 81 por cento dos profissionais desconhecem as recomendações da OMS para prevenir, retardar ou reverter o declínio das capacidades físicas e mentais dos idosos. Além disso, 84 por cento não conhecem recomendações publicadas para prevenir a perda de autonomia funcional durante o internamento hospitalar de pessoas idosas, e 82 por cento não utilizam escalas para avaliar o estado funcional dos doentes”, refere. Questionados ainda sobre o impacto da iatrogenia na perda de capacidade funcional dos idosos, uma “parte significativa dos participantes” considerou que a situação afeta uma “percentagem relevante dos doentes”. “Cerca de 34 por cento acredita que entre 11 e 25 por cento dos idosos sofre este tipo de declínio não explicável apenas pela sua condição clínica, enquanto 24 por cento dos participantes aponta valores entre 26 e 50 por cento”, continua. Já sobre a iatrogenia medicamentosa, “47 por cento dos profissionais considera que entre 11 e 30 por cento dos eventos iatrogénicos graves estão associados ao uso de alguns medicamentos, e 24 por cento acredita que estes representam entre 41 e 60 por cento dos eventos adversos”. “Uma parte significativa dos inquiridos reconhece ainda que muitos destes casos poderiam ser evitados: 41 por cento dos participantes considera que entre 41 e 60 por cento dos eventos relacionados com medicamentos são preveníveis, e 28 por cento estima que a mesma percentagem destes efeitos adversos pode implicar internamento hospitalar”, completa. Na nota, a UA destaca ainda que, apesar das lacunas identificadas, houve um dado positivo: “92 por cento dos profissionais mostraram-se disponíveis para participar em ações-piloto de boas práticas na prevenção e gestão da iatrogenia medicamentosa”. O trabalho inseriu-se no projeto STOP-IATRO, financiado pelo Interreg Sudoe e desenvolvido em parceria com instituições de Portugal, Espanha e França, com o objetivo de prevenir a iatrogenia na população idosa. Com base nestes resultados, a UA refere ainda que já foram “realizadas ações de formação utilizando a metodologia de workshops dirigidas a profissionais de saúde da Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro, envolvendo cerca de 80 participantes de diferentes áreas clínicas”. Ao longo deste ano, estão ainda previstas ações de sensibilização dirigidas à população em geral, “com foco na promoção da literacia em saúde e no envelhecimento saudável”. A investigação teve como objetivo avaliar o conhecimento dos profissionais de saúde sobre a iatrogenia e a sua prevenção, “permitindo identificar necessidades e apoiar o desenvolvimento de estratégias inovadoras para melhorar os cuidados prestados às pessoas mais velhas”.
Mau tempo: Sever do Vouga vigia caudal do Vouga para evitar cheias de 2019
“A barragem [de Ribeiradio] tem ainda bastante superfície para receber água e o nível do rio não está alto. Portanto, esperamos que nada aconteça”, disse à Lusa Pedro Lobo. O autarca referiu ainda que o município tem estado em contacto com a entidade gestora da barragem de Ribeiradio "para que haja um controlo nas descargas que consiga evitar o que se passou em 2019", quando ocorreu a maior cheia de sempre em Sever do Vouga, com a água a inundar casas e terrenos agrícolas. Segundo o presidente da Câmara, o principal problema do concelho é a pluviosidade, porque choveu muito, esperando-se ainda “dois dias de forte precipitação”. “O concelho tem acima de tudo bastantes derrocadas, muros caídos, estradas danificadas e passeios muito estragados”, referiu. Ao nível de habitações, Pedro Lobo disse que também há danos, nomeadamente em coberturas, mas não há situação de pessoas desalojadas. O Governo alargou no domingo a situação de calamidade a mais nove concelhos e prolongou a sua vigência até 08 de fevereiro, na sequência dos danos causados pela tempestade Kristin e do risco extremo de cheias nos próximos dias. Além dos 60 concelhos já abrangidos, passam a estar em situação de calamidade os municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Alcácer do Sal, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Ovar e Sever do Vouga.