Legislativas: Isabel Cristina Tavares (CDU) espera “inverter” resultados das últimas eleições
Isabel Cristina Tavares, operária têxtil, é a cabeça de lista da CDU (PCP-PEV) pelo círculo do distrito de Aveiro nas eleições legislativas que se realizam no dia 18 de maio.
Isabel Cunha Marques
JornalistaEm entrevista à Ria, Isabel Tavares confessou que “não esperava o convite” para ser cabeça de lista do partido. “Nas últimas legislativas, há um ano, eu fui a segunda da lista pelo círculo de Aveiro. Portanto, não esperava o convite, mas não foi surpreendente. Digamos que estou normalmente disponível para tarefas desta natureza, seja nas legislativas, seja nas autárquicas”, afirmou. “Tenho feito parte de diversas listas no distrito de Aveiro, inclusive nas últimas para o Parlamento Europeu também. Não foi uma surpresa, mas também não era algo que eu estivesse assim à espera”, confidenciou.
Isabel Cristina Tavares tem 54 anos, é operária têxtil e, atualmente, desempenha funções de Coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil, Vestuário, Calçado e Curtumes – Aveiro, Viseu e Guarda e da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Calçado e Peles de Portugal. É também membro da Comissão Executiva da Direção da União de Sindicatos de Aveiro e da Comissão Executiva do Conselho Nacional da CGTP-IN e do Comité Central do PCP.
Confrontada pela Ria com os resultados alcançados pelo partido nas últimas eleições legislativas, que ocorreram no ano passado, em que a coligação alcançou apenas “1.38% dos votos”, Isabel reforçou que o “distrito precisa mesmo de ter alguém que leve os problemas à Assembleia da República (AR) com rigor”. “Nós temos deputados eleitos do distrito na AR, mas o que constatamos é que os problemas da população e aquilo que são as necessidades do distrito ficam para segundo, terceiro, quarto plano e estão direcionados para outras áreas da economia, e enfim, não dão o devido valor àquilo que são de facto as necessidades do distrito e das populações na medida do tempo”, criticou.
Sobre os baixos resultados alcançados pelo partido, a cabeça de lista opinou que Aveiro é um “distrito muito complicado” por “assentar muito à direita”. “O PCP/CDU faz um trabalho de proximidade às populações, aos trabalhadores (…), mas é um trabalho difícil, porque nós não temos na comunicação social, salvo honrosas exceções como é a vossa, o tempo de antena que os outros têm”, lamentou. “Temos, neste momento, um problema muito sério, que as opiniões e as decisões fazem-se e tomam-se com aquilo que a comunicação social passa, e nem sempre a comunicação social tem passado a mensagem correta acerca do PCP”, continuou. Isabel Tavares realçou ainda que tem esperança de que nestas eleições “as coisas se invertam” para que “haja uma voz presente dos aveirenses naquele quadro de discussão que é de facto muito importante”.
Entre as principais preocupações apontadas no distrito de Aveiro, a cabeça de lista começou por referir a questão da habitação. “Nós temos aí muitos problemas do ponto de vista da habitação e uma ausência de resposta àquilo que são as necessidades. Se vamos para o centro da cidade, aquilo que vimos construir é um tipo de construção que não é para o comum trabalhador que ganha o salário mínimo nacional. São construções elitistas e que só chegam a quem tem dinheiro”, apontou. “Depois não há uma resposta social. Não há uma preocupação de construção de habitação a custos controlados ou arrendamento acessível (…) Não há nenhum trabalhador com os salários que ganha no distrito que consiga comprar um apartamento de 500 mil euros. Para conseguir um empréstimo na ordem dos 150 a 200 mil euros já tem de ter um salário razoável”, continuou.
Para Isabel Tavares também as “acessibilidades e os transportes” têm de ser tidos em conta no distrito. “Eu moro em Aveiro e trabalho habitualmente em São João da Madeira. Se quiser vir de Aveiro para São João da Madeira, de transporte público, tenho de sair de casa às 6h30 para chegar às 10h15 a São João da Madeira. E tenho de sair de São João da Madeira às 16h00 para chegar a minha casa às 19h15. Portanto, isto não é resposta”, frisou. A cabeça de lista sugere assim a necessidade de haver uma “interligação entre as várias cidades do distrito”. “Os trabalhadores movimentam-se e precisam de respostas em termos públicos. Mesmo dentro dos próprios concelhos há dificuldades dessa natureza. Não há aqui uma resposta efetiva a essas necessidades. Na ferrovia tivemos agora a remodelação da Linha do Vouga, mas há muito mais para fazer. Há que ajustar os apeadeiros e as estações às necessidades das populações”, reconheceu.
O emprego foi outra das preocupações apontadas. “O nosso distrito tem indústria e a malta olha para aquilo que são as condições de trabalho e os salários dos trabalhadores dos vários setores de atividade e há aqui uma preocupação crescente do ponto de vista daquilo que é o esmagamento dos salários (…). “É preciso ir mais longe e é preciso garantir trabalho estável e com rendimentos justos. Existe muita precariedade no distrito, continuamos a ter empresas que trabalham com base nos contratos com vínculo precário, ou seja, hoje o trabalhador tem garantia de que tem trabalho e salário e amanhã deixa de ter. Isto é uma instabilidade tremenda”, exemplificou.
Ainda no âmbito das propostas para Aveiro, Isabel Tavares propôs ainda a isenção total das portagens da A25. “Se falamos que há défice de resposta a nível público nos transportes, obviamente, que o recurso que as pessoas têm depois é a utilização do transporte próprio. Este acrescido de portagens coloca aqui dificuldades”, reconheceu. Já no campo da saúde, a cabeça de lista da CDU falou ainda sobre o aumento de resposta do “Hospital de Aveiro e de Santa Maria da Feira”. “Uma das nossas prioridades é exatamente poder haver aqui um aumento de resposta, não só nos hospitais como nos centros de saúde, de proximidade, a todos os aveirenses e a toda a população do distrito”, disse.
Como vem sendo habitual em ano de eleições legislativas, a CDU (PCP-PEV) promove este sábado, 12 de abril, uma apresentação dos candidatos às eleições legislativas, pelas 15h00, no Edifício Atlas Aveiro. O objetivo passa por dar a conhecer à população “as pessoas que compõem a lista da CDU e as caraterísticas de cada um dos elementos que compõem a lista para tomarem a decisão em consciência”. “A nossa lista é composta por pessoas sérias e honestas que trabalham em prol daquilo que é uma sociedade melhor, mais justa e mais solidária”, atentou a cabeça de lista.
Conheça aqui a lista da CDU (PCP-PEV) às eleições legislativas:
1. Isabel Cristina Tavares;
2. Justino Pereira;
3. Maria Miguel Sá;
4. João José Ferreira;
5. Dulce Carvalho;
6. Nuno Silva;
7. Leonor Xarrama;
8. João Canas;
9. Libânia Pires;
10. Julião Silva;
11. Ana Isaura;
12. Bernardo Santos;
13. Hélio Guilherme;
14. Ana Ferreira;
15. José Alves;
16. Maria Miguel
Suplentes:
1. Nuno Teixeira;
2. Vítor Januário;
3. Pilar Gomes;
4. Cláudia Barata;
5. Albino Silva
Mandatário:
Joana Dias
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