RÁDIO UNIVERSITÁRIA DE AVEIRO

Cidade

Simão Santana afirma que "decisão interna" do candidato do PSD à CMA será até ao "final do ano"

A cerca de um ano para as eleições autárquicas, previstas para 2025, no Município de Aveiro começam a fazer-se as primeiras apostas, estudam-se os melhores candidatos e surgem as primeiras “guerrilhas” entre os partidos. É, neste seguimento, que a Ria inicia um conjunto de entrevistas aos principais representantes de cada partido. O primeiro convidado é Simão Santana. Atual adjunto do presidente da Câmara Municipal de Aveiro e presidente da concelhia do PSD de Aveiro.

Simão Santana afirma que "decisão interna" do candidato do PSD à CMA será até ao "final do ano"
Isabel Cunha Marques

Isabel Cunha Marques

Jornalista
25 out 2024, 20:56

Em entrevista à Ria, Simão Santana admitiu que o PSD de Aveiro quer “continuar com este caminho de crescimento”, em 2025, com os atuais executivos da coligação “Aliança com Aveiro”, reafirmando uma ideia já transmitida por Ribau Esteves no 42.º Congresso Nacional do PSD que decorreu, em Braga, no último fim de semana.

Confrontado com o nome de Rogério Carlos, atual vice-presidente da Câmara Municipal de Aveiro, como o possível sucessor de Ribau Esteves na liderança da autarquia aveirense, tal como noticiado pela Ria, o presidente da concelhia preferiu não comentar. “Nós estamos num processo de escolha. Qualquer coisa que o líder do PSD Aveiro diga sobre esse assunto vai perturbar o processo e a última coisa que eu quero é perturbar o processo”, frisou.

Quanto ao nome de Silvério Regalado, ex-presidente da Câmara Municipal de Vagos [outro dos nomes apontados para a liderança da Câmara de Aveiro], Simão Santana aproveitou o momento para relembrar o percurso de José Ribau Esteves até chegar à liderança aveirense. “O facto do nosso presidente Ribau Esteves ter vindo da Câmara de Ílhavo para a Câmara de Aveiro não tem a ver, apenas e só, ou especialmente, pelo facto de ele ser presidente da Câmara de Ílhavo e Ílhavo ser muito próximo de Aveiro. Não! Se hoje formos a Ílhavo, ou se tivéssemos ido no passado, quem mais é que encontrávamos para presidente da Câmara de Aveiro? Eventualmente ninguém”, raciocinou. “O presidente Ribau Esteves foi apenas um fenómeno do ponto de vista político que tinha uma integração muito forte com os cidadãos de Aveiro e que o PSD Aveiro na altura - e muito bem - percebeu que estava ali uma oportunidade para dar a Aveiro outro futuro. E foi essa a equação... A equação não foi de proximidade geográfica”, relembrou.

Simão Santana considera “impossível” alargamento da coligação “Aliança com Aveiro” ao Chega e quanto à Iniciativa Liberal afirma que é uma possibilidade “muito remota”

Relativamente à data para avançar com o nome do candidato, o presidente da concelhia do PSD de Aveiro anunciou à Ria que a “data interna de decisão” ocorrerá até ao “final deste ano”. “No dia seguinte ao presidente Ribau Esteves sair da Câmara todos sabem o que têm que fazer, porque nós trabalhamos em equipa, coordenados, e na gestão dos processos a longo prazo”, atentou. Para Simão Santana a hipótese do nome não ser aprovado pela concelhia ou pela distrital do PSD não é sequer uma opção. “Naturalmente que o nome que irá a uma Comissão Política Concelhia, que irá a uma Comissão Política Distrital e que irá a uma Comissão Política Nacional será um nome que já está entre todos articulado e bem articulado. Não nos passaria pela cabeça estarmos a fazer isto sem, obviamente, irmos falando uns com os outros e perspetivando aquilo que podem ser as soluções para o futuro”, afirmou.

Sobre a opção de manter a coligação “Aliança com Aveiro”, Simão Santana assegurou que “a resposta é mais do que conhecida”. “Eu na altura da minha tomada de posse afirmei que a solução estava na manutenção da coligação ‘Aliança com Aveiro’ e mantemos o que dissemos”, afirmou. Quanto à coligação ser alargada a outros partidos, nomeadamente, à Iniciativa Liberal e ao Chega, o presidente da concelhia do PSD assegurou que, no primeiro caso, a possibilidade é “muito remota” e que no caso do Chega é “impossível”. “O partido Chega não acrescenta nada, absolutamente nada, àquilo que é o desenvolvimento do Município e isso não será possível”, frisou.

Sobre o balanço do mandato autárquico atual, o presidente da concelhia referiu que o mesmo é “claramente positivo”, “sendo que ele tem nos últimos 11 anos [período em que Ribau Esteves liderou a CMA] uma carga de desenvolvimento, de recuperação da Câmara, de aumento da qualidade de vida dos cidadãos muito forte e, portanto, essa é a marca final que fica e o balanço não poderia ser mais positivo”.

“Qual filho pródigo deixa as dívidas para os outros pagarem”

A Ria questionou ainda Simão Santana sobre o último comunicado do PSD de Aveiro dirigido ao PS de Aveiro em que o acusava da “pesada herança que o socialismo deixou” [período em que Alberto Souto de Miranda foi presidente da Câmara Municipal de Aveiro] onde o presidente da concelhia afirmou “qual filho pródigo deixa as dívidas para os outros pagarem e regressa no final desse tempo para dizer que afinal estava tudo muito bem, muito planeado”. Sobre o período em que Alberto Souto de Miranda liderou o Município de Aveiro, Simão Santana caraterizou-o como a “bancarrota absoluta”. “Aveiro estava muito mal classificada nos anuários de finanças públicas, tinha uma dívida brutal, tinha dívidas a mais de 1200 pessoas e empresas, não pagava às associações, não se relacionava com ninguém, não pagava faturas do dia a dia, tinha uma média de pagamento de faturas de 300 dias... Este foi o legado do Partido Socialista! Portanto, pegarem algo que foi mau, que foi penoso...”, descreveu.

Relativamente às críticas da oposição sobre o comboio de alta velocidade (TGV) não parar na cidade de Aveiro, o adjunto do município aveirense recordou que o “Dr. Alberto Souto (…) até se esqueceu do bem que fez a Aveiro, que é uma coisa que não dá para entender, porque Aveiro continuará a ter paragem e vai ter paragem de alta velocidade, nomeadamente o torço do TGV”.

A Ria questionou também Simão Santana quanto ao discurso de Luís Montenegro, no lançamento da primeira pedra para a construção do Hospital de Lisboa Oriental, onde excluiu a empreitada do hospital de Aveiro das “quatro prioridades do Governo” para esta legislatura. Para o presidente da concelhia a interpretação não está correta. “A interpretação correta, que eu faço das palavras do senhor primeiro-ministro, é que a ampliação e requalificação do Hospital de Aveiro teve início de concurso...”, avisou.

Recomendações

Câmara de Aveiro lança Workshops no âmbito do projeto europeu Future STEAM Cities
Cidade

Câmara de Aveiro lança Workshops no âmbito do projeto europeu Future STEAM Cities

A Câmara Municipal de Aveiro está a coordenar o projeto europeu “Future STEAM Cities”, que se encontra em execução e decorre até agosto de 2026, financiado no âmbito do programa URBACT IV. É neste enquadramento que surgem estas duas atividades piloto. A primeira atividade será um workshop de stop motion para famílias, a realizar na Casa da Cidadania, nos dias 28 de fevereiro e 7 de março, entre as 14h30 e as 17h00. Cada família será desafiada a criar um pequeno vídeo através da técnica de stop motion, representando um passeio em família pela cidade de Aveiro, passando por monumentos, espaços públicos ou locais icónicos, integrando elementos tradicionais como personagens locais, festas, gastronomia ou símbolos identitários. A atividade destina-se a famílias com crianças a partir dos 7 anos, estando as inscrições limitadas a seis famílias. A segunda atividade consiste numa formação de iniciação à programação destinada a pessoas com mais de 40 anos, promovendo a aquisição de competências digitais fundamentais num contexto acessível e prático, contribuindo para uma maior inclusão digital.

ADASCA assinala 19º aniversário amanhã e formaliza protocolos com AAUAv e CUFC
Cidade

ADASCA assinala 19º aniversário amanhã e formaliza protocolos com AAUAv e CUFC

Segundo uma nota enviada às redações, um dos protocolos será assinado com a Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), representada por Joana Regadas, presidente da direção da AAUAv, e um outro com o Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC), representado pelo padre Rui Jorge, diretor da CUFC. O objetivo, segundo explica o comunicado, passa por proporcionar “mais condições para os alunos da UA aderirem à dádiva de sangue”. A ADASCA adianta que, “por motivos da mudança de instalações” em 2025 registou uma “quebra substancial da presença de dadores” face às “dificuldades de estacionamento e, consequentemente relacionadas com as multas pela Polícia Municipal”. “A ADASCA realizou em 2025 cerca de 108 brigadas, destas resultaram 4825 previsões, dadores inscritos 3832, dadores aprovados 3033, não aprovados 799, num total de 3832”, refere. Na cerimónia de aniversário estão ainda confirmadas outras presenças como Lúcia Borges, diretora da Imunohemoterapia do Hospital de Aveiro, Artur Silva, vice-Reitor da UA ou Bruno Ferreira, presidente da União das Freguesias de Glória e Vera Cruz. A iniciativa contará ainda com bolo de aniversário, um aveiro de honra, entre outros aperitivos.

PCP acusa Câmara de Aveiro de isolar São Jacinto durante depressão Kristin, mas AveiroBus rejeita
Cidade

PCP acusa Câmara de Aveiro de isolar São Jacinto durante depressão Kristin, mas AveiroBus rejeita

Numa nota de imprensa enviada às redações, o PCP Aveiro refere que, durante a passagem da depressão Kristin, São Jacinto ficou “completamente isolada em transportes coletivos por responsabilidade da Câmara Municipal de Aveiro”. Segundo o partido, “o Ferry não navegou, as lanchas estiveram inoperacionais e pior, não circulou o transporte rodoviário entre Aveiro-S. Jacinto-Aveiro, apesar dos 60Km-60Km de distância”. No mesmo comunicado, o PCP considera “particularmente inaceitável” a inexistência de “transporte alternativo rodoviário, denominado ‘13’”. Trata-se, segundo o partido, de “uma decisão particularmente questionável, quando todos as outras freguesia e concelhos mantiveram a circulação de transporte”. Contactada pela Ria esta sexta-feira, fonte da AveiroBus rejeitou as acusações, admitindo apenas que “houve constrangimentos” em alguns períodos do dia. A mesma fonte assegurou ainda que existiu “sempre alternativa” quando o ferry não navegou. Questionado também sobre este assunto, a Câmara remeteu para a resposta dada pelo presidente da autarquia, Luís Souto Miranda, a um munícipe durante o período de participação dos cidadãos na reunião pública do executivo municipal, realizada na quinta-feira, sobre o funcionamento do ferry-boat Salicórnia. Na altura, o autarca reconheceu que o ferry “tem tido alguns problemas”, lembrando que a embarcação “tem limitações por questões de segurança a manobrar” em alturas de mau tempo. Ainda assim, admitiu que tem de haver uma melhoria na parte da comunicação, adiantando que já avisou o concessionário no sentido de a comunicação “ser muito clara e eficiente e [para que] as alternativas para quando o ferry não puder funcionar sejam de acordo com as necessidades daquela população”. Na nota de imprensa, o PCP Aveiro denuncia ainda a “situação de caos nos transportes públicos em São Jacinto”, recordando que o tema já foi discutido em sede de Assembleia Municipal. “Recordando cronologicamente o passado recente, desde agosto de 2023, verificam-se nos transportes para os utentes e habitantes de São Jacinto, sucessivos atrasos e cancelamentos. Passados 6 meses, em fevereiro de 2024, a situação agravou-se com a entrada em funcionamento do ferry-boat ‘Salicórnia’”, descreve. Segundo o PCP, a situação agrava-se “principalmente nos meses de época baixa, com grandes transtornos para a população”. “Atualmente, e em pleno Inverno, os mesmos constrangimentos fazem-se sentir. Os transportes não funcionam, seja por condições meteorológicas adversas ou pelas sucessivas avarias”, atira. “Apesar das estruturas de transporte fluvial, como o Ferry-Boat ‘Salicórnia’ e as duas lanchas de transporte, a ‘Dunas’ que serviu de propaganda eleitoral há mais de quatro anos, com um custo de cerca de 80.000€, nunca navegou e a lancha ‘Transria’ que apesar construída e pensada para as más condições temporais do canal da ria, incompreensivelmente não navega por falta de investimento”, continua o PCP. Por fim, o PCP Aveiro sublinha o sentimento de “abandono e desigualdade” vivido pela população de São Jacinto. “Independentemente da sua localização geográfica, todos os munícipes aveirenses têm direito de fruir de serviços públicos, nomeadamente, ao caso, à mobilidade”, insiste. “A maioria PSD/CDS na Câmara Municipal de Aveiro tem de assumir as suas responsabilidades e resolver este grave problema, que periga coesão económica e social do Concelho. O PCP, com a população, exige uma solução célere para estes graves problemas, que tornam impossível a mobilidade em São Jacinto”, remata a nota.

IL Aveiro acusa presidente da Câmara de Aveiro de usar “rótulos ofensivos”
Cidade

IL Aveiro acusa presidente da Câmara de Aveiro de usar “rótulos ofensivos”

Numa nota de imprensa enviada às redações, a IL Aveiro considera que a afirmação do autarca foi “desproporcionada, despropositada e politicamente reveladora”. Segundo o partido, as declarações surgem na sequência de duas situações concretas relacionadas com um problema vivido por um munícipe do concelho. De acordo com a IL, o cidadão em causa tem água a entrar na sua habitação através dos cabos de comunicações, “uma situação grave, objetiva e tecnicamente identificável”. No entanto, tanto o “fornecedor do serviço de água como o fornecedor do serviço de telecomunicações” terão recusado assumir responsabilidades, remetendo o problema de “entidade em entidade”, sem que tenha sido apresentada uma “solução efetiva”. Face a isto, a Iniciativa Liberal afirma ter apoiado a “legítima reivindicação de um munícipe que exige apenas que o problema seja resolvido”. “Importa ainda sublinhar que o cidadão expôs esta situação de forma educada, fundamentada e plenamente legítima, exercendo a cidadania de forma elevada, na Assembleia Municipal de Aveiro do passado dia 30 de janeiro”, explica. O partido refere, por fim, que não aceita “rótulos ofensivos como substituto do debate político sério”. “Defender cidadãos quando o sistema falha não é anarquismo. É exatamente o contrário: é exigir que as entidades com responsabilidades públicas cumpram o seu dever e resolvam problemas concretos da vida das pessoas”, insiste.

Últimas

Detido suspeito de esfaquear sexagenária na Murtosa com gravidade
Região

Detido suspeito de esfaquear sexagenária na Murtosa com gravidade

Em comunicado, a PJ esclareceu que o suspeito, que reside nas proximidades do local dos factos em investigação, atingiu a mulher com uma arma branca e um bastão em "partes vitais do corpo". As agressões "aconteceram sem qualquer razão aparente, imediatamente após a vítima ter aberto a porta de sua casa", adianta a PJ, acrescentando que o suspeito poderá ter atuado num quadro de um desequilíbrio psíquico momentâneo. "Acionados os meios de emergência médica, foi prestada pronta assistência à vitima, que foi reanimada e estabilizada no local antes de ser transportada para a unidade hospitalar mais próxima. Apresentava extensos ferimentos, nomeadamente perfurantes, em diversas partes do corpo", refere a mesma nota. A PJ refere ainda que apreendeu as armas utilizadas no crime. O detido vai ser presente a primeiro interrogatório judicial na comarca de Aveiro, para aplicação das adequadas medidas de coação.

Entrevista: Mariana Dixe traz “Obrigada por terem vindo” ao GrETUA para pensar o teatro “a brincar”
Universidade

Entrevista: Mariana Dixe traz “Obrigada por terem vindo” ao GrETUA para pensar o teatro “a brincar”

Encenado por Mariana Dixe e interpretado por Mariana Lobo Vaz, o monólogo “Obrigada por terem vindo” é, de acordo com uma nota de imprensa enviada à Ria pelo GrETUA, um espetáculo que “assume o fingimento como estratégia: finge não responder a nada, enquanto pensa em tudo” sobre a experiência teatral. Na antecâmara da passagem pelo GrETUA, Mariana Dixe - que também estará no próximo sábado, dia 14, a dar uma Oficina de Escrita no âmbito do Kit de Sobrevivência e de Criação Teatral do GrETUA - esteve à conversa com a Ria sobre o texto que agora apresenta. Rádio Universitária de Aveiro (Ria): A programação deste quadrimestre do GrETUA baseia-se um bocadinho na ideia de jogo. Daquilo que estive a pesquisar sobre esta peça que vão apresentar, parece que assenta quase que nem uma luva, não?  Mariana Dixe (MD): Sim, acho que sim. O jogo, se calhar, é um jogo diferente, um jogo mais metafórico, mas acho que o nosso espetáculo “Obrigada por terem vindo” tem muito do chamado jogo teatral, que, se calhar, mais do que jogar, também pode ser brincar. Nós usamos muitas referências da infância. Aliás, o cartaz do espetáculo são fotografias de toda a equipa nas primeiras infâncias, todos nós em pequeninos, porque o jogo do “faz de conta”, ou em inglês, ‘make-believe’ - que é uma expressão que eu ainda prefiro, fazer acreditar - esteve muito presente na criação do espetáculo. Eu acho que está muito presente também no espetáculo, porque nos interessa pensar o teatro, qual o papel que ele tem, porque é que eu fiz estes dois espetáculos, porque é que uma atriz sobe a cena para fazer um monólogo... mas pensar em teatro, sobretudo, com este caráter lúdico, de entretenimento (embora haja um preconceito com essa palavra no meio cultural) e de brincadeira, de jogo, de fazer teatral, de experimentar, de alguma liberdade, portanto, de fazer de conta e de fazer acreditar. Então sim, acho que este jogo encaixa que nem uma luva, acho que sim. Ria: Para além do “brincar” e do problematizar um bocadinho toda a ideia do teatro, há alguma intenção? Esta peça quer respostas? MD: Eu acho que ela lança mais perguntas para que cada elemento do público possa ter as suas próprias respostas. Depois nós temos sempre muito prazer em falar com as pessoas do público e perceber quais é que foram as respostas a que cada pessoa chegou. Mas ela não é uma resposta universal, nem nós tentamos que seja, nem nós temos a pretensão de achar que sabemos qual é a resposta certa. Eu disse ainda agora estas perguntas de «Porque é que o público vê espetáculos? Porque é que uma atriz sobe a palco para fazer um monólogo?», mas eu própria não sei a resposta para essas perguntas. Às vezes acho que sei, tenho uma teoria, mas passados uns meses a teoria já pode ser outra. Com este espetáculo também vou descobrindo novas possibilidades de resposta a essas questões. Eu acho que para nós também é mais divertido - e encaixa mais nessa ideia de jogo - lançar as perguntas e deixar que cada pergunta possa ter múltiplas respostas, que cada pessoa possa ter as suas e que isso depois também seja gerador de conversa pós-espectáculo, pós-evento, muitas vezes depois, pós-digressão. Então, mais do que responder, não deixa de ser uma intenção... mais a de fazer perguntas do que a de encontrar as respostas. Ria: Nós aqui estamos a falar deste “fingimento lúdico” - a expressão que tens usado - um bocadinho no abstrato. Como é que isto depois se concretiza quando estamos a ver a peça? MD: Olha, eu acho que para não fazer grandes spoilers, posso dar um exemplo do que acontece logo no início. A Mariana, que é a atriz do espetáculo, entra em cena dizendo que se chama Isabel, ou Leonor, já aconteceu as duas versões. Ela às vezes improvisa e pode ser uma das duas. Tem 45 anos e tem uma filha. Na verdade, o que nós queremos com essa proposta é que o público perceba que, no teatro, num lugar de palco onde essa proposta acontece, isso é possível, não é? Porque nós vemos constantemente atrizes a dizer que são Ofélia ou atores a dizer que são Hamlet, que vivem não sei onde e que fazem não sei o quê, e acreditamos, porque o pacto entre um espectador e um ator é esse, é o de acreditar. Portanto, logo, uns segundos a seguir, a Mariana diz «Ah, não. Eu chamo-me Mariana, tenho 27 anos, sou atriz e sou de Lisboa». Mas há qualquer coisa nesse jogo em que ela dizer a verdade é menos credível do que ela mentir e dizer que é a Isabel ou o Leonardo. E o público tende a ter essa desconfiança de «Ok, porque é que ela viria para aqui dizer a verdade? Isto é um palco, eu vou ver um espetáculo para ser enganado. Se eu quiser ouvir a verdade vou ao café ou vou ver um jornal». Então nós criamos todo o espetáculo a partir dessa premissa: “O que é que é verdade, mas tem um lugar num palco?; O que é que é mentira, mas também tem um lugar num palco?”. Porque enquanto fazíamos o processo de criação íamos encontrando a mentira na esfera pública, também na política, no jornalismo... E quisemos também de alguma maneira reivindicar o palco como um lugar em que a mentira possa ser lúdica e menos consequente, porque não estamos a enganar ninguém, nem a espalhar fake news. O público só acredita em nós até um determinado ponto, porque está dentro de uma caixa mágica que nos permite mentir. Então, o que é que pode ser verdade, o que é que pode ser mentira, e o que é que, mesmo sendo mentira, é mais credível porque dissemos a verdade antes? Ou, então, o que é que sendo perto da verdade para nós, é tão inverosímil que o público não acredita? Nós divertimos-nos muito com esse jogo de, depois, no final, tentar perceber o que é que as pessoas reconhecem como sendo verdade e de que é que as pessoas desconfiam. Lá no fundo nós sabemos que aquilo ou é verdade ou até poderia ser, mas as pessoas acham que não, e pronto, andamos sempre assim dentro dessas duas linhas... e a mesma coisa às vezes pode ser verdade e mentira, mas isso pronto, terão de ver o espetáculo para perceber que tipo de coisas são essas. Ria: Nas entrevistas que tens dado, tens dito que tentaste inverter um bocadinho a lógica do teatro. Portanto, em vez de começar pelo texto para depois ir para a cena, começas na cena para depois ir para o texto. Como é que se começa a desenhar o texto a partir de uma cena que não tinha texto ‘a priori’? MD: O “Obrigada por terem vindo” tem duas versões de texto, na verdade. Tem uma versão original, também escrita por mim, que foi publicada por uma companhia de teatro chamada “Lendas de Encantar”, numa coleção nova de dramaturgia portuguesa que eles lançam anualmente e onde eu fui colocada no oitavo volume. Depois, quando fui para a sala de ensaio com a Mariana [Lobo Vaz] e com a restante equipa, voltámos a esse texto como base, mas editámo-lo muito e construímos por cima dele. Ele está praticamente irreconhecível, porque, também neste jogo do verdade e mentira, interessava-me que muitas coisas fossem verdade para a própria equipa. Seria praticamente impossível ficarmos a trabalhar com um texto que tinha sido escrito há alguns anos, que eu tinha estado sozinha numa sala e depois a escrever só com a minha verdade, sem as perspetivas das várias pessoas em coletivo. Essa versão original que foi publicada surgiu precisamente, como dizes, de uma “verborreia” tida num palco e que depois foi transcrita para o papel. Basicamente, com essa intenção primária e única de saber se era possível inverter a ordem normal de escrever teatro, o desafio a que me propus foi ir para uma ‘black box’ vazia e, enfim, pôr um cronómetro para uma hora e durante esta hora falar, falar, falar e ter um telemóvel a gravar aquilo que eu ia dizendo. Eu tinha algumas ideias que sabia que queria abordar que, mais do que outra coisa, eram pensamentos que eu ia tendo ao longo dos dias e que achava que valia a pena guardar para dissecar mais tarde... mas não sabia se “mais tarde” ia ser uma conversa com amigos, num texto, sei lá, para um blog, ou se ia ser naquele lugar, naquele momento, que foi o que acabou por acontecer. E então, como acontece frequentemente, às vezes até no duche, quando estamos em silêncio, as ideias que temos tido nos últimos dias começam a aparecer todas de repente. Como eu ali estava em silêncio, sem estímulos, sem um telemóvel para fazer scroll ou sem o meu trabalho de escritório, as ideias que eu ia tendo nesses dias anteriores começaram a surgir e fui falando, falando, falando sobre elas. Quando cheguei umas horas depois a casa, ouvi a gravação e transcrevi o texto para papel, sendo o mais fiel possível àquelas que tinham sido as pausas, as hesitações, as correções do discurso oral, que às vezes tem falhas, e tentei mantê-las a todas. Foi esse texto que depois foi publicado. Agora, isso já não é exatamente assim, porque, como disse, esse texto foi reescrito e muito, muito editado. Foi editado também em sala de ensaios, a partir daquilo que a atriz, a Mariana Lobo Vaz, fazia em ensaio, em improvisação, das conversas que íamos tendo - não só com ela, como com a própria equipa - porque foi um processo muito coletivo. Portanto, o processo repete-se, porque continua a passar da realidade para o papel, mas agora de uma perspetiva mais de grupo e menos individual, como tinha sido a primeira. Mas, nos dois casos, isso acabou por ser verdade. Primeiro as coisas foram ditas e depois é que foram escritas. Ria: Este é um exercício que me parece, nesta primeira instância, nesta versão original, mesmo muito pessoal. Como é que isto deixa de ser pessoal para passar a ser um produto coletivo? MD: Olha, porque uma coisa que me interessa muito, como autora e como artista, é encontrar uma espécie de chão comum. Eu acredito, e tenho toda esta experiência no meu quotidiano, que não há muitas experiências que sejam verdadeiramente singulares. Claro que sim, claro que há coisas de outro mundo que só acontecem uma vez na vida, uma pessoa em cada mil, um milhão, leva com o raio. Aquelas coisas que se dizem do “arco da velha”, não é toda a gente que já levou com o raio. Aliás, o que ganhou o Euromilhões... dizem que é mais provável levar com o raio do que ganhar o Euromilhões. Claro que há estatística envolvida, mas há coisas muito do dia-a-dia que achamos que só nos acontecem a nós e que nos sentimos até às vezes solitárias por isso. Depois descobrimos que é uma experiência partilhada com muita gente, mas porque não falamos sobre essas coisas, elas acabam por nos deixar mais sozinhas do que realmente estamos. Então, na verdade, embora o primeiro texto fosse muito autobiográfico, esta versão não deixa de o ser, só que passa a ser tão autobiográfica para mim, como é para a Mariana, como é se calhar para outros elementos da equipa que se reconhecem naquilo que está escrito e que é dito em cena. Ao mesmo tempo, também se fosse possível encontrar pontos em comum entre as coisas que já estavam na primeira versão e as coisas que iam surgindo em equipa e até coisas que iam surgindo em referência... Sei lá, nós partilhávamos uma série que achávamos que tinha a ver com esta fronteira entre realidade e ficção e depois analisávamos essa série e encontrávamos coisas que já estavam lá na primeira versão, ou que já estavam nas nossas conversas em residência. Ou íamos ver um espetáculo todas juntas e havia pontos em comum, sem que ninguém pudesse prever, porque o espetáculo estava em criação exterior a nós e nós estávamos em criação exterior a esse espetáculo. De repente, dois artistas com geografias diferentes e percursos diferentes tinham ali raciocínios que se tocavam em determinados pontos, sem terem conversado sobre isso. Fomos encontrando esse chão comum e foram essas ideias que foram sendo preservadas até ao objeto final do espetáculo, porque eram aquelas com que mais nos identificávamos e que eram menos particulares, digamos assim, eram mais esse chão comum, mais partilhadas. Ria: A tua passagem pelo GrETUA não vai ser só aqui. Também vais estar presente a dar uma Oficina de Escrita no Kit de Sobrevivência e de Criação Teatral, onde, segundo a descrição, vais fazer exercícios de escrita criativa a partir da oralidade. Há um cruzamento aqui entre aquilo que foi a produção deste espetáculo e aquilo que tu vais também, de alguma forma, ensinar nesta oficina? MD: Sim, a ideia é mesmo essa. Nós na Maratona - Associação Cultural, que é a associação que eu co-fundei e co-dirijo com a Belisa Branças, que é quem produz o espetáculo, fazemos sempre atividades paralelas aos nossos espetáculos, que dialogam precisamente com os mecanismos de criação do próprio espetáculo. Neste caso em específico, a ideia é mesmo essa, vemos que o texto foi criado desta forma e a ideia é propor também que as pessoas que façam a oficina experimentem essa forma de o fazer. Com essa ordem invertida das coisas, primeiro dito e depois escrito, primeiro em cena e depois em papel. [A ideia é] também falarmos de uma autobiografia parcial, ou seja, as pessoas escrevem sobre si, mas escrevem em coletivo porque é uma oficina de grupo. Podem depois encontrar nas leituras e nas vozes das outras pessoas experiências comuns, que também são as suas. Espero que também seja possível, nessa oficina no dia 14, encontrar essas experiências partilhadas e ficarmos um bocadinho menos sozinhos no decorrer dessa partilha. Ria: Não sei qual é a tua experiência em Aveiro e com o público aveirense, mas quais é que são as tuas expectativas para o que vais encontrar aqui? MD: Eu tento criar o mínimo de expectativas possível, porque às vezes posso ficar desiludida ou, pelo contrário, ser surpreendida. Tento não criar grandes expectativas no que diz respeito ao público. Nós temos sempre a intenção de fazer um bom espetáculo, montá-lo, ensaiá-lo e apresentá-lo bem. Depois as pessoas lidarão como lidarem e terão a reação que tiverem. Eu gosto de que seja sempre uma surpresa. Assim, em particular, pela ligação do GrETUA à Universidade, pode aparecer, acho eu, como consequência disso, um público mais jovem. Tenho curiosidade de perceber como é que um público à partida mais jovem poderá relacionar-se mais ou menos com o espetáculo, mas é uma questão quase demográfica e não tanto de expectativa. Nós somos uma equipa jovem, uma associação emergente, então tenho curiosidade de perceber se as pessoas que vão assistir, por serem mais jovens, se relacionam mais ou menos, ou se nós já somos velhas demais para o público da Universidade. Diverte-me pensar assim nesse sentido, mas não tenho expectativas. Gostava muito que as pessoas aparecessem e fossem sinceras na sua opinião. O resto, pronto, nós cá estamos para ouvir qualquer reação que tenham. Os bilhetes para o espetáculo podem ser adquiridos aqui e têm um custo de seis euros para estudante e de oito euros para não estudante.

Câmara de Aveiro lança Workshops no âmbito do projeto europeu Future STEAM Cities
Cidade

Câmara de Aveiro lança Workshops no âmbito do projeto europeu Future STEAM Cities

A Câmara Municipal de Aveiro está a coordenar o projeto europeu “Future STEAM Cities”, que se encontra em execução e decorre até agosto de 2026, financiado no âmbito do programa URBACT IV. É neste enquadramento que surgem estas duas atividades piloto. A primeira atividade será um workshop de stop motion para famílias, a realizar na Casa da Cidadania, nos dias 28 de fevereiro e 7 de março, entre as 14h30 e as 17h00. Cada família será desafiada a criar um pequeno vídeo através da técnica de stop motion, representando um passeio em família pela cidade de Aveiro, passando por monumentos, espaços públicos ou locais icónicos, integrando elementos tradicionais como personagens locais, festas, gastronomia ou símbolos identitários. A atividade destina-se a famílias com crianças a partir dos 7 anos, estando as inscrições limitadas a seis famílias. A segunda atividade consiste numa formação de iniciação à programação destinada a pessoas com mais de 40 anos, promovendo a aquisição de competências digitais fundamentais num contexto acessível e prático, contribuindo para uma maior inclusão digital.

Mau tempo: Distrito de Aveiro com 63 estradas interditas ou condicionadas
Região

Mau tempo: Distrito de Aveiro com 63 estradas interditas ou condicionadas

De acordo com a última atualização feita hoje, às 08h30, pela GNR sobre o estado das vias rodoviárias no distrito de Aveiro, há 63 estradas, entre nacionais, regionais e municipais, interditas ou condicionadas devido a inundação, desmoronamento e abatimento do piso. Na terça-feira, na atualização da GNR feita às 16h00, o distrito de Aveiro tinha 65 estradas interditas ou condicionadas devido às condições meteorológicas adversas e aumento do caudal das linhas de água. Em Águeda, a GNR dá hoje conta da interdição devido a inundação da Rua da Pateira (Fermentelos), da Estrada do Campo (na zona de Espinhel e Recardães), da Rua Arquiteto Filomeno Rocha Carneiro (Borralha), da Rua Professor Dinis Pires (Travassô), da Estrada Municipal (EM) 230 (Eirol), da Praceta da Carapeteira (Assequins), da Rua Principal da Murta (Aguada de Baixo), da Rua do Passal (Espinhel), da Rua 5 de Outubro (Águeda), da Rua Caves (Aguada de Baixo), da Rua da Carapeteira (Águeda), da Rua do Campo (Segadães), a Rua Ponte da Barca (Serém), a Rua Manuel Marques (Macinhata do Vouga), a Rua do Carvalho (Trofa), e a EM577 (Fontinha). Ainda neste concelho estão interditas a Rua do Covão (Aguiar da Beira), e a Rua do Vale do Grou (Aguada de Cima), devido a desmoronamento. A circulação automóvel também está interrompida na EN16 (Pessegueiro do Vouga), devido a desmoronamento. Em Albergaria-a-Velha, segundo a GNR, estão cortadas a EN230-2 (Angeja) e a Rua do Jogo (Vale Maior), devido a inundação, e a M553 (Ribeira de Fráguas), devido a abatimento do piso. Em Oliveira de Azeméis, estão interditas a Rua de São Paio (Pinheiro da Bemposta), a Rua Ponte Medieval (Santiago Ribau-Ul) e a Rua do Cercal (Cucujães), devido a inundação. Em Ovar, a GNR dá conta da interdição da Avenida da Praia (Maceda), devido a desmoronamento, e da Rua de Baixo (Maceda), da Rua Estrada Nova (Maceda), da Rua Rio (Cortegaça) e da Rua do Bussaquinho (Esmoriz), devido a inundação. Em Estarreja, há várias ruas inundadas em Canelas (Rua da Estação, Rua General Artur Beirão e Estrada paralela à linha férrea - BIORIA) e em Avanca (Rua de Gonde, Rua da Várzea e a Rua dos Moinhos), estando ainda interditas a Rua do Vale (Fermelã), a Rua do Feiro (Salreu) e a Rua Manuel Marques Figueira (Antuã). Na Murtosa, mantêm-se cortadas ao trânsito a Rua Caminho das Remolhas (Bunheiro) e a Travessa Arrais Francisco Faustino (Torreira). Em Aveiro, estão cortadas devido a inundação a EN230 (Eixo), a Rua Direita e a Rua da Pateira, em Requeixo, a Rua da Valsa (Eixo) e a Rua Marquês de Pombal em Cacia e, em Ílhavo, está cortada a Rua do Sul (Gafanha de Aquém). Mais a sul, em Anadia, estão interditas a EN235 (Vila Nova de Monsarros), a Rua do Cértima (Mogofores), a Rua da Várzea (Arcos), a Avenida das Laranjeiras (Alféolas), a Rua São Simão (São Lourenço do Bairro), a Rua Costa do Casal (Avelãs de Caminho), a Estrada Real (São João da Azenha), a Rua de Sangalhos (São João da Azenha) e a Avenida dos Áceres (Curia), devido a inundação. Em Oliveira do Bairro, devido a inundação não é possível circular na Rua Escola C+S (Oiã), na Rua do Ortigal, na Rua da Passagem de Nível e na Rua da Bunheira de Vila Verde. A GNR refere ainda a existência de condicionamentos de trânsito no Itinerário Complementar (IC) 2, ao quilómetro 239, sentido norte/sul, em Águeda, devido a desmoronamento, e na EN109 ao quilómetro 45, em Estarreja, devido a inundação. Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas. O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.