UA: Maioria dos novos alunos de medicina são do Norte
Apenas “dez” dos 40 novos alunos de medicina, na Universidade de Aveiro (UA), são da região de Aveiro. Firmino Machado, diretor do Mestrado Integrado em Medicina, defende, em entrevista à Ria, que o “fenómeno demográfico” se deve à “irreverência” do curso.
Isabel Cunha Marques
JornalistaÚltimas
Francisca Lopes foi uma das 40 estudantes que escolheu a Universidade de Aveiro, como primeira opção, para embarcar no curso de medicina. Diretamente dos Estados Unidos, a jovem de 19 anos, chegou há cerca de um ano a Portugal por influência do pai português. Escolheu a UA, mesmo sem conhecer a cidade de Aveiro, por ter lido que “era uma Universidade muito boa”. “Eu só cheguei à Aveiro, na passada sexta-feira. Do que vi é uma cidade muito gira. Escolhi o curso de medicina cá [UA] porque tinha poucos alunos e achei o plano curricular muito prático”, realçou Francisca.
A jovem de 19 anos descreve a entrada na UA como um “sonho” tornado realidade. “Lembro-me que quando saíram as colocações eu nem me acreditei… Quero ser médica desde miúda”, partilhou.
À parte de Francisca, apenas “dez estudantes” do curso de medicina são realmente da região de Aveiro. A informação foi partilhada por Artur Silva, vice-reitor da Universidade de Aveiro, na sessão de abertura do curso. “A maioria [estudantes] é da região do Porto, nomeadamente, de Gaia, Espinho, Maia, Vila do Conde, entre outras. Menos representadas estão, entre os exemplos, as cidades de Coimbra, Santarém, Bragança, Lamego, Tomar e Madeira”, apontou.
Firmino Machado, diretor do Mestrado Integrado em Medicina, justificou este “fenómeno demográfico” com base na “irreverência” do curso. “Isto só mostra que nos afirmamos como uma Universidade e como um curso diferenciador. Fomos a quarta universidade, com a média mais alta, a nível nacional. Ficamos à frente de outras escolas como a Universidade de Coimbra e a Universidade de Lisboa”, realçou. “Isso evidencia que os estudantes não querem só tirar um curso de medicina. Querem mais”, reforçou.
Com o sentimento de que “estamos a construir os médicos do futuro”, o diretor do Mestrado Integrado em Medicina partilhou que espera que os novos alunos saiam da UA com capacidades “não só para resolver os desafios atuais, mas também para resolver os desafios futuros”. “Espero que os nossos estudantes perguntem o porquê, que sejam irreverentes e que tenham a capacidade para fazer amizades e ligações com pessoas que habitualmente não iriam conhecer para apresentar o que há de melhor aos seus utentes”, confidenciou.
Além das aulas na UA, os alunos do curso de Mestrado Integrado em Medicina terão orientação tutorial clínica que vai dividir-se por três Unidades Locais de Saúde (ULS), designadamente a ULS Região de Aveiro, a ULS Entre-Douro-e-Vouga e a ULS Gaia/Espinho, no âmbito do Centro Académico Clínico Egas Moniz Health Aliance.
Depois duma primeira experiência falhada, no ano letivo 2011/2012, em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, a Universidade de Aveiro volta assim a ter um curso de medicina, desta vez, inteiramente lecionado por si.
Últimas
Recomendações
Nave ‘Caixa UA’: Artur Silva quer “rentabilizar” espaço e defende retirada das máquinas de ginásio
Em entrevista à Ria, Artur Silva, reitor da Universidade de Aveiro (UA), defendeu uma maior “rentabilização” da Nave ‘Caixa UA’, com mais eventos “científicos, académicos, desportivos e culturais”. Para o responsável, é necessário retirar as máquinas de ginásio do equipamento para “dar outra versatilidade à Nave”.
Estudantes da Universidade de Aveiro desenvolvem drone autónomo para missões humanitárias
Um grupo de estudantes da Universidade de Aveiro (UA) está a desenvolver um drone autónomo capaz de transportar água para o combate a incêndios ou entregar medicamentos em zonas de difícil acesso, anunciou, esta quinta-feira, a universidade, de acordo com a Agência Lusa.
Artur Silva acredita que novas residências privadas podem beneficiar a Universidade de Aveiro
Artur Silva, reitor da Universidade de Aveiro (UA), defendeu, em entrevista à Ria, que a construção das novas residências privadas em frente ao Hospital de Aveiro podem trazer benefícios para a instituição. Consciente de que o valor dos quartos não será tão acessível como o das residências dos Serviços de Ação Social (SAS) da Universidade, o responsável lembra que o edifício "vai contribuir para haver mais oferta na cidade” e que pode servir também investigadores visitantes.
Joana Regadas associa-se a grupo de jovens que pede a reabertura do debate da regionalização
Meio ano depois da tempestade Kristin, foi divulgado na passada semana um manifesto subscrito por 25 jovens que defendem que se deve “reabrir formalmente o debate nacional sobre a regionalização”. Entre os subscritores está Joana Regadas, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), que acredita que o processo de regionalização colmataria “a falta de oportunidades iguais em todo o país”.