Oitava demissão abala PSD-Aveiro: Carla Almeida Luís abandona cargos na estrutura local e em Aradas
Carla Almeida Luís era suplente na lista inicial liderada por Simão Santana, mas tinha entretanto subido à condição de vogal depois das primeiras demissões no partido, na sequência da escolha de Luís Souto como candidato à Câmara Municipal de Aveiro (CMA). A sua demissão segue-se às saídas de Simão Santana, Rogério Carlos, Paulo Páscoa, Rui Félix Duarte, Ângela Almeida e Bruno Costa, todos da Comissão Política, bem como de Ribau Esteves, que se afastou da Mesa da Assembleia de Secção. Em comunicado enviado à redação da Ria - Rádio Universitária de Aveiro, Carla Almeida Luís justificou a sua saída com a perda de valores que considera fundamentais na atuação do partido. “Deixámos de nos reger pelos princípios da Social Democracia na prática de uma política séria, transparente, rigorosa, respeitosa, útil e focada no bem de Aveiro, dos Aveirenses e dos Portugueses”, escreveu. No mesmo comunicado, a agora ex-dirigente criticou a forma como as decisões da estrutura têm sido desrespeitadas e como informações internas têm sido divulgadas para o exterior, colocando o partido numa situação de fragilidade e “chacota”. Carla Almeida Luís também anunciou a sua renúncia ao cargo de membro da Assembleia de Freguesia de Aradas, reforçando que a sua visão da política é de “um instrumento para fazer o bem e não para catapultar egos, humilhando quem está sem procurar privilégios”. No final da sua mensagem, deixou palavras de agradecimento a Ribau Esteves, Simão Santana e Ângela Almeida, elogiando o seu contributo para a estrutura do PSD em Aveiro. A direção do PSD-Aveiro ainda não se pronunciou sobre os últimos acontecimentos, depois da integração de Firmino Ferreira na lista de deputados do PSD pelo círculo de Aveiro. No entanto, este é mais um episódio a agravar a instabilidade interna da secção concelhia, que continua a perder dirigentes e a enfrentar um clima de contestação interna crescente.
Entrada de Firmino Ferreira na lista de deputados do PSD resulta na demissão de Bruno Costa
Em declarações à Ria, Bruno Costa confirma que a sua decisão se prende com o facto de ser Firmino Ferreira o candidato a deputado por Aveiro, contrariamente à decisão que tinha sido tomada em sede de concelhia. “Previamente eram definidas as orientações, deixou de ser assim. Nos últimos tempos passamos a ser informados à posteriori apenas: e para estar apenas a ser uma caixa de ressonância daquilo que alguém decide, não sou necessário e não estou”, refere Bruno Costa. “Ontem a decisão tinha sido de orientar para Ângela Almeida e soubemos por vocês [comunicação social] que quem ia na lista era Firmino Ferreira”, frisa. “A indicação de Luís Souto para mim não é a questão, é a questão do processo”, repara Bruno Costa que utiliza o anúncio da candidatura de Cristina Gonçalves, atual tesoureira da Junta de Freguesia de São Jacinto a presidente de Junta, como um outro exemplo. “Fomos informados”, repara. Bruno Costa exerce funções como secretário da Comissão Política do PSD de Aveiro desde 2022. Em nota enviada às redações Bruno Costa afirma acreditar “que em Democracia, as decisões são participadas, partilhadas e aceites quando tomadas pela maioria. Que os órgãos eleitos existem sem ser caixas de ressonância das suas lideranças, que existe meritocracia. Acredito que os Partidos ainda são a base fundamental de todo o sistema democrático, que ninguém vence eleições sozinho, que ninguém se promove sem ter equipa a apoiar!”. O secretário demissionário garante, no entanto, não se demitir da “participação cívica, da minha opinião, como da oposição à candidatura liderada por Alberto Souto, tal como há 20 anos”. “Vou continuar vigilante, por Aveiro e com Aveiro!”, aponta. Com a demissão de Bruno Costa sobe para sete o número total de demissões no PSD-Aveiro. Tendo em conta que a lista era constituída por um total de 5 suplentes, não será agora possível substituir o secretário do órgão.
Sexta demissão no PSD-Aveiro: Ângela Almeida demite-se da vice-presidência
A decisão surge após a recente investigação, no seguimento de uma denúncia anónima, que revelou que Ângela Almeida se apresentava como licenciada pela Universidade de Aveiro, informação que foi desmentida pela própria Instituição de Ensino Superior. Simultaneamente, foi ontem anunciada a lista de deputados do PSD pelo círculo de Aveiro, onde se ficou a saber que a também presidente da Junta de Freguesia de Esgueira foi afastada da lista, sendo substituída por Firmino Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de Oliveirinha e atual presidente do PSD-Aveiro, que ocupará o 11.º lugar. A saída de Ângela Almeida agrava ainda mais a instabilidade interna do PSD-Aveiro, que já tinha sido abalada por uma série de demissões na sequência da escolha unilateral de Luís Souto de Miranda, pela direção nacional do partido, como candidato do partido à Câmara Municipal de Aveiro. Recorde-se que, nessa altura, apresentaram a sua demissão Simão Santana, presidente da Comissão Política de Secção, assim como Rogério Carlos, Paulo Páscoa e Rui Félix Duarte, vogais do mesmo órgão, e ainda Ribau Esteves, que presidia à Assembleia de Secção. Com esta nova demissão, o PSD-Aveiro vê-se numa situação crítica. De acordo com o artigo 17.º do Regulamento Eleitoral do PSD, sempre que o presidente e os vice-presidentes da Comissão Política, ou a maioria dos membros efetivos, se demitam e as vagas não possam ser preenchidas por suplentes, são convocadas novas eleições. O órgão é composto por 13 membros efetivos e 5 suplentes, sendo que, após a saída de Ângela Almeida e assim que se proceda à sua substituição, já não há mais suplentes disponíveis para preencher novas vacaturas existentes, o que pode obrigar à realização de um novo ato eleitoral se surgirem novas demissões. A direção local do PSD ainda não se pronunciou oficialmente sobre o futuro imediato da Comissão Política de Secção, mas a Ria sabe que foi convocada uma reunião de emergência para esta quinta-feira, 27 de março, para definir os próximos passos do partido em Aveiro.
Últimas
UNIVERSIDADE
UA: Novo laboratório no DQ permite “formas de ensino mais desafiantes e mais inovadoras”
Presente na inauguração, Paulo Jorge Ferreira, reitor da UA, alertou, ao longo do seu discurso, para os “potenciais benefícios da sustentabilidade” nas empresas de fileira alimentar ao trabalharem em conjunto com a Universidade. “Acho que a presença do conhecimento da ciência junto de qualquer cadeia de valortem sempre potenciais benefícios de sustentabilidade.Todas partem de uma matéria-prima e produzem algo que se atreve. O processo consome água, energia, recursos e gera muitas vezes subprodutos. Subprodutos podem ser cascas (…) e que são encarados como lixo. As empresas que lidam com essas cadeias de valor, muitas vezes, não têm nenhum interesse, nem capacidade de inovação, para lhes destinar novos recursos. Uma universidade, um centro de investigação, pode muito bem fazer isso. Pode determinar que numa área longe da área do negócio principal da empresa há possibilidades de aplicação daqueles subprodutos (…)”, relembrou. A isto, Paulo Jorge Ferreira juntou ainda um “segundo ingrediente” na qual as universidades são “úteis” para estas empresas, nomeadamente, através da “pequena qualificação” dos trabalhadores. “Estas cadeias de valor mercê das grandes alterações tecnológicas (…) têm várias novas áreas de negócio e têm, por vezes, necessidade de qualificar pessoas. E as soluções tradicionais, fazer mais um mestrado, fazer mais uma pós-graduação, muitas vezes, não são viáveis (…)”, notou. “A UA tem hoje programas de qualificação destinados exatamente a esse problema. Cursos de curta duração, carteiras de microcredenciais, através das quais uma empresa pode requalificar progressivamente (…) os seus trabalhadores”, disse. Armando Silvestre, diretor do DQ, foi de encontro a esta ideia e frisou também a importância deste novo laboratório dar resposta a esta “necessidade de formação ao longo da vida, para além dos três ciclos de formação clássico”. “É esta a motivação, é este o contexto que nos traz aqui, aplicado a uma área muito específica, a área alimentar, onde, efetivamente, a formação e a inovação são absolutamente fundamentais”, assegurou. “Para criarmos estas ofertas formativas e as condições que necessitamos, muitas vezes, é necessário mais do que boa vontade e, nesse aspeto, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e, em particular, o projeto Aveiro Education and Social Alliance foi uma oportunidade e um momento único para criarmos o curso de especialização em “Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Alimentares”. Construímos uma oferta que responde à necessidade de formação contínua, que foi identificada pelos nossos parceiros empresariais (…) de nos dotarmos de um espaço de formação para experimentação e para aulas modernas, que permita implementar essas formas de ensino mais desafiantes e mais inovadoras”, continuou. Na sessão, Sílvia Rocha, diretora do curso em Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Alimentares, aproveitou ainda para apresentar o plano curricular da formação, que arrancou no ano passado, mostrando-se “satisfeita” com os números da primeira edição. “No primeiro ano, propusemos a previsão de 13 estudantes (…) e tivemos um total de 103 candidaturas, 95 elegíveis e 45 matriculados (…) Porquê [só 45 matriculados]? Em Aveiro estamos bem localizados, mas a verdade é que temos muitas grandes empresas na área alimentar que estão afastadas daqui”, referiu. Assim, entre as principais mudanças desta segunda edição a diretora do curso anunciou que a formação estará disponível, este ano, também em regime b-learning. “Claro que é muito mais enriquecedor se estiver no sistema presencial, mas neste momento nós temos uma sala equipada para ter todas as condições e para ter aulas de qualidade à distância”, garantiu. Também as habilitações necessárias foram alargadas. “Na primeira edição, fomos talvez muito restritivos e eram só licenciados em Bioquímica, Biotecnologia e áreas afins”, continuou. “Neste momento, já temos as condições que nós gostaríamos. Temos realmente um laboratório que permite ter aulas de uma forma muito dinâmica e que tem equipamentos que permitem a experimentação. Ainda vamos adquirir pelo menos mais dois equipamentos que achamos que são fundamentais nesta fase na área da inovação alimentar”, finalizou Sílvia Rocha. Recorde-se que as candidaturas para esta formação especializada abrem no dia 1 de abril e encerram no dia 21 do mesmo mês. O edital pode ser consultado aqui. Após os discursos, seguiu-se uma mesa-redonda com o tema “Inovação na fileira alimentar: desafios atuais e oportunidades na perspetiva de diferentes players" que contou com a presença de Deolinda Silva, diretora executiva da PortugalFoods; Marlos Silva, director of R&D and Incentives Department, leading the team who manages a portfolio of R&D projects mainly in Digital Transformation, Food Innovation, Sustainability, Automation & Robotics and Clean Energy, da SONAE; Natacha Fontes, gestora I&D|R&D Manager, da Sogrape e Ana Tasso Rosa, ex-estudante de licenciatura e de mestrado do DQ, R&DI diretor da Casa Mendes e Gonçalves. O evento terminou com uma visita inaugural ao laboratório de inovação e experimentação alimentar e com um momento de brinde partilhado. O laboratório de inovação e experimentação alimentar e o novo curso de especialização foram financiados por verbas dos investimentos Incentivo Adultos e Impulso Jovens STEAM do Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal (PRR).
AAUAv organizou uma manifestação simbólica que alerta para os custos do alojamento
No âmbito da programação da AAUAv relativa à celebração do Dia Nacional do Estudante 2025, a associação colocou uma cama em frente ao Edifício Central e da Reitoria com o objetivo de alertar para o acesso ao alojamento estudantil. Os preços praticados são para Joana Regadas, presidente da direção da AAUAv, “o maior entrave ao acesso ao Ensino Superior”. A manifestação foi replicada, numa escala menor, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração (ISCA-UA), bem como na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA-UA) e na Escola Superior Aveiro-Norte (ESAN-UA). “Quisemos fazer em todos os polos da UA por uma questão de mostrarmos também aos estudantes das escolas que estamos presentes e que estamos cientes de que o alojamento não é um problema exclusivo da cidade de Aveiro”, reforça Joana Regadas. A representante dos estudantes frisa a sazonalidade da região de Águeda que faz com que os estudantes sejam “despejados durante os meses de verão”. “Para um estudante que está no mínimo três anos a frequentar uma Instituição de Ensino Superior mudar de casa de dez em dez meses” compromete “toda esta questão do bem-estar”, aponta a presidente da AAUAv. “Não há estabilidade”, termina. Em Oliveira de Azeméis Joana frisa que, por ser uma cidade “com características mais peculiares, muito mais familiar”, o alojamento estudantil acaba por ser mais distante da ESAN. “Sabemos que há já projeto para construírem as residências num campo adjacente ao local onde se encontra a ESAN, mas há uma urgência nesta temática: temos muitos estudantes da ESAN que vão e vêm diariamente de Aveiro para Oliveira de Azeméis (…) não estamos em pé de igualdade aqui, o Ensino Superior tem de ter um acesso em permanência equitativo”, repara Joana. Segundo dados do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES), o preço médio para arrendar um quarto em Aveiro é de cerca de 350 euros. A subida é de cerca de 100 euros relativamente ao ano de 2020, o primeiro ano que o PNAES regista na sua plataforma. Desde fevereiro de 2023 que o preço médio dos quartos não se encontra, em Aveiro, abaixo dos 300 euros. Num agregado familiar que viva com o rendimento mínimo, o aluguer de um quarto em Aveiro significa, assim, que cerca de 2/5 do rendimento será alocado para essa despesa. Em Águeda o preço médio para o alojamento estudantil situa-se nos 275 euros mensais e em Oliveira de Azeméis nos 308 euros. Joana deixa um alerta precisamente para os “custos financeiros que estão em cima das famílias e dos próprios estudantes que muitas vezes se sentem obrigados a arranjar um part-time para conseguirem estudar e ter alojamento”. “Temos camas em Aveiro a 350 euros, há muitos estudantes que pagam este valor e mesmo assim não têm as condições mínimas”, aponta Joana Regadas. “Estamos a falar de estudantes que estão a viver numa sala, (…) que partilham todo o espaço de habitação com sete ou oito colegas. Isto claramente não é promoção do bem-estar”, atenta ainda a presidente da AAUAv. “A temática é antecedente já a 2022 e não existem melhorias significativas”, conclui. À margem da sessão de abertura das Jornadas de Educação, que decorreu ontem no ISCA, a Ria interpelou José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, relativamente à iniciativa de alerta levada a cabo pela AAUAv. O autarca sublinha o ato como “um exercício democrático normal” que acolhe, “como político, sempre com a maior alegria”. “Nós, democratas, ao contrário do que às vezes se diz, gostamos imenso que nos chamem a atenção, que se proteste”. Refere, no entanto, não precisar “de manifestação nenhuma” por ser “um presidente de Câmara atento, conhecedor do que se passa”, reconhecendo que o alojamento no Município, à semelhança do que acontece na “corda litoral, grosso modo, entre Braga e Setúbal”, “está a níveis dos mais altos do país”. Como solução, aponta a necessidade de aumentar a oferta do alojamento. Ribau Esteves sublinha, assim, a importância da empreitada das novas residências do Crasto e aponta a aposta levada a cabo pelo investidor privado, “no âmbito de um concurso que a Câmara fez de venda de um terreno” como exemplos de iniciativas promovidas para o aumento da oferta de alojamento estudantil. “Temos neste momento, em fase final de licenciamento (…) mais duas residências com cerca de 200 alojamentos e numa fase ainda em desenvolvimento, (…) mais três unidades de tamanho mais pequeno, com um total de 120 quartos, as três somadas”, acrescenta o autarca. “Nós vamos para essa Europa fora, o alojamento dos estudantes é muito caro ou é gratuito quando é do Estado, e depois há uns mecanismos de financiamento, e é aí que nós queremos trabalhar mais com o Governo do país e com a Universidade”, sublinha o edil.
AAUAv/UA vai contar com cinco equipas representadas nas Fases Finais dos CNU
De 3 a 14 de abril, a AAUAv/UA vai contar, assim, com a representação de cinco equipas, de um universo de nove possíveis, nas Fases Finais. Quatro destas cinco equipas apuradas são equipas femininas. A equipa de basquetebol masculina juntou-se, no passado dia 12 de março, ao grupo composto pelas equipas de andebol, basquetebol, voleibol e futsal, todas femininas, para representar a academia aveirense nas Fases Finais dos CNU. Este ano as equipas masculinas de andebol, voleibol, futsal e de futebol de 11 falharam o apuramento. O ano passado todas as equipas se apuraram diretamente para as Fases Finais da FADU - Federação Académica do Desporto Universitário, uma vez que a AAUAv/UA foi a equipa que recebeu o evento. Este ano, a AAUAv/UA conseguiu que se apurassem o mesmo número de equipas que se apuraram em 2022. Em 2023 foram seis as equipas apuradas. O sorteio para as Fases Finais decorre esta quinta-feira, dia 27, pelas 18h ,na Praça 8 de Maio, em Coimbra – cidade que acolhe este ano as Fases Finais dos CNU. Da cerimónia resultará a definição e composição das equipas para a Fase de Grupos. São esperados mais de 1.500 agentes desportivos, oriundos de 26 clubes FADU, durante 10 dias de competição, onde estarão em disputa 9 títulos de campeão nacional universitário nas modalidades de andebol (masculino e feminino), basquetebol (masculino e feminino), futebol de 11 (masculino), futsal (masculino feminino) e voleibol (masculino e feminino).
Jornadas de Educação já arrancaram e querem dar a conhecer as várias vertentes do ensino
Maria Constança, vogal do setor pedagógico e uma das responsáveis pela organização da iniciativa, acredita que as Jornadas de Educação se configuram como “uma excelente oportunidade para conhecer outros temas” relativos à educação. Refere, ainda, que as jornadas pretendem dar a conhecer alternativas de ensino e melhorar as já existentes, não só a “futuros profissionais” como também “àqueles que já estão na área”. Patrícia Rosado Pinto, presidente do Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior (CNIPES) e uma das convidadas da sessão de abertura das Jornadas, sublinhou que a ideia que “se aprende não só na sala de aula, mas em várias instituições de aprendizagem, parece muito interessante e muito rica”. “Se nós sabemos que existem aprendizagens por aula e que se aprendem em vários sítios, com mediadores diferentes, esta ideia de convidar vários pais, psicólogos, educadores, educação formal, educação informal, parece muito interessante, a diversidade aqui é muito rica”, sublinhou. Também Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro (UA), considerou que “é preciso inovação pedagógica e inovação curricular: não temos universidades do futuro com métodos do passado”. O reitor frisou ainda a existência de dois tipos de aprendizagem, a intergeracional e a intrageracional, para apontar a importância da iniciativa das Jornadas de Educação. “É por isso que tenho elogiado e encorajado sempre a Associação Académica, os núcleos, a desenvolverem por si atividades (…) das quais resultem oportunidades de aprendizagem intergeracional: é extremamente importante para uma universidade como a Universidade de Aveiro (…) que não quer formar técnicos, quer formar cidadãos”, referiu Paulo Jorge Ferreira. A ideia foi reforçada por Joana Regadas, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), que sublinhou “os momentos dinamizados pelos núcleos” como oportunidades de criar momentos de inovação pedagógica. A representante dos estudantes alertou, no entanto, que “é um equilíbrio muito sensível o da inovação pedagógica por poder estar a exigir aos estudantes uma participação cada vez mais fora de aulas, que impede os estudantes de terem outro complemento muito importante, que é o complemento social, que faz parte da formação de cidadãos”. A sessão de abertura contou ainda com a participação de José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, que reforçou “a persistência” dos estudantes em organizar as jornadas, considerando a iniciativa “uma marca que é muito importante, porque o exercício de organizar, de refletir é um exercício capital para a formação do ser humano”. Jorge Adelino Costa, diretor do Departamento de Educação e Psicologia (DEP) referiu também na sua intervenção a importância das jornadas, apelando à participação nas mesmas e sublinhando “que os docentes não aproveitam muito”, mas refletindo que as jornadas “poderiam ser também -e é, claramente, se eles quiserem - um espaço de aprendizagem, de reflexão, de discussão conjunta com os estudantes, por parte dos docentes. E lamento que nem sempre seja utilizado”, rematou. Os primeiros dois dias da iniciativa contam com a realização de diversos painéis e o último dia, 28, vai contar com a realização de vários workshops. O desenvolvimento infantil é um dos temas que será abordado em workshop, numa iniciativa que conta com a presença de Nuno Pinto Martins, fundador da Academia Educar pela Positiva. A desconstrução de estereótipos, a importância da música e a qualidade do sono são temáticas que também vão ser abordadas nos workshops. A iniciativa decorre no Auditório Joaquim José da Cunha do Instituto Superior de Contabilidade e Administração (ISCA), na UA.
Novo monumento evocativo à UA já começou a ser instalado na rotunda do ISCA
A peça, da autoria de Francisco Providência, professor do Departamento de Comunicação e Arte da UA, quer ser um "totem de identificação territorial" da entrada da Universidade. Recorde-se que durante o processo de instalação, esta quarta-feira, o município de Aveiro já tinha alertado para possíveis condicionamentos de trânsito na área, com especial atenção para a Avenida da Universidade e para a Rua Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários. O monumento alusivo à UA tem um investimento da CMA “no valor de 105.645,96 euros, executada pela empresa ENGIPAF – Serviços de Engenharia e Construção Unipessoal, Lda”.
UA: “atualiza-te” arranca com auditório lotado para refletir sobre o futuro do marketing
Com o tema central "Hey Siri, what's next?", a edição deste ano do ‘atualiza-te’ pretende explorar como as inovações tecnológicas estão a transformar o setor do marketing, incluindo tópicos como a sustentabilidade ou as novas dinâmicas das redes sociais. Em entrevista à Ria, Rúben Pinhal, docente coordenador, recordou que desde a sua primeira edição, em 2009, o 'atualiza-te' tem-se “consolidado” como uma plataforma de aprendizagem e networking para estudantes e profissionais. Apesar de ter sido originalmente pensado só para os alunos da UA, o evento foi crescendo e, atualmente, atrai já uma audiência de âmbito nacional, com oradores internacionais e um público diversificado de estudantes e profissionais. “(…) Atualmente, temos mais profissionais do que estudantes. Dizemos que a plateia está 60-40, ou seja, 60% de profissionais, 40% de estudantes. Depois temos uma vantagem que é a grande parte dos participantes já foram nossos alunos, já estiveram cá como estudantes e agora estão como profissionais”, partilhou. Entre as principais diferenças desta edição, face às anteriores, o docente coordenador destacou a adoção de coffee breaks mais longos e a participação ativa de alumni’s. “Há uma coisa que me orgulha muito este ano. É a questão de nós termos quatro alumni’s que vêm representar uma rubrica que nós criamos este ano chamada “Made in ISCA-UA”, em que efetivamente eles vêm falar do seu passado enquanto estudantes do ISCA-UA e enquanto organizadores do atualiza-te que eles foram”, exprimiu. Em entrevista à Ria, Rúben Pinhal recordou também que para muitos o atualiza-te é ainda a “primeira experiência profissional”. “É importante para eles começarem a ter contacto com as empresas. Daqui fomentam-se alguns estágios e alguns contratos de trabalho. É bom ver esse crescimento e como a tecnologia também os consegue orientar. Muitos deles, ainda sem licenciaturas terminadas, conseguem arranjar emprego e como estão em Aveiro, através também da tecnologia, conseguem estar a trabalhar para Lisboa ou para outro país qualquer”, reconheceu. Com 18 oradores de “renome”, ao longo dos dois dias, o docente coordenador disse ainda que o objetivo desta edição é conseguir com que os participantes “desmistifiquem” alguns dos conceitos de marketing. “Nós vivemos numa era também através da tecnologia em que toda a gente é especialista em qualquer área. São as pessoas que fazem design, mas que não são designers. São os profissionais de marketing que veem os seus empregos muitas vezes a serem substituídos por pessoas que acham que percebem de redes sociais, mas depois falta a estratégia, falta a tática na comunicação e é isso que nós queremos passar para o público. Não é qualquer pessoa que pode fazer marketing e temos excelentes profissionais formados na UA que podem trabalhar nas empresas para melhorarem efetivamente esta comunicação e a estratégia de marketing das empresas”, vincou. Numa nota final, Rúben Pinhal deixou também a garantia que o 'atualiza-te' pretende ser um complemento à oferta formativa na UA. “Nós já temos vindo a adaptar a nossa oferta para aquilo que é a tendência de mercado.Nós, no ISCA-UA tínhamos já uma licenciatura em Marketing, um mestrado em Marketing e recentemente lançámos um mestrado em Marketing e Comunicação e também lançámos dois cursos de especialização na área, um em Marketing Omnicanal e outro em Marketing Digital”, A iniciativa conta com o apoio institucional da UA e do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA), bem como a parceria do ISCA Corporate Network. O ‘atualiza-te’ conta ainda com o Glicínias Plaza e a MSTN Group como principais parceiros e a RFM como principal parceiro mediático. A programação completa pode ser consultada através dositee dasredes sociaisda iniciativa. O evento termina esta quinta-feira, 27 de março.
AAUAv leva preocupações sobre Ensino Superior ao Governo e a Pedro Nuno Santos
Em entrevista à Ria, Joana Regadas, presidente da direção da AAUAv, explicou que o objetivo, de ambas as reuniões, passou por “ouvir os estudantes”, assim como auscultar as “preocupações” e “os grandes entraves” que, atualmente, impedem o acesso e permanência de um estudante ao Ensino Superior. Apesar dos temas terem sido, de uma forma geral, “transversais” a todas as estruturas estudantis que participaram nas reuniões, Joana adiantou que o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) foi um dos temas centrais abordados. “Há uma necessidade muito grande de reformular o financiamento das instituições de Ensino Superior, de perceber como é que elas se podem reger a partir de agora e de perceber também qual é o papel dos estudantes neste novo regime”, expôs. [Houve] “visões diferentes de ambos os lados, mas é normal. Nós também passamos a nossa que queremos sempre que as instituições tenham mais capacidade para apoiarem cada vez mais os seus estudantes; que estes sejam cada vez mais ouvidos e que a sua voz seja valorizada; queremos também que o Ensino Superior possa ser pensado a longo prazo… Queremos um Ensino Superior que forme cidadãos, que não forme apenas profissionais e que seja capaz de antever aquilo que a sociedade daqui a dez anos vai necessitar”, completou a presidente da AAUAv. Também o alojamento estudantil foi outro dos temas destacados. Para Joana Regadas com o crescimento do Ensino Superior, o Programa Nacional de Alojamento Estudantil (PNAES) tem-se mostrado insuficiente para atender às necessidades dos estudantes e o complemento de alojamento continua a só chegar a alguns [estudantes] já que “muitos” não têm sequer recibo de renda para o Estado os reembolsar. Ainda em cima da mesa, esteve o tópico da retenção de talento alertando a presidente da direção da AAUAv que existem “cada vez mais jovens a emigrar”. “Formamos cada vez mais talento e cada vez menos temos capacidade de o reter. Isto foi um tópico em cima da mesa porque é preciso pensar o Ensino Superior num sentido de reter as pessoas de Portugal, de usufruir do talento que se cria cá dentro”, frisou. Também os estudantes internacionais foram outras das preocupações transversais. “São estudantes com características muito particulares, com uma realidade muito diferente dos estudantes nacionais, que enfrentam dificuldades completamente diferentes e que neste momento têm que ser uma prioridade na agenda política do próximo Governo e de quem estiver à frente do pensamento crítico sobre o Ensino Superior”, apelou. Interpelada pela Ria sobre as declarações de Fernando Alexandre aos jornalistas, na passada segunda-feira, no final da reunião com os dirigentes de federações e associações académicas, onde referiu que o “reforço da ação social tirará o foco da luta estudantil pelo fim das propinas”, Joana Regadas salientou que quer “primeiro perceber o estudo que estão a realizar sobre a ação social”, defendendo que, nos dias de hoje, a propina “é mais um peso”. “Pode não ser atualmente o maior entrave, mas é mais um. Numa forma um bocadinho figurativa, nós temos atualmente um balde com despesas, com encargos, que já está a transbordar (…). Atualmente, estivemos a fazer as contas e, antes deste congelamento da propina, a grande maioria acabava por gastar cerca de mil euros [por mês, na universidade]. São 100 euros mensais [de propinas]. (…) Estamos a falar que atualmente os encargos mensais dos estudantes do Ensino Superior rondam os 900 euros por mês. Mais 100 euros, estamos a falar de uma família a ter um encargo de 1000 euros por mês para a permanência dos estudantes em Ensino Superior”, exemplificou. “Claro que se a ação social levar uma reforma muito a fundo este gasto se calhar diminuiria e não estaríamos a falar de 900 euros por mês que uma família e o que um estudante tem de gastar (…). Mas é primeiro preciso pensar neste passo para depois se falar, aí sim, sobre o descongelamento das propinas. Atualmente, com a realidade que temos não é claramente aquilo que enquanto instituição académica verificamos que seja o ideal, até porque a nossa posição é bastante clara, sempre o foi: é a redução gradual do valor da propina. Por isso, descongelar seria um bocadinho um retrocesso face àquilo que temos vindo a atingir ao longo dos últimos anos”, relembrou a presidente da direção da AAUAv. Concluídas as diferentes reuniões, Joana Regadas afirmou ainda à Ria que “não é só neste dia [Dia Nacional do Estudante] que os estudantes têm de ser ouvidos” e que os “estudantes merecem ter um espaço para falar, ao longo do ano todo”. “(…) Atualmente, o movimento estudantil tem opiniões bem fundamentadas e consegue claramente ter uma discussão sobre aquilo que são as dificuldades dos estudantes e também construir uma visão crítica do Ensino Superior. Por isso, acho que não podemos perder esse talento que temos e se calhar reter a voz dos estudantes para pensarmos no Ensino Superior para o futuro”, opinou. “(…) [Só] é um bocadinho triste que as temáticas que levamos para cima das mesas continuarem a ser as mesmas”, finalizou.
CIDADE
Galitos/Bresimar soma medalhas nos Campeonatos InterDistritais e Infantis
O Galitos/Bresimar trouxe de Coimbra, no passado fim-de-semana, um total de 27 medalhas de ouro, 18 pratas e 20 bronzes. A participação nos Campeonatos Interdistritais de Juvenis, Juniores, Seniores e Absolutos Inverno deixa o clube entre os melhores posicionados nas estatísticas a nível de medalhas. Os resultados obtidos pelos atletas nas categorias de Juvenis A e Juniores colocam a equipa em segundo na referida estatística e em terceiro nas categorias de Juvenis B e de Juvenis B/Abs. As classificações obtidas garantiram o acesso aos próximos Campeonatos Nacionais de Piscina Longa e resultaram no estabelecimento de 83 novos recordes pessoais. Também no Campeonato Zonal Norte de Infantis a equipa conquistou 22 medalhas, dez das quais correspondem a títulos de campeões nacionais e seis vice-campeões. A equipa de Aveiro estabeleceu ainda, na competição, que decorreu no Complexo Municipal de Piscinas de Viseu com a organização da Associação de Natação do Centro Norte de Portugal, dois recordes nacionais nas categorias de Infantil e Infantil A na prova mista de 4 x 50m livre, fixando o tempo nos 1:53.30.
Fábrica Centro Ciência Viva promove novo ciclo de conversas sobre Argilas de Aveiro
A primeira conversa acontece esta noite, dia 28, pelas 21h00, na Fábrica Centro Ciência Viva. Fernando Rocha, investigador no dgeo da UA e do centro de investigação GeoBioTec, é o convidado da primeira conversa da iniciativa, que versará sob a temática ‘Argilas na origem dos ovos moles’. A entrada é livre. A iniciativa contará ainda com a realização de outras duas conversas, já agendadas para dia 11 de abril e 17 de maio. A indústria cerâmica de Aveiro nos séculos XIX e XX será o tema da conversa de abril, enquanto a de maio se pretende debruçar sobre as argilas e os barreiros de Aveiro. Existe ainda uma terceira conversa planeada, sob a temática Argilas na saúde, cuja data ainda não foi divulgada.
Oitava demissão abala PSD-Aveiro: Carla Almeida Luís abandona cargos na estrutura local e em Aradas
Carla Almeida Luís era suplente na lista inicial liderada por Simão Santana, mas tinha entretanto subido à condição de vogal depois das primeiras demissões no partido, na sequência da escolha de Luís Souto como candidato à Câmara Municipal de Aveiro (CMA). A sua demissão segue-se às saídas de Simão Santana, Rogério Carlos, Paulo Páscoa, Rui Félix Duarte, Ângela Almeida e Bruno Costa, todos da Comissão Política, bem como de Ribau Esteves, que se afastou da Mesa da Assembleia de Secção. Em comunicado enviado à redação da Ria - Rádio Universitária de Aveiro, Carla Almeida Luís justificou a sua saída com a perda de valores que considera fundamentais na atuação do partido. “Deixámos de nos reger pelos princípios da Social Democracia na prática de uma política séria, transparente, rigorosa, respeitosa, útil e focada no bem de Aveiro, dos Aveirenses e dos Portugueses”, escreveu. No mesmo comunicado, a agora ex-dirigente criticou a forma como as decisões da estrutura têm sido desrespeitadas e como informações internas têm sido divulgadas para o exterior, colocando o partido numa situação de fragilidade e “chacota”. Carla Almeida Luís também anunciou a sua renúncia ao cargo de membro da Assembleia de Freguesia de Aradas, reforçando que a sua visão da política é de “um instrumento para fazer o bem e não para catapultar egos, humilhando quem está sem procurar privilégios”. No final da sua mensagem, deixou palavras de agradecimento a Ribau Esteves, Simão Santana e Ângela Almeida, elogiando o seu contributo para a estrutura do PSD em Aveiro. A direção do PSD-Aveiro ainda não se pronunciou sobre os últimos acontecimentos, depois da integração de Firmino Ferreira na lista de deputados do PSD pelo círculo de Aveiro. No entanto, este é mais um episódio a agravar a instabilidade interna da secção concelhia, que continua a perder dirigentes e a enfrentar um clima de contestação interna crescente.
Entrada de Firmino Ferreira na lista de deputados do PSD resulta na demissão de Bruno Costa
Em declarações à Ria, Bruno Costa confirma que a sua decisão se prende com o facto de ser Firmino Ferreira o candidato a deputado por Aveiro, contrariamente à decisão que tinha sido tomada em sede de concelhia. “Previamente eram definidas as orientações, deixou de ser assim. Nos últimos tempos passamos a ser informados à posteriori apenas: e para estar apenas a ser uma caixa de ressonância daquilo que alguém decide, não sou necessário e não estou”, refere Bruno Costa. “Ontem a decisão tinha sido de orientar para Ângela Almeida e soubemos por vocês [comunicação social] que quem ia na lista era Firmino Ferreira”, frisa. “A indicação de Luís Souto para mim não é a questão, é a questão do processo”, repara Bruno Costa que utiliza o anúncio da candidatura de Cristina Gonçalves, atual tesoureira da Junta de Freguesia de São Jacinto a presidente de Junta, como um outro exemplo. “Fomos informados”, repara. Bruno Costa exerce funções como secretário da Comissão Política do PSD de Aveiro desde 2022. Em nota enviada às redações Bruno Costa afirma acreditar “que em Democracia, as decisões são participadas, partilhadas e aceites quando tomadas pela maioria. Que os órgãos eleitos existem sem ser caixas de ressonância das suas lideranças, que existe meritocracia. Acredito que os Partidos ainda são a base fundamental de todo o sistema democrático, que ninguém vence eleições sozinho, que ninguém se promove sem ter equipa a apoiar!”. O secretário demissionário garante, no entanto, não se demitir da “participação cívica, da minha opinião, como da oposição à candidatura liderada por Alberto Souto, tal como há 20 anos”. “Vou continuar vigilante, por Aveiro e com Aveiro!”, aponta. Com a demissão de Bruno Costa sobe para sete o número total de demissões no PSD-Aveiro. Tendo em conta que a lista era constituída por um total de 5 suplentes, não será agora possível substituir o secretário do órgão.
PCI festejou o sétimo aniversário e apresentou o seu plano estratégico até 2030
“Porquê transformação e porquê sustentabilidade? [A] (…) inovação é um momento extremamente dinâmico e que altera todos os dias. Seja ela setorial, seja ela geográfica, seja ela geopolítica (…) Isto todos os dias exige reposicionamento.Sustentabilidade porquê?Porque nós temos uma estrutura de Parque de Ciência e Inovação (…) que não é uma sociedade [anónima] para lucro, mas para resultados, ou seja, tem de ser sustentável.E a sustentabilidade não pode ser, neste tipo de iniciativas fundamentada unicamente por fundo público. Mas sim em projetos públicos e em projetos privados”, começou por explicar Luís Barbosa. Assim, o diretor do PCI garantiu que o plano estratégico do PCI, para os próximos cinco anos, estará dividido em duas fases: de 2025 a 2027 e de 2027 a 2030. “De 2025 a 2027 há um programa de transformação que está já em execução.De 2027 a 2030 será um programa [pensado] para a sustentabilidade. Aí sim, o nosso revenue model [modelo de negócio] (…) determina que iremos ter capacidade para trabalharcom projetos privados, como startups,com empresas, com outro tipo de entidades, com projetos de cariz privado”, avançou. Atualmente, com quatro edifícios e com 16 lotes disponíveis para construção, segundo o site do PCI, Luís Barbosa destacou que alguns desses “espaços livres” estão destinados à construção de “centros de excelência”. “Essa é a visão. Desenvolver centros de excelência e construir uma estrutura que possa alocar essa empresa para maturar, para crescer, mas simultaneamente ser uma entidade de incubação de novas startups dentro desse setor que operam”, afirmou. O diretor do PCI acrescentou ainda que tem a ambição de que o Parque seja reconhecido por “transformar a criatividade em inovação, na região de Aveiro, atuando como um veículo privilegiado de soluções tecnológicas sustentáveis para os desafios com que nos deparamos”, exprimiu. Com um olhar mais atento sobre os números atuais, Luís Barbosa disse ainda que o PCI tem cerca de “21 milhões de euros de investimento total”; “106 empresas residentes” e “cerca de 1.100 colaboradores” em todos os edifícios e “cerca de 60 eventos, por ano, com tendência para aumentarmos e continuarmos a potenciar o resultado desta estrutura”. Sobre a taxa de ocupação dos edifícios: “Temos o edifício TICE com 96% de ocupação, o edifício Mat+Agro com cerca de 84% de ocupação e o edifício central com 76% de ocupação, dos quais 90% de ocupação é incubadora, ou seja, empresas startups presentes na incubadora”, completou. Relativamente à origem dessas empresas, Luís Barbosa adiantou que a “maior parte delas nasceu na Universidade de Aveiro (UA)”, no entanto, existem algumas do “Brasil, África do Sul, Singapura e outras regiões”. O evento contou ainda com a presença de Paulo Jorge Ferreira, reitor da UA, que ao longo do seu discurso partilhou o “entusiasmo” e a “felicidade” por integrar o projeto, esperançando que “os próximos sete anos ainda sejam melhores”. Também o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, José Ribau Esteves, assim como o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, João Campolargo marcaram presença no aniversário. O PCI foi inaugurado no dia 6 de março de 2018 e tem como principal objetivo promover a inovação, a pesquisa aplicada e o empreendedorismo na região de Ílhavo. Ocupa uma área de cerca de 35 hectares, sendo que 30 hectares estão localizados no município de Ílhavo, na zona da Coutada. A sua criação marca a expansão física da UA para este território. O PCI é gerido pela PCI Creative Science Park – Aveiro Region, uma entidade com a Universidade de Aveiro como principal acionista. Além da UA, participam neste projeto os municípios de Aveiro e Ílhavo, a Caixa Geral de Depósitos, entre outras entidades.
Bancadas do PSD, do CDS e Ribau Esteves protestam “má condução” dos trabalhos de Luís Souto
A polémica teve início durante a intervenção da deputada municipal do Bloco de Esquerda, Celme Tavares, que aproveitou o tema para criticar a gestão cultural da Câmara Municipal de Aveiro. A deputada apontou a subida dos preços dos bilhetes nos museus, a carência de recursos humanos e a degradação de serviços e edifícios, mencionando inclusive a recente queda de telhas na cobertura do museu. A intervenção motivou um protesto imediato do líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal, Manuel Prior, que se dirigiu à mesa: "Senhor presidente, protesto à mesa. Eu penso que deixou - enquanto gestor desta Assembleia - a intervenção do antecedente a algo que não está escrito na convocatória e que não faz parte da ordem de trabalhos e da parte da bancada do PSD penso que o senhor presidente devia ter atenção a estas fugas ao 'não tema'." Em resposta, Luís Souto de Miranda rejeitou a crítica, afirmando que "não é totalmente descabido que se façam apreciações" dentro do contexto da proposta de adesão ao ICOM. "Não vamos fazer agora aqui o filme de todas as sessões até hoje e, com certeza, também já lhe ocorreu a si, a partir de um determinado tema, fazer certas ilações que estejam minimamente conexas com o tema", afirmou o presidente da Assembleia Municipal. Jorge Greno, líder da bancada do CDS, subscreveu o protesto do PSD e ironizou a conexão entre os temas abordados: "O CDS também subscreve o protesto que o PSD fez. Também aproveito para dizer que na minha casa - isto também é conexo - com o temporal também se levantaram umas telhas e também choveu. É conexo. Posso falar das obras em minha casa: é conexo. No entanto, relativamente ao tema em apreço - e é para isso que estamos cá e não para coisas conexas - nós estamos de acordo com a adesão do Município." Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, para além de se mostrar bastante irritado com Luís Souto e de ter feito várias apartes, também se manifestou contra a condução da sessão, reforçando a posição das bancadas do PSD e do CDS: "Há aqui uma questão que é preciso clarificar e, obviamente, também para ficar na ata, o meu protesto sobre a má condução do presidente [da Assembleia Municipal] deste ponto da ordem de trabalhos." A sessão seguiu com as intervenções subsequentes, mas ficou marcada pelo ambiente de tensão. A Ria sabe que Manuel Prior, líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal, também não terá ficado agradado com a opção de Luís Montenegro escolher Luís Souto como candidato à Câmara Municipal. A Ria foi contactada, esta quinta-feira, por Manuel Prior que não confirmou, nem desmentiu a informação. Questionado sobre a escolha de Luís Souto este preferiu não exprimir qualquer opinião. “Da minha parte, na altura, o que estava a decorrer é que o presidente da mesa da Assembleia conduziu mal os trabalhos. Foi só isso. Não teve a ver com mais rigorosamente nada”, explicou, reafirmando que a sua atitude em nada teve a ver com a sua opinião pessoal sobre Luís Souto de Miranda. *Notícia atualizada às 16h54 desta quinta-feira face ao contacto de Manuel Prior à Ria, relativamente, ao atual penúltimo parágrafo da notícia.
Sexta demissão no PSD-Aveiro: Ângela Almeida demite-se da vice-presidência
A decisão surge após a recente investigação, no seguimento de uma denúncia anónima, que revelou que Ângela Almeida se apresentava como licenciada pela Universidade de Aveiro, informação que foi desmentida pela própria Instituição de Ensino Superior. Simultaneamente, foi ontem anunciada a lista de deputados do PSD pelo círculo de Aveiro, onde se ficou a saber que a também presidente da Junta de Freguesia de Esgueira foi afastada da lista, sendo substituída por Firmino Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de Oliveirinha e atual presidente do PSD-Aveiro, que ocupará o 11.º lugar. A saída de Ângela Almeida agrava ainda mais a instabilidade interna do PSD-Aveiro, que já tinha sido abalada por uma série de demissões na sequência da escolha unilateral de Luís Souto de Miranda, pela direção nacional do partido, como candidato do partido à Câmara Municipal de Aveiro. Recorde-se que, nessa altura, apresentaram a sua demissão Simão Santana, presidente da Comissão Política de Secção, assim como Rogério Carlos, Paulo Páscoa e Rui Félix Duarte, vogais do mesmo órgão, e ainda Ribau Esteves, que presidia à Assembleia de Secção. Com esta nova demissão, o PSD-Aveiro vê-se numa situação crítica. De acordo com o artigo 17.º do Regulamento Eleitoral do PSD, sempre que o presidente e os vice-presidentes da Comissão Política, ou a maioria dos membros efetivos, se demitam e as vagas não possam ser preenchidas por suplentes, são convocadas novas eleições. O órgão é composto por 13 membros efetivos e 5 suplentes, sendo que, após a saída de Ângela Almeida e assim que se proceda à sua substituição, já não há mais suplentes disponíveis para preencher novas vacaturas existentes, o que pode obrigar à realização de um novo ato eleitoral se surgirem novas demissões. A direção local do PSD ainda não se pronunciou oficialmente sobre o futuro imediato da Comissão Política de Secção, mas a Ria sabe que foi convocada uma reunião de emergência para esta quinta-feira, 27 de março, para definir os próximos passos do partido em Aveiro.
REGIÃO
Livro de poesia de Carlos Rainho apresentado na Biblioteca Municipal de Ílhavo
Na obra, Carlos Rainho convida o leitor para uma viagem poética, “tentando que as palavras destes poemas fossem no compasso de tempo dos ritmos da luz captar o espanto dos momentos em que o olhar bailou com o mundo até aos sussurros da criação". O livro será apresentado pelas 15 horas na Biblioteca Municipal de Ílhavo. Carlos Rainha é natural de Coimbra. Licenciado em Química Analítica pela Universidade de Aveiro, completou na faculdade de Ciências da Universidade do Porto o mestrado em Ensino da Astronomia - atividade a que se tem dedicado. Participou, ainda, num programa na Rádio Regional em Aveiro, na década de 80, com foco na divulgação da poesia neorrealista de autores portugueses e da música alternativa feita na época. Foi, também na década de 80, um dos dinamizadores do primeiro evento de música alternativa, AgitArte, realizado na cidade de Aveiro. É professor de Ciências Físico-Químicas do Quadro Docente na Escola Secundária José Macedo Fragateiro, do Agrupamento de Escolas de Ovar.
Final concelhia do “Ílhavo a Ler +” apura os quatro vencedores que representarão o município
Matilde Pereira Santos, da Escola Básica da Chave, do Agrupamento de Escolas da Gafanha da Nazaré, foi a vencedora do 1.º ciclo, Tomás Sousa Alves, da Escola Básica da Gafanha da Encarnação, do Agrupamento de Escolas da Gafanha da Encarnação, ganhou na categoria do 2.º ciclo. Da mesma escola, Martim Rodrigues da Silva, venceu o prémio do 3.º ciclo. Já no ensino secundário, brilhou Maria Afonso Castro Terra, da Escola Secundária Dr. João Carlos Celestino Gomes, do Agrupamento de Escolas de Ílhavo. Os quatro vencedores vão representar o Município de Ílhavo no Concurso Intermunicipal de Leitura, que se realiza no dia 17 de maio, em Vagos, frente aos vencedores apurados nas fases municipais dos 11 municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA). Como prémio, os vencedores receberam um tablet e um certificado de vencedor, bem como o kit de participação. O concurso contou com a participação de 369 alunos dos três agrupamentos de escolas do município, aquando da realização da fase escolar. Desse universo foram apurados 22 para a fase concelhia – seis do Agrupamento Escolas Gafanha Encarnação, oito do Agrupamento de Escolas de Gafanha da Nazaré e oito do Agrupamento de Escolas de Ílhavo. A final concelhia do Concurso de Leitura “Ílhavo a Ler+” é promovida pela Rede de Bibliotecas de Ílhavo (RBI), no âmbito do seu Programa de Promoção do Livro e das Literacias (PPLL).
Novo terminal ferroviário no Porto de Aveiro deve arrancar este ano
“Estamos a aguardar a conclusão da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) para lançar o concurso público e iniciar a construção do novo terminal ferroviário ainda este ano”, disse à Lusa Eduardo Feio. O projeto prevê a construção de um terminal com cerca de 10 hectares, equipado com duas linhas ferroviárias adaptadas aos padrões europeus para o transporte de mercadorias. “O objetivo é transformar o Porto de Aveiro numa plataforma logística multimodal, potenciando a ligação ferroviária à Linha do Norte e à Linha da Beira Alta”, explicou. O Porto de Aveiro, segundo o presidente da sua administração, vai ficar capacitado para dar uma resposta multimodal, afirmando-se “não só como um porto de mar, mas como uma grande plataforma logística". Eduardo Feio destaca o potencial do novo terminal para impulsionar o transporte ferroviário de mercadorias, nomeadamente cereais, cimento e biodiesel, e para atrair novas indústrias para a região. “Fizemos no ano passado o primeiro comboio do terminal portuário de granéis líquidos para Sines, com biodiesel e neste momento já estamos com três comboios por mês a sair com biodiesel para a Galp, em Sines”, relatou. Outro exemplo que dá do movimento ferroviário gerado pelo Porto de Aveiro é a exportação de cimento, com “centenas de milhares de toneladas” a chegarem a Aveiro por via férrea, para serem embarcadas. Eduardo Feio tem também algumas expectativas na abertura da Linha da Beira Alta. "Podemos gerar comboios para o interior, nomeadamente cereais, de que o Porto de Aveiro, a seguir a Lisboa, é o que movimenta mais carga", exemplifica.
Jorge Almeida eleito presidente da Comunidade Intermunicipal de Aveiro
“Em reunião do Conselho Intermunicipal da CIRA realizada no dia 24 de março 2025 com efeitos ao dia de hoje, foi aprovada a recomposição do Conselho Intermunicipal, sendo eleitos para o cargo de presidente o até aqui primeiro vice-presidente, Jorge Almeida, presidente da Câmara Municipal de Águeda, e para o cargo de vice-presidente, Domingos Silva, Presidente da Câmara de Ovar”, informa a CIRA em comunicado. A recomposição do órgão da Comunidade Intermunicipal surge após Joaquim Baptista, que renuncia também ao cargo de presidente da Câmara Municipal da Murtosa, passar a presidir à empresa Águas da Região de Aveiro (AdRA). A empresa Águas da Região de Aveiro (AdRA), criada há 15 anos por dez dos onze Municípios da Região de Aveiro com a Águas de Portugal (AdP), cujo conselho de administração ficou sem quórum com a saída de três dos cinco elementos. Assumindo “como absolutamente inadiável a eleição urgente de um novo conselho de administração para repor o normal funcionamento da empresa” os municípios associados e o acionista maioritário AdP, acordaram convidar para presidir à empresa. Foram também eleitos administradores não executivos, em representação dos municípios, os presidentes das Câmaras de Águeda e Oliveira do Bairro, e duas administradoras não executivas em representação da AdP.
Porto de Aveiro quer alargar entrada na barra para receber navios maiores
O que está previsto é modificar a orientação do molhe sul, alargando a entrada na barra para franquear a entrada a navios de maior dimensão, em termos de largura. Em declarações à Lusa, Eduardo Feio disse que o projeto, incluído no Plano Nacional de Investimentos até 2030, “é um investimento crucial para o futuro do Porto de Aveiro e para o desenvolvimento económico da região”. "É uma obra que tem apoio financeiro garantido e temos que tentar aproveitar este ciclo até 2030 para a realizar", afirmou Eduardo Feio. Em relação aos receios manifestados recentemente pelo presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, Joaquim Batista, sobre os impactos nos territórios da Ria de Aveiro, Eduardo Feio remete para a necessidade de estudo e de diálogo. “O objetivo principal do projeto não é aumentar o calado dos navios, mas sim alargar a barra do porto, e esta alteração permitirá a entrada de navios com maior largura, incluindo navios graneleiros com até 32 metros de boca, e outro tipo de embarcações”, salienta. Admitindo que, mesmo assim, possa haver mais água a entrar na Ria, Feio remete decisões para quando for conhecido o estudo de impacto ambiental e medidas mitigadoras de eventuais efeitos negativos que venham a ser propostas. "O que estamos a fazer nesta fase é o projeto e a iniciar o estudo de impacto ambiental para uma melhoria das acessibilidades marítimas”, esclarece o presidente da administração portuária. Eduardo Feio garante que a Administração do Porto de Aveiro “está empenhada” em trabalhar com a comunidade intermunicipal (CIRA): “vamos entrar numa fase em que vai haver um estudo de impacto ambiental e durante os próximos tempos ainda haverá alguma discussão até se poder fazer a obra”. “O impacto na laguna tem de ser medido e todas as medidas para o mitigar devem ser tomadas”, tentando “aproveitar ao máximo os impactos favoráveis que a obra pode ter para a região e para a economia do país", finalizou.
Luís Montenegro é o cabeça de lista do PSD em Aveiro
Recorde-se que Luís Montenegro é natural de Espinho e já foi deputado por Aveiro, tendo liderado a bancada parlamentar do PSD entre 2011 e 2017. O regresso ao círculo aveirense reforça a sua ligação à região, onde o partido tem uma forte presença. Pedro Nuno Santos deverá ser também o cabeça de lista do Partido Socialista no círculo de Aveiro, segundo fonte próxima dos socialistas.
LIVRE escolhe Filipe Honório para cabeça de lista em Aveiro
Filipe Honório, de 33 anos, natural de Leiria e residente em São João da Madeira, é técnico superior e adjunto no Gabinete Parlamentar do LIVRE na Assembleia da República, além de integrar a direção nacional do partido e o Grupo de Coordenação Local distrital de Aveiro. Joana Filipe, de 32 anos, natural de Aveiro, é assessora política e também faz parte da direção nacional do LIVRE e do Grupo de Coordenação Local distrital de Aveiro. A lista conta ainda com Salomé Gomes, de 43 anos, especialista de produto e natural de Santa Maria da Feira; Rúben Vieira, de 31 anos, profissional da área da comunicação, também de Santa Maria da Feira; Bruno Santos Fonseca, de 33 anos, especialista em Relações Internacionais e natural de Ovar; e Maria Isabel Bastos, de 63 anos, economista e gestora com experiência no Ensino Superior Politécnico e na investigação científica. A lista completa inclui ainda os candidatos João Paixão, João Quintela, Rúben Elias, Diogo Silva e Diogo Fernandes de Sousa, sendo que a apresentação oficial da candidatura será feita em breve. Recorde-se que nas últimas eleições legislativas o LIVRE teve 2,24% dos votos, o que representou uma melhoria significativa face aos 0,79% das anteriores legislativas de 2022.
PAÍS
Ministro acredita que reforço da ação social tirará foco da luta estudantil sobre propinas
“Espero convencê-los de que com um bom sistema de ação social, o foco nas propinas perde-se”, afirmou Fernando Alexandre em declarações aos jornalistas, no final de uma reunião com dirigentes de federações e associações académicas. O ministro da Educação, Ciência e Inovação e a ministra da Juventude e Modernização, Margarida Balseiro Lopes, reuniram-se hoje com os representantes dos estudantes do ensino superior para assinalar o Dia Nacional do Estudante, num encontro em que participaram também o diretor-geral do Ensino superior, Joaquim Morato, e a presidente do Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior, Patrícia Rosado Pinto. Horas antes, centenas de universitários percorreram as ruas de Lisboa numa manifestação nacional para pedir mais financiamento para o ensino superior e garantiram que irão continuar a lutar para que ninguém seja impedido de estudar, insistindo no fim das propinas. “Não foi muito referido, talvez porque também sabem que temos aí uma divisão na forma como olhamos para esse problema”, respondeu o ministro quando questionado se aquela reivindicação também tinha sido levantada durante a reunião. Sobre essa matéria, o ministro, em gestão desde a queda do Governo, já tinha admitido a hipótese de descongelar o valor das propinas, em função das conclusões de um estudo de avaliação da ação social, defendendo que é sobretudo através desse mecanismo que as barreiras financeiras à frequência do ensino superior são mitigadas. A ideia voltou a ser defendida esta segunda-feira e Fernando Alexandre sublinhou que, no seu entender, a propina “não é o principal elemento de exclusão”. “Temos de garantir que temos uma avaliação adequada dos custos de frequência do ensino superior e depois, face ao rendimento das famílias, a ação social garante que nenhum aluno fica excluído por razões económicas e financeiras”, explicou. Por outro lado, a principal dificuldade referida pelos representantes dos estudantes é a falta de alojamento e o governante reconheceu que os atrasos na execução do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES) são preocupantes. Ainda assim, e com apenas duas mil camas já inauguradas, acredita que a meta de 18 mil camas até 2026 será cumprida. “Há muitas a serem concluídas. Agora estamos a entrar em período eleitoral, mas haveria muitas inaugurações a fazer nos próximos meses”, afirmou, considerando também que as instituições “perceberam que o alojamento tem de ser pensado além da ação social”, também como um instrumento de integração dos estudantes.
Sustentabilidade nos cemitérios sem normas e sem controlo
No ano passado morreram em Portugal, segundo o INE, 118.975 pessoas, um número idêntico ao 2023. Se das quase 119 mil urnas se subtraírem 29 mil que vão para cremação (25%) e outras 12 mil que são depositadas em jazigos sobram quase 80 mil urnas que vão para a terra. Em Portugal apenas estão sujeitas a regras as urnas que vão para cremação. As que chegam à terra podem conter tudo, de colas a vernizes, ferragens ou tecidos sintéticos. Nas contas de responsáveis do setor ouvidos pela Lusa, se cada urna ocupa em média 1,5 metros quadrados, em cada ano são ocupados 115 mil metros quadrados de solos com urnas sem controlo de emissões poluentes. Praticamente 10 mil metros quadrados por mês. A falta de controlo oficial não quer no entanto dizer que não haja da parte dos operadores essa preocupação. Paulo Carreira, presidente em exercício da Associação Portuguesa dos Profissionais do Setor Funerário (APPSF) e diretor-geral da Servilusa, atualmente a maior empresa de serviços funerários em Portugal, diz que há 10 anos que só usam urnas “verdes”, feitas em Portugal. Em entrevista à agência Lusa Paulo Carreira alerta para a poluição dos solos, mas também para outro problema. É que quando se usam materiais que têm lá dentro “lençóis sintéticos, poliéster, plásticos, madeira que não é madeira mas sim aglomerados de madeira cheios de cola e contraplacados, vernizes e tintas, e ainda mais num cemitério com pouca oxigenação, e pouca humidade o corpo fica para ali sem haver a decomposição”. Em três anos é difícil que haja, diz. A fábrica de urnas funerárias que lidera o segmento ecológico chama-se Joriscastro e fica em Amarante. Tem uma quota de 20% do mercado, faz 1.500 a 1.600 urnas por mês, 18 mil em 2024. Foi criada há 47 anos e é a maior fábrica da península ibérica. Joaquim Castro, fundador e administrador, afirma em entrevista à Lusa que começou no mercado das urnas ecológicas em 1999 e cinco anos depois já tinha expandido o negócio das urnas de madeira que se deterioram mais facilmente e que não usam produtos poluentes como resinas ou químicos. “A maior parte das fábricas não são ecológicas, quando muito 30% são. Governo e autarquias não querem saber”, observa. E acrescenta depois: “Já pedimos aos ministérios do Ambiente e da Saúde que fossem mais rigorosos. Há mais de 4.000 cemitérios, com produtos tóxicos que vão contaminando as águas, provocando doenças. Ainda há muitas casas sem águas tratadas”. Joaquim Castro diz que até há uma lei, de 1962, de quando da transição do caixão de madeira forrado a pano para a urna mais industrial, com verniz, mas “que ninguém aplica”. “A lei de 1962 diz que a urna tem de ser feita com madeira biodegradável, não pode levar produtos tóxicos e os interiores tem de ser biodegradáveis. Ninguém cumpre a lei”, atira, lamentando: “Enterram-se milhares de toneladas de produtos tóxicos como vernizes e poliésteres”. Mas se é deixada uma lata de verniz esquecida fora da sua fábrica “é uma multa enorme”. Joaquim Castro garante que uma urna ecológica não é mais cara e o corpo decompõe-se mais facilmente. “A Servilusa não perdeu um único cliente nem tem um único cliente insatisfeito por a urna ser ‘verde’. Porque a urna é igual”, diz Paulo Carreira na entrevista, enfatizando o papel do agente funerário nesta matéria da sustentabilidade ambiental. Na empresa que dirige garante haver essa preocupação, explica que até as coroas de flores têm um ciclo de vida que não termina no cemitério, são pequenos vasos que a família distribui depois, que as pegas ou são de madeira ou de metal que se retira antes do enterro. “Tenho poucas dúvidas de que há contaminação dos solos num cemitério cheio de urnas com vernizes sintéticos e tintas. Porque não é a matéria orgânica que contamina”, diz o responsável, acrescentando outro fator que pode ser contaminante, a roupa que veste o morto. “Temos essa preocupação, com o vestuário”. A Servilusa faz cerca de 6.500 funerais por ano, todos sustentáveis. E os outros? Paulo Carreira responde: Não há dados, mas se disser que 10% tem preocupações ambientais é muito. Carlos Almeida, presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas, ANEL, também admite que a percentagem de urnas sustentáveis que vão para a terra ande à volta dos 10%. Em entrevista à agência Lusa Carlos Almeida afirma que cada vez mais há a preocupação com urnas e vernizes ecológicos, faltando ainda a mesma sensibilidade em relação às roupas. “O nosso contributo foi criar uma marca certificada, CNUF, que é a possibilidade de certificação de uma urna sustentável, amiga do ambiente”, diz. Mas perante a pergunta de qual a percentagem de urnas certificadas responde: “Se calhar uns 10%. Simpaticamente uns 10%”. A ANEL, que faz o reaproveitamento de pacemakers de cadáveres para uso em animais, afirma que há progressos lentos na sustentabilidade e que a associação está a minimizar os prejuízos ambientais. Mas admite que o setor precisa de mudanças. “Os autarcas não fazem nada para mudar nada, porque se não nunca mais são eleitos”, lamenta. Sobre a questão da sustentabilidade no setor, a Lusa procurou saber também a opinião da Associação dos Agentes Funerários de Portugal mas tal não foi possível até ao momento.
Governo prevê pagamento das indemnizações dos incêndios terminado em maio
“Estou convencido de que, dentro de mês e meio, sensivelmente, nós podemos ter esses processos também concluídos”, afirmou Manuel Castro Almeida, referindo-se às candidaturas que ainda estão a ser apreciadas, a maioria apresentadas por empresas. O ministro esteve na passada quinta-feira em Mangualde, Nelas e Amarante, que são os três primeiros concelhos a verem concluídos os processos de atribuição de apoios, no âmbito das ajudas aos territórios afetados pelos incêndios de 2024. Falando aos jornalistas, em Amarante, no distrito do Porto, Manuel Castro Almeida sinalizou que naquela quinta-feira foi iniciado o encerramento do processo dos apoios às pessoas que foram vítimas dos incêndios em setembro do ano passado. Até ao momento, têm sido apoiados 25 municípios do Norte e Centro do país na reposição de infraestruturas e equipamentos públicos municipais, num investimento global de quase 19 milhões de euros, dos quais 85% são comparticipados pelo Estado. Os apoios para a recuperação de casas registam 45 candidaturas no Centro (28 já com apoios atribuídos, num total de 1,9 milhões de euros) e 29 na região Norte (28 aprovadas, num total de 928 mil euros). Na passada quinta-feira, em Amarante, foram assinados dois contratos para a recuperação de duas habitações. Segundo o ministério, foram também indemnizados 4.447 agricultores com apoios até seis mil euros (14,7 milhões de euros), sobretudo para produtores da região Centro (10,5 milhões de euros). “Houve cerca de cinco mil agricultores que receberam pequenos apoios até seis mil euros e há algumas dezenas de casas, cujos apoios já foram decididos”, destacou Castro Almeida aos jornalistas. Relativamente à recuperação de fábricas, explicou o ministro, o processo é mais complexo e vai demorar algum tempo, porque, a meio, foram alteradas [pelo parlamento] as regras e os timings de candidatura”. Fazendo um balanço positivo do processo, sobretudo a sua celeridade, para a qual, acentuou, contribuiu o empenho dos municípios, reafirmou que se pretende, “o mais rapidamente possível, dar os apoios às pessoas que precisam deles” porque, “para que haja justiça, o dinheiro tem de chegar o mais de pressa possível”. No seu discurso, Manuel Castro Almeida sublinhou que neste processo nunca estiveram em causa as verbas disponibilizadas pelo Governo. “As CCDR têm o dinheiro necessário para pagar as indemnizações. O caso dos agricultores está praticamente concluído, só não estão os agricultores que vieram fazer a candidatura há pouquíssimos dias. No caso das casas, está praticamente pronto. No caso das fábricas, ainda está a decorrer o prazo para entrega de candidaturas, que termina no final deste mês”, resumiu. Questionado sobre se a queda do Governo pode criar algum obstáculo para a conclusão deste processo, o ministro disse acreditar que não. “O Governo [em gestão] pode fazer aquilo que é urgente e eu considero que estes apoios às vítimas dos incêndios que ocorreram no ano passado são processos urgentes”, concluiu. Os incêndios rurais em 2024 registaram a terceira maior área ardida da última década, totalizando 136.424 hectares, a maioria consumida pelos fogos de setembro.
O mundo está "doente" e "a poesia não acalma terramotos" afirma mensagem da SPA
“As árvores caem e o seu bafo meio moribundo quando chega ao solo emite um som que parece o de socorro. Os animais guincham com a sua voz particular e analfabeta, mas que sabe coisas que são bem audíveis nesses guinchos que atravessam bosques e montanhas e que quando entram nas cidades imobilizam tráfego e semáforos, os candeeiros apagam-se e fica noite subitamente em todo o lado porque a eletricidade é sensível a uma certa frequência do medo que vem nos guinchos dos animais mais antigos”, escreve o autor. Gonçalo M. Tavares lembra, contudo, que há quem escreva poesia “com as costas curvadas” ou “em bicos de pés, como uma bailarina, tentando escrever as palavras mais altas num ponto mais alto, como se a vida fosse simples e métrica e a poesia aparecesse só a partir de certa altitude do humano”. O escritor continua, acrescentando que “altitude é uma palavra que também deve ser usada para os humanos e não apenas para o avião ou para a montanha”. “E sim: o mundo está sonoramente doente e a cegueira é também por vezes uma forma terrível de descansar. As imagens vêm doentes já, à partida, a coxear e com nacos delas mesmas a cair no chão a cada passo. As imagens que recebemos estão mesmo doentíssimas, constipadas, as mais delicadas, umas outras com doenças absolutamente terminais; muitas com doenças contagiosas: vês e ficas parvo, vês e ficas tonto, vês e ficas louco, vês e ficas com cirrose, vês e ficas com sífilis, vês e ficas com gangrena que ofereces no natal como espetáculo à família, mesmo que de modo involuntário”, considera o autor. Na opinião de Gonçalo M. Tavares, “as imagens são coisas perigosas, são os animais que andam por aí bem mais contemporâneos dos lobos do que se pensa; as imagens caçam humanos com os seus dentes cheinhos de tédio e pressa: tenho tédio e tenho pressa, sai da frente, quero aborrecer outro, quero chocar outro”. “E o humano vai resistindo como pode, pega num guarda chuva para combater um furacão e por vezes num livro de poesia para pousar sobre a terra que começa a tremer num terramoto de escala aterradora”. Mas esse terramoto “não se comove com o livro de poesia ingenuamente colocado sobre o solo”, pois “no real abananço da vida normal vai livro, vai mão, vai o teto de século XVI tão lindo, vai a fachada inteira, o prédio rombo rui agora para sempre e, no meio dos destroços, os obcecados os desvairados os distraídos estarão, quem sabe, dias e dias em processo em tentativa de recuperar, no meio dos escombros, um original qualquer de poesia, passando ao lado de mãos que pedem ajuda e de urros humanos que manifestam com essa voz animal que ainda respiram e querem viver”, lembra o escritor. Mas sim – admite -, alguns “obcecados” pela poesia “resgatam dos escombros do século XXI um livrito de versos, sacodem a poeira, tentam perceber se as metáforas estão legíveis e belas e imediatamente inauguram um belíssimo recital de poesia com chá de menta e bolos secos, daqueles de manteiga, meio torcidos, que se esfarelam nos dentes” como se fossem eles mesmos “pedaços de escombros” feitos de manteiga e açúcar, “péssimos para a saúde cardíaca e do sangue que está lá por dentro”. “E é isso: por vezes existe mais produto interno de metáforas na urgência bruta do dia do que em livros encadernadíssimos”, sustenta, concluindo: “Mastiguemos, então, biscoitos e imagens sentados no sofá sonolento e brindemos ao poente por vir em que resolver urgências se torne belo”. Adotado pela Organização das Nações Unidas para a Cultura, Educação e Ciência (UNESCO, na sigla em inglês) em 1999, o Dia Mundial da Poesia pretende "homenagear poetas, reviver tradições orais de recitais de poesia, promover a leitura, escrita e ensino de poesia, e fomentar a convergência entre a poesia e outras artes".
Mais de 1,2 milhões de pessoas já sentiram discriminação em Portugal
A cor da pele, o território de origem ou o grupo étnico foram os fatores que estiveram na base da discriminação sentida por quase meio milhão de pessoas, de acordo com os dados com os quais o INE assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, 21 de março. Em 2023, a percentagem de pessoas entre os 18 e os 74 anos que sofreu discriminação no país foi de 16,1% (mais de 1,2 milhões). Destas, 60,6% identificou fatores como a idade, sexo, escolaridade ou a situação económica e dois quintos (40,1%) referiu a cor da pele, território de origem ou grupo étnico.
Governo disponibiliza 1 milhão de euros para modernizar transportes públicos
Em comunicado, o Ministério das Infraestruturas e Habitação, tutelado por Miguel Pinto Luz, refere que esta verba, disponibilizada no âmbito do Fundo de Transportes, tem como objetivo combater a exclusão e pobreza de mobilidade fora das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto. No total, a verba a disponibilizar é de 1 milhão de euros, 750 mil para a aquisição e instalação de abrigos e os restantes 250 mil para o desenvolvimento e produção de informação ao público, nomeadamente mapas de rede, horários, tarifários e outras informações. “Trazer mais pessoas para o transporte público, um dos desígnios deste Governo, passa também por criar condições atrativas, seja com a oferta de mais material circulante, tarifas mais baixas, mais qualidade dos equipamentos como os abrigos ou oferta de informação”, afirma o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, citado na nota. As entidades beneficiárias são municípios, Comunidades Intermunicipais e operadores de transporte público se forem responsáveis pelas infraestruturas. “Este valor pode vir a ser reforçado, sob decisão da tutela, mediante a procura efetiva que vier a verificar-se”, acrescenta ainda a nota.
Ministra acredita que políticas culturais do Governo vão ter “continuidade garantida”
À margem da abertura do Congresso Internacional “Camilo Castelo Branco, 200 anos depois”, questionada pelos jornalistas sobre o impacto da queda do Governo, Dalila Rodrigues disse que o que estão em causa “são políticas culturais de caráter estruturante que respondem a necessidades elementares do tecido cultural português”. “Por exemplo, dinamizar as bibliotecas municipais, há 303 municípios que têm bibliotecas. Temos o objetivo de dotar todos os [308] municípios de bibliotecas municipais. Este objetivo é um objetivo muito nobre. Não é possível? Não é aceitável que cada município não tenha a sua biblioteca municipal”, afirmou a ministra, repetindo um dos temas que percorreu o seu mandato, sobre a necessidade de potenciar a ação das bibliotecas enquanto unidades patrimoniais do território. Questionada sobre se estaria disponível para fazer parte de um novo Governo, após as eleições legislativas de 18 de maio, a ministra afastou uma resposta: “Estamos a fechar um ciclo. Há tantos fatores que podem interferir nessa previsão que não vou evidentemente dizer nada a esse respeito. Eu estou muito motivada e vou continuar a cumprir a minha missão”. Em relação às declarações do seu antecessor, Pedro Adão e Silva, que na quinta-feira classificou o ano de mandato de Dalila Rodrigues como “um ano perdido para as políticas culturais”, a ministra reagiu dizendo: "Todos somos poucos para afirmar a Cultura. Não vou comentar um comentário de uma pessoa que faz comentário político". As eleições legislativas antecipadas vão realizar-se a 18 de maio, na sequência da crise política que levou à demissão do Governo PSD/CDS-PP, anunciou o Presidente da República na quinta-feira. Numa comunicação ao país após uma reunião do Conselho de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa pediu um "debate claro, digno" nos mais de 60 dias que faltam para o ato eleitoral. Marcelo Rebelo de Sousa já tinha dissolvido a Assembleia da República em dezembro de 2021 e em 09 de novembro de 2023.
OPINIÃO
"A intimidante combinação de palavras: Inovação Pedagógica", opinião de Joana Regadas
Lê-se num documento lançado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES): “O crescente acesso de jovens ao Ensino Superior tem colocado problemas de desajustamentos no que concerne às tradicionais metodologias de ensino”. Este documento, datado de 2022, evidencia a necessidade de reformulação do papel do Ensino Superior, reforçando que “deverá voltar-se para o desenvolvimento de pessoas autónomas, dotadas de pensamento crítico e criativo”. No entanto, três anos depois, a combinação de palavras inovação pedagógica parece ainda intimidar muitos docentes e até mesmo estudantes. A realidade é que a Universidade de Aveiro se encontra na vanguarda de implementação destas novas metodologias de ensino e pedagogia, no entanto, esta não é transversal a todos os cursos lecionados, parecendo muitas vezes que somos, ao mesmo tempo, duas universidades em espaços temporais diferentes. Enquanto uns aprendem com metodologias deste século, têm salas idealizadas para estas novas metodologias e são parte ativa do seu processo de aprendizagem e avaliação, tantos outros continuam a aprender com aulas totalmente expositivas, com os mesmos slides de há 10 anos, em salas idealizadas para um ensino de 1973 e sem uma única oportunidade de escolherem como preferem aprender e como podem ser parte ativa da sua formação enquanto cidadãos. Muitas questões se levantam para estas diferenças dentro do mesmo ambiente de estudo. Porque é que nem todos os estudantes podem estar no centro do sistema de aprendizagem? O que impede a aplicação destas metodologias de uma forma transversal? Será relutância por parte do corpo docente, ou então os próprios estudantes estão intimidados com a carga horária adicional que estes novos métodos podem trazer? A verdade é que, atualmente, há um desencontro entre o que o estudante prefere e necessita e o que o sistema de ensino fornece, revelando-se urgente repensar o Ensino Superior, readaptar os currículos, formar o corpo docente, replicar os casos de sucesso - como “Do Marketing às Línguas: A arte da Escrita Criativa” e “ARTE: Aprendizagem Reflexiva através do Teatro para a Transformação Socio-Ecológica” - noutras áreas mais desafiantes e não ter receio das novas tecnologias. Apesar da inovação pedagógica parecer a solução para todos os males do Ensino Superior, é preciso não descurar o delicado equilíbrio que pode introduzir na carga horária. Se é exigido ao estudante que se envolva de forma mais ativa e que despenda de mais tempo para conseguir realizar toda esse trabalho prévio e autónomo, é também necessário que os currículos passem a ser pensados de forma que as unidades curriculares estejam interligadas e promovam a interdisciplinaridade, que acaba por ser a segunda palavra mais intimidadora de todo este processo. Para isso, todos os órgãos envolvidos na construção e avaliação de planos curriculares, como comissões de curso e conselho pedagógico, têm de ser uma parte ativa neste processo. A intimidante combinação de palavras, inovação pedagógica, tem de ser um caminho partilhado, e a inovação não pode partir apenas de um dos lados da sala de aula. Certo é que o caminho é longo e pelo meio surgirão sempre novas metodologias, mais informações, e a teia, já com muitos pontos ligados, torna-se cada vez mais preenchida. No entanto, é por esta mesma razão que é necessário sair do conforto da sala de aula tradicional e repensar o papel de professor e aluno, envolvendo todos na pergunta de milhões “Ǫual é o futuro da educação?”.
"O Estado falhou com a Ana Paula Santos. O Estado somos nós", opinião de Miguel Pedro Araújo
O alarme (09/2024) e o despertar da comunidade (03/2025) foram despoletados pela decisão da autarquia de Loures em demolir as “autoconstruções” (o eufemismo atual para “barracas”), erguidas no bairro do Talude Militar, e pelo constante receio que as mulheres sentem pela possibilidade da retirada das crianças por falta de habitação e consequente institucionalização pelo Estado. O caso de Ana Paula Santos (espelho de centenas de outros casos semelhantes), mediatizado há dias, levou à mobilização da comunidade e de alguns movimentos coletivos. De forma resumida (o caso é público, ainda bem), Ana Paula Santos é uma mulher com 38 anos, natural de São-Tomé, principal núcleo de uma família monoparental, mãe de três filhas (4, 9 e 18 anos) que frequentam a escola, cuidadora de idosos, aufere o salário mínimo, é contributiva, mas sem qualquer apoio estatal. Ana Paula, que vive desde a demolição da sua “autoconstrução” em finais de 2024 numa pensão em situação precária, deu à luz, no dia 18, o pequeno Heitor sob a incerteza de poder ficar com o seu filho e de ter um lugar onde morar após a alta hospitalar. Todos estes pormenores não são, de todo, menores, mas antes ‘pormaiores’. Este caso apresenta-nos duas disfuncionalidades do Estado em matéria de Políticas Públicas em Habitação e Ação Social. Na Habitação, a revogação, por este último Governo, de um conjunto de medidas que estavam, há pouco mais de um ano, a ser implementadas sob a tutela da ex-ministra Marina Gonçalves (PS) afigura-se preocupante. Supostas políticas de benefícios dos (apenas alguns) jovens, o fim do congelamento das rendas (87 mil pessoas ficaram sem o apoio extraordinário à renda), a revogação do programa “Arrendar para Subarrendar” ou a nova lei do uso dos solos, para além de não estagnarem ou inverterem a crise habitacional, originaram a que, em apenas um ano de governação (2024-2025), o preço dos solos rústicos tivesse um aumento médio de 71% (fonte: imobiliária ERA) e o das habitações disparado 10,8%, no início de 2025 (comparando com janeiro de 2024, segundo o INE). Não há outro lado da realidade dura e crua. Ninguém constrói, por belo prazer, uma ‘barraca’ a não ser no limite do desespero e da ausência de qualquer alternativa ou apoio, preferindo, mesmo sem condições, quatro paredes e um teto a viver na rua. Ninguém constrói uma ‘barraca’ a não ser porque o Estado falhou na sua responsabilidade enquanto garante de um direito social fundamental e constitucional: uma casa. O mesmo Estado que, não cumprindo a sua função e missão, numa inqualificável incapacidade política de assumir a sua responsabilidade (como o demonstram as recentes afirmações deploráveis de Maria Palma Ramalho, ministra do Trabalho, que disse, publicamente, que a resposta à crise da habitação não é responsabilidade do Governo, mas sim das autarquias… e disse isto sem se ‘rir’), em vez de agir de forma a ser parte (e uma boa parte) da solução, é fator de incremento do problema. Em muitos casos num manifesto atropelo dos direitos e da lei, por exemplo, a Lei de Bases da Habitação que não permite que alguém seja desalojado sem que, antecipadamente, lhe seja garantida uma alternativa. Demolição por mera demolição gera nova ‘autoconstrução’… é da sobrevivência humana. E hoje assistimos, por exemplo na zona de Lisboa, a um preocupante retrocesso social e civilizacional até aos anos 80. Se por si só todos estes contornos são mais que esclarecedores sobre a forma como o Estado age (ou abstém-se de agir) em relação aos mais frágeis e às minorias, o recente relatório intercalar “Portugal, Balanço Social 2024” indica que cerca de 900 mil trabalhadores (8,9% da população), que auferem um rendimento mensal, encontram-se em situação de pobreza absoluta, muitos deles sem recursos para se poderem abrigar debaixo de um teto (13 mil pessoas viviam, em 2023, em situação de sem-abrigo)… ou que 1,3 milhões de portugueses não possuem recursos financeiros para pagar uma dieta adequada. Sendo que por “dieta adequada” entende-se uma despesa mínima em alimentação de 5,5 euros/dia. Mas as milhares de “Anas Paulas” que existem revelam outra falha do Estado: a das políticas públicas de intervenção social. Como se já não fosse, por si só, degradante, estigmatizante e cáustico ser-se pobre, a irresponsabilidade social do Estado, a sua ineficácia na implementação de políticas de coesão e providência social, a sua ação não é a da solução ou a da resposta. O Estado limitou-se, mal, a penalizar duplamente: por um lado falhou nas políticas de alavancagem social (onde se insere a habitação, o emprego e o salário ou os programas de apoio aos mais vulneráveis) e, por outro lado, age punitivamente sobre a própria coesão familiar e relação mãe-filha(o)s. Sendo que neste caso é, também (e muito), questionável a opção linear da retirada da criança do seio familiar a uma mãe que não maltrata os seus filhos, que os protege, que trabalha, mas que apenas não tem condições (porque a sociedade e o Estado não lhas proporcionam, por inércia e inação) para ter uma habitação digna. A própria Comissão Europeia, tal como lembrou há dias a economista Susana Peralta, em 2024 recomendava que a pobreza não devia ser motivo para que crianças fossem colocadas em cuidados alternativos. Isto porque a Comissão Europeia entende que cabe ao Estado promover políticas públicas e encontrar mecanismos que criem condições que evitem a separação familiar. Aliás, algo que a própria UNICEF sempre proclamou no superior interesse e direitos das crianças. Ao caso, tomemos o exemplo da medida governativa que determina que uma família de acolhimento possa receber o apoio até perto dos 800 euros (quase um salário mínimo) por criança acolhida. Excluindo, por agora, a discussão ética e moral sobre eventual mercantilização do processo de acolhimento, fica difícil perceber o porquê do Estado, perante o que é a realidade e o contexto do caso de Ana Paula, não apoiar a procura de uma habitação digna para esta família e subsidiar o arrendamento com este valor de “acolhimento”. O valor que, provavelmente, entregaria, caso o pequeno Heitor (ou as outras 3 filhas de Ana Paula) fossem institucionalizadas (e só neste processo a despesa pública seria mais elevada) e resultasse um processo de acolhimento por outra família. É óbvio que esta análise é a vertente economicista de uma Política Pública. A realidade é que, em muitas circunstâncias, e nesta em particular, mesmo uma Política Pública é muito mais do que uma despesa pública ou um mero subsídio financeiro. São vidas, afetos, relações familiares e sociais, crescimento humano e o fortalecimento de uma sociedade que se pretende coesa, inclusiva, justa e humanitária. E isso, cabe-nos, também, a nós todos.
"De Indecentes e más figuras, está o povo cansado!", opinião de Marcos Sousa
Dia 11 de março de 2025 - e volvido pouco mais de um ano de os portugueses terem dado à Aliança Democrática (AD) uma vitória magra nas últimas eleições legislativas - o Governo caiu, após o chumbo da moção de confiança apresentada pelo próprio. Quanto à moção de confiança, já lá vamos, uma vez que considero pertinente fazer um resumo daquilo que provocou a crise política que estamos a viver. A SpinumViva, fundada em 2021, foi apresentada, primeiramente, pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, à época afastado da vida política, como uma empresa familiar constituída para gerir o património da sua família. Contudo, Luís Montenegro voltaria à vida política ativa, ao assumir a liderança do PSD em 2022 e, por conseguinte, transferiu as participações que detinha na SpinumViva para a sua esposa e para os seus filhos, contudo, como é casado em regime de comunhão geral de bens, as participações que havia transferido para a sua esposa continuavam, legalmente, a ser suas. O cenário ficou ainda mais problemático quando a Solverde anunciou que pagava uma avença mensal, de 4.500 euros, à empresa da família do primeiro-ministro. É prudente lembrar que Luís Montenegro já havia prestado serviços à Solverde, relacionados com a assessoria na negociação com o Estado, para a prorrogação da concessão dos casinos de Espinho e do Algarve ao grupo, até dezembro deste ano. Após outras empresas anunciarem que tinham contratos com a SpinumViva, CHEGA e PCP apresentaram moções de censura ao governo, sendo ambas rejeitadas na Assembleia da República. Contudo, no debate da moção de censura apresentada pelo PCP, Luís Montenegro, que já havia anunciado essa intenção numa declaração ao país, revelou que os partidos da oposição deveriam clarificar se existiam ou não condições para o Governo prosseguir com o cumprimento do seu programa sendo que, se essa clarificação não surgisse, o governo apresentaria uma moção de confiança. Foi agendado esse debate e, consequentemente, a votação que originou o chumbo já referido. Como seria de esperar o ambiente do debate foi escaldante, havendo troca de acusações entre o Governo e os vários partidos de oposição, em especial com o PS. Perto do fim do debate, Hugo Soares, líder da bancada parlamentar do PSD, afirmou que o Governo havia tentado de tudo para não levar o país a novas eleições, após o deputado ter sugerido a votação de um requerimento para a pausa nos trabalhos de 30 minutos, com o objetivo de Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos poderem discutir uma solução, algo que o PS rejeitou, alegando que, num debate desta importância, todos os esclarecimentos deveriam ser dados aos portugueses no hemiciclo. Depois, Pedro Duarte, ministro dos Assuntos Parlamentares sugeriu que a CPI avançasse e que, em 15 dias se obtivessem as conclusões necessárias, algo que o Partido Socialista rejeitou, uma vez que as Comissões Parlamentares de Inquérito tendem a durar, no mínimo, 90 dias, podendo muitas delas ser prolongadas para 120 dias ou até mais. E, finalmente, após a intervenção de encerramento de Joaquim Miranda Sarmento, ministro de Estado e das Finanças, e quando a votação se iria iniciar, o CDS-PP interpôs, potestivamente, um requerimento que levou o Presidente da Assembleia da República a interromper os trabalhos durante uma hora. Passando agora, à opinião propriamente dita, eu gostaria de começar por uma citação: "Indecente e má figura", foi a expressão que Luís Montenegro usou no 41° Congresso do PSD, realizado em Almada, para se referir à forma como o Governo de António Costa "caiu". Volvidos aproximadamente dois anos, eis que lhe bate à porta uma situação absolutamente confrangedora relacionada à já referida empresa familiar, SpinumViva, cuja sede se encontrava, até à bem pouco tempo, em sua casa. Não sendo jurista, não pretendo comentar a situação do ponto de vista jurídico, pois não possuo conhecimento para tal, contudo não posso deixar de tirar algumas conclusões após todo este processo. Ao longo deste tempo, Luís Montenegro, o seu Governo e as bancadas parlamentares que o sustentam apresentaram uma postura sobranceira, arrogante e, no debate de ontem, tentaram manobrar o desconhecimento que a maioria dos portugueses tem sobre as regras do Regimento da Assembleia da República para mostrar uma aparente predisposição para negociar com a oposição. É possível pensar que o povo, já farto de eleições, irá responsabilizar nas urnas o/os partido/s que pensem ter provocado uma nova crise política, contudo não posso deixar de acreditar que o senhor primeiro-ministro se pôs a jeito, na medida em que os esclarecimentos que tem prestado não têm sido suficientes, deixando o ónus de uma eventual crise política para os partidos políticos da oposição representados na Assembleia da República. Todo este taticismo político que tem sido aplicado ao longo deste processo não faz bem à democracia, esta atitude prepotente e irresponsável do primeiro-ministro português não faz bem à democracia, até o simples facto de Luís Montenegro não admitir qualquer problema ético relacionado à sua conduta deve ser encarado com um problema. Não é normal que uma empresa de um primeiro-ministro receba avenças de uma outra empresa, sobretudo quando se trata de uma empresa que precisa do Estado para garantir grande parte do seu volume de negócios. Dito isto, impõe-se uma reflexão: Luís Montenegro e o seu Governo insistem em propagar a ideia de que tudo isto não passa de uma tentativa da oposição de desestabilizar o país, de criar artificialmente uma crise política. Contudo, é inegável que quem se colocou nesta posição foi o próprio primeiro-ministro, uma vez que, desde o início deste caso, a estratégia governativa tem sido a da fuga para a frente, com respostas pouco convincentes, silêncio e um desrespeito flagrante pelas mais elementares regras de transparência e ética política. Acusar o Partido Socialista de ser um fator de instabilidade no país é anedótico, uma vez que tudo fez para suportar este Governo, viabilizando o Programa de Governo, o primeiro Orçamento de Estado e chumbando duas moções de censura. Contudo, não é possível suportar quem se quer deixar cair ao apresentar uma moção de confiança que já tinha chumbo garantido. Termino, dizendo que o verdadeiro “adulto na sala” foi o Partido Socialista que sempre defendeu a necessidade de estabilidade para governar, mas sem permitir que essa estabilidade sirva de escudo para ocultar práticas que fragilizam a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas. O que está aqui em causa não é apenas uma eventual questão de legalidade – é uma questão de credibilidade, de respeito pelo interesse público e de compromisso com um exercício digno e íntegro do poder e nisso, este governo falhou.
"O legado de Aveiro como Capital Portuguesa da Cultura", opinião de João Sarmento
Fazer um balanço de Aveiro enquanto Capital Portuguesa da Cultura é um exercício essencial, sobretudo pelo potencial que este título poderia ter trazido para a cidade e para o município. Recentemente, em entrevista à Ria, Bruno dos Reis, ex-diretor artístico do GrETUA, teceu algumas considerações relevantes sobre as políticas de Cultura em Aveiro, pelo que o timing não poderia ser mais conveniente. Historicamente, a Cultura tem sido sempre um parente pobre e Bruno dos Reis sublinha precisamente isso. Em 2015, Aveiro, enquanto capital de distrito, encontrava-se mergulhada completamente no obscurantismo. Apesar de alguns avanços, a cidade continua numa situação frágil ou de alguma fragilidade, longe de afirmar-se verdadeiramente como uma referência cultural. No primeiro dia do ano de 2024, já como Capital Portuguesa da Cultura, os aveirenses viram os preços dos museus aumentar 40% por decisão do Executivo aveirense. Uma decisão que, logo à partida, não prestigia o título que a cidade de Aveiro recebeu. Como se não bastasse, ainda no primeiro mês do ano, perdemos um dos maiores espaços de promoção e de divulgação de cultura, o mítico e irreverente Mercado Negro. Piorando assim a oferta cultural na cidade, uma vez que o Avenida Café Concerto também já tinha sido encerrado pela forte pressão imobiliária que assombra todo o município. Ao longo destes últimos anos, a Cidade de Aveiro não tem vindo a afirmar-se como uma capital da Cultura. Aliás, o investimento desde Executivo camarário neste setor nem sequer é o mais elevado da região de Aveiro. É inconcebível que cidades com um menor número de habitantes do que Aveiro consigam proporcionar aos seus munícipes uma melhor oferta cultural do que a capital de distrito. O que, de facto, demonstra a forma como a Cultura é desvalorizada pela Câmara Municipal de Aveiro. Investir em Cultura é muito mais que criar infraestruturas e comprar novos equipamentos. A Cultura é pessoas, é criatividade, é imaginação. Este investimento deve focar-se na capacitação dos seus principais intervenientes: os artistas. O investimento tem de servir também para promoção e divulgação dos eventos culturais – frequentemente negligenciado -, como também para democratizar o acesso à cultura, tornando-a mais acessível e inclusiva, seja como interveniente ou como espectador. Só assim poderemos ter uma verdadeira democracia cultural e promover um crescimento coletivo ao nível intelectual, espiritual e social. A Cultura é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento do espírito crítico, essencial para o nosso progresso enquanto sociedade. Ao longo do ano da Capital Portuguesa da Cultura, Aveiro não assistiu à criação de nenhuma nova associação cultural ou teatral, nem à inauguração de espaços dedicados à produção artística. Também não foram criadas residências artísticas, fundamentais para fomentar um verdadeiro centro cultural. O que este Executivo fez foi, basicamente, continuar com a agenda cultural já existente – trazendo apenas mais alguns grupos culturais estrangeiros -, e colocar o selo da Capital Portuguesa da Cultura. Como se não bastasse, os artistas de rua viram-se impedidos de exercer a sua arte, com requerimentos para atuações reiteradamente indeferidos pelo próprio presidente da Câmara. Durante esse ano, ainda tivemos o caricato episódio da obra de arte mistério, escolhida unilateralmente pelo presidente. O Executivo optou por não auscultar ninguém, nem debater o tipo de obra de arte que seria colocada num ponto central da cidade e tão emblemático como as pontes. Aqui reside o verdadeiro problema: não há debate, não há diálogo, não há abertura. Os munícipes não são tidos em conta, a oposição não é tida em conta; no fundo, não há uma promoção da democracia participativa. Quando os políticos assumem esta postura de ignorar quem os elegeu, torna-se incompatível estruturar um plano sólido para alavancar e potenciar qualquer que seja o domínio em apreço. Devido à inexistência de um verdadeiro plano estratégico para a Cultura, as associações culturais e teatrais do município não foram devidamente envolvidas na Capital Portuguesa da Cultura. Quando um município tem o privilégio de receber um título desta magnitude deve começar por reunir-se com os agentes culturais locais, de forma a capacitar e fazer evoluir a Cultura que está já a ser desenvolvida na cidade. Só assim é que se consegue alavancar a cultura num município, envolvendo as raízes culturais e fazendo-as crescer e florescer de forma orgânica e sustentável. Ao não o fazer, perdemos ativos preciosos como o Bruno, obrigando-os a mudar de cidade para se poderem realizar e terem a carreira profissional e o sucesso que ambicionam. Infelizmente, Aveiro não faz o necessário para atrair e reter os seus melhores. Desejo as melhores felicidades e sucessos ao Bruno e a todos aqueles que tiveram de sair da sua terra para abraçar novos desafios, esperando que a cidade de Guimarães proporcione ao Bruno o reconhecimento e as oportunidades que a cidade de Aveiro lhe negou. Epilogando, se fizermos uma verdadeira reflexão sobre o legado que fica por termos sido a Capital Portuguesa da Cultura, concluímos que o que sobra é um autêntico vazio e (mais) uma oportunidade perdida de alavancarmos Aveiro como uma verdadeira Capital de Distrito da Cultura e de projetar o município no panorama nacional e internacional como um polo de criação e difusão cultural. O balanço final é o de uma promessa desperdiçada, que se traduziu numa oportunidade perdida para a cidade, para os seus artistas e para a sua comunidade.
"Inovação em Portugal: Podemos Alcançar uma Patente por Dia?", opinião de Pedro Lages
Os números não mentem: em 2023 foram pedidas por entidades portuguesas 329 patentes junto do European Patent Office. Ainda abaixo de uma patente por dia, mas será este um objetivo adequado? Num recente episódio do ainda novo podcast do Expresso “Liga dos Inovadores”, o antigo ministro da Economia, António Costa e Silva, divulgou que tinha o sonho de que o país fosse capaz de “registar” uma patente por dia. Temos vindo a percorrer um caminho lento e sustentado, mas será este um sonho ajustado à nossa realidade e capacidade? Existem diversos fatores que podem impactar o número de pedidos de patente que cada país soma anualmente. O Sistema Nacional de Inovação tem a sua influência neste número e o investimento em I&D, individualmente considerado, é um desses fatores. Tendo em conta que no ano de 2021 Portugal investiu 3,57 mil milhões de euros em I&D, qual é que seria um número de patentes equiparável à média europeia? Quanto investiram em I&D e quantas patentes pediram nestes anos os nossos “parceiros” europeus? (Dados Pordata vs EPO) • Alemanha – 110 mil M€ em I&D | 24.966 patentes (227 por mil M€) • França – 65 mil M€ em I&D | 10.814 patentes (166 por mil M€) • Suécia – 18,4 mil M€ em I&D | 5.139 patentes (279 por mil M€) • Países Baixos – 18 mil M€ em I&D | 7.033 patentes (391 por mil M€) • Dinamarca – 9,5 mil M€ em I&D | 2.596 patentes (273 por mil M€) • Finlândia – 7,5 mil M€ em I&D | 2.336 patentes (311 por mil M€) • Portugal – 3,57 mil M€ em I&D | 329 patentes (92 por mil M€) O indicador anterior aponta uma clara dificuldade da economia portuguesa traduzir em patentes a I&D realizada. Essa dificuldade pode efetivamente estar relacionada com o perfil da nossa estrutura produtiva, à qual ainda se reconhece uma baixa ou moderada intensidade tecnológica. Por outro lado, importa salientar que nem sempre as patentes são a solução que permite maximizar a vantagem competitiva. Há diversos modelos cujo alinhamento com o sistema de patentes não é o mais linear, como por exemplo os modelos de ciclo de inovação rápido onde a inovação evolui rapidamente, modelos suportados em segredo industrial ou estratégias de open innovation. Certo é que a estratégia de PI definida para uma dada tecnologia/produto vai influenciar diretamente a sua competitividade e o retorno do investimento efetuado, pelo que é necessário desde logo prudência. As patentes continuam a ser, inegavelmente, o melhor instrumento para proteção de tecnologias disruptivas sendo, por isso, extraordinários indicadores de potencial tecnológico. Do ponto de vista do mercado e da competitividade internacional, conferem direitos de exclusividade (monopólio) para além do seu valor económico próprio, transferível e transacionável. Os Países Baixos, a Finlândia, a Suécia e a Dinamarca demonstram que é possível ter altas taxas de pedidos de patente por investimento em I&D. Esse investimento é desde logo a chave (média ~3% PIB), juntamente com uma clara perceção da rentabilidade associada à proteção, quer nas empresas quer nas políticas públicas, um setor económico de alta especialização e intensidade tecnológica, mas também com uma forte estratégia de internacionalização. Como podemos então aproximar-nos desta trajetória? Será através de políticas que reforcem o perfil de especialização e a intensidade tecnológica, que incentivem a colaboração entre setores estratégicos, que promovam a transformação de conhecimento em inovação real e que maximizem o impacto do investimento, como por exemplo: • Vincular incentivos à inovação ou internacionalização a indicadores de proteção de propriedade intelectual; • Maximizar o benefício fiscal em incentivos como o SIFIDE, através de critérios associados à conversão e proteção dos resultados dos projetos de I&D; • Facilitar o acesso ao patent box para promover retornos através de licenciamentos de patentes; • Ampliar o apoio direto à proteção da propriedade intelectual, designadamente junto de startups e PME’s inovadoras; • Promover auditorias de PI junto de PME’s para guiar as empresas na identificação de oportunidades de proteção e capitalização da sua inovação. Portugal tem feito vindo a fazer um caminho relevante, demonstrando talento e capacidade de inovação. O desafio está em acelerar a transformação desse potencial em competitividade global. E ambicionar um pouco mais, apontando às 2 patentes por dia.
"O dia “D”, de democracia", opinião de Miguel Pedro Araújo
A dinâmica da democracia tem esta nobre essência: devolver ao povo a legítima e soberana de escolherem o destino do país. As crises políticas fazem parte da vivência democrática de um Estado de Direito. Neste contexto, não são os cidadãos que têm ou devem ter medo de exercer o seu direito político e o seu dever cívico. O uso da narrativa do “ninguém quer eleições” é falaciosa e demagoga. Esta apropriação da vontade coletiva é abusiva e inconsistente. Quem sempre pareceu ter receio de um processo eleitoral, paradoxalmente, foi o Governo e o PSD (que foram quem colocou o cenário para ponderação da Assembleia da República) ou aqueles que se deparam com o risco factual e real de perderem o seu lugar parlamentar ou governativo. O país não parará por três meses, as empresas não deixarão de produzir, os serviços, de uma forma, eventualmente, mais lenta, não deixarão de prosseguir as suas funções. O mundo não mudará o seu ciclo (neste momento, infelizmente, de pernas para o ar) por causa das eleições em Portugal. Basta recordar que a Alemanha, em plena crise geopolítica global, ainda há pouco mais de duas semanas teve um processo eleitoral (também fruto de uma crise política interna), sem qualquer tipo de constrangimento. Não haverá paralisia funcional do país só porque há eleições… Pode, de facto, haver alguns atrasos, que podem impactar, por exemplo, com o PRR ou outras temáticas deliberativas (por exemplo, a revisão do RJIES… embora, neste caso, até possa ser uma boa notícia). Portanto, o país vai para eleições porque a democracia assim o determina, a ética política assim o exige, a transparência a isso o obriga. Aqui chegados, temos que ser claros. Os únicos responsáveis pela crise política e pela queda do Governo são Luís Montenegro e o PSD. Acho que não vale a pena trazer para aqui a “fita do tempo” sobre o que trouxe o estado de alma da política nacional até ao dia de hoje: o primeiro-ministro teve todas as oportunidades, primeiro de forma proativa, depois por pressão da oposição para esclarecer e limpar todo o contexto que poderia levantar e levantou suspeitas do não cumprimento da exclusividade a que está obrigada a sua função; para clarificar dúvidas sobre transparência e imparcialidade; sobre eventual e alegado incumprimento fiscal e ético. Não é inócuo o que a Entidade da Transparência já afirmou, o que alguns constitucionalistas já proferiram ou a ação que a Procuradoria-geral da República já está a desenvolver (após denúncia) e que, há pouco mais de um ano, foi motivo semelhante para a “emissão de um parágrafo palaciano”. Ora, a apresentação, por parte do Governo, da moção de confiança que foi chumbada foi, para além de um enorme tiro no pé, querer condicionar a democracia e querer limitar a Assembleia da República. Não vale a pena o esforço inglório do PSD querer sacudir a água do capote, passar a terceiros a responsabilidade que só a eles lhe cabe. O cenário era por demais conhecido, pelo menos há um ano. Face ao quadro parlamentar vigente, qualquer moção de confiança era, à partida, um processo morto à nascença. O Partido Socialista sempre o deixou bem claro: não passariam moções de censura, como nunca viabilizaria uma moção de confiança. O que se assistiu hoje [ontem], na Assembleia da República, foi um mau exercício da nobre função política e uma afronta à democracia. Usar um mecanismo parlamentar para esconder as responsabilidades de transparência e de ética (pelo menos) do primeiro-ministro, revertendo a temática em causa e em debate (a moção) em subterfúgios políticos (querendo discutir o que não estava em discussão: a Comissão Parlamentar de Inquérito; ainda por cima invertendo todas as regras, competências, funcionamentos e procedimentos regimentais e legais), criando, com isso, uma crise política e a queda do Governo, é um ato político que cabe, única e exclusivamente, ao Governo. Toda a oposição (com a exceção demonstrada pela IL e pelo CDS) foi apenas coerente com as suas posições. Aliás, o PSD e o Governo usarem o PS como bandeira da irresponsabilidade é um deplorável ato de baixa política e de desespero partidário. O PS, até à data, por exemplo, viabilizando o Orçamento do Estado, deu todas as condições para o Governo e o PSD governarem. Num momento de fragilidade política, o primeiro-ministro preferiu criar uma crise política e escamotear as suas responsabilidades, e, claramente, autodemitiu-se, a si e ao seu Governo. Mais do que o povo ter medo de eleições (que não tem), o que o povo receia, mesmo, é a deterioração da democracia e do Estado de Direito, e o que o povo não quer, garantidamente, é voltar a assistir ao ignóbil circo que hoje se assistiu na Assembleia da República, como joguinhos estratégicos, com manobras e truques que só tinham como objetivo condicionar a democracia e enganar os portugueses. Posto isto, o futuro estará, democraticamente, nas mãos dos portugueses. Não vale a pena estarmos a tecer cenários, mesmo com o que as últimas sondagens revelam. No dia 11 ou 18 de maio logo saberemos a superior decisão democrática dos portugueses e o povo sempre soube - e sempre saberá escolher - livre e legitimamente. Mas voltemos aos impactos das eleições no país. Há, apesar do que acima referi, uma influência direta das eleições: até maio, infelizmente, as eleições autárquicas serão secundarizadas e relegadas para um plano, mediático e partidário, inferior. Com outro contexto: os resultados eleitorais (independentemente do cenário que daí surgir) terão impacto nas narrativas e propagandas no decurso da campanha autárquica e, possivelmente, em alguns resultados locais. No caso de Aveiro, confirmadas as candidaturas já anunciadas pela Comissão Política Distrital, nomeadamente a do PSD Aveiro, não é expetável que, a poucos meses do processo eleitoral de setembro/outubro deste ano, haja alterações, porque se afigurariam processos debilitados. No entanto, face ao que foi o processo de escolha do candidato do PSD Aveiro, face aos impactos que teve na estrutura concelhia local, face ao que foram já as recentes declarações públicas do ex-presidente da Mesa da Assembleia/Plenário de Militantes do PSD Aveiro [Ribau Esteves], uma derrota do PSD, a nível nacional, fragilizará, ainda mais, a candidatura de Luís Souto à presidência da Câmara Municipal de Aveiro. É importante não esquecer que esta candidatura foi uma opção polémica de Luís Montenegro e da Comissão política Nacional do PSD. Esse resultado terá um impacto direto na aposta, não consensual e destabilizadora, do PSD à presidência da autarquia aveirense, mais, até, do que uma vitória do PS no desenrolar da campanha de Alberto Souto. A verdade é que, seja qual for o contexto, o processo e os resultados, será sempre a democracia a funcionar e a vontade do povo, legitimamente, a ditar os destinos do país e dos municípios. Sem medos…
"Novo RJIES: Uma luz ao fundo do túnel que perdeu a incandescência na reta final", Joana Regadas
A 19 de dezembro surgiu, com 11 anos de atraso, uma luz ao fundo do túnel que prometia ser um momento de viragem no processo de revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES). A tão aguardada proposta de revisão via a luz do dia e apresentava alterações fundamentais ao documentado apresentado pela primeira vez em 2007, com três grandes frentes de ataque: autonomia das Instituições de Ensino Superior (IES), processo de eleição do reitor/presidente e clarificação do sistema binário [universidade vs politécnico]. A proposta apresentada mostrava coragem, principalmente na alteração do modelo de voto da eleição do reitor, que deixava de ser uma decisão exclusiva do Conselho Geral (no caso da Universidade de Aveiro feita por 19 membros), mas antes de toda a comunidade. Além disso, as mudanças não se ficavam exclusivamente pelo modelo de voto, verificavam-se também nas percentagens atribuídas à comunidade: docentes e investigadores passavam a ter no mínimo 30% dos votos, estudantes com, no mínimo, 25%, pessoal não docente e não investigador com pelo menos 10%, e a outra grande alteração - antigos alunos com, pelo menos, 25%. O rumo desta revisão parecia de facto promissor, com muitas questões ainda por resolver garantidamente, mas verificava-se finalmente uma vontade em devolver às IES a sua autonomia, em valorizar toda a comunidade e reconhecer a voz dos estudantes. No entanto, na segunda proposta tornada pública no passado dia 6 de fevereiro, a luz promissora de dezembro perdeu a sua incandescência, e surge a grande questão: o que mudou em menos de dois meses para que fosse reduzido o peso da voz dos alunos e antigos alunos e fosse alocado na sua totalidade aos docentes e investigadores, que passam a ter um peso de pelo menos 50% na eleição do reitor? Esta perda de força na reta final surge por pressões dos representantes dos setores? Deixamos de considerar relevante transmitir uma mensagem de futuro a esta geração? O que mudou? Por outro lado, se algumas mudanças na segunda proposta tornada pública suscitam questões sobre a grande diferença com a proposta original, é importante reconhecer que uma das preocupações apresentadas pela AAUAv - o mandato único de 6 anos do reitor/presidente - foi reconsiderada e na segunda proposta mantém-se o cenário atual de um mandato de 4 anos renovável uma vez. Este passo atrás vai permitir que estudantes que completem dois ciclos de estudo nas IES tenham oportunidade de, pelo menos uma vez, darem um contributo para a eleição do reitor/presidente, algo que não acontecia na proposta original, para além de permitir um escrutínio do trabalho desenvolvido nos primeiros 4 anos. Outra das grandes preocupações que a primeira proposta apresentada tentava também atenuar era a endogamia, sendo a proposta original a proibição de contratação nos três anos subsequentes à finalização do grau de doutor por parte da instituição que lhe conferiu o grau. Esta medida suscitou novamente alguma apreensão dado que limitava as IES, podendo inclusive ser prejudicial. Este receio apresentado pela AAUAv e partilhado por todo o movimento estudantil foi ouvido e na nova proposta, apesar de ainda serem necessários ajustes, já é estabelecido um índice máximo de endogamia para as IES, e apenas nesses casos é que não poderá haver contratação. Ainda assim, surge a questão de até que ponto esta medida não retira autonomia às IES, que investiram ao longo dos últimos anos nestes estudantes e não podem ao final deste tempo usufruir do grande investimento que foi feito. Por fim, apesar da proposta já ter sido aprovada em Conselho de Ministros são necessários diversos esclarecimentos, nomeadamente relativamente à participação dos antigos alunos na eleição do reitor/presidente. O afastamento de 5 anos até poderem para participar na eleição promove o distanciamento necessário para a construção de uma visão externa e crítica, próxima da realidade da comunidade, no entanto é necessário garantir que quando são chamados, os antigos alunos que se proponham a votar não sejam apenas aqueles que ficaram nas imediações das IES, limitando assim a visão externa que se pretende trazer com os antigos alunos. É ainda necessário esclarecer como é que os antigos alunos irão exercer o seu direito de voto, de forma eletrónica, por correspondência? Como se pode garantir que temos uma eleição ambiciosa e participada? Ficará apenas ao encargo dos candidatos a reitor/presidentes, ou será competência das IES trabalhar numa aproximação contínua e comunicação atempada? Surge uma outra questão final relativamente ao cruzamento dos cadernos eleitorais, dado que muitos antigos alunos são docentes ou pessoal não docente da própria instituição, nesse caso qual dos títulos prevalece e como garantimos que não a sua voz não é duplicada? Esta longa caminhada vê finalmente a reta final, resta saber se a proposta aprovada em Conselho de Ministros será aprovada em Assembleia da República e se ainda há possibilidade de recuperar a incandescência no último passo, ou se vivenciámos um fugaz momento de coragem.
ESTAGIÁRIO
PCP-Aveiro avança com moção de censura pelo atraso no anúncio do cartaz da Feira de Março 2025
“A maior festividade do concelho está a ser gerida com mais segredo do que a escolha de Luís Souto de Miranda como candidato à Câmara Municipal de Aveiro (CMA)", acusou o partido em comunicado, reforçando que "a Feira de Março deve pertencer ao povo e não ser um privilégio das elites que sabem o cartaz antes do resto da população". Apesar de oficialmente ainda não haver confirmações, o PCP-Aveiro jura a pés juntos que já sabe que Diogo Piçarra, Bárbara Tinoco e Richie Campbell fazem parte do alinhamento. “Se nós já descobrimos, não nos venham com histórias de que ainda estão a fechar contratos”, disparou um dirigente comunista, visivelmente indignado por não haver ainda um anúncio oficial. Quem não perdeu tempo a reagir foi o atual presidente da CMA. Ribau Esteves garantiu que "o cartaz será revelado quando for a altura certa”, mas relembrando os aveirenses que “se fosse pelo PCP, a Feira de Março era animada pelos Cante Alentejano e terminava com um debate sobre a luta sindical”. Fontes internas do município garantem que o grande motivo para o atraso na divulgação do cartaz tem nome: MC Soutinho, a dupla escolhida para cabeça de cartaz. A escolha não terá agradado a todos os elementos do Executivo Municipal. Segundo as mesmas fontes, Ribau Esteves terá mostrado algum desagrado, confessando que a sua escolha para cabeça de cartaz seriam os Irmãos Verdades, pois, segundo ele, "o alinhamento político e musical seria mais consistente". Perante a insistência da sua equipa, Ribau terá admitido: "Se queriam uma dupla de irmãos, ao menos que fosse uma que tivesse êxitos nos tops e não nas jogatanas políticas”. Já Rogério Carlos, atual vice-presidente da autarquia, mostrou-se mais soltinho depois de ter sido afastado da corrida à liderança da CMA. “Se querem animar o cartaz da Feira de Março deste ano, pelo menos que sejam mais originais. Eu sugiro um dia dedicado aos cantares ao desafio com um despique amigável entre Catarina Barreto e Ângela Almeida ou Filipe Neto Brandão e Manuel Sousa”, afirmou no meio de gargalhadas irónicas enquanto se preparava para assistir ao debate parlamentar que poderá ditar novas eleições legislativas em Portugal. Outro momento alto será o show "Banda das Coligações", onde diferentes partidos políticos se juntam em leilão ao som do hit musical “eu estou à venda”. Fontes próximas garantem que será uma atuação curta, porque nem sempre conseguem tocar a mesma música até ao fim. Entretanto, os aveirenses continuam sem cartaz oficial, mas já têm uma certeza: o verdadeiro espetáculo da Feira de Março não está no palco, está mesmo na política local.
Estagiário: Sérgio Ribau Esteves avança com candidatura independente ao Município de Aveiro
Em exclusivo para a página do Estagiário da Ria, Sérgio quis juntar-se ao “verdadeiro espetáculo circense que se assiste na cidade” e declarou que “num momento particularmente difícil para o meu irmão, eu não podia deixar de dizer presente”. “Os Soutos querem mostrar que controlam esta cidade, mas se estamos nessa onda, então vão ter que levar com os Ribaus”, afirmou enquanto apertava um fato axadrezado emprestado pelo seu irmão, relembrando que, tal como Luís Souto, também ele é cronista no Diário de Aveiro. Ribau Esteves também quis prestar declarações ao Estagiário da Ria: "Sim, posso confirmar que o meu mano avisou-me previamente da sua candidatura." Confrontando pelo Estagiário da Ria relativamente ao facto de Luís Souto não ter contactado Alberto Souto antes do anúncio da sua candidatura, Ribau Esteves afirmou no meio de gargalhadas irónicas: "Olhe, essa pergunta tem que fazer ao Luís Souto, não é ele que se apresenta como especialista em genética?" Enquanto isso, o recém-lançado candidato Sérgio Ribau Esteves parece apostado em criar uma “irmandade eleitoral” para melhorar a imagem da cidade, recordando os aveirenses que tem experiência muito útil em gestão de irmandades. “Se sei gerir a irmandade dos ovos moles, acha que será muito diferente gerir um Município? É tudo uma questão de doçura”, afirmou. O candidato independente aproveitou para dizer, com aquele sorriso de quem domina matemática, que, diferentemente do Alberto Souto – "que se contenta com 101 ideias para Aveiro" – ele tem “mil e uma ideias”. “Não acha que as minhas ultrapassam as do candidato socialista? E não são apenas devaneios mirabolantes, são planos de verdade para mudar a cidade", afirmou enquanto olhava para o programa eleitoral desenhado pelo seu irmão com 1001 árvores preparadas para abate. Agora, Aveiro aguarda ansiosamente para ver se esta súbita multiplicação de irmãos candidatos irá resultar numa revolução familiar na política local… ou apenas num almoço de domingo com demasiadas conversas sobre urnas de voto e propostas mirabolantes. O Estagiário da Ria continua atento a mais novidades, enquanto espreita para ver se ainda resta alguma vaga para ser candidato a sobrinho, primo ou cunhado dos Soutos & Ribaus.
Ribau Esteves negoceia com Fábio Coentrão instalação do viveiro de marisco na Ria de Aveiro
"Durante os meus mandatos batemos todos os recordes de turismo. Demos uma nova vida aos nossos canais com os moliceiros elétricos e amigos do ambiente. Agora está na altura de dar o próximo passo: Aveiro precisa de marisco premium e quem melhor que o Fábio Coentrão para ser o rosto desta nova fase?", declarou Ribau Esteves, enquanto tirava uma fotografia ao lado de uma lagosta gigante, com Rogério Carlos a tentar reproduzir o movimento. Entretanto, o reitor da Universidade de Aveiro também já reagiu à mais recente notícia, revelando interesse em localizar o novo viveiro nas marinhas da UA. “Já falei com o presidente da Câmara Municipal de Aveiro e dei-lhe nota da nossa intenção”, declarou Paulo Jorge Ferreira. Confrontado pelos jornalistas sobre a reação de Ribau Esteves, o reitor da UA realçou: “Gostou muito da iniciativa. Afinal de contas, ainda há dias anunciou o início da construção de uma nova residência privada para os estudantes. Ora todos sabemos o tipo de estudantes que procuram estas residências. Colocar o novo viveiro junto à UA pode ser uma excelente oportunidade para atrair ainda mais estudantes deste mercado”. Quem já reagiu a esta nova investida do edil aveirense foi Alberto Souto de Miranda. “Com sinceridade, desta vez tenho que reconhecer que é uma excelente iniciativa de Ribau Esteves. Todos nós vimos a cara avermelhada com que o presidente terminou a arruada de São Gonçalinho. Penso que se continuar a tirar fotos ao lado de lagostas, certamente que o seu tom de pele não irá dar tanto nas vistas” atirou o candidato à CMA, enquanto escrevia a centésima segunda ideia do livro que só ele leu.
Aquecimento na UA: Reitoria a "banhos de calor", enquanto estudantes fazem Erasmus na Sibéria
No restante campus, a realidade é bem mais glacial. Nos departamentos, estudantes, funcionários e docentes testam, involuntariamente, o conceito de "resiliência climática". Cobertores, luvas e até gorros de lã fazem agora parte do novo traje académico da Universidade de Aveiro. “Estamos a trabalhar na técnica do pinguim: encostadinhos uns aos outros para preservar o calor", revelou um estudante de Engenharia Mecânica, enquanto bufava nas mãos. Mas nem todos têm essa sorte. Em alguns departamentos, mesmo que ligassem o aquecimento o efeito seria mais simbólico do que prático, fruto do estado dos equipamentos. “Temos consciência disso, mas mesmo assim o calor na UA escapa mais rápido do que o nosso orçamento anual”, desabafou um funcionário da área da manutenção dos Serviços de Gestão Técnica. Os aquecedores, que não sentem uma revisão desde o tempo do Renato Araújo (primeiro reitor eleito da UA), são hoje peças de museu que só aquecem corações… de saudade. Quando questionada sobre a disparidade climática entre a Reitoria e o resto do campus, uma fonte anónima (que se identificou apenas como "Manuel Mãos Frias") disse: “É uma questão de prioridades. As decisões importantes para a universidade precisam de mentes quentes e corações confortáveis. Os estudantes? Esses que usem cachecol." Entretanto, os estudantes preparam um novo protesto, já batizado de "Marcha dos Pinguins", para exigir "calor para todos" e "mantas polares para cada departamento". “Se isto continuar assim, o meu próximo Erasmus vai ser no Polo Norte. Ao menos lá, sabemos ao que vamos”, afirmou uma estudante de Economia, enquanto tentava escrever com luvas de ski. Enquanto isso, o Estagiário da Ria recomenda: se for para a Reitoria, leve protetor solar. Nos departamentos? Gorros, cachecóis e, se possível, um saco de água quente.
Ribau Esteves avalia compra da SAD do Beira-Mar
“Se já consegui pôr Aveiro no mapa com a ria, os moliceiros e o monumento do Siza, imaginem o que posso fazer com um clube de futebol. Isto é uma oportunidade para internacionalizar a marca Ribau”, terá dito o presidente entre vários apertos de mão ao adeptos do Beira-Mar. Entre as ideias mais arrojadas está a escolha de Rogério Carlos, vice-presidente da Câmara Municipal, para treinador principal. "É a oportunidade perfeita para ele ganhar notoriedade. Eu tenho-lhe dado mais palco, mas com uma época desastrosa no futebol é certo que o nome dele vai estar em todas as capas de jornal. O futebol é o palco ideal para ele aprender a lidar com pressão…”, afirmou Ribau Esteves. “E se falhar?”, perguntaram os jornalistas. “É só dizer que o árbitro estava comprado”, respondeu prontamente Ribau. Rogério, por sua vez, mostrou entusiasmo contido: "Eu adoro futebol… Embora seja mais de ver do que de jogar. Ainda recentemente meti-me em aventuras e fui parar ao bloco operatório”, brincou o provável futuro treinador principal que tem aparecido em público com muletas. Quem já reagiu a esta novidade foi a presidente da concelhia do PS-Aveiro. "Não há palavras para mais uma tentativa de Ribau Esteves secar tudo à sua volta. Mas bem, se ele conseguir manter o Beira-Mar nos nacionais, já é mais do que aquilo que fez na Câmara", ironizou Paula Urbano Antunes. Nuno Quintaneiro, atual presidente do clube, tem resistido ao tradicional “braço longo” de Ribau e insiste em gerir o clube com independência. “Nós queremos um Beira-Mar sustentável, não um palco político”, declarou recentemente. Contudo, segundo rumores, essa postura mais firme pode ter acelerado os planos de Ribau tomar as rédeas da SAD. "O Quintaneiro está sempre a falar de sustentabilidade financeira, mas o que é isso comparado com um plano de expansão mediática? O Beira-Mar precisa de mediatismo e eu sou o único que pode garantir isso", terá dito Ribau numa reunião privada. Enquanto Ribau sonha com o Beira-Mar a brilhar nos palcos internacionais, os aveirenses esperam para ver se este novo projeto será um golaço ou mais um remate ao lado. A única certeza? Com Ribau no jogo, o espetáculo está garantido – com ou sem eucaliptos no relvado.
Paulo Jorge Ferreira anuncia investimento de 600 trotinetes para reforçar a segurança no campus
O reitor da Universidade de Aveiro surpreendeu a comunidade académica ao declarar, sem apresentar qualquer dado concreto, que o aumento da insegurança no campus está ligado ao crescente número de estudantes internacionais. “Nunca tivemos tantos estudantes internacionais. Coincidência? Não acredito em coincidências”, afirmou, com ar sério, enquanto segurava um relatório... em branco. “Não há razões para alarme. Os vigilantes estão a ser treinados para identificarem ‘comportamentos suspeitos’, como por exemplo estudantes que falem idiomas que não sejam português”, afirmou José Russo Ferreira, responsável pela segurança no campus, que ignorou o facto do seu próprio apelido causar insegurança no campus. A comunidade internacional não demorou a reagir. “Cheguei aqui há três meses e a única coisa que aumentei foi a venda de pastéis de nata no CUA. Insegurança? Só sinto quando tenho exames de Cálculo”, comentou uma estudante vinda da Polónia. Esta medida já foi muito elogiada pelo diretor do Departamento de Física da UA que terá agora os seus meios reforçados para percorrer todas as salas do seu departamento à procura de estudantes que estejam a utilizar as salas de estudo para jogar League of Legends. Já Wilson Carmo, presidente da Associação Académica, rapidamente reagiu à declaração do reitor, classificando-a como “criativa, mas desinformada”. “Queremos dados concretos ou, pelo menos, uma explicação plausível para a correlação entre o aumento de insegurança e os estudantes internacionais. Não vamos aceitar que o barulho de um estudante espanhol a pedir uma caña seja considerado ‘ameaça ao bem-estar do campus’.” Entretanto Manuel Assunção, antigo reitor da UA, veio a público afirmar que a compra já estava prevista nos mandatos anteriores, com um sorriso que parecia ensaiado em frente ao espelho. A Ria sabe que os atrasos no processo de compra das trotinetes foram atribuídos à burocracia habitual da contratação pública, com piadas de bastidores a sugerirem que os vigilantes receberão as trotinetes na mesma altura em que terminarem as filas nos almoços da cantina – ou seja, nunca.
Ribau Esteves ordena abate de árvore de Natal de Aveiro
A árvore, feita inteiramente de ferro e luzes LED, foi classificada como "um insulto à paisagem urbana" pelo próprio presidente. "Não importa que seja metálica. Árvore é árvore e árvore, em Aveiro, tem um destino: a motosserra!", declarou. A decisão foi tão desoladora que Rosinha, curadora do Herbário do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, teve de ser internada de urgência no hospital. Médicos confirmaram tratar-se de uma "síncope botânica", provocada por stress arborístico extremo. Já Pedro Pires da Rosa, ou simplesmente PPR para os seus fãs, mostrou-se dividido. Morador ao lado da estrutura, celebrou o regresso da sua vista panorâmica para a ria, mas lamentou a perda de um dos seus melhores temas para as redes sociais. "Agora vou ter de voltar a tirar fotos a rotundas e, francamente, aquilo não me dá tanto engajamento", desabafou. Fontes próximas da Câmara Municipal garantem que o ferro da árvore será reciclado para aumentar o monumento evocativo da muralha da cidade, pois Ribau considera que “ainda não é suficientemente grande para esconder a Sé de Aveiro”. Já a secção local do PSD sugeriu outra aplicação: "Que tal uma escultura representando as dívidas deixadas pelos socialistas? Assim fazemos algo artístico e educativo", declarou Simão Santana com brilho nos olhos. A Ria já tentou contactar a presidente da concelhia do PS-Aveiro, mas Paula Urbano Antunes pediu mais uns dias para responder a estas acusações, pois os serviços de consultoria de Alberto Souto de Miranda estão suspensos para preparação do seu novo livro. Ribau, por sua vez, já confirmou presença no evento de lançamento do livro. “É uma homenagem ao meu antecessor e à sua capacidade única de transformar a realidade em ficção literária”, declarou com um sorriso irónico. “Espero que o livro venda bem, porque alguém tem de ajudar a pagar as dívidas antigas.” A plateia riu, mas ninguém conseguiu perceber se era ironia, nostalgia ou apenas o espírito natalício em Aveiro.
RIA-CHECK
Alberto Souto foi contra uma ponte no Canal Central no passado e agora propõe uma nova?
Já depois de ter deixado a presidência da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), Alberto Souto assinou um artigo de opinião no Diário de Aveiro, na edição de 24 de fevereiro 2010, onde começa por recordar que, durante os seus mandatos como presidente da CMA, construiu cinco pontes entre a Antiga Capitania e o Lago da Fonte Nova, três no Canal de S. Roque e uma sobre a eclusa do Canal das Pirâmides. Mas é logo de seguida que o candidato socialista às próximas autárquicas dá nota que construir uma ponte no Canal Central não foi uma opção para não “estragar”. “Mas, quando pensámos no Canal Central não ousámos estragar: estudámos, estudámos, estudámos e optámos por localizá-la no Canal das Pirâmides”, acrescentou. Também numa carta aberta dirigida ao então presidente da CMA, Élio Maia, o candidato socialista voltou a expressar a sua oposição a uma ponte nessa localização, chamando-a de "casmurrice", "funcionalmente desnecessária" e um "aleijão urbanístico gravíssimo". Agora, na campanha para as eleições autárquicas de 2025, Alberto Souto anunciou uma proposta para uma nova ponte pedonal precisamente no Canal Central, a menos de 50 metros da anterior proposta de Élio Maia. Para justificar a sua ideia, Alberto Souto dá nota que o conceito difere ao ser apresentada como uma "ponte-praça", ou seja, não apenas uma estrutura de atravessamento, mas também um espaço público de lazer. Apesar dessa diferença no conceito, a mudança de posição é evidente. Antes, Alberto Souto via uma ponte no Canal Central como um erro urbanístico, uma "fantasia sem sentido" e afirmava que os “estudos” dessa opção tinham-no ajudado a tomar a decisão de não “estragar” este canal; agora, considera que a nova ponte vai "criar mais Aveiro". Conclusão: é VERDADEIRO que Alberto Souto foi contra uma ponte no Canal Central no passado e que agora propõe uma nova. A mudança de posição é clara, ainda que a proposta atual tenha um conceito diferente.
Ria-Check: Constituição do SC Beira-Mar como sociedade desportiva
"Para o SC Beira-Mar participar nas competições profissionais de futebol tem que se constituir, obrigatoriamente, como uma sociedade desportiva." A afirmação é: VERDADEIRA. Com este momento muito importante na vida do clube, acende-se novamente o debate sobre a relevância da criação de uma sociedade desportiva, muitas vezes levando à desinformação dos sócios, simpatizantes ou simples cidadãos. Ora, segundo a Lei n.º 39/2023, de 4 de agosto, que estabelece o novo regime jurídico das sociedades desportivas, “a participação em competições profissionais de modalidades coletivas é reservada a sociedades desportivas”. A par disso, segundo o artigo 9.º do Regulamento das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, “os clubes participantes na Liga NOS e na LEDMAN LigaPro devem constituir-se, nos termos da lei, sob a forma de sociedade desportiva”. Deste modo, se o SC Beira-Mar atingir competições como a segunda e primeira liga de futebol – que são ambições conhecidas dos órgãos sociais do clube, bem como dos seus sócios e adeptos – terá que obrigatoriamente estar constituído como sociedade desportiva. Recorde-se, neste ponto, que as imposições legais em vigor no que diz respeito à constituição de sociedades desportivas sofreram alterações durante o ano de 2023, precisamente para evitar situações como aquelas que ocorreram no passado com o SC Beira-Mar. No momento da aprovação do novo regime jurídico das sociedades desportivas, o Governo deu nota que que “cerca de 20% das sociedades anónimas desportivas” constituídas até então foram ou estavam “a caminho da extinção, insolvência ou dissolução”. Para evitar que estes cenários se repitam foram várias as alterações introduzidas nesse sentido, destacando-se as seguintes: os investidores passam a ter de demonstrar capacidade económica para fazer o investimento; os detentores de participações sociais e os órgãos de administração não podem ter sido condenados em processos-crime por uma série de crimes; o administrador nomeado pelo clube tem direito a participar em todas as reuniões da sociedade desportiva (uma coisa que até então não estava clara); a introdução de uma figura de um observador (sem direito de voto) nomeado pelos sócios; a impossibilidade de participação em competições a todas as sociedades desportivas que violem de forma grave e continuada os acordos parassociais que celebraram com o clube; ou ainda o facto relevante de que, se a sociedade desportiva não tiver a situação tributária regularizada, isso não irá prejudicar o direito do clube desportivo obter apoio desportivo para outras modalidades.
Ria lança projeto de fact-check e dedica estreia à polémica das portagens de Aveiro na A25
A afirmação é falsa. “O próprio PSD e o CDS votaram contra porque viram logo na proposta inicial que ela não era justa, porque não contemplava este três pórticos”, afirmou ontem Rogério Carlos, vice-presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA) e vogal da Comissão Política da Secção do PSD-Aveiro, em declarações à SIC, depois de criticar Pedro Nuno Santos, secretário-geral do PS, pela não inclusão da concessão da Costa de Prata da A25 (que liga a Barra a Albergaria-a-Velha e inclui três pórticos com portagens durante o seu troço) na proposta para a abolição das portagens em várias autoestradas do país. Na ata da reunião plenária da Assembleia da República, datada de 2 de maio de 2024, onde se procedeu à discussão do Projeto de Lei n.º 72/XVI do Partido Socialista, com o título “Elimina as taxas de portagem nos lanços e sublanços das autoestradas do Interior (ex-SCUT) ou onde não existam vias alternativas que permitam um uso em qualidade e segurança”, os deputados do PSD Hugo Soares e Cristóvão Norte afirmam que o seu partido defende “um sistema integrado que respeite o princípio do utilizador-pagador” e uma “redução gradual” das portagens. Na mesma ata não é referido, em nenhum momento, que PSD/CDS iriam votar contra a proposta do PS por esta não incluir os pórticos de Aveiro. Recorde-se que, tal como noticiou a Resnascença, Hugo Soares, líder da bancada do PSD, durante uma reunião do seu grupo parlamentar, invocou “disciplina de voto” a todos os deputados do seu partido, argumentado que “o PSD nunca defendeu a eliminação imediata das portagens e que o projeto de lei da AD que irá a votos no debate prevê a redução de 50% e que a abolição significa uma despesa na ordem dos 200 milhões de euros”. A afirmação é verdadeira. A atual deputada do PSD à Assembleia da República que é ainda presidente da Junta de Freguesia de Esgueira e vice-presidente da Comissão Política da Secção do PSD-Aveiro é uma das autoras do Projeto de Resolução nº 61/XVI/1ª com o título “Pela redução gradual e financeiramente responsável de portagens no interior e nas grandes áreas metropolitanas”, datado de 26 de abril de 2024. Neste Projeto de Resolução, os grupos parlamentares do PSD e CDS-PP recomendam ao Governo “uma redução de portagens ambiciosa”, “com respeito pela sustentabilidade das finanças públicas” e que não coloque “em causa os princípios do utilizador-pagador e poluidor-pagador (...) contemplando as vias A22, A23, A24, A25, A28, A4, A13”. A afirmação é verdadeira. No Projeto de Lei n.º 72/XVI, com o título “Elimina as taxas de portagem nos lanços e sublanços das autoestradas do Interior (ex-SCUT) ou onde não existam vias alternativas que permitam um uso em qualidade e segurança”, datado de 22 de abril de 2024, o Partido Socialista (PS) apenas colocou na proposta a abolição das portagens no troço da A25 – Beiras Litoral e Alta que liga Albergaria-a-Velha a Vilar Formoso. Durante a discussão na reunião plenária da Assembleia da República, como se pode ler na ata, o líder da bancada do PSD, Hugo Soares, aproveitou para atacar diretamente Pedro Nuno Santos, secretário-geral do PS, por este ser deputado pelo círculo de Aveiro e se ter esquecido de colocar os acessos a Aveiro no projeto de lei do PS para abolição das portagens.
28 MAR 2025
Livro de poesia de Carlos Rainho apresentado na Biblioteca Municipal de Ílhavo
Na obra, Carlos Rainho convida o leitor para uma viagem poética, “tentando que as palavras destes poemas fossem no compasso de tempo dos ritmos da luz captar o espanto dos momentos em que o olhar bailou com o mundo até aos sussurros da criação". O livro será apresentado pelas 15 horas na Biblioteca Municipal de Ílhavo. Carlos Rainha é natural de Coimbra. Licenciado em Química Analítica pela Universidade de Aveiro, completou na faculdade de Ciências da Universidade do Porto o mestrado em Ensino da Astronomia - atividade a que se tem dedicado. Participou, ainda, num programa na Rádio Regional em Aveiro, na década de 80, com foco na divulgação da poesia neorrealista de autores portugueses e da música alternativa feita na época. Foi, também na década de 80, um dos dinamizadores do primeiro evento de música alternativa, AgitArte, realizado na cidade de Aveiro. É professor de Ciências Físico-Químicas do Quadro Docente na Escola Secundária José Macedo Fragateiro, do Agrupamento de Escolas de Ovar.
Galitos/Bresimar soma medalhas nos Campeonatos InterDistritais e Infantis
O Galitos/Bresimar trouxe de Coimbra, no passado fim-de-semana, um total de 27 medalhas de ouro, 18 pratas e 20 bronzes. A participação nos Campeonatos Interdistritais de Juvenis, Juniores, Seniores e Absolutos Inverno deixa o clube entre os melhores posicionados nas estatísticas a nível de medalhas. Os resultados obtidos pelos atletas nas categorias de Juvenis A e Juniores colocam a equipa em segundo na referida estatística e em terceiro nas categorias de Juvenis B e de Juvenis B/Abs. As classificações obtidas garantiram o acesso aos próximos Campeonatos Nacionais de Piscina Longa e resultaram no estabelecimento de 83 novos recordes pessoais. Também no Campeonato Zonal Norte de Infantis a equipa conquistou 22 medalhas, dez das quais correspondem a títulos de campeões nacionais e seis vice-campeões. A equipa de Aveiro estabeleceu ainda, na competição, que decorreu no Complexo Municipal de Piscinas de Viseu com a organização da Associação de Natação do Centro Norte de Portugal, dois recordes nacionais nas categorias de Infantil e Infantil A na prova mista de 4 x 50m livre, fixando o tempo nos 1:53.30.
Fábrica Centro Ciência Viva promove novo ciclo de conversas sobre Argilas de Aveiro
A primeira conversa acontece esta noite, dia 28, pelas 21h00, na Fábrica Centro Ciência Viva. Fernando Rocha, investigador no dgeo da UA e do centro de investigação GeoBioTec, é o convidado da primeira conversa da iniciativa, que versará sob a temática ‘Argilas na origem dos ovos moles’. A entrada é livre. A iniciativa contará ainda com a realização de outras duas conversas, já agendadas para dia 11 de abril e 17 de maio. A indústria cerâmica de Aveiro nos séculos XIX e XX será o tema da conversa de abril, enquanto a de maio se pretende debruçar sobre as argilas e os barreiros de Aveiro. Existe ainda uma terceira conversa planeada, sob a temática Argilas na saúde, cuja data ainda não foi divulgada.
UA: Novo laboratório no DQ permite “formas de ensino mais desafiantes e mais inovadoras”
Presente na inauguração, Paulo Jorge Ferreira, reitor da UA, alertou, ao longo do seu discurso, para os “potenciais benefícios da sustentabilidade” nas empresas de fileira alimentar ao trabalharem em conjunto com a Universidade. “Acho que a presença do conhecimento da ciência junto de qualquer cadeia de valortem sempre potenciais benefícios de sustentabilidade.Todas partem de uma matéria-prima e produzem algo que se atreve. O processo consome água, energia, recursos e gera muitas vezes subprodutos. Subprodutos podem ser cascas (…) e que são encarados como lixo. As empresas que lidam com essas cadeias de valor, muitas vezes, não têm nenhum interesse, nem capacidade de inovação, para lhes destinar novos recursos. Uma universidade, um centro de investigação, pode muito bem fazer isso. Pode determinar que numa área longe da área do negócio principal da empresa há possibilidades de aplicação daqueles subprodutos (…)”, relembrou. A isto, Paulo Jorge Ferreira juntou ainda um “segundo ingrediente” na qual as universidades são “úteis” para estas empresas, nomeadamente, através da “pequena qualificação” dos trabalhadores. “Estas cadeias de valor mercê das grandes alterações tecnológicas (…) têm várias novas áreas de negócio e têm, por vezes, necessidade de qualificar pessoas. E as soluções tradicionais, fazer mais um mestrado, fazer mais uma pós-graduação, muitas vezes, não são viáveis (…)”, notou. “A UA tem hoje programas de qualificação destinados exatamente a esse problema. Cursos de curta duração, carteiras de microcredenciais, através das quais uma empresa pode requalificar progressivamente (…) os seus trabalhadores”, disse. Armando Silvestre, diretor do DQ, foi de encontro a esta ideia e frisou também a importância deste novo laboratório dar resposta a esta “necessidade de formação ao longo da vida, para além dos três ciclos de formação clássico”. “É esta a motivação, é este o contexto que nos traz aqui, aplicado a uma área muito específica, a área alimentar, onde, efetivamente, a formação e a inovação são absolutamente fundamentais”, assegurou. “Para criarmos estas ofertas formativas e as condições que necessitamos, muitas vezes, é necessário mais do que boa vontade e, nesse aspeto, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e, em particular, o projeto Aveiro Education and Social Alliance foi uma oportunidade e um momento único para criarmos o curso de especialização em “Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Alimentares”. Construímos uma oferta que responde à necessidade de formação contínua, que foi identificada pelos nossos parceiros empresariais (…) de nos dotarmos de um espaço de formação para experimentação e para aulas modernas, que permita implementar essas formas de ensino mais desafiantes e mais inovadoras”, continuou. Na sessão, Sílvia Rocha, diretora do curso em Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Alimentares, aproveitou ainda para apresentar o plano curricular da formação, que arrancou no ano passado, mostrando-se “satisfeita” com os números da primeira edição. “No primeiro ano, propusemos a previsão de 13 estudantes (…) e tivemos um total de 103 candidaturas, 95 elegíveis e 45 matriculados (…) Porquê [só 45 matriculados]? Em Aveiro estamos bem localizados, mas a verdade é que temos muitas grandes empresas na área alimentar que estão afastadas daqui”, referiu. Assim, entre as principais mudanças desta segunda edição a diretora do curso anunciou que a formação estará disponível, este ano, também em regime b-learning. “Claro que é muito mais enriquecedor se estiver no sistema presencial, mas neste momento nós temos uma sala equipada para ter todas as condições e para ter aulas de qualidade à distância”, garantiu. Também as habilitações necessárias foram alargadas. “Na primeira edição, fomos talvez muito restritivos e eram só licenciados em Bioquímica, Biotecnologia e áreas afins”, continuou. “Neste momento, já temos as condições que nós gostaríamos. Temos realmente um laboratório que permite ter aulas de uma forma muito dinâmica e que tem equipamentos que permitem a experimentação. Ainda vamos adquirir pelo menos mais dois equipamentos que achamos que são fundamentais nesta fase na área da inovação alimentar”, finalizou Sílvia Rocha. Recorde-se que as candidaturas para esta formação especializada abrem no dia 1 de abril e encerram no dia 21 do mesmo mês. O edital pode ser consultado aqui. Após os discursos, seguiu-se uma mesa-redonda com o tema “Inovação na fileira alimentar: desafios atuais e oportunidades na perspetiva de diferentes players" que contou com a presença de Deolinda Silva, diretora executiva da PortugalFoods; Marlos Silva, director of R&D and Incentives Department, leading the team who manages a portfolio of R&D projects mainly in Digital Transformation, Food Innovation, Sustainability, Automation & Robotics and Clean Energy, da SONAE; Natacha Fontes, gestora I&D|R&D Manager, da Sogrape e Ana Tasso Rosa, ex-estudante de licenciatura e de mestrado do DQ, R&DI diretor da Casa Mendes e Gonçalves. O evento terminou com uma visita inaugural ao laboratório de inovação e experimentação alimentar e com um momento de brinde partilhado. O laboratório de inovação e experimentação alimentar e o novo curso de especialização foram financiados por verbas dos investimentos Incentivo Adultos e Impulso Jovens STEAM do Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal (PRR).
Final concelhia do “Ílhavo a Ler +” apura os quatro vencedores que representarão o município
Matilde Pereira Santos, da Escola Básica da Chave, do Agrupamento de Escolas da Gafanha da Nazaré, foi a vencedora do 1.º ciclo, Tomás Sousa Alves, da Escola Básica da Gafanha da Encarnação, do Agrupamento de Escolas da Gafanha da Encarnação, ganhou na categoria do 2.º ciclo. Da mesma escola, Martim Rodrigues da Silva, venceu o prémio do 3.º ciclo. Já no ensino secundário, brilhou Maria Afonso Castro Terra, da Escola Secundária Dr. João Carlos Celestino Gomes, do Agrupamento de Escolas de Ílhavo. Os quatro vencedores vão representar o Município de Ílhavo no Concurso Intermunicipal de Leitura, que se realiza no dia 17 de maio, em Vagos, frente aos vencedores apurados nas fases municipais dos 11 municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA). Como prémio, os vencedores receberam um tablet e um certificado de vencedor, bem como o kit de participação. O concurso contou com a participação de 369 alunos dos três agrupamentos de escolas do município, aquando da realização da fase escolar. Desse universo foram apurados 22 para a fase concelhia – seis do Agrupamento Escolas Gafanha Encarnação, oito do Agrupamento de Escolas de Gafanha da Nazaré e oito do Agrupamento de Escolas de Ílhavo. A final concelhia do Concurso de Leitura “Ílhavo a Ler+” é promovida pela Rede de Bibliotecas de Ílhavo (RBI), no âmbito do seu Programa de Promoção do Livro e das Literacias (PPLL).
Novo terminal ferroviário no Porto de Aveiro deve arrancar este ano
“Estamos a aguardar a conclusão da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) para lançar o concurso público e iniciar a construção do novo terminal ferroviário ainda este ano”, disse à Lusa Eduardo Feio. O projeto prevê a construção de um terminal com cerca de 10 hectares, equipado com duas linhas ferroviárias adaptadas aos padrões europeus para o transporte de mercadorias. “O objetivo é transformar o Porto de Aveiro numa plataforma logística multimodal, potenciando a ligação ferroviária à Linha do Norte e à Linha da Beira Alta”, explicou. O Porto de Aveiro, segundo o presidente da sua administração, vai ficar capacitado para dar uma resposta multimodal, afirmando-se “não só como um porto de mar, mas como uma grande plataforma logística". Eduardo Feio destaca o potencial do novo terminal para impulsionar o transporte ferroviário de mercadorias, nomeadamente cereais, cimento e biodiesel, e para atrair novas indústrias para a região. “Fizemos no ano passado o primeiro comboio do terminal portuário de granéis líquidos para Sines, com biodiesel e neste momento já estamos com três comboios por mês a sair com biodiesel para a Galp, em Sines”, relatou. Outro exemplo que dá do movimento ferroviário gerado pelo Porto de Aveiro é a exportação de cimento, com “centenas de milhares de toneladas” a chegarem a Aveiro por via férrea, para serem embarcadas. Eduardo Feio tem também algumas expectativas na abertura da Linha da Beira Alta. "Podemos gerar comboios para o interior, nomeadamente cereais, de que o Porto de Aveiro, a seguir a Lisboa, é o que movimenta mais carga", exemplifica.
Jorge Almeida eleito presidente da Comunidade Intermunicipal de Aveiro
“Em reunião do Conselho Intermunicipal da CIRA realizada no dia 24 de março 2025 com efeitos ao dia de hoje, foi aprovada a recomposição do Conselho Intermunicipal, sendo eleitos para o cargo de presidente o até aqui primeiro vice-presidente, Jorge Almeida, presidente da Câmara Municipal de Águeda, e para o cargo de vice-presidente, Domingos Silva, Presidente da Câmara de Ovar”, informa a CIRA em comunicado. A recomposição do órgão da Comunidade Intermunicipal surge após Joaquim Baptista, que renuncia também ao cargo de presidente da Câmara Municipal da Murtosa, passar a presidir à empresa Águas da Região de Aveiro (AdRA). A empresa Águas da Região de Aveiro (AdRA), criada há 15 anos por dez dos onze Municípios da Região de Aveiro com a Águas de Portugal (AdP), cujo conselho de administração ficou sem quórum com a saída de três dos cinco elementos. Assumindo “como absolutamente inadiável a eleição urgente de um novo conselho de administração para repor o normal funcionamento da empresa” os municípios associados e o acionista maioritário AdP, acordaram convidar para presidir à empresa. Foram também eleitos administradores não executivos, em representação dos municípios, os presidentes das Câmaras de Águeda e Oliveira do Bairro, e duas administradoras não executivas em representação da AdP.