IA na UA: Reitoria quer integração contra desejo de proibir, mas alunos criticam falta de preparação
A discussão foi desencadeada pelo “Manifesto contra o uso da ‘inteligência’ artificial generativa”, subscrito por 28 professores de instituições de Ensino Superior de Norte a Sul do país. Conforme noticiado pela Ria, os docentes querem “promover a humanização do Ensino Superior e banir o uso da Inteligência Artificial Generativa (IA) nos processos de ensino-aprendizagem”. Entre as quase três dezenas de docentes subscritores do documento está Miguel Viegas, do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) da UA. À Ria, o professor fala num “grito de alerta” e esclarece que a ideia não é eliminar a inteligência artificial do seio das instituições, até porque é algo que considera “absurdo” e “impossível”, mas sim do próprio processo de aprendizagem. “Isto tem a ver com o estímulo de determinadas partes do cérebro que depois são fundamentais para garantir o processo de aprendizagem, mas também para garantir a tal capacidade do cérebro de raciocínio que depois o aluno leva para a sua vida profissional. Portanto, é mais na questão do processo de aprendizagem do que banir uma ferramenta de forma universal, coisa que não fazia sentido”, refletiu. Da mesma forma, o docente, pegando no exemplo da programação informática, explica que “é fundamental que numa primeira fase (…), haja um espaço na aula em que o aluno seja obrigado (…) a escrever o código, passo por passo, para que ele entenda a lógica intrínseca da programação. (…) É este passo que não podemos eliminar”. Para já, Miguel Viegas entende que o objetivo inicial do manifesto “está cumprido”, uma vez que já foi suscitada a discussão sobre o tema. Pela forma como a questão tem motivado a atenção da comunicação social e de algumas figuras públicas, o docente acredita que foi possível chamar a atenção para a questão e “interpelar as pessoas”. “Estou em diálogo com o Luís Aguiar-Conraria, que escreveu uma crónica no Expresso e que pegou nesta questão. Enviei-lhe um mail a responder (…) e já estamos a convergir”, adiantou. Quem também já reagiu foi Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro, e Joana Regadas, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), que abordaram a questão na passada sexta-feira, dia 23, na sessão de tomada de posse dos novos órgãos sociais da AAUAv. Para a dirigente estudantil, “é com alguma estranheza” que vê que as instituições de Ensino Superior sejam “um dos meios com mais receio dos avanços tecnológicos”. “As universidades devem ser espaços de promoção de inovação, não espaços com receio de mudanças”, defendeu. Por seu lado, Paulo Jorge Ferreira considerou que, “se a sociedade usa certas ferramentas, é nosso dever e obrigação facultar aos nossos estudantes acesso e conhecimento acerca dessas ferramentas” e frisou que este tipo de pensamento “nunca vingará” na Universidade de Aveiro. Tal como avançado pelo Notícias UA, desde o início do ano, a Universidade de Aveiro está a disponibilizar “à sua comunidade o acesso gratuito a serviços de inteligência artificial através da plataforma IAEdu, no âmbito de uma parceria com a FCCN”. A ação destina-se a “estudantes, docentes, investigadores e pessoal técnico, administrativo e de gestão”. Às declarações do reitor, Miguel Viegas responde que o pensamento “vinga” na instituição, uma vez que o próprio pensa assim e trabalha na UA. Para o docente, a existência do contraditório é positiva, embora seja necessária “uma síntese (…), uma fórmula integradora que, no fundo, possa integrar um conjunto de preocupações que não podemos ignorar”. Ao defender que o “aspeto disruptivo” da inteligência artificial vai alterar o paradigma da sala de aula e que isso merece uma reflexão, o professor aponta que se avizinham vários perigos para além da não capacitação dos alunos. “Ao pedir ao ChatGPT para me fazer uma pequena revisão, corrigir o português, traduzir o inglês… este conteúdo deixa de ser meu. (…) Eu estou, de forma inocente, a colocar conhecimento produzido por mim, que depois poderá (…) ser reproduzido por outras pessoas noutros contextos”, acrescentou. No mesmo sentido, Miguel Viegas alerta que “se abraçarmos de forma acrítica esta onda avassaladora que aí vem, corremos o risco de ficar reféns de interesses que estão muito acima de nós. (…) Estamos a falar de uma tecnologia que é controlada por meia dúzia de empresas e que, no fundo, se não tivermos cautela (…), pode levar para coisas extremamente delicadas e perigosas”. Outro risco assumido pelo docente prende-se com os impactos ambientais da IA, dada a “pegada ecológica que representa”. A recusa do manifesto por parte do reitor foi também abraçada por Sandra Soares, vice-reitora responsável pelas matérias atinentes ao ensino e formação na UA, que diz que a postura é “absolutamente transversal” a toda a Universidade. “A proibição não nos parece ser o caminho razoável quando a IA já está integrada nas mais diversas plataformas ou aplicações. Para além de que sabemos que é usada no contexto de trabalho e é nossa obrigação enquanto instituição preparar os estudantes para esses contextos”, refletiu. Segundo explica, desde 2019 que tem sido desenhada uma estratégia no seio da instituição no sentido de apoiar os professores nas transformações tecnológicas do ensino. No contexto da inteligência artificial, a responsável destaca que, no passado mês de dezembro, foi lançada a AcademIA, “um programa que tem uma série de ações (…), dedicado a apoiar os docentes, a transformar as suas práticas, usando a IA para um uso ético e responsável e para uma perspetiva não mecânica de uso”. No mesmo sentido, sublinha que existe uma “comunidade prática IA, em que docentes de diversas áreas partilham recursos e reflexões sobre o uso da inteligência artificial nas suas práticas pedagógicas”. Além dos “inúmeros programas de desenvolvimento pedagógico” que, diz Sandra Soares, a UA tem desenvolvido, as preocupações dos docentes não se esgotam na forma como lecionam e passam também por adaptar as avaliações às novas tecnologias. Conforme aponta, “o relevante não é introduzir IA apenas, mas reconfigurar competências através de práticas ricas em interpretação, comparação”. “Os docentes não podem ficar sossegados no conforto das suas práticas de sempre, precisam de conhecer e saber como usar [IA] da melhor forma”, atentou a vice-reitora. Por seu lado, o professor Miguel Viegas considera que a formação que tem sido dada aos docentes da Universidade de Aveiro “é mais na ótica do utilizador”. “Nós vamos assistindo a formações que nos ajudam a perceber como é que esta ferramenta trabalha e como é a outra ferramenta, mas, relativamente aos riscos, e, sobretudo, relativamente às cautelas que é necessário ter, eu acho que ainda há muito trabalho a fazer”, acrescentou. Não obstante, o professor nota que a UA tem procurado constituir um comité para redigir um código de conduta sobre esta matéria, pelo que reconhece que a instituição “está atenta a este problema”. Sandra Soares “lamenta” as críticas do professor do DCSPT e nota que, nas várias formações que têm sido dadas, “nunca as questões de natureza ética e uso responsável não foram a tónica”. Seguindo a mesma lógica, a vice-reitora argumenta que os objetivos do programa AcademIA estão focados na reflexão crítica, no uso ético e pedagógico das ferramentas em causa. “No contexto do Conselho Nacional de Inovação Pedagógica - que integro e onde tenho a oportunidade de coordenar o grupo de IA na Educação - estamos a finalizar um diagnóstico relativamente a estas questões para depois fazer sugestões à tutela. Desse diagnóstico percebemos que o que mais maduro está [no Ensino Superior global] é a dimensão do uso ético e responsável”, nota a professora. No Campus da Universidade, os estudantes que falaram com a Ria não reconhecem o esforço da UA para a formação do corpo docente no uso da IA. É o que diz Vasco Mil-Homens, estudante da Licenciatura em Biologia na Universidade de Aveiro, que diz que, do lado dos professores, “não há incentivo, não explicam como é que podia ser utilizada [a IA]” e “podia haver mais” preocupação com as questões éticas em torno da tecnologia. A frequentar a mesma licenciatura, Lua Feliciano relata que já houve uma professora que, em duas cadeiras diferentes, procurou dar tarefas que envolvam a Inteligência Artificial e, por isso, admite que já há quem tente ensinar “a usar a IA não como resposta, mas como ajuda”. Não obstante, a maioria dos docentes tenta “oprimir ao máximo” o uso das ferramentas em contexto de sala de aula e tenta esconder as suas potencialidades. “Parece um tabu. (…) Se não falarem, parece que nós não as estamos a usar. (…) [Dentro da sala de aula] não é tema”, reflete. Recém-chegado à Universidade de Aveiro, João Ferreira, da licenciatura em Engenharia Mecânica, conta também que não tem sido instruído sobre a utilização de IA ao longo do primeiro semestre. Embora explique que é algo que todos usam e que já é tido como “mais uma ferramenta que está na mochila quando vamos para as aulas”, o estudante não vê que esta seja uma preocupação dos professores, que continuam a usar “os mesmos powerpoints de há cinco anos”. O aluno do Departamento de Engenharia Mecânica afirma que só uma professora tem incentivado o uso de Inteligência Artificial, mas sem uma orientação para que tipo de ferramentas usar em cada circunstância. Ainda sem ter visto docentes a orientar para a utilização das ferramentas, João Ferreira “espera” que seja algo que aconteça ao longo do curso. Em Engenharia Computacional, Miguel Vicente admite que já começa a haver alguma abertura da parte dos professores para as novas tecnologias. Segundo afirma, é dito que a IA é “importante”, embora “sem abusar”, e que deve ser feita sempre ser feita referência à utilização. No entanto, o estudante também diz que os professores “não ensinam” como recorrer à Inteligência Artificial e que a componente ética “ainda não foi muito incutida”.
xauxau dodô vêm do Minho até ao GrETUA para concerto esta sexta-feira
Segundo uma nota de imprensa enviada às redações, esta será uma noite que cruzará “música e artes visuais, abrindo o espaço a diferentes formas de escuta e de olhar”. Os xauxau dodô são um coletivo de sete músicos minhotos que “fazem música sem pedir licença”. “O resultado é um corpo sonoro onde afrobeat, jazz, música ambiental e referências clássicas se cruzam por trilhos selvagens e mal sinalizados, num percurso que reflete sobre o ser humano, as suas grandezas e minúcias”, lê-se na nota. No que toca à nova exposição, no foyer do espaço, o GrETUA explica que esta integrará a programação do quadrimestre dedicado ao jogo, tendo como objetivo propor uma reflexão visual sobre “perceção, ilusão e movimento”. A mostra estará ainda patente de janeiro a março, com entrada livre, podendo ser vista em qualquer evento ou mediante pedido. “Partindo do desenho como campo de jogo, sem partidas nem chegadas, ‘Pista’ reivindica o céu como plano do faz de conta. As caixas de luz tornam-se tabuleiro, e o olhar do público, peão em deslocação constante”, adianta. A exposição é de Gonçalo Fialho, designer e ilustrador independente, também conhecido como UIVO. O artista trabalha a “partir de processos de observação, arquivo e engenhos gráficos, cruzando prática artística e pensamento visual”. As reservas para o espetáculo dos xauxau dodô podem ser feitas aqui e têm o custo, com reserva, de seis euros para estudante e de oito euros para não estudante. À porta, o preço tem o custo de oito euros para estudante e de dez euros para não estudante.
Mau tempo: Aveiro sob aviso vermelho na quarta-feira devido ao vento
Em declarações à agência Lusa, a meteorologista Cristina Simões, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) explicou que o continente continua sob a influência da depressão Joseph que vai trazendo sucessivos agravamentos do estado do tempo. “Tivemos esta noite chuva forte, vento bastante forte em todo o território à passagem da frente. Agora estamos com uma ligeira melhoria do estado do tempo, embora com ocorrência de aguaceiros e vento”, disse. No entanto, a previsão para a próxima noite é de novo agravamento do estado tempo. “Há uma depressão na circulação da depressão Joseph. É uma depressão secundária, forma-se a oeste do continente (…). Vai-nos trazer muito vento, chuva, neve e agitação marítima”, adiantou. De acordo com Cristina Simões, esta depressão secundária vai estar centrada às 00:00 de quarta-feira a oeste do Porto. Por isso, o IPMA já emitiu aviso vermelho, o mais grave, para os distritos do Porto, Aveiro e Coimbra entre as 03:00 e as 06:00, prevendo-se ventos com rajadas da ordem dos 140 quilómetros por hora (km/h). Os restantes distritos do continente vão estar sob aviso laranja por causa do vento forte com rajadas de 100 km/h, podendo chegar aos 120 km/h nas terras altas. “É uma situação que passa rápido, será tudo entre as 00:00 e as 06:00 de dia 28 [quarta-feira] (…). Vai passar pelas regiões de Coimbra, Porto e Aveiro em direção a Espanha, de oeste para leste”, referiu. O IPMA emitiu também aviso vermelho entre as 03:00 e as 21:00 de quarta-feira para os distritos de Faro, Porto, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga por causa da agitação marítima, prevendo-se ondas de oeste/noroeste com 7 a 8 metros, podendo atingir 14 metros de altura máxima. Os distritos de Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Braga e Castelo Branco vão estar também sob aviso laranja e Aveiro a amarelo a partir das 12:00 de hoje e até às 06:00 de quarta-feira devido à queda de neve acima de 800 metros. O IPMA colocou também todos os distritos (18) de Portugal continental sob aviso amarelo entre as 03:00 e as 09:00 de quarta-feira por causa da chuva por vezes forte. A meteorologista Cristina Simões adiantou ainda à Lusa que a partir da manhã de quarta-feira a situação vai desagravar. “A depressão desloca-se rapidamente para leste, para Espanha, e, por isso, vamos ter uma acalmia. O vento volta a diminuir e não teremos tanta precipitação a partir da manhã de dia 28 [quarta-feira]”, indicou. O aviso vermelho é emitido pelo IPMA nos casos de situação meteorológica de risco extremo. Já o aviso laranja indica uma situação meteorológica de risco moderado a elevado e o amarelo risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.
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Mau tempo: UA não sofre danos graves e mantêm-se apenas alguns problemas de energia
Em declarações à Ria, Mário Pelaio confirmou que não houve danos maiores, esta madrugada, registando-se apenas “algumas quedas de árvores, alguns problemas no Jardim da Ciência e nos estaleiros”. O administrador da UA adiantou ainda que ontem, durante a tarde, a instituição registou algumas falhas de energia em alguns espaços como no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT), na Biblioteca, no Departamento de Matemática (DMat) e nos Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (STIC). Segundo o responsável, o corte de energia deveu-se a problemas com o “porto de transformação”. Apesar desta interrupção, Mário Pelaio assegurou que, esta quarta-feira, o fornecimento de eletricidade está a ser garantido em todos os espaços anteriormente referidos, através do recurso a um gerador. A resolução definitiva do problema deverá ocorrer ainda “hoje”. O administrador adiantou também que, no âmbito dessa intervenção, poderá verificar-se um novo corte momentâneo durante a tarde. Recorde-se que, face à previsão de agravamento significativo do estado do tempo para a passada madrugada, o Município colocou uma equipa da Polícia Municipal no terreno, em permanência durante toda a noite, “para verificação, avaliação e atuação das condições nos pontos mais críticos do concelho”.
IA na UA: Reitoria quer integração contra desejo de proibir, mas alunos criticam falta de preparação
A discussão foi desencadeada pelo “Manifesto contra o uso da ‘inteligência’ artificial generativa”, subscrito por 28 professores de instituições de Ensino Superior de Norte a Sul do país. Conforme noticiado pela Ria, os docentes querem “promover a humanização do Ensino Superior e banir o uso da Inteligência Artificial Generativa (IA) nos processos de ensino-aprendizagem”. Entre as quase três dezenas de docentes subscritores do documento está Miguel Viegas, do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) da UA. À Ria, o professor fala num “grito de alerta” e esclarece que a ideia não é eliminar a inteligência artificial do seio das instituições, até porque é algo que considera “absurdo” e “impossível”, mas sim do próprio processo de aprendizagem. “Isto tem a ver com o estímulo de determinadas partes do cérebro que depois são fundamentais para garantir o processo de aprendizagem, mas também para garantir a tal capacidade do cérebro de raciocínio que depois o aluno leva para a sua vida profissional. Portanto, é mais na questão do processo de aprendizagem do que banir uma ferramenta de forma universal, coisa que não fazia sentido”, refletiu. Da mesma forma, o docente, pegando no exemplo da programação informática, explica que “é fundamental que numa primeira fase (…), haja um espaço na aula em que o aluno seja obrigado (…) a escrever o código, passo por passo, para que ele entenda a lógica intrínseca da programação. (…) É este passo que não podemos eliminar”. Para já, Miguel Viegas entende que o objetivo inicial do manifesto “está cumprido”, uma vez que já foi suscitada a discussão sobre o tema. Pela forma como a questão tem motivado a atenção da comunicação social e de algumas figuras públicas, o docente acredita que foi possível chamar a atenção para a questão e “interpelar as pessoas”. “Estou em diálogo com o Luís Aguiar-Conraria, que escreveu uma crónica no Expresso e que pegou nesta questão. Enviei-lhe um mail a responder (…) e já estamos a convergir”, adiantou. Quem também já reagiu foi Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro, e Joana Regadas, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), que abordaram a questão na passada sexta-feira, dia 23, na sessão de tomada de posse dos novos órgãos sociais da AAUAv. Para a dirigente estudantil, “é com alguma estranheza” que vê que as instituições de Ensino Superior sejam “um dos meios com mais receio dos avanços tecnológicos”. “As universidades devem ser espaços de promoção de inovação, não espaços com receio de mudanças”, defendeu. Por seu lado, Paulo Jorge Ferreira considerou que, “se a sociedade usa certas ferramentas, é nosso dever e obrigação facultar aos nossos estudantes acesso e conhecimento acerca dessas ferramentas” e frisou que este tipo de pensamento “nunca vingará” na Universidade de Aveiro. Tal como avançado pelo Notícias UA, desde o início do ano, a Universidade de Aveiro está a disponibilizar “à sua comunidade o acesso gratuito a serviços de inteligência artificial através da plataforma IAEdu, no âmbito de uma parceria com a FCCN”. A ação destina-se a “estudantes, docentes, investigadores e pessoal técnico, administrativo e de gestão”. Às declarações do reitor, Miguel Viegas responde que o pensamento “vinga” na instituição, uma vez que o próprio pensa assim e trabalha na UA. Para o docente, a existência do contraditório é positiva, embora seja necessária “uma síntese (…), uma fórmula integradora que, no fundo, possa integrar um conjunto de preocupações que não podemos ignorar”. Ao defender que o “aspeto disruptivo” da inteligência artificial vai alterar o paradigma da sala de aula e que isso merece uma reflexão, o professor aponta que se avizinham vários perigos para além da não capacitação dos alunos. “Ao pedir ao ChatGPT para me fazer uma pequena revisão, corrigir o português, traduzir o inglês… este conteúdo deixa de ser meu. (…) Eu estou, de forma inocente, a colocar conhecimento produzido por mim, que depois poderá (…) ser reproduzido por outras pessoas noutros contextos”, acrescentou. No mesmo sentido, Miguel Viegas alerta que “se abraçarmos de forma acrítica esta onda avassaladora que aí vem, corremos o risco de ficar reféns de interesses que estão muito acima de nós. (…) Estamos a falar de uma tecnologia que é controlada por meia dúzia de empresas e que, no fundo, se não tivermos cautela (…), pode levar para coisas extremamente delicadas e perigosas”. Outro risco assumido pelo docente prende-se com os impactos ambientais da IA, dada a “pegada ecológica que representa”. A recusa do manifesto por parte do reitor foi também abraçada por Sandra Soares, vice-reitora responsável pelas matérias atinentes ao ensino e formação na UA, que diz que a postura é “absolutamente transversal” a toda a Universidade. “A proibição não nos parece ser o caminho razoável quando a IA já está integrada nas mais diversas plataformas ou aplicações. Para além de que sabemos que é usada no contexto de trabalho e é nossa obrigação enquanto instituição preparar os estudantes para esses contextos”, refletiu. Segundo explica, desde 2019 que tem sido desenhada uma estratégia no seio da instituição no sentido de apoiar os professores nas transformações tecnológicas do ensino. No contexto da inteligência artificial, a responsável destaca que, no passado mês de dezembro, foi lançada a AcademIA, “um programa que tem uma série de ações (…), dedicado a apoiar os docentes, a transformar as suas práticas, usando a IA para um uso ético e responsável e para uma perspetiva não mecânica de uso”. No mesmo sentido, sublinha que existe uma “comunidade prática IA, em que docentes de diversas áreas partilham recursos e reflexões sobre o uso da inteligência artificial nas suas práticas pedagógicas”. Além dos “inúmeros programas de desenvolvimento pedagógico” que, diz Sandra Soares, a UA tem desenvolvido, as preocupações dos docentes não se esgotam na forma como lecionam e passam também por adaptar as avaliações às novas tecnologias. Conforme aponta, “o relevante não é introduzir IA apenas, mas reconfigurar competências através de práticas ricas em interpretação, comparação”. “Os docentes não podem ficar sossegados no conforto das suas práticas de sempre, precisam de conhecer e saber como usar [IA] da melhor forma”, atentou a vice-reitora. Por seu lado, o professor Miguel Viegas considera que a formação que tem sido dada aos docentes da Universidade de Aveiro “é mais na ótica do utilizador”. “Nós vamos assistindo a formações que nos ajudam a perceber como é que esta ferramenta trabalha e como é a outra ferramenta, mas, relativamente aos riscos, e, sobretudo, relativamente às cautelas que é necessário ter, eu acho que ainda há muito trabalho a fazer”, acrescentou. Não obstante, o professor nota que a UA tem procurado constituir um comité para redigir um código de conduta sobre esta matéria, pelo que reconhece que a instituição “está atenta a este problema”. Sandra Soares “lamenta” as críticas do professor do DCSPT e nota que, nas várias formações que têm sido dadas, “nunca as questões de natureza ética e uso responsável não foram a tónica”. Seguindo a mesma lógica, a vice-reitora argumenta que os objetivos do programa AcademIA estão focados na reflexão crítica, no uso ético e pedagógico das ferramentas em causa. “No contexto do Conselho Nacional de Inovação Pedagógica - que integro e onde tenho a oportunidade de coordenar o grupo de IA na Educação - estamos a finalizar um diagnóstico relativamente a estas questões para depois fazer sugestões à tutela. Desse diagnóstico percebemos que o que mais maduro está [no Ensino Superior global] é a dimensão do uso ético e responsável”, nota a professora. No Campus da Universidade, os estudantes que falaram com a Ria não reconhecem o esforço da UA para a formação do corpo docente no uso da IA. É o que diz Vasco Mil-Homens, estudante da Licenciatura em Biologia na Universidade de Aveiro, que diz que, do lado dos professores, “não há incentivo, não explicam como é que podia ser utilizada [a IA]” e “podia haver mais” preocupação com as questões éticas em torno da tecnologia. A frequentar a mesma licenciatura, Lua Feliciano relata que já houve uma professora que, em duas cadeiras diferentes, procurou dar tarefas que envolvam a Inteligência Artificial e, por isso, admite que já há quem tente ensinar “a usar a IA não como resposta, mas como ajuda”. Não obstante, a maioria dos docentes tenta “oprimir ao máximo” o uso das ferramentas em contexto de sala de aula e tenta esconder as suas potencialidades. “Parece um tabu. (…) Se não falarem, parece que nós não as estamos a usar. (…) [Dentro da sala de aula] não é tema”, reflete. Recém-chegado à Universidade de Aveiro, João Ferreira, da licenciatura em Engenharia Mecânica, conta também que não tem sido instruído sobre a utilização de IA ao longo do primeiro semestre. Embora explique que é algo que todos usam e que já é tido como “mais uma ferramenta que está na mochila quando vamos para as aulas”, o estudante não vê que esta seja uma preocupação dos professores, que continuam a usar “os mesmos powerpoints de há cinco anos”. O aluno do Departamento de Engenharia Mecânica afirma que só uma professora tem incentivado o uso de Inteligência Artificial, mas sem uma orientação para que tipo de ferramentas usar em cada circunstância. Ainda sem ter visto docentes a orientar para a utilização das ferramentas, João Ferreira “espera” que seja algo que aconteça ao longo do curso. Em Engenharia Computacional, Miguel Vicente admite que já começa a haver alguma abertura da parte dos professores para as novas tecnologias. Segundo afirma, é dito que a IA é “importante”, embora “sem abusar”, e que deve ser feita sempre ser feita referência à utilização. No entanto, o estudante também diz que os professores “não ensinam” como recorrer à Inteligência Artificial e que a componente ética “ainda não foi muito incutida”.
UA: “Semana Sem Fronteiras” traz debates, oficinas e mesas-redondas até ao DCSPT em fevereiro
Sob o mote “Comunicar, participar e inovar em tempos de incerteza”, a ‘Semana Sem Fronteiras’ juntará debates, conferências performance, oficinas, jogos participativos e mesas-redondas, cruzando diferentes áreas disciplinares e formatos de aprendizagem. “Ao longo de três dias, o DCSPT abre as suas portas à cidade, promovendo o diálogo entre ciência e sociedade num contexto marcado pela desinformação, pela polarização e pela crise de confiança no conhecimento científico”, lê-se na nota. A iniciativa tem início na segunda-feira, 23 de fevereiro, com a sessão de abertura, seguindo-se a mesa-redonda “As fronteiras entre os territórios da academia e da política”, moderada por Tiago Brandão Rodrigues, professor catedrático convidado da UA e ex-ministro da Educação. A sessão pretende propor uma reflexão sobre a “circulação entre os territórios académico e político, a relevância da carreira académica no exercício de funções governativas e o impacto dessa experiência no regresso à academia”. A mesa-redonda contará com os contributos de Raquel Duarte do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto, e ex-secretária de Estado da Saúde; de Assunção Cristas da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e ex-ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território e de Pedro Teixeira da Faculdade de Economia da Universidade do Porto e ex-secretário de Estado do Ensino Superior. A tarde de segunda-feira será ainda composta por um conjunto alargado de workshops, organizados pelo DCSPT. De acordo com o comunicado, as formações abordarão temas como a “criatividade e colaboração no ensino, escrita científica, diversidade e inclusão no ensino superior, inovação cidadã, Power BI, primeiros socorros, yoga e metodologias participativas”. No dia seguinte, 24 de fevereiro, o destaque vai para “Plan B – E se a democracia fosse tua?”, uma experiência prática de democracia participativa conduzida por Johan Claeys e Ana Camará. “Através de dinâmicas de grupo, simulações e tomada de decisão coletiva, os participantes são desafiados a gerir recursos, enfrentar dilemas sociais e refletir sobre cidadania, participação e valores democráticos”, descreve. A atividade decorre em duas sessões em paralelo durante a manhã. Ainda na terça-feira, o programa inclui a conferência-performance “A Ciência do Nazismo”, por Daniel Gamito Marques do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. A sessão, segundo a nota, pretende explorar de “forma crítica a instrumentalização da ciência pelo regime nazi para legitimar a ideologia eugenista e racista, convidando à reflexão sobre a responsabilidade ética da ciência e os limites entre verdade, poder e ideologia”. O dia termina com a mesa-redonda “Uma jornalista, um físico, um politólogo e uma comunicadora entram num bar: comunicar ciência em tempos de desinformação”, com a participação de Carlos Fiolhais da Universidade de Coimbra, Andreia Azevedo Soares, jornalista do Público, Ana dos Santos Carvalho, presidente da Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia de Portugal (SCICOMPT) e Pedro Magalhães do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. A sessão será transmitida online e moderada pela Rádio Universitária de Aveiro (Ria). A quarta-feira, 25 de fevereiro, será especialmente dedicada aos alunos, com um programa centrado na aprendizagem participativa e no pensamento crítico. Entre as atividades destacam-se “Jogar para a Democracia: Processos Participativos (Lúdicos) Orientados para a Inovação Cívica”, dinamizado pela MyPolis, organização de impacto social reconhecida a nível nacional e europeu, bem como “Gamelab: aprender com jogos”, com Miguel Conceição, e “Out in DCSPT: Entre Factos e Farpas”. Conforme explica a nota, as sessões pretendem abordar os “desafios de comunicar ciência, justiça e igualdade num contexto de desinformação e polarização”. O programa encerra com a conversa “MathPunk: Pensar fora da fórmula”, por Gabriel Guimarães (MathPunk), que falará sobre “matemática, pensamento crítico e comunicação científica criativa num mundo saturado de ruído informativo”. A participação na ‘Semana Sem Fronteiras’ é gratuita e aberta a toda a comunidade académica. No entanto, algumas atividades estão sujeitas a um limite de participantes e com necessidade de inscrição. O programa pode ser consultado na íntegra aqui.
xauxau dodô vêm do Minho até ao GrETUA para concerto esta sexta-feira
Segundo uma nota de imprensa enviada às redações, esta será uma noite que cruzará “música e artes visuais, abrindo o espaço a diferentes formas de escuta e de olhar”. Os xauxau dodô são um coletivo de sete músicos minhotos que “fazem música sem pedir licença”. “O resultado é um corpo sonoro onde afrobeat, jazz, música ambiental e referências clássicas se cruzam por trilhos selvagens e mal sinalizados, num percurso que reflete sobre o ser humano, as suas grandezas e minúcias”, lê-se na nota. No que toca à nova exposição, no foyer do espaço, o GrETUA explica que esta integrará a programação do quadrimestre dedicado ao jogo, tendo como objetivo propor uma reflexão visual sobre “perceção, ilusão e movimento”. A mostra estará ainda patente de janeiro a março, com entrada livre, podendo ser vista em qualquer evento ou mediante pedido. “Partindo do desenho como campo de jogo, sem partidas nem chegadas, ‘Pista’ reivindica o céu como plano do faz de conta. As caixas de luz tornam-se tabuleiro, e o olhar do público, peão em deslocação constante”, adianta. A exposição é de Gonçalo Fialho, designer e ilustrador independente, também conhecido como UIVO. O artista trabalha a “partir de processos de observação, arquivo e engenhos gráficos, cruzando prática artística e pensamento visual”. As reservas para o espetáculo dos xauxau dodô podem ser feitas aqui e têm o custo, com reserva, de seis euros para estudante e de oito euros para não estudante. À porta, o preço tem o custo de oito euros para estudante e de dez euros para não estudante.
Estudo da Universidade de Aveiro sugere reaproveitamento de resíduos da pesca
O estudo analisou aparas e restos do processo de corte e filetagem desse peixe, que são normalmente descartados pelas empresas do setor, tendo os investigadores concluído que esses materiais “são fontes valiosas de compostos benéficos”. O estudo aponta para perfis lipídicos distintos entre si, já que os restos resultantes da filetagem contêm maiores quantidades de proteínas e ácidos gordos, como o ácido palmítico e o ácido oleico. Já as aparas destacaram-se pela abundância de fosfolípidos essenciais para a estrutura das células e com múltiplas aplicações industriais. Ambos os subprodutos apresentaram quantidades semelhantes de ómega-3, incluindo ácidos conhecidos pelos benefícios cardiovasculares. O investigador João Monteiro, citado em nota de imprensa da Universidade de Aveiro, explicou que os extratos lipídicos demonstraram uma atividade anti-inflamatória significativa em ensaios laboratoriais. O cientista sublinhou que, embora a pescada-do-cabo seja o caso de estudo, o conceito pode ser aplicado a outras espécies marinhas. “Estes lípidos surgem como uma alternativa sustentável às lecitinas tradicionais, obtidas da soja ou do ovo para uso como emulsionantes, pelo que a utilização destes resíduos permite o desenvolvimento de alimentos funcionais e suplementos nutricionais”, esclarece. Para João Monteiro, a valorização desses resíduos representa também uma oportunidade para tornar a indústria do pescado mais sustentável. “Ao transformar subprodutos em matérias-primas de elevado valor acrescentado, é possível reduzir o desperdício, aumentar a eficiência dos processos produtivos e promover uma economia circular no setor das pescas”, observa. Para além do setor alimentar, aqueles compostos “poderão encontrar aplicação em produtos nutracêuticos, farmacêuticos e cosmecêuticos, graças às suas propriedades bioativas, nomeadamente anti-inflamatórias”. A investigação foi desenvolvida no âmbito do projeto Pacto da Bioeconomia Azul com financiamento de fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Participaram no estudo os investigadores do Centro de Estudos e do Mar e do Departamento de Química da UA João Monteiro, Tiago Sousa, Marisa Pinho, Tânia Melo, Pedro Domingues, Ricardo Calado e Rosário Domingues. O trabalho contou ainda com a participação do Departamento de Biologia, do Centro de Espetrometria de Massa e do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV) da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE) da UA. Em termos externos contou também com a colaboração da Escola Universitária Vasco da Gama, da Universidade de Perúgia (Itália), do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e da Universidade do Porto.
Joana Regadas toma posse na presidência da AAUAv e diz ser necessário “sair da ilha para ver a ilha”
Foi com o Auditório Renato Araújo lotado, no edifício da Reitoria, na Universidade de Aveiro, que Joana Regadas voltou a tomar posse como presidente da direção depois de ter vencido as eleições da AAUAv com 86,24% dos votos. Apesar do nervosismo, Joana Regadas começou o seu discurso a fazer uma retrospectiva daquele que foi o seu mandato ao longo do último ano. Um capítulo que, conforme descreveu, pautou-se pela “humanização”. “Quando cada uma das palavras, passos e atividades, foi pensada com os estudantes no centro. Quando reconhecemos cada um dos que faz parte desta grande casa, quando expandimos o projeto ‘Tutores por Amor’ e criamos o projeto ‘Amigos por Amor’”, referiu. A atual presidente descreveu ainda que este foi um mandato de “valorização da estrutura”, assim como dos dirigentes, em que “cada um dos estudantes decide ir mais além, quando as propostas discutidas em momentos de formação sobre o Regulamento de Estudos da UA se encontram cada vez mais próximas de verem a luz do dia”. No seguimento, Joana Regadas relembrou ainda, entre outros aspetos, o “restabelecer de parcerias” como com a Câmara Municipal de Aveiro, a “extensão do Dia Nacional do Estudante a uma semana de atividade”, o “Docturando”, a “inclusão de modalidades de desporto adaptado na Taça UA Glicínias Plaza” ou o “mês de integração”. “Em menos de 25 dias contou com 33 atividades, dinamizado exclusivamente por estudantes, com atividades de desporto, de consciencialização de novos hábitos, em que a cultura foi mote de integração, e onde o grande objetivo era todos ‘Fazerem Parte’”, afirmou, apontando também a expansão do Conselho para a internacionalização e a intenção de candidatura aos Jogos Europeus Universitários 2032. Face à exposição, a presidente da direção resumiu o último ano pela palavra “proatividade”. “Assumimos a responsabilidade em pensar nas soluções. Soluções para Aveiro quando lançamos a agenda estudantil para a cidade. (…) Soluções para a cultura, um dos pilares que nos moveu e continuará a mover, com a construção do tão querido DOCA UA, uma visão para a cultura académica até 2036, uma visão não da direção, mas de todos os que fazem parte do Conselho Cultural, uma visão para a universidade e para a região”, vincou. Para falar sobre o futuro da AAUAv, Joana Regadas socorreu-se do escritor José Saramago relembrando que “é preciso sair da ilha para ver a ilha”. Assumiu que é com esse desconforto que avança com o “compromisso de mais um ano”. “Um novo ano, onde a voz de cada um dos 18 mil estudantes da UA continua a assumir o papel de personagem principal, um novo ano não de conformismos, mas de responsabilidade em assumir o desconforto como necessário para o crescimento”, assegura. De seguida, a presidente da AAUAv deixou um conjunto de reflexões que incluíram, entre outras temáticas, o “incumprimento do Plano Nacional para o Alojamento do Ensino Superior”, a “temática assombrada” do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), os “problemas inerentes aos Serviços de Ação Social” ou os “transportes da Região de Aveiro”. Sem esquecer a notícia de há cerca de uma semana que dava conta de um texto assinado por 28 professores contra o uso da inteligência artificial generativa nas Instituições de Ensino Superior, Joana Regadas mostrou “estranheza” com a atitude. “É com alguma estranheza que vemos também ser este um dos meios com mais receio dos avanços tecnológicos, onde docentes pedem a proibição da inteligência artificial, indicando ser esta a razão da transformação dos alunos em, e passo a citar, ‘cretinos digitais’”, exprimiu. “As universidades devem ser espaços de promoção de inovação, não espaços com receio de mudanças. Um ensino centralizado nas formas da avaliação não é centrado na aprendizagem, é um ensino que falha no seu primeiro e principal propósito”, continuou. Apesar de considerar que a UA se tem afirmado como “exemplo em quase todas as áreas”, a presidente da AAUAv deixou também algumas oportunidades de “florescimento” como com a “formalização do Instituto de Ensino e Aprendizagem”, a “aproximação à cidade e à região” ou as eleições para o próximo reitor. “Eleições que serão ainda no modelo antigo, mas que nem por isso devem de ser menos partilhadas com toda a comunidade”, atentou. Tendo como lema “Unidos pela Voz”, Joana Regadas comprometeu-se ainda a ser “audaz”. “A voz que pretendemos usar não se irá fechar dentro dos campi, não se irá fechar dentro das oportunidades óbvias, mas pretende ser audaz, chegar onde ainda não conseguimos projetar, chegar a uma região, chegar a Aveiro, Águeda, Oliveira de Azeméis, a Ílhavo, quer chegar a toda a comunidade intermunicipal da região de Aveiro”, afirmou. “Quer em conjunto com todos os que fazem parte da comunidade UA pensar na região universitária, pensar numa região que cresce com os estudantes, que promove sinergias, que cresce no sentido da simbiose”, rematou. Na cerimónia, Paulo Jorge Ferreira, reitor da UA, admitiu estar com o “coração cheio de alegria” ao se dirigir a todos. “Fala-me mais ao coração porquê? Porque uma universidade é sobretudo o conjunto dos seus estudantes, as vivências desses estudantes e a forma como se consegue posicionar de forma que anunciada e aplaudida proximidade entre a universidade e a região seja também uma manifestação de proximidade com as suas pessoas e com os seus estudantes”, refletiu. À semelhança da presidente da AAUAv, Paulo Jorge Ferreira deixou também algumas palavras do seu discurso para comentar o manifesto contra a inteligência artificial nas universidades. Admitiu ser “avesso a proibições”. “Não devemos temer aquilo que é novo. Devemos sim transformá-lo. Os nossos estudantes não temem o futuro. Os nossos estudantes vão criá-lo e não o podem fazer abstendo-se de usar por decreto ou proibição ferramentas que lá fora na sociedade, no dia a dia, são das mais importantes que temos visto e absolutamente transformacionais para a nossa realidade”, vincou. No seguimento, lembrou que a função de uma universidade pública é servir o “bem público”. “Tem a responsabilidade disso. Se a sociedade usa certas ferramentas é nosso dever e obrigação facultar aos nossos estudantes acesso e conhecimento acerca dessas ferramentas”, argumentou. “Pedir que se proíbam ainda para mais usando uma linguagem violenta e agressiva classificando os possíveis resultados como ‘zombies digitais alienados’ ou ‘cretinos digitais’ não me parece nem digno, nem próprio de uma instituição de ensino superior”, opinou Paulo Jorge, deixando a nota que este tipo de pensamento “nunca vingará” na UA. No seu último discurso de tomada de posse, enquanto reitor, Paulo Jorge Ferreira deixou ainda um agradecimento aos estudantes admitindo que muito do seu percurso foi “marcado pelas interações” que teve com estes. “Tenho também muita admiração por aqueles que tomaram posse como a senhora presidente, Joana Regadas. Tem sido uma grande presidente, uma grande líder e certamente continuará a ser”, afirmou. Dirigindo-se diretamente aos novos estudantes possantes, o reitor da UA comparou a Associação Académica a um laboratório de “cidadania e de democracia”. “Serão pessoas mais completas passando por esse laboratório do que seriam se por ele não tivessem passado. (…) Uma universidade não são só salas de aulas apenas. Não são cadeiras apenas e a Associação Académica pode muito bem ser uma das mais exigentes dessas cadeiras. Aquilo que aprendem nela, ao contrário do que noutras se aprende, fica para a vida”, garantiu. Face à cerimónia de tomada de posse, a AAUAv renovou a sua estrutura com a entrada de 36 novos órgãos sociais.
Projeto coordenado pela UA organiza webinar sobre comunicação de ciência
Segundo uma nota de imprensa enviada à Ria, esta é a segunda série de webinars que acontece no âmbito do projeto “Media For Future”, dedicado a reforçar a comunicação de ciência e o jornalismo climático na Europa. A participação no webinar “Media For Future: Science and Journalism United to Communicate Climate Change”, na próxima segunda-feira, é gratuita e aberta ao público. Está ainda sujeita a inscrição prévia aqui. O projeto “Media For Future” pretende promover uma “cultura de comunicação sobre as temáticas do clima”, envolvendo parceiros europeus que pretendem fortalecer a “literacia climática e da qualidade do jornalismo ambiental”. O projeto é coordenado por Marlene Amorim, professora do Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) da UA. “O objetivo do projeto é capacitar jornalistas, profissionais e organizações de media para uma cobertura mais atual, clara e fundamentada das temáticas relacionadas com as alterações climáticas, promovendo o diálogo entre ciência e comunicação e contribuindo para uma maior consciencialização pública e ação informada”, lê-se no comunicado. No âmbito do projeto está ainda previsto um conjunto de webinars que irão reunir cientistas, jornalistas e profissionais da comunicação para refletir sobre o papel dos media na resposta às alterações climáticas. “Estes eventos online constituem um espaço de partilha de experiências, boas práticas e desafios, destacando estratégias inovadoras para comunicar as alterações climáticas de forma clara e responsável. Esta visão sublinha ainda a importância dos media na tradução do conhecimento científico e na promoção de narrativas responsáveis sobre o clima”, continua a nota. O “Media For Future” é financiado ao abrigo do programa Erasmus+ da União Europeia e coordenado pela UA. O projeto conta com a colaboração de parceiros de vários países, nomeadamente Alemanha, Áustria, Islândia, Egito e Irlanda. Entre os seus principais objetivos destacam-se o “desenvolvimento de uma Comunidade de Práticas e de um Climate Journalism Hub, no sentido de promover a partilha de conhecimento, a cooperação interdisciplinar e o reforço da comunicação climática”.
CIDADE
Galitos conquista recorde nacional e 11.º lugar coletivo nos Campeonatos Nacionais de Inverno
A competição que decorreu de 23 a 25 de janeiro, em Torres Novas, contou com a presença de “1004 atletas em representação de 88 clubes”. Segundo uma nota enviada às redações, o Galitos/Bresimar participou com “20 atletas, 11 masculinos e nove femininos”. No global, os ‘galináceos’ obtiveram o 11º lugar da classificação final coletiva face a “um recorde nacional, nove títulos nacionais e nove medalhas de prata e de bronze”. “Foram alcançados pelos atletas (…) 27 lugares de pódio e 17 novos recordes pessoais e a quase totalidade dos nossos atletas foram medalhados/campeões nacionais”, lê-se no comunicado. O clube do Galitos dá ainda destaque à atleta Maria Inês Cunha com a obtenção de um recorde nacional nos “50 Bruços escalão G”. Houve ainda novos campeões nacionais: “Ana Rodrigues- 400 Livres, 100 e 200 Estilos; Maria Inês Cunha- 50, 100 e 200 Bruços; Sara Rodrigues- 200 Bruços; Nuno Lobo-50 Livres; Celso Assunção-50 Bruços”. “Os restantes atletas, Sandra Barnabé, Gustavo Basto, André Coelho, Paulo Costa, Rafael Dias, João Ferraz, Carlos Goulão, Andreia Lemos, António Ligeiro, José Madaíl, Maria Martins, Patricia Monteiro, Ana Oliveira, Nuno Sereno e Silvia Teixeira, também estiveram em bom plano como o provam os resultados obtidos”, continua.
Mau tempo: Aveiro não regista feridos com a passagem da depressão Kristin
Em declarações esta manhã, fonte camarária avançou apenas que a partir das 5h30 foram registadas algumas chamadas para a Proteção Civil face à queda de árvores, de sinalização rodoviária e de um telhado de acrílico próximo do Centro de Congressos. A fonte confirmou ainda não ter existido registo de feridos, nem situações de maior escala. Recorde-se que, face à previsão de agravamento significativo do estado do tempo para a passada madrugada, o Município colocou uma equipa da Polícia Municipal no terreno, em permanência durante toda a noite, “para verificação, avaliação e atuação das condições nos pontos mais críticos do concelho”. Num comunicado enviado às redações ontem, 27 de janeiro, a autarquia garantiu ainda estar “atenta e a acompanhar permanentemente a evolução da situação”, em parceria com o dispositivo de proteção civil regional e nacional. A Ria continuará a acompanhar a situação.
Mau tempo: Município de Aveiro mantém Polícia Municipal em permanência durante a noite
Nesse comunicado, a autarquia diz ainda que está “atenta e a acompanhar permanentemente a evolução da situação”, em parceria com o dispositivo de proteção civil regional e nacional, tendo “ativado um dispositivo de prevenção em articulação com os Bombeiros, as Juntas de Freguesia e os Serviços Urbanos Municipais, estes últimos com equipas de prevenção preparadas a partir das 21h00 de hoje para atuar em caso de necessidade”. Além da equipa da Polícia Municipal, a partir das 21h00, o Município de Aveiro assegura também que se encontra “igualmente de prevenção uma entidade privada, dotada de maquinaria pesada própria, em estado de prontidão para responder a eventuais ocorrências”. “Atendendo à severidade da situação, poderão vir a ser cortadas algumas vias e registadas inundações pontuais em diversos locais do concelho”, atenta. Na nota, a Câmara apela ainda à população para que siga “rigorosamente as orientações das autoridades, adotando comportamentos preventivos, nomeadamente a limpeza dos sistemas de escoamento das águas pluviais, a adequada fixação de estruturas soltas e a evitação da circulação e permanência em zonas arborizadas, na orla costeira e em áreas ribeirinhas vulneráveis”. O Município deixa também o apelo à “não realização de atividades na proximidade do mar, à adoção de uma condução defensiva e à evitação da circulação em zonas inundadas ou da realização de deslocações desnecessárias durante os períodos mais críticos”. “O Município reforça a importância do acompanhamento das informações oficiais e apela ao sentido de responsabilidade de todos, sublinhando que a segurança de pessoas e bens depende da colaboração e prudência da população”, remata a nota. Tal como avançado pela Ria, o distrito de Coimbra, até Aveiro, a norte, e até Leiria, a sul, será a zona de maior risco à passagem da depressão Kristin, que sucede à depressão Joseph, segundo o Instituto Português do Mar. No entretanto, a Proteção Civil elevou o estado de prontidão especial para nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, para fazer face a nova depressão meteorológica que atravessará Portugal na próxima madrugada.
Teatro Aveirense celebra William Shakespeare com ciclo em fevereiro
Segundo uma nota camarária, a “Trilogia Shakespeare” é composta por três espetáculos de teatro, uma oficina e uma sessão de cinema, numa sequência de iniciativas pensadas para celebrar o poeta e dramaturgo inglês. "Com especial incidência no público jovem, o ciclo inclui sessões especiais para escolas e procura trazer William Shakespeare para os dias de hoje, de forma criativa e original", refere a mesma nota. Pensado para públicos diversos, desde crianças a partir dos seis anos, jovens, professores e público em geral, o ciclo cruza teatro, pedagogia, humor e participação ativa, abrindo espaço para novas leituras das grandes tragédias e dilemas shakespeareanos. O programa começa no dia 02 de fevereiro com “To Be or Not To Be – That’s The Question”, com Cláudia Jardim e Diogo Bento, sendo uma formação para professores, educadores, artistas e outros interessados em novas abordagens de obras clássicas junto dos mais novos. Para o dia 03 de fevereiro está marcado o espetáculo “Hamlet, Sou Eu”, numa sessão exclusiva para escolas, que lança um desafio de descoberta e representação de possíveis cenários teatrais para a história da peça “Hamlet”, com subida dos participantes até ao palco no final. No dia 05 de fevereiro haverá uma nova sessão para escolas, desta feita com “Romeu & Julieta”, que transpõe a conhecida história para o ambiente divertido de uma cozinha. Ainda no mesmo dia terá lugar "William ShakeskKkKKkk", uma conferência performativa em formato de vídeo, de inspiração “tiktokiana”, realizada em torno da biografia do dramaturgo. Por fim, no dia 07 de fevereiro será apresentada a peça “MacBad”, que transforma o clássico “Macbeth” na história de um 'bully', convocando o universo dos videojogos.
Câmara de Aveiro apoia clubes desportivos em mais de um milhão de euros para a época 2025/2026
O Apoio ao Investimento é o que concentra a maior parte das verbas entregues, com “528.201,10” euros atribuídos a 22 Associações. O Apoio à Atividade Regular é a outra grande área de atribuição de verbas, com “493.250,00” euros para 39 das Associações. Os clubes que recebem a maior fatia do bolo são o Sport Clube Beira-Mar – “84.000” euros de apoio à atividade regular e “77.135” euros de apoio ao investimento -, o Sporting Clube de Aveiro - “40.000” euros de apoio à atividade regular e “79.286” euros de apoio ao investimento – e o Clube dos Galitos - “70.000” euros de apoio à atividade regular e “47.000” euros de apoio ao investimento. Durante a sua intervenção na sessão de atribuição dos apoios, Luís Souto, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, disse fazer questão de visitar pessoalmente cada um dos clubes após a conclusão dos trabalhos contratualizados. O objetivo, de acordo com o autarca, passa não só por se inteirar dos resultados alcançados, mas também “discutir também questões específicas relacionadas com o desenvolvimento formativo e desportivo”. O balanço de Luís Souto relativamente à aplicação do Programa Municipal de Apoio às Associações é “extremamente positivo”. No sentido de promover uma maior coesão territorial e mecanismos para um maior acompanhamento dos investimentos realizados pelos clubes, o presidente manifestou ainda a intenção de iniciar em breve o processo de revisão do respetivo regulamento municipal.
Galitos celebra conquistas no basquetebol, na natação e remo no dia de aniversário
O aniversário do Clube dos Galitos foi celebrado com vitórias em diversas frentes. Este fim-de-semana, no basquetebol, os aveirenses sagraram-se campeões distritais no escalão de sub-16 masculinos e no escalão de sub-16 feminino. Na natação, a atleta Maria Inês Cunha bateu o record nacional master nos 50 metros bruços na Categoria F. Já na formação, o clube venceu o Torneio Turbo de Formação 2 (cadetes <11 anos e infantis 12 a 14 anos). O Galitos conquistou um total de 37 medalhas: 21 de ouro, 11 de prata e cinco de bronze. Júlio Teixeira também quebrou este fim-de-semana um record nacional em PR3i (remo indoor adaptado), tendo-se sagrado campeão nacional da modalidade.
Prisão preventiva para suspeito de 12 assaltos a residências em Aveiro
Em comunicado, a GNR esclareceu que o detido foi presente na quinta-feira ao Tribunal de Aveiro para primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação mais gravosa. Segundo a GNR, o homem dedicava-se à prática de furtos em residências, com o intuito de obter receita através da venda dos bens furtados, sendo suspeito de pelo menos 12 furtos qualificados ocorridos durante o último mês no concelho de Aveiro. O suspeito, com antecedentes criminais pela prática do mesmo tipo de crime, foi detido na terça-feira no âmbito de uma investigação por crime de furto qualificado, que decorria há cerca de um mês. No seguimento das diligências policiais, foi efetuada uma busca domiciliária, que culminou na apreensão de diversos artigos utilizados na prática dos crimes.
REGIÃO
Deputados do PS Aveiro questionam Governo sobre o despedimento coletivo na Yazaki
Segundo uma nota de imprensa enviada às redações pela Federação Distrital de Aveiro do PS, esta quarta-feira, 28 de janeiro, os deputados transmitiram “preocupações sérias” ao Governo sobre a forma como o processo está a ser conduzido, “designadamente relatos de substituição de trabalhadores despedidos por recurso a trabalho temporário e outsourcing, em postos de trabalho anteriormente ocupados por trabalhadores efetivos”. “Foi igualmente referida a falta de abertura da empresa à negociação, apesar da disponibilidade manifestada por parte de alguns trabalhadores. Acresce também a preocupação com o futuro dos trabalhadores despedidos, muitos dos quais, após décadas de trabalho repetitivo, apresentam problemas de saúde profissional que dificultam gravemente a sua reintegração no mercado de trabalho”, lê-se na nota. Recorde-se que, tal como noticiado pela Ria, a Yazaki Saltano despediu, este mês, 163 trabalhadores na Fábrica de Ovar, após ter dispensado mais de 300 em meados de 2025. Na nota, a Federação Distrital de Aveiro do PS adianta ainda que interpelaram Manuel Castro Almeida, ministro da Economia, sobre o processo de despedimento coletivo, a sua avaliação e sobre que “apoios, incentivos ou fundos públicos (nacionais ou europeus) foram atribuídos à empresa nos últimos anos”. No seguimento, questionaram ainda o Governo sobre que medidas pretendem adotar para salvaguardar a “continuidade da atividade económica da empresa na região, garantindo simultaneamente o respeito pelos direitos dos trabalhadores”. Do lado da Maria do Rosário Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, levantaram ainda questões sobre a “Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT)” que tinham, entre outros objetivos, perceber se estão a ser desenvolvidas “ações de fiscalização no âmbito deste processo e, em caso afirmativo, com que conclusões preliminares”. Adicionalmente, os deputados pediram também dados sobre se há “acompanhamento específico previsto para os trabalhadores despedidos, nomeadamente aqueles com problemas de saúde profissional, de forma a apoiar a sua proteção social e reintegração profissional”. No comunicado, a Federação Distrital de Aveiro do PS esclarece ainda que as questões colocadas surgiram na sequência da reunião mantida entre a Comissão de Trabalhadores, os deputados do PS Aveiro, Hugo Oliveira e Susana Correia, e os dirigentes e autarcas do PS Ovar, liderados por Emanuel Oliveira, presidente da concelhia e vereador.
Mau Tempo: Distrito de Aveiro sob aviso vermelho até às 21h00 devido a mar agitado
Segundo o IPMA, as zonas costeiras dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro estão sob aviso vermelho, o mais grave, até às 21h00 devido a previsões de ondas com sete a oito metros, podendo atingir 14 metros de altura máxima. Depois das 21h00 de hoje e até às 15h00 de quinta-feira, passam a aviso laranja, o segundo mais grave, por agitação marítima forte os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa. Entre as 21h00 de hoje e as 18h00 de quinta-feira, estão sob aviso laranja os distritos de Setúbal, Beja e Faro, devido previsões de ondas de cinco a sete metros. O instituto de meteorologia colocou ainda sob aviso amarelo, devido a precipitação forte, os distritos Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Vila Real, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Santarém e Leiria, até às 09:00 de quinta-feira. Os distritos de Guarda e Castelo Branco estão sob aviso amarelo até às 18:00 de hoje devido à possibilidade de queda de neve acima dos 1.500 metros. A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou hoje um rastro de destruição, vários desalojados e causou quatro mortos, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa. Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal. A Proteção Civil está em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, e há avisos meteorológicos vermelhos (nível mais grave) em toda a costa do continente.
Jovem detido em Estarreja por pornografia de menores
Em comunicado, a PJ esclareceu que o suspeito, estudante, foi detido por "fortes indícios da prática do crime de pornografia de menores". Segundo a Judiciária, o jovem obtinha e partilhava na Internet ficheiros multimédia (vídeo e imagem) nos quais surgem crianças, algumas de tenra idade, em práticas sexuais explícitas com adultos. "Os referidos ficheiros eram obtidos e partilhados através de grupos criados em aplicações de troca de mensagens e ficheiros, prática que o suspeito exercia com elevada frequência", refere a mesma nota. Na sequência da busca domiciliária realizada na casa do suspeito, numa das freguesias da periferia do concelho de Estarreja, foram apreendidos, para além do telemóvel e computador portátil utilizados na atividade delituosa, ficheiros multimédia de pornografia de menores. A PJ refere ainda que o detido será presente às autoridades judiciárias da Comarca de Aveiro para lhe serem aplicadas as devidas medidas de coação.
Investigadores de Coimbra descobrem planta com 87 milhões de anos em Aveiro
A descoberta revelou novos frutos de angiospérmicas (plantas que produzem flor), com cerca de 87 milhões de anos, que viveram no período geológico conhecido como Cretácico Superior. Os novos espécimes foram recolhidos em jazida fossilífera - um espaço geográfico com fósseis -, na localidade de Seadouro, no concelho de Vagos, revelou hoje a FCTUC, num comunicado enviado à agência Lusa. De acordo com Mário Miguel Mendes, os exemplares "encontram-se muito bem preservados” e, embora não seja possível extrair muita informação acerca dos órgãos florais, há vestígios de possíveis filamentos estaminais e tépalas. As características observadas permitiram ainda aos especialistas incluir as novas angiospérmicas “na ordem Fagales e atribuí-las, sem qualquer dúvida, ao género Endressianthus”, explicou o investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) e docente da Universidade Fernando Pessoa (Porto). Apesar dos frutos estarem a ser descritos como uma nova espécie do género Endressianthus, a sua posição ao nível da família continua a ser incerta. Entretanto, os cientistas reconheceram “estreitas semelhanças” com uma família de plantas que inclui a aveleira-comum e a aveleira-turca. O paleobotânico acredita que “os estudos de tomografia de raios-X por radiação de sincrotrão e a comparação com elementos da flora moderna irão permitir a obtenção de informações mais precisas e, talvez, alguma aproximação à família”. Segundo os investigadores, a presença de frutos de angiospérmicas do género Endressianthus já havia sido reportada no Cretácico Superior de Portugal, em Mira e em Esgueira (Aveiro). Contudo, a espécie afasta-se das formas anteriormente descritas e foi classificada como sendo de um período geológico anterior, exprimindo, explicitamente, “que este grupo de angiospérmicas já se encontrava bem estabelecido nas floras do Cretácico Superior português há cerca de 87 milhões de anos”. Os cientistas apontam ainda evidências de que estas plantas “eram comuns em ecossistemas áridos ou semiáridos”. Os trabalhos atualmente em curso estão a ser desenvolvidos em parceria com investigadores do National Museum Prague (República Checa) e receberam financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency. Fotografia de capa retirada do site da Universidade de Coimbra.
Mau tempo: Homem de 75 anos realojado no Luso, Mealhada
“Está realojado, através dos serviços de Ação Social do município, o munícipe do Luso, de 75 anos de idade, que ficou desalojado esta madrugada depois de uma árvore ter afetado fortemente a sua habitação, na Rua Assis Leão”, adiantou. De acordo com a Câmara, que encerrou hoje as escolas no município, “foram registadas várias ocorrências durante a madrugada e manhã, nomeadamente quedas de árvores e acumulação de detritos, sobretudo em vias públicas, originando condicionamentos à circulação em diversos locais do concelho”. Todas as estradas no perímetro do concelho, no entanto, estão transitáveis e a energia elétrica está a ser reposta gradualmente. Portugal continental está hoje a ser afetado pelos efeitos da passagem da depressão Kristin, após outras duas tempestades nos últimos dias – Ingrid e Joseph –, com chuva, vento, neve e agitação marítima, tendo sido emitidos vários avisos pelo IPMA. A Proteção Civil está em estado de prontidão especial para nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal. Os distritos de Coimbra e Leiria foram os mais afetados e no distrito de Lisboa, no concelho de Vila Franca de Xira, uma pessoa morreu quando uma árvore caiu sobre a viatura que conduzia. O IPMA qualificou a Kristin como "ciclogénese explosiva", termo utilizado para depressões de forte intensidade, tanto em vento como em chuva.
Campanha rodoviária regista 12 mortes e Aveiro é um dos distritos com vítimas
No balanço hoje divulgado, a campanha- realizada entre 20 e 26 de janeiro- registou ainda 708 feridos ligeiros. Com a participação da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia de Segurança Pública (PSP), a operação contabilizou mais 510 acidentes, mais dois mortos, menos 21 feridos graves e menos 279 feridos leves, em relação ao período homólogo de 2025. Os 12 mortos — todos homens — tinham entre 18 e 87 anos. Os 11 acidentes mortais registaram‑se nos distritos de Aveiro, Braga, Coimbra, Leiria, Lisboa, Santarém e Setúbal, envolvendo três colisões e oito despistes. De acordo com as forças de segurança, durante a campanha foram fiscalizados por radar 5,7 milhões de veículos, dos quais 590 mil pela PSP e pela GNR e 5,1 milhões pelo Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (SINCRO), o sistema nacional de controlo de velocidade da ANSR. As autoridades fiscalizaram presencialmente 52.954 condutores, contribuindo para um total de 20.363 infrações detetadas, incluindo 8.921 por excesso de velocidade – 8.742 ocorreram em Portugal continental e 179 nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, com 998 detetadas pela PSP e 3 070 pela GNR. A campanha teve como objetivo alertar para os “riscos do excesso de velocidade”, fator responsável por “cerca de um terço das mortes nas estradas portuguesas”. No âmbito da campanha “Viaje sem pressa” foram sensibilizados 616 condutores e passageiros, a quem foram transmitidas mensagens como “quanto maior a velocidade, maior a gravidade de um atropelamento” ou como “manter uma distância de segurança reduz significativamente o risco de acidente”. Esta foi a primeira de 11 campanhas previstas para 2026 no âmbito do Plano Nacional de Fiscalização (PNF), que este ano mantém os temas centrais de 2025 — velocidade, álcool, dispositivos de segurança, uso do telemóvel e veículos de duas rodas a motor — e acrescenta um novo eixo dedicado aos utilizadores vulneráveis. As campanhas dos planos nacionais de fiscalização são realizadas anualmente pela ANSR, GNR e PSP desde 2020, com temas definidos a partir das recomendações europeias para cada ano.
Aveiro sob ameaça de “ciclogénese explosiva” na passagem da depressão Kristin
No caso do distrito de Coimbra, até Aveiro, a norte, e até Leiria, a sul, o IPMA qualificou a situação como “ciclogénese explosiva”, termo utilizado para depressões de forte intensidade, tanto em vento como em chuva. A situação foi transmitida à comunicação social na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, concelho de Oeiras (distrito de Lisboa), pelo presidente desta entidade, José Manuel Moura, por José Ribeiro, segundo-comandante nacional da Proteção Civil, e Nuno Lopes, meteorologista da Divisão de Previsão Meteorológica e Vigilância do IPMA. O estado de prontidão de nível 4 mobiliza os dispositivos de resposta até 100%, “num prazo de 12 horas”, adiantaram, reconhecendo que aguardam um “fenómeno complexo” e “com potencial destrutivo muito significativo”. A nova depressão “vai ter forte impacto no nosso território”, resumiu o presidente da ANEPC, depois de se ter realizado uma reunião extraordinária do Centro de Coordenação Operacional Nacional, esta manhã. Na sequência da depressão “Joseph” foi detetada uma “ciclogénese explosiva”, que “vai intensificar-se rapidamente em 24 horas” e passará por Portugal na próxima madrugada, – com maior impacto entre as três e as seis da manhã, com “vento muito intenso”, podendo as rajadas atingir os 140 quilómetros hora, adiantou Nuno Lopes, não excluindo que “localmente elas possam ser superiores”. O IPMA não consegue identificar o local exato que sofrerá o maior impacto, mas estima que as zonas mais afetadas pela “Kristin” serão o Norte e o Centro e sobretudo o litoral. Ainda assim, o IPMA vai "afinando o local do embate" à medida que a depressão se aproximar, mas "o problema" é que já restará pouco tempo quando esta estiver próxima, porque passará "rapidamente" pelo território. "Não podemos excluir que haja [tornados ou fenómenos semelhantes]", admitiu Nuno Lopes, em resposta aos jornalistas, centrando a atenção no vento. Perante este cenário, a Proteção Civil decidiu estender o estado de prontidão elevado a toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal. A Proteção Civil está em contacto com as entidades que gerem redes e infraestruturas, tendo sugerido que reforcem os operacionais e elevem o seu estado de prontidão. O presidente da ANEPC antecipa que a passagem da nova depressão “vai afetar sobretudo a vulnerabilidade das redes” de transportes, elétrica, etc., apelando à população que garanta “adequada fixação de estruturas soltas”. Em contacto com terra, a ciclogénese explosiva “tem um potencial de estrago, de dano muito significativo, num curto espaço de tempo”, alertou. Durante a tarde, a Proteção Civil vai trabalhar “de forma mais próxima com um conjunto de agentes e entidades, nomeadamente na área do apoio social”, para tentar “antecipar eventuais necessidades de alojamento de emergência de pessoas”.
PAÍS
Mau tempo: Cerca de 2.600 ocorrências no continente devido à passagem da depressão Kristin
A passagem da depressão Kristin causou hoje cerca de 2.600 ocorrências no continente, sobretudo queda de árvores e de estruturas e inundações, afetando principalmente os distritos de Leiria, Coimbra, Lisboa e Santarém, disse a Proteção Civil. Segundo Daniela Fraga, adjunta do Comando de operações nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), tratou-se de um fenómeno extremo, com muitas ocorrências em simultâneo, com cerca de 2.600 registos entre as 00:00 e as 10:30. A responsável, que falava aos jornalistas na sede da ANEPC, no concelho de Oeiras, acrescentou que os operacionais estão no terreno desde o início da noite, mas admitiu que “vai ser difícil repor a normalidade”. “Neste momento existem muitos constrangimentos, nomeadamente no que diz respeito às comunicações, às vias de circulação, à distribuição de rede elétrica. Existem muitas árvores caídas a impedir a circulação rodoviária. Existe muita queda de estruturas e também, neste caso, a poder obstruir a circulação rodoviária e os diferentes acessos”, afirmou. A passagem da depressão causou duas mortes, uma das quais devido à queda de uma árvore em cima de um veículo em Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, e a segunda em Monte Real, em Leiria, devido à queda de uma estrutura. As sub-regiões mais afetadas até ao momento são Leiria, Coimbra, Lisboa, Península de Setúbal, Oeste, Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Aveiro. Foram ativados o plano distrital de Coimbra e foram ativados os planos municipais de Coimbra, Mira, Tomar, Ourém, Ferreira do Zêzere, Lourinhã, Alcobaça, Nazaré, Óbidos, Proença-a-Nova, Castelo Branco e Sertã. A Proteção Civil vai manter-se em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, até hoje à tarde, podendo ser prolongado consoante avaliação das condições.
Mau tempo: 1.700 clientes sem energia elétrica às 16h00
De acordo com informação enviada pela E-Redes à agência Lusa, Bragança, Leiria e Portalegre são os distritos mais pressionados. No balanço anterior, feito às 11:30, dez mil clientes estavam sem eletricidade, a maioria nas regiões centro e norte litoral. A E-Redes, empresa do grupo EDP que opera as redes de distribuição de energia em Portugal continental, informa que tem 400 operacionais no terreno e que reforçou “todas as equipas” para enfrentar “eventuais agravamentos no impacto na rede de distribuição”. Hoje, em conferência de imprensa, a Proteção Civil alertou para o impacto que a passagem de uma nova depressão, Kristin, poderá ter nas redes de distribuição, tendo sugerido que fornecedores e distribuidoras reforcem os operacionais e elevem o seu estado de prontidão. O presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Cívil, José Manuel Moura, antecipa que a passagem da nova depressão “vai afetar sobretudo a vulnerabilidade das redes” de transportes, elétrica, etc., apelando à população que garanta “adequada fixação de estruturas soltas”. A depressão Kristin passará por Portugal na próxima madrugada, com maior impacto entre as três e as seis da manhã, acompanhada de vento muito intenso, podendo as rajadas atingir os 140 quilómetros por hora. A Proteção Civil decidiu elevar o estado de prontidão especial para nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, para fazer face à nova depressão meteorológica que atravessará Portugal na próxima madrugada. O distrito de Coimbra, até Aveiro, a norte, e até Leiria, a sul, será a zona de maior risco à passagem de Kristin, que sucede à depressão Joseph e que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) qualificou como “ciclogénese explosiva”, termo utilizado para depressões de forte intensidade, tanto em vento como em chuva. Em contacto com terra, a ciclogénese explosiva “tem um potencial de estrago, de dano muito significativo, num curto espaço de tempo”, alertou José Manuel Moura. O estado de prontidão de nível 4 mobiliza os dispositivos de resposta até 100%, “num prazo de 12 horas”, adiantou, reconhecendo que aguardam um “fenómeno complexo” e “com potencial destrutivo muito significativo”.
Frio traz novo recorde no consumo diário de energia
Na sexta-feira passada, dia 23, registou-se um consumo diário de 198,1 GWh (gigawatt-hora), um novo máximo, segundo revelou hoje a REN em comunicado, recordando que "ao longo do mês de janeiro foram-se estabelecendo novos máximos no consumo diário de energia no sistema elétrico nacional, superando o máximo de anos anteriores". O primeiro recorde registou-se no dia 06 de janeiro, com 186,2 GWh, sendo que o máximo anterior era de janeiro de 2021, depois em 07 e 08 de janeiro (188,1 GWh e 192,4 GWh), mais tarde no dia 20 (com 193,9 GWh), no dia 22 (com 195,5 GWh) e finalmente na passada sexta-feira. A REN adianta que também a potência máxima solicitada ao sistema elétrico nacional registou novos máximos, no dia 06 e subindo no dia 20 de janeiro às 19:45 para 10254 MW (megawatt). No acumulado do mês de janeiro, de 01 a 25, o consumo de energia elétrica subiu 8,5% face ao mesmo período homologo do ano anterior. A semana passada foi marcada pela passagem da depressão Ingrid e Portugal continental começou esta segunda-feira a sentir os efeitos da depressão Joseph, com chuva, neve, vento e agitação marítima no Minho e Douro Litoral, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Mau tempo: Mais de 20 estradas nacionais e municipais fechadas
Segundo dados enviados à agência Lusa pela GNR, estão interditadas ao trânsito a Estrada Nacional (EN) 9-1 (Estrada da Lagoa Azul) no Linhó, concelho de Sintra, EN 10 Torres do Mondego, em Coimbra, EN 262 em São Romão do Sado, em Setúbal, e EN 365 na Golegã, em Santarém. Estão também suspensas à circulação a EN 3-2 em Valada, no Vale de Santarém, EN 8-2 em Casal Lourim, na Lourinhã, EN 205-1, em Rio Tinto, em Braga, e EN 301 em Argela, em Viana do Castelo, e EN 358-2 em Constância, no distrito de Santarém. De acordo com a GNR, estão igualmente fechadas vias na Serra da Estrela, a Nacional 102, ao quilómetro (km) 53,4, em Torre de Moncorvo (Bragança), EN 316 ao quilómetro 37, em Macedo de Cavaleiros (Bragança), a Estrada Municipal (EM) 511 em Merujal (Arouca), EM 1227 Noninha em Arouca, ER 326 em Cando, ER 311, Rio Douro, Cabeceiras de Basto e Várzea (Braga). Estão ainda fechadas a EM 1133, Estrada de Santo António, em Riba de Mouro (Viana do Castelo), EN 110 km 4,8 entre Penacova e Coimbra, EM 1416 em Moradias, Pampilhosa da Serra, EM 547 em Alto do Fajão, Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), EN 344 em Castanheira da Serra (Coimbra), EM 1355 em Covanca, em Pampilhosa da Serra, EN 236 em Casal Novo (Coimbra), e EM 1374 em Barrica Grande-Portela de Unhais (Covilhã). A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou quase 100 ocorrências entre as 00:00 e as 06:30 relacionadas com o mau tempo por causa da depressão Joseph, a maioria quedas de árvore e inundações. De acordo com informação disponível no ‘site’ da ANEPC, às 06:30, as zonas mais afetadas foram a Área Metropolitana do Porto, Alto Minho, Região de Aveiro, Coimbra, Leiria, Oeste e Grande Lisboa. A maioria das ocorrências deveu-se a quedas de árvores, inundações de estruturas ou superfícies por precipitação intensa, limpezas de via, queda de estruturas e movimentos de massa.
Mau tempo: Oito mil clientes no continente sem energia elétrica pelas 09h00
Em comunicado, a E-Redes informa que a rede elétrica foi impactada pelas condições meteorológicas adversas, indicando que às 01:00 de hoje cerca de 40 mil clientes estavam sem energia, sendo o distrito de Viana do Castelo o mais visado. As equipas operacionais da E-Redes têm estado mobilizadas na resolução das avarias que se registaram na média e baixa tensão. “Nesta altura, 09:00, estão 8.000 clientes sem energia, mantendo-se o dispositivo operacional no terreno a reparar todas as situações pendentes”, é referido ainda na nota. Portugal continental está a ser afetado pelos efeitos da passagem da depressão Joseph com chuva, vento, neve e agitação marítima, tendo sido emitido vários avisos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Segundo o IPMA, durante o dia de hoje haverá uma acalmia, mas o estado do tempo vai agravar-se a partir das 00:00 de quarta-feira. O instituto emitiu aviso vermelho, o mais grave, para os distritos do Porto, Aveiro e Coimbra entre as 03:00 e as 06:00, prevendo-se ventos com rajadas da ordem dos 140 quilómetros por hora (km/h). Os restantes distritos do continente vão estar sob aviso laranja por causa do vento forte com rajadas de 100 km/h, podendo chegar aos 120 km/h nas terras altas. O IPMA emitiu também aviso vermelho entre as 03:00 e as 21:00 de quarta-feira para os distritos de Faro, Porto, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga por causa da agitação marítima, prevendo-se ondas de oeste/noroeste com sete a oito metros, que podem atingir 14 metros de altura máxima. Os distritos de Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Braga e Castelo Branco vão estar também sob aviso laranja e Aveiro a amarelo a partir das 12:00 de hoje e até às 06:00 de quarta-feira devido à queda de neve acima de 800 metros. O IPMA colocou também todos os distritos (18) de Portugal continental sob aviso amarelo entre as 03:00 e as 09:00 de quarta-feira por causa da chuva por vezes forte. O estado do tempo deverá melhorar a partir da manhã de quarta-feira. Os Açores e a Madeira estão também com vários avisos meteorológicos.
Mau tempo: Proteção civil registou 81 ocorrências entre as 00:00 e as 08:00
“Entre as 00:00 e as 08:00 de hoje foram registadas 81 ocorrências, das quais 39 foram quedas de árvores, 23 limpezas de via, nove quedas de estrutura e 10 movimentos de massa”, adiantou à Lusa José Costa, da ANEPC, realçando não haver registo de vítimas ou danos de maior. As regiões norte e centro foram as mais afetadas, cada uma com 50 ocorrências, seguida de Lisboa e Vale do Tejo com 11, Alentejo quatro e Algarve uma. De acordo com José Costa, nas operações foram empenhados 259 operacionais, com o apoio de 113 veículos. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê chuva, neve, vento e agitação marítima como efeitos da passagem da depressão Ingrid por Portugal continental, tendo emitido vários avisos.
Mais de 87% das pessoas com 85 anos ou mais vacinadas contra a gripe
De acordo com os resultados da terceira vaga do Vacinómetro, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) que desde 2009 monitoriza em tempo real a taxa de cobertura de vacinação contra a gripe, 87,1% das pessoas com 85 ou mais anos já estão vacinadas, 47,8% dos quais por recomendação do médico. Em declarações à Lusa, Jorge Ferreira, presidente da SPP, fala de resultados "muito animadores" e de um "resultado robusto" da vacinação, lembrando que a vacina recomendada para esta faixa etária é a de dose elevada, cerca de quatro vezes superior à vacina normal relativamente à carga de antigénios que vai proporcionar e que está associada a uma "muito maior eficácia na prevenção de complicações". "Proporciona uma resposta imunitária maior, protege melhor em relação às complicações mais receadas da gripe, reduz as hospitalizações por gripe, de uma forma muito clara, e é adequada para pessoas que têm uma resposta imune mais fraca", explicou o especialista, que considera que os resultados do vacinómetro espelham "o sucesso da disponibilização gratuita da vacina para esta população". Apesar de se saber que, este ano, a variante do vírus da gripe integrada na vacina é diferente daquela que circula, Jorge Ferreira garante: "Todas as pessoas que se vacinaram com a vacina adotada a nível global (…) têm uma resposta muito melhorada face às pessoas não vacinadas". Os dados mostram que Portugal está cada vez mais próximo da meta de 75% definida pela Organização Mundial da saúde (OMS) para a vacinação das pessoas com 65 anos ou mais, fixando-se esta estimativa agora em 72,6%. "Estamos muito perto da tal meta proposta de 75% que a Organização Mundial de Saúde ambiciona, mas estamos claramente muito acima até dos números comuns no resto da Europa", disse o responsável. Admitindo que a ambição é ir mais longe, Jorge Ferreira mostrou-se convicto de que o país está “num excelente caminho", tendo em conta “toda a fadiga que tem havido e que tem sido muito comentada relativamente ao processo de vacinação, muita contra-informação que tem circulado e desinformação. Lembrou que a amostra avaliada nesta terceira vaga do vacinómetro mostra uma subida na vacinação: "No ano passado tínhamos, nesta altura, 47,4% da população inquirida vacinada e, neste momento, temos 60%". "E, por exemplo, em grupos concretos como os profissionais de saúde, no ano passado tínhamos 49,7% e agora temos já 62,9%", sublinhou. Os resultados mostram ainda que 71% dos portadores de doença crónica também estão vacinados. Destes, 75,6% das pessoas com doença respiratória já receberam a vacina da gripe, o mesmo acontecendo com 75% dos diabéticos e 73,7% da população com doença cardiovascular. Segundo a terceira vaga do vacinómetro, 62,9% dos profissionais de saúde em contacto direto com doentes também já receberam a vacina da gripe, o mesmo acontecendo com 57,5% das grávidas, sendo que 82,8% o fez por recomendação do médico. Contrariamente à adesão nos adultos, o grupo de crianças entre os seis e os 24 meses é, até ao momento, o que menos se vacinou, com um total de apenas 38,6%. "As crianças dependem, naturalmente, da vontade dos pais de os vacinar e, por isso, é importante também reforçarmos que as crianças são, de facto, um grupo de risco para a gripe", considera o presidente da SPP. Quanto às intenções de vacinação, os dados mostram que 22,9% das pessoas não vacinadas com 85 ou mais anos de idade tencionam ainda vacinar-se, o mesmo acontecendo com 22,1% dos profissionais de saúde e com 13,9% dos doentes crónicos não vacinados. Quanto à coadministração da vacina da gripe/covid, a taxa junto dos grupos com recomendação subiu ligeiramente, passando de 57% para 64%.
OPINIÃO
"No Dia Internacional da Educação, Aradas pede uma nova Carta Educativa", opinião de Carlos Brites
O Dia Internacional da Educação, assinalado a 24 de janeiro por iniciativa da Organização das Nações Unidas, é um momento essencial para refletir sobre o papel da educação na promoção da igualdade de oportunidades, da coesão social e do desenvolvimento sustentável das comunidades. Em Aradas, esta reflexão é particularmente relevante. A realidade evidencia um aumento do número de alunos nas escolas da nossa freguesia, nomeadamente na Escola Básica de Aradas (2º ciclo) e na Escola Básica Quinta do Picado (1º Ciclo), refletindo a crescente atratividade da freguesia para famílias jovens, incluindo famílias de origem estrangeira, cuja integração nas escolas locais representa simultaneamente um desafio e uma oportunidade para construir uma educação mais inclusiva, plural e coesa. No entanto, este crescimento não tem sido acompanhado por uma resposta educativa equilibrada e justa. Persistem dinâmicas de encaminhamento e redistribuição de alunos que contribuem para o esvaziamento das escolas da periferia e para uma pressão excessiva sobre as escolas mais centrais, reforçando desigualdades territoriais e sociais. Esta realidade impõe um aumento dos movimentos pendulares de crianças e famílias entre a periferia e o centro da freguesia, e vice-versa, com impactos diretos na organização da vida familiar, no tempo disponível para as crianças e na sustentabilidade ambiental. Este problema é agravado por uma rede de transportes públicos, pouco ajustada às necessidades escolares, que não responde de forma eficaz aos horários, aos percursos e à dispersão geográfica dos estabelecimentos de ensino. A insuficiência desta rede penaliza sobretudo as famílias com menos recursos, contrariando o princípio da escola de proximidade e dificultando o acesso equitativo à educação. A situação das escolas do 1.º ciclo em Aradas torna-se ainda mais relevante quando analisada à luz das opções previstas na Carta Educativa de Aveiro, aprovada em 2019, o documento estratégico que define onde estão as escolas, como funcionam e como devem evoluir. Entre essas opções, a Carta prevê o encerramento da Escola Básica e do Jardim-de-Infância da Quinta do Picado, com a consequente redistribuição dos alunos por outros estabelecimentos. Esta decisão, longe de ser neutra, reduz a escola de proximidade, aumenta as deslocações diárias das crianças e das famílias e intensifica a pressão sobre as restantes escolas da freguesia. A evolução recente da freguesia demonstra, aliás, que a própria realidade ultrapassou o enquadramento da Carta, evidenciando a necessidade de mais e melhores escolas básicas em Aradas, capazes de responder ao crescimento da população escolar, independentemente da distância ao centro da cidade de Aveiro. Alguma coisa aconteceu, é certo. Existiram investimentos e melhorias de fundo em algumas escolas da nossa freguesia, como nas Escolas Básicas do Bonsucesso e Verdemilho, que beneficiaram de obras de ampliação e melhoramento das instalações. Estes exemplos demonstram que é possível qualificar o parque escolar quando existe planeamento e prioridade. O problema reside no facto de estes avanços não terem sido transversais, deixando outras escolas e comunidades educativas a funcionar em condições claramente desajustadas às exigências pedagógicas atuais. A estas fragilidades materiais juntam-se opções no domínio das iniciativas educativas, culturais e lúdicas promovidas a nível local, que revelam um diminuto grau de ambição pedagógica, científica e artística. A oferta de atividades dirigidas aos alunos (aos filhos de Aradas) tem-se centrado, em vários casos, em propostas de natureza simbólica, pontual e pouco estruturada, com impacto limitado no desenvolvimento cognitivo e cultural das crianças. Assinalar o Dia Internacional da Educação em Aradas não pode limitar-se a declarações de intenção. Implica reconhecer desigualdades, corrigir opções que aprofundam assimetrias e assumir uma visão mais exigente para as políticas educativas e culturais locais. Uma política educativa responsável deve ir além de propostas de baixo valor educativo, baseadas em animações improvisadas e simbólicas, com reduzido conteúdo pedagógico, apostando antes em iniciativas exigentes e estruturadas, que promovam conhecimento, ciência, criatividade e pensamento crítico, assegurando que a diversidade cultural é encarada como um recurso e não como um problema. Importa igualmente educar para a cidadania de forma séria e consequente, integrando no percurso educativo exemplos concretos de transparência, boa gestão pública, participação democrática e responsabilidade coletiva. Iniciativas como visitas aos órgãos de gestão local, quando surgem apenas de forma pontual, chegam manifestamente tarde, sobretudo quando existem alunos da freguesia que já demonstraram elevados níveis de consciência cívica e participação democrática, tendo inclusivamente representado a região de Aveiro no Parlamento dos Jovens. A educação é um direito fundamental e um pilar do desenvolvimento local. Em Aradas, esse direito só será plenamente concretizado quando o compromisso com as escolas e com a comunidade educativa for contínuo e genuíno, e não limitado a visitas pontuais em tempo de eleições ou à distribuição ocasional de vales associados a iniciativas de cariz político. Só assim será possível garantir que todas as crianças têm acesso a escolas bem cuidadas, a propostas educativas exigentes e a um espaço público que valorize o conhecimento, a cidadania e a inclusão, contribuindo para uma freguesia mais justa, coesa e preparada para o futuro. À luz da própria Carta Educativa, os desafios vividos hoje em Aradas não resultam da falta de diagnóstico, mas sim da distância entre o planeamento e a concretização. Criticar estas opções não é rejeitar a Carta Educativa de Aveiro - é exigir que ela seja revista, atualizada e cumprida com ambição, equidade e responsabilidade pública.
"A democracia a votos a 8 de fevereiro", opinião de Miguel Pedro Araújo
Não há outra forma de o dizer sem ser o mais direto e linear: dia 8 de fevereiro o voto vai muito para além da eleição, em segunda volta, do próximo “inquilino” de Belém. Este ato eleitoral será sobre a sobrevivência dos valores e pilares da democracia e do Estado de Direito. Recuando à noite eleitoral de 18 de janeiro, há uma primeira nota inequívoca: António José Seguro foi o candidato preferido por um maior número de portuguesas e portugueses, ultrapassando em mais de 300 mil votos o universo eleitoral do Partido Socialista, alcançado nas eleições legislativas de 2025. O que, com a natural transferência de eleitorado para outras candidaturas (por exemplo a de Gouveia e Melo), significa que António José Seguro conseguiu, atendendo ao anúncio de apoio à sua candidatura por parte do Partido Socialista, agregar um eleitorado suprapartidário, quer à direita, quer à esquerda. A segunda nota relaciona-se com a necessidade (infelizmente, uma necessidade cada vez mais constante e premente) de desmistificar uma narrativa de vitória pífia e uma apropriação demagoga dos factos e da realidade. A passagem à segunda volta eleitoral do candidato da extrema-direita era uma das hipóteses plausíveis e perspetivadas, quer pelo número de candidaturas que repartiam a intenção de voto do eleitorado do centro e da direita, quer pelo previsível vínculo do eleitorado do “partido unipessoal”. E foi tão somente isto que aconteceu. Ou quase… O candidato posicionado em segundo lugar na primeira volta das eleições presidenciais 2026 (excluindo a questão percentual que não é comparável, porque o contexto e os critérios não são semelhantes ou equivalentes), em termos absolutos, perde 111 233 votos, em relação às legislativas de 2025 (tomando como comparação os resultados eleitorais do partido da extrema-direita). Ou seja… o candidato perdeu fulgor político e eleitorado, nestas eleições. Também não é verdade que seja o legítimo representante da direita em Portugal. Primeiro, porque a direita portuguesa, mais ou menos liberal, mais ou menos conservadora, mais ou menos social-democrata (ou social-liberal) não se revê nos princípios e valores do radicalismo e extremismo (mesmo que, para Luís Montenegro, as ditas “linhas vermelhas” do “não, é não” tenham desbotado em várias matérias legislativas, a começar pela questão da imigração). Segundo, porque, mesmo correndo o risco de enviesamento linear, o número de votos expressos na extrema-direita é inferior (em cerca de 200 mil) ao somatório dos votos expressos em Cotrim de Figueiredo (apoiado pela IL) e em Marques Mendes (PSD), sem considerar qualquer flutuação eleitoral expressa na candidatura de Gouveia e Melo. Ou seja, não foi na extrema-direita que se concentraram os votos da direita portuguesa. Portanto, o candidato segundo classificado arrogar-se de líder da direita é apenas conversa para seguidores fanáticos ou discípulos devotos. Para além de ser inqualificável a narrativa entre ‘socialismo’ e ‘não socialismo’, quando se torna evidente o carácter suprapartidário da candidatura moderada, abrangente, confluente de António José Seguro ou o facto de estarem em causa as funções presidenciais e o garante do Estado de Direito, e não responsabilidades executivas que competem a quem governa, ou até mesmo deliberativas que cabem nas competências da Assembleia da República. Só uma cegueira e idolatria fanática pode justificar um acreditar em tal dialética e demagogia. Mas não foram apenas estes os factos e contextos que emergiram do resultado da primeira volta das presidenciais, de domingo passado. Da mesma forma que os candidatos procuraram apoio partidário, por mais independentes que as candidaturas quisessem parecer (e deveriam), ou que os partidos políticos tenham anunciado o seu apoio formal às candidaturas (exceção para o caso de Gouveia e Melo), seria igualmente válido e expectável que os partidos anunciassem um sentido de voto para a segunda volta eleitoral que se avizinha. Isto não significa qualquer condicionamento da liberdade de voto ou a apropriação da legítima opção e convicção individual de cada eleitor. O que, aliás, não faz qualquer sentido já que, mesmo perante os apoios formais anunciados na primeira volta, houve muitos – muitos mesmo – militantes, simpatizantes ou habituais eleitores que optaram por votar em candidaturas distintas. O que está em causa, nesta segunda volta, é muito mais (muito mesmo) do que a linear eleição do próximo representante máximo e principal figura do Estado português. À eleição do Presidente da República, acresce a clara e urgente escolhe entre a Democracia e o Estado de Direito ou a sua destruição e substituição por uma indesejável autocracia. É esta a batalha que é preciso travar no próximo dia 8 de fevereiro. E seria esta a batalha que se esperava ter uma maior e clara adesão por parte de partidos e do próprio Governo que dependem da robustez da democracia e dos valores republicanos e da solidez do Estado de Direito. Não é aceitável esta auto desresponsabilização democrática, política e partidária perante a clara escolha entre a Democracia e a sua destruição, que não se coaduna com estratégias e subterfúgios partidários e eleitoralista para um futuro próximo. Se o Governo da AD não se mostrou nada constrangido, nem preocupado com a sua imagem ou a sua pseudo-neutralidade governativa, não só no anúncio de apoio à candidatura de Marques Mendes, como, também, na sua efetivação prática, não se afigura aceitável o discurso de Luís Montenegro após serem conhecidos os resultados da primeira volta. A insignificante e ilusória neutralidade anunciada pelo Primeiro-ministro (PSD) para a segunda volta das presidenciais é muito mais que imparcialidade ou liberdade de escolha: é validar a tentativa de derrube da democracia. Perder uma eleição em democracia é “democraticamente” normal ou habitual, porque é o garante da liberdade de opção, de expressão ou de convicção. Perdermos a democracia numa eleição é que é inaceitável e perigoso para a sociedade (a história está repleta o suficiente de casos que o sustentam: foi, democraticamente, que o nazismo ascendeu ao poder. As consequências é que nada tiveram de democráticas). Em democracia, a (pseudo) neutralidade a abstenção só tem uma leitura: abdicar da nossa responsabilidade cívica e capitular na defesa e preservação dos princípios e valores democráticos. Quando está em causa a defesa da Democracia e da Liberdade o silêncio (e diga-se… a abstenção) não pode ser opção, porque transforma-se em validação da extinção. Dia 8 de fevereiro não está em causa qualquer exercício político ou mesmo partidário. Não é esse equilíbrio ou confronto ideológico que está adjacente à função ou competências presidenciais. Dia 8 de fevereiro não vamos querer adormecer numa fragilizada democracia, para acordar num pesadelo autocrático e antidemocrático.
"Ministro da Educação criticou o sistema, não os estudantes", opinião de Gonçalo Santiago
O ministro da educação Fernando Alexandre esteve reunido na passada terça-feira com reitores das universidades na apresentação do novo modelo de ação social para o Ensino Superior. Mais uma vez, as suas palavras foram alvo de uma interpretação incorreta, resultante da retirada de frases do seu contexto original. O ministro já não é alheio a este tipo de acontecimentos: no contexto do aumento das propinas, excertos das suas declarações foram retirados do contexto e imediatamente explorados em títulos sensacionalistas. Importa, por isso, clarificar as declarações do ministro e o sentido em que foram proferidas. O ministro começa por defender que as residências académicas não devem ser destinadas exclusivamente a estudantes socialmente mais carenciados, uma vez que tal não promove a integração social. Critica, assim, o sistema atual que “empurra” estudantes de estratos socioeconómicos mais baixos para as residências, reduzindo a diversidade e contribuindo, a curto prazo, para a sua degradação. Negar isto, é também ignorar a cultura de guetização que devido ao sistema atual que o ministro criticou, continua a existir. Esta cultura promove exclusão social, acentua desigualdades e estigmas e contribui para a degradação urbana pois zonas socialmente segregadas recebem, muitas vezes, menos investimento público o que leva a degradação dos edifícios, dos espaços públicos e dos serviços. A degradação não acontece por culpa dos utilizadores por estes serem pobres, mas sim, da gestão do serviço público que, se somente utilizado por pessoas de baixo rendimento, deteriorar-se-á. As declarações do ministro devem ser analisadas no seu contexto integral e não através de leituras simples ou títulos sensacionalistas. A sua posição não traduz numa desvalorização dos estudantes socialmente mais carenciados, mas antes numa crítica ao modelo de ação social atual que, esse sim, é um ataque aos estudantes que mais necessitam de apoio.
“Delegar tudo no Presidente não é governar melhor”, opinião de Hugo Filipe Nunes
A Câmara Municipal de Aveiro aprovou uma ampla delegação de competências no seu presidente, Luís Souto Miranda, para o mandato 2025-2029. A lei permite esta opção e, sim, muitas autarquias em situação semelhante à de Aveiro recorrem à lei em nome da “eficiência”, mas a política não se esgota na legalidade, e é aí que começam as perguntas incómodas. Ao contrário do executivo anterior, o atual já não dispõe de maioria absoluta. As aveirenses e os aveirenses distribuíram o seu voto por várias forças políticas, dando a quem lidera a Câmara o direito – e o dever – de governar, mas retirando-lhe o conforto de decidir sozinho. Isto deveria ser lido como um convite da democracia à negociação e à construção de maiorias. Em vez disso, optou-se por repetir o modelo do passado. Delegaram-se em Luís Souto Miranda competências muito vastas: contratação pública com despesas elevadas, licenças urbanísticas e aplicação de regulamentos que mexem com a vida quotidiana de todas e todos. Na prática, o órgão colegial transfere para uma só pessoa uma parte central do poder de decisão. Sem maioria absoluta, o recado do eleitorado é claro: o poder deve ser repartido. Concentrar uma parte importante das competências numa só pessoa é contornar esse recado. A pluralidade existe no papel, mas pesa menos nas decisões concretas. E não está apenas em causa a eficiência administrativa. Quando decisões relevantes deixam de ser discutidas e votadas em reunião de Câmara, perdem-se debate público, contraditório e responsabilização política. Mesmo com maioria absoluta, esta concentração já seria discutível. Sem essa maioria, é politicamente injustificável. Não está em causa a capacidade de trabalho ou a boa-fé de quem preside. A questão é simples: se o voto fragmentou o mapa político, é porque existe a expetativa de que mais vozes sejam ouvidas e de que as decisões resultem de equilíbrios e negociações, e não de cheques em branco. Neste quadro, importa olhar para as posições assumidas na última reunião pública da nossa Câmara. O Partido Socialista, ao propor limites à delegação de competências, não tentou “bloquear” ou criar obstáculos à governação: aceitou que o presidente detenha poderes delegados e que ajudem a agilizar a gestão quotidiana, mas defendeu que determinadas matérias continuem a ser obrigatoriamente apreciadas e decididas em reunião de Câmara. Já o Chega fez o contrário do que apregoa. Apresenta-se como força “anti‑sistema”, contra a concentração de poder, mas acabou por viabilizar a solução que mais reforça o poder de uma só pessoa, quando poderia usar a sua posição para obrigar a maioria relativa a negociar caso a caso. A administração municipal não pode ficar paralisada e ninguém ganha com um executivo amarrado a burocracias inúteis, mas confundir rapidez com concentração de poder é perigoso. A política do medo da paralisação “vendida” por Luís Souto Miranda não pode deixar Aveiro refém: uma Câmara que discute e decide em conjunto pode demorar um pouco mais em alguns processos, claro, mas ganha em escrutínio, transparência e qualidade das decisões. Cinco décadas depois do 25 de Abril, a lição deveria ser clara: governar não é mandar sozinho, é construir soluções. Delegar quase tudo no presidente pode tornar alguns procedimentos mais rápidos, mas empobrece a democracia municipal e afasta as pessoas das decisões que as afetam diretamente. A nova correlação de forças em Aveiro tinha potencial para inaugurar um ciclo diferente mais dialogante e mais exigente em termos de negociação política e construção de consensos, à esquerda e à direita. Ao replicar o modelo de delegação de competências do tempo da maioria absoluta, essa oportunidade foi desperdiçada. As aveirenses e os aveirenses disseram nas urnas que não queriam maiorias absolutas; alguns dos eleitos decidiram, na prática, oferecê-las de novo por via de deliberação interna.
"O PS ganhou", opinião de Rui Soares Carneiro
Já passou mais de um mês desde o dia das eleições para os diferentes órgãos das nossas autarquias locais, em Aveiro, e praticamente todas as tomadas de posse estão concluídas - faltando apenas a Freguesia de Aradas. Muito pouco li e nada ouvi, sobre os resultados das eleições, e parece ter passado despercebida a consumação de um facto: o PS, em Aveiro, ganhou. Conhecemos todos a maior vitória - para alguns, a única - da noite eleitoral: a conquista da União de Freguesias da Glória e Vera Cruz, a maior do município, liderada agora por Bruno Ferreira, que, mesmo sem maioria, devolve aos socialistas a responsabilidade de dirigir uma autarquia em Aveiro - algo perdido após as eleições intercalares de São Jacinto, em 2022. As pequenas vitórias, secundárias, mas relevantes, resumem-se à retirada da maioria absoluta em outros quatro órgãos: a Câmara Municipal de Aveiro e as Freguesias de Aradas, Esgueira e Eixo-Eirol. Isto permite exercer pressão e influência sobre quem lidera estes órgãos, mas obriga também a uma oposição responsável e construtiva - e não meramente “do contra” -, exigindo uma comunicação mais consistente das suas posições políticas. Mas o PS, em Aveiro, ganhou mais do que isto: Ganhou a oportunidade de perceber, novamente, que eleições não são atos de messianismo caído do céu, onde se deposita mais fé do que realismo e em que se olha mais para os eleitos do que para os eleitores. Ganhou a oportunidade de entender que um ato eleitoral não é uma corrida de 100 metros, mas sim uma estafeta 4x365, onde o trabalho contínuo entre eleições define quem cruza a meta em primeiro. Ganhou a oportunidade de conhecer, tarde e a más horas, as associações, clubes e IPSS que sustentam o nosso tecido social, e das quais se afastou nos últimos anos, perdendo contacto com a realidade e com o trabalho árduo destas instituições. Ganhou a oportunidade de descobrir, no terreno, muitos dos problemas que as pessoas enfrentam diariamente, em locais muitas vezes esquecidos do município, onde as autarquias têm obrigação de intervir. Ganhou a oportunidade de aprender - veremos se aprendeu - que a comunicação próxima, digital e sobretudo presencial, é hoje indispensável para criar confiança e explicar aos eleitores os dossiês em discussão e as posições assumidas. Ganhou a oportunidade de confirmar que a comunicação social é um meio útil e fiável, mesmo após anos a criticá-la, e que deve ser usada como veículo de comunicação e não como bode expiatório. Ganhou a oportunidade de iniciar um novo ciclo, de mudar, e de ser capaz de responder ao atual contexto autárquico, às exigências de fiscalização próprias da oposição, mas também de apresentar propostas e construir um programa de mudança. Ganhou a oportunidade de regressar ao essencial: aos problemas reais das pessoas, aos mais vulneráveis e à classe média, que precisa de crescer e ter mais respostas sociais e económicas. Esquecer esta base social é esquecer os fins para os quais a política nos convoca. Saberá o PS Aveiro aproveitar tantas oportunidades?
"O ultraje do aumento das propinas", opinião de Gonçalo Santiago
O Governo anunciou o descongelamento das propinas das licenciaturas e mestrados para o próximo ano letivo. Algo, de certa forma, insólito, dado que o valor não se alterava desde 2021. A reação dos estudantes a este aumento não foi a melhor, visto que já estavam acostumados ao valor que, até então, estava fixado nos 697 €. Para esclarecer esta atualização, o Governo emitiu um comunicado com a justificação de que o aumento tem como base a taxa de inflação de 2025, de maneira a “garantir mais autonomia às universidades”, como afirma o Ministro da Educação, Fernando Alexandre. Esta notícia não teve o parecer favorável da maioria dos estudantes, tendo já provocado manifestações por parte destes. De facto, a expressão “aumento das propinas” é suscetível de causar descontentamento. Mas será que há razão para isso? É verdade que, preferencialmente, as propinas deviam ser gratuitas. Contudo, para tal acontecer, seria necessário um investimento brusco, atualmente incomportável para o Estado. Este aumento refletir-se-á num esforço extra de 13 € por ano que os alunos do ensino superior terão de pagar — cerca de 1,08 € (1 € e 8 cêntimos) por mês. Algo que é quase mínimo. Algo que o ministro da Educação também revelou, e que passou despercebido aos olhos da maioria, foi que o apoio social a estudantes vai aumentar 43%. São mais 30 milhões de euros investidos no apoio a estudantes com poucas condições financeiras, para que não fiquem excluídos do ensino superior. Sem falar de todos os apoios dados pelo Governo, não só a estudantes como também a jovens, como, por exemplo, o Porta 65 (programa dedicado ao apoio a jovens no arrendamento de casa) e, ainda, como foi apresentado no Orçamento do Estado, uma medida que prevê que jovens desempregados possam acumular o salário com até 35% do subsídio de desemprego. Os estudantes não estão a ser prejudicados pelo Governo. Aliás, o que este Governo está a fazer, não só pelos estudantes como pelos jovens em geral, é gratificante. O aumento das propinas não impossibilitará nenhum aluno de frequentar o ensino superior; a falta de apoios a estudantes é que o fará. Por isso mesmo, o PSD tem demonstrado a necessidade de refletir sobre esses temas e, mais do que isso, não apenas prometer, mas também executar, algo que o distingue dos últimos anos.
"Os órfãos da IL em Aveiro", opinião de Leonel Almeida
Com estas eleições autárquicas a Iniciativa Liberal (IL) Aveiro no concelho elege 3 autarcas em Aveiro, 2 na Assembleia Municipal e 1 na Assembleia de freguesia Gloria e Vera cruz. Fica aquém do resultado obtido nas legislativas, mas em ambiente de apelo ao voto útil entre irmãos demostrou resiliência e bom desempenho. É um degrau abismal para qualquer partido, entra pela primeira vez no circuito político local ativo. É um redobrar de atenção, de exposição e de responsabilidade. João Manuel Oliveira em artigo de opinião na RIA referencia a IL como “partidos que andam à caça de candidatos a menos de seis meses das eleições”, é uma recorrência, não vou contra-argumentar, compartilho da sua opinião, mas a admoestação carece de maior contexto e é base do meu verdadeiro intuito. Esta observação deve ser acompanhada pelas características dos pequenos partidos sem presença nos órgãos locais. Estruturas locais pequenas e frágeis, implantação social descontinua e sem histórico. Em eleições não há maior liberdade do que a liberdade de participar e opinar, cada qual com as suas carolices e ideias. A participação formal no ato eleitoral é embrião de crescimento, é fator diferenciador nas nossas democracias liberais. Novos pensamentos livres e novas personagens que o eleitor pode ou não fazer evoluir, mas sendo autêntica é legitima. Vem isto a propósito das possibilidades de escolha do eleitor e no caso que aqui importa da IL e da orfandade nestas eleições autárquicas. A IL é um partido ideológico com princípios definidores da sua identidade, há e haverá discussão forte sobre as suas matrizes, mas é identificável e acima de tudo valorizado por isso mesmo. A geografia social tendencialmente mais urbana, menos próxima do indivíduo eleito pessoa, mas mais próxima do indivíduo eleito político reforça a importância da procura e escolha na identidade do partido. Na Região de Aveiro não encontraram. Estamos certos de que não há transferência ou continuidade direta na opção de escolha, porém pior do que isso, não houve possibilidade de continuidade de bandeira, ideologia e pensamento. Não obstante o bom desempenho nacional, houve orfandade de IL no voto em muitos concelhos e muitas mais freguesias. É sobretudo relevante em ambiente urbano como é o da envolvência da cidade de Aveiro, onde há registo de resultados eleitorais bem acima da média nacional nas legislativas. Na Região de Aveiro com 12 concelhos e vários núcleos constituídos, apenas 1 apresentou candidatura própria e um outro em coligação, foi Albergaria, conseguindo 1 eleito. Estes dados sobressaem sobretudo quando comparados com os restantes concelhos do círculo eleitoral de Aveiro (Aveiro Norte / AMP como queiram designar), em 7 concelhos, 4 apresentaram candidaturas próprias e 1 em coligação. Os eleitores dos 12 concelhos da Região de Aveiro contribuíram com 12.200 votos para eleger nas Legislativas o deputado Mário Amorim Lopes, desses apenas 4.100 tiveram possibilidade de votar na IL nas Autárquicas, se assim o desejassem, colocando de parte outros novos que optassem. Em modo especulação direta, significa isto que haveria um potencial de triplicar a eleição de Liberais nos órgãos políticos locais. Ademais, como compreenderão, neste tema não há fronteiras estanques e a força do coletivo de proximidade é sempre mais larga do que a soma das partes distantes, especialmente em boa partilha e com interesses comuns. Isto tudo reforçado pela interação e envolvimento nas redes sociais, que incrementa o seu potencial quando há volume afunilado localmente, que neste caso é o que importa. Em boa reflexão, urge à IL combater esta orfandade. O continuo crescimento do partido necessita de reforçar as suas estruturas locais em ato sistemático e estruturado. Novos 4 anos virão. Voltando à referência inicial, sabemos bem a dificuldade que é manter ativas as estruturas locais dos partidos, sabemos bem a importância da abertura à maior participação, sabemos ainda que é relevante deixar florir novos indivíduos com novas contribuições. Sobretudo sabemos, que é dessa forma que o partido cresce e injustamente, não haverá quem se queixe de só ter aparecido 6 meses antes das eleições. Localmente o eleitorado IL é lebre e pede corrida.
ESTAGIÁRIO
Páscoa na família Souto: falha de comunicação provoca excesso de cabrito no almoço de domingo
Luís Souto, aproveitou este domingo de Páscoa para lançar um vídeo onde ensina os seguidores a cozinhar chanfana. O vídeo é tão longo e didático que a dada altura fazia lembrar as suas aulas de Genética ainda com Power Point em Comic Sans. Fontes próximas admitem que só a introdução demorou mais do que as promessas de Luís Montenegro para a requalificação do Hospital de Aveiro. O vídeo acumula já 13 visualizações, das quais 11 são da esposa do próprio Luís, que o partilhou em todos os grupos de Facebook onde é admin e comentou “meu presidente <3” em cada publicação. Já Alberto Souto, armado em chef rústico, atirou-se ao tradicional cabrito no forno de lenha. Só que a lenha estava molhada - tal como os olhos dos eleitores aveirenses sempre que se lembram do seu último mandato. O vídeo, filmado ao estilo "como acender um forno com zero dignidade", mostra Alberto a soprar brasas com a mesma convicção com que se defendia das críticas sobre endividamento municipal. A dada altura, ouvimos “isto com a antiga equipa da Câmara não acontecia”, mas o cabrito continuou cru e o almoço parece que vai passar a lanche. Fontes próximas garantem que os irmãos não falaram entre si sobre o menu, o que resultou numa quantidade de carne suficiente para alimentar todas as demissões no PSD-Aveiro. A comida era tanta que tiveram de improvisar um novo convidado: Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro, que, agora em fim de mandato, anda a aceitar tudo o que seja petiscos e tainadas. Os irmãos Souto, sempre atentos às oportunidades, ponderam agora lançar um outro familiar para reitor da UA. Entretanto, Ribau Esteves, depois de uma semana de recuperação em casa pelas violentas dores de costas que o impediram de sair da cadeira no Hotel Meliá na apresentação de Luís Souto, já foi visto novamente muito irritado com toda a situação. Fontes próximas afirmam que já viu os vídeos e deixou claro que não apoia nenhum dos irmãos. Sobre Alberto diz que “continua igualzinho, a gastar dinheiro em lenha sem critério”. De Luís afirma que “tem mais vocação para chefe de cozinha do que para presidente”. Ribau terá ainda acrescentado: “o Luís foi o único aveirense que acreditou que as obras do Hospital arrancam esta ano… deve pensar que a Câmara é como a Bimby: é carregar num botão e esperar milagres”. O almoço terminou sem intoxicações alimentares, mas não por falta de sorte. Felizmente, como as urgências do Hospital de Aveiro estão encerradas neste domingo de Páscoa, ninguém se atreveu a repetir o prato. “Mais vale prevenir do que precisar de médico”, terá dito um dos convivas, enquanto escondia o tupperware com sobras de cabrito no porta-bagagens.
PCP-Aveiro avança com moção de censura pelo atraso no anúncio do cartaz da Feira de Março 2025
“A maior festividade do concelho está a ser gerida com mais segredo do que a escolha de Luís Souto de Miranda como candidato à Câmara Municipal de Aveiro (CMA)", acusou o partido em comunicado, reforçando que "a Feira de Março deve pertencer ao povo e não ser um privilégio das elites que sabem o cartaz antes do resto da população". Apesar de oficialmente ainda não haver confirmações, o PCP-Aveiro jura a pés juntos que já sabe que Diogo Piçarra, Bárbara Tinoco e Richie Campbell fazem parte do alinhamento. “Se nós já descobrimos, não nos venham com histórias de que ainda estão a fechar contratos”, disparou um dirigente comunista, visivelmente indignado por não haver ainda um anúncio oficial. Quem não perdeu tempo a reagir foi o atual presidente da CMA. Ribau Esteves garantiu que "o cartaz será revelado quando for a altura certa”, mas relembrando os aveirenses que “se fosse pelo PCP, a Feira de Março era animada pelos Cante Alentejano e terminava com um debate sobre a luta sindical”. Fontes internas do município garantem que o grande motivo para o atraso na divulgação do cartaz tem nome: MC Soutinho, a dupla escolhida para cabeça de cartaz. A escolha não terá agradado a todos os elementos do Executivo Municipal. Segundo as mesmas fontes, Ribau Esteves terá mostrado algum desagrado, confessando que a sua escolha para cabeça de cartaz seriam os Irmãos Verdades, pois, segundo ele, "o alinhamento político e musical seria mais consistente". Perante a insistência da sua equipa, Ribau terá admitido: "Se queriam uma dupla de irmãos, ao menos que fosse uma que tivesse êxitos nos tops e não nas jogatanas políticas”. Já Rogério Carlos, atual vice-presidente da autarquia, mostrou-se mais soltinho depois de ter sido afastado da corrida à liderança da CMA. “Se querem animar o cartaz da Feira de Março deste ano, pelo menos que sejam mais originais. Eu sugiro um dia dedicado aos cantares ao desafio com um despique amigável entre Catarina Barreto e Ângela Almeida ou Filipe Neto Brandão e Manuel Sousa”, afirmou no meio de gargalhadas irónicas enquanto se preparava para assistir ao debate parlamentar que poderá ditar novas eleições legislativas em Portugal. Outro momento alto será o show "Banda das Coligações", onde diferentes partidos políticos se juntam em leilão ao som do hit musical “eu estou à venda”. Fontes próximas garantem que será uma atuação curta, porque nem sempre conseguem tocar a mesma música até ao fim. Entretanto, os aveirenses continuam sem cartaz oficial, mas já têm uma certeza: o verdadeiro espetáculo da Feira de Março não está no palco, está mesmo na política local.
Estagiário: Sérgio Ribau Esteves avança com candidatura independente ao Município de Aveiro
Em exclusivo para a página do Estagiário da Ria, Sérgio quis juntar-se ao “verdadeiro espetáculo circense que se assiste na cidade” e declarou que “num momento particularmente difícil para o meu irmão, eu não podia deixar de dizer presente”. “Os Soutos querem mostrar que controlam esta cidade, mas se estamos nessa onda, então vão ter que levar com os Ribaus”, afirmou enquanto apertava um fato axadrezado emprestado pelo seu irmão, relembrando que, tal como Luís Souto, também ele é cronista no Diário de Aveiro. Ribau Esteves também quis prestar declarações ao Estagiário da Ria: "Sim, posso confirmar que o meu mano avisou-me previamente da sua candidatura." Confrontando pelo Estagiário da Ria relativamente ao facto de Luís Souto não ter contactado Alberto Souto antes do anúncio da sua candidatura, Ribau Esteves afirmou no meio de gargalhadas irónicas: "Olhe, essa pergunta tem que fazer ao Luís Souto, não é ele que se apresenta como especialista em genética?" Enquanto isso, o recém-lançado candidato Sérgio Ribau Esteves parece apostado em criar uma “irmandade eleitoral” para melhorar a imagem da cidade, recordando os aveirenses que tem experiência muito útil em gestão de irmandades. “Se sei gerir a irmandade dos ovos moles, acha que será muito diferente gerir um Município? É tudo uma questão de doçura”, afirmou. O candidato independente aproveitou para dizer, com aquele sorriso de quem domina matemática, que, diferentemente do Alberto Souto – "que se contenta com 101 ideias para Aveiro" – ele tem “mil e uma ideias”. “Não acha que as minhas ultrapassam as do candidato socialista? E não são apenas devaneios mirabolantes, são planos de verdade para mudar a cidade", afirmou enquanto olhava para o programa eleitoral desenhado pelo seu irmão com 1001 árvores preparadas para abate. Agora, Aveiro aguarda ansiosamente para ver se esta súbita multiplicação de irmãos candidatos irá resultar numa revolução familiar na política local… ou apenas num almoço de domingo com demasiadas conversas sobre urnas de voto e propostas mirabolantes. O Estagiário da Ria continua atento a mais novidades, enquanto espreita para ver se ainda resta alguma vaga para ser candidato a sobrinho, primo ou cunhado dos Soutos & Ribaus.
Ribau Esteves negoceia com Fábio Coentrão instalação do viveiro de marisco na Ria de Aveiro
"Durante os meus mandatos batemos todos os recordes de turismo. Demos uma nova vida aos nossos canais com os moliceiros elétricos e amigos do ambiente. Agora está na altura de dar o próximo passo: Aveiro precisa de marisco premium e quem melhor que o Fábio Coentrão para ser o rosto desta nova fase?", declarou Ribau Esteves, enquanto tirava uma fotografia ao lado de uma lagosta gigante, com Rogério Carlos a tentar reproduzir o movimento. Entretanto, o reitor da Universidade de Aveiro também já reagiu à mais recente notícia, revelando interesse em localizar o novo viveiro nas marinhas da UA. “Já falei com o presidente da Câmara Municipal de Aveiro e dei-lhe nota da nossa intenção”, declarou Paulo Jorge Ferreira. Confrontado pelos jornalistas sobre a reação de Ribau Esteves, o reitor da UA realçou: “Gostou muito da iniciativa. Afinal de contas, ainda há dias anunciou o início da construção de uma nova residência privada para os estudantes. Ora todos sabemos o tipo de estudantes que procuram estas residências. Colocar o novo viveiro junto à UA pode ser uma excelente oportunidade para atrair ainda mais estudantes deste mercado”. Quem já reagiu a esta nova investida do edil aveirense foi Alberto Souto de Miranda. “Com sinceridade, desta vez tenho que reconhecer que é uma excelente iniciativa de Ribau Esteves. Todos nós vimos a cara avermelhada com que o presidente terminou a arruada de São Gonçalinho. Penso que se continuar a tirar fotos ao lado de lagostas, certamente que o seu tom de pele não irá dar tanto nas vistas” atirou o candidato à CMA, enquanto escrevia a centésima segunda ideia do livro que só ele leu.
Aquecimento na UA: Reitoria a "banhos de calor", enquanto estudantes fazem Erasmus na Sibéria
No restante campus, a realidade é bem mais glacial. Nos departamentos, estudantes, funcionários e docentes testam, involuntariamente, o conceito de "resiliência climática". Cobertores, luvas e até gorros de lã fazem agora parte do novo traje académico da Universidade de Aveiro. “Estamos a trabalhar na técnica do pinguim: encostadinhos uns aos outros para preservar o calor", revelou um estudante de Engenharia Mecânica, enquanto bufava nas mãos. Mas nem todos têm essa sorte. Em alguns departamentos, mesmo que ligassem o aquecimento o efeito seria mais simbólico do que prático, fruto do estado dos equipamentos. “Temos consciência disso, mas mesmo assim o calor na UA escapa mais rápido do que o nosso orçamento anual”, desabafou um funcionário da área da manutenção dos Serviços de Gestão Técnica. Os aquecedores, que não sentem uma revisão desde o tempo do Renato Araújo (primeiro reitor eleito da UA), são hoje peças de museu que só aquecem corações… de saudade. Quando questionada sobre a disparidade climática entre a Reitoria e o resto do campus, uma fonte anónima (que se identificou apenas como "Manuel Mãos Frias") disse: “É uma questão de prioridades. As decisões importantes para a universidade precisam de mentes quentes e corações confortáveis. Os estudantes? Esses que usem cachecol." Entretanto, os estudantes preparam um novo protesto, já batizado de "Marcha dos Pinguins", para exigir "calor para todos" e "mantas polares para cada departamento". “Se isto continuar assim, o meu próximo Erasmus vai ser no Polo Norte. Ao menos lá, sabemos ao que vamos”, afirmou uma estudante de Economia, enquanto tentava escrever com luvas de ski. Enquanto isso, o Estagiário da Ria recomenda: se for para a Reitoria, leve protetor solar. Nos departamentos? Gorros, cachecóis e, se possível, um saco de água quente.
Ribau Esteves avalia compra da SAD do Beira-Mar
“Se já consegui pôr Aveiro no mapa com a ria, os moliceiros e o monumento do Siza, imaginem o que posso fazer com um clube de futebol. Isto é uma oportunidade para internacionalizar a marca Ribau”, terá dito o presidente entre vários apertos de mão ao adeptos do Beira-Mar. Entre as ideias mais arrojadas está a escolha de Rogério Carlos, vice-presidente da Câmara Municipal, para treinador principal. "É a oportunidade perfeita para ele ganhar notoriedade. Eu tenho-lhe dado mais palco, mas com uma época desastrosa no futebol é certo que o nome dele vai estar em todas as capas de jornal. O futebol é o palco ideal para ele aprender a lidar com pressão…”, afirmou Ribau Esteves. “E se falhar?”, perguntaram os jornalistas. “É só dizer que o árbitro estava comprado”, respondeu prontamente Ribau. Rogério, por sua vez, mostrou entusiasmo contido: "Eu adoro futebol… Embora seja mais de ver do que de jogar. Ainda recentemente meti-me em aventuras e fui parar ao bloco operatório”, brincou o provável futuro treinador principal que tem aparecido em público com muletas. Quem já reagiu a esta novidade foi a presidente da concelhia do PS-Aveiro. "Não há palavras para mais uma tentativa de Ribau Esteves secar tudo à sua volta. Mas bem, se ele conseguir manter o Beira-Mar nos nacionais, já é mais do que aquilo que fez na Câmara", ironizou Paula Urbano Antunes. Nuno Quintaneiro, atual presidente do clube, tem resistido ao tradicional “braço longo” de Ribau e insiste em gerir o clube com independência. “Nós queremos um Beira-Mar sustentável, não um palco político”, declarou recentemente. Contudo, segundo rumores, essa postura mais firme pode ter acelerado os planos de Ribau tomar as rédeas da SAD. "O Quintaneiro está sempre a falar de sustentabilidade financeira, mas o que é isso comparado com um plano de expansão mediática? O Beira-Mar precisa de mediatismo e eu sou o único que pode garantir isso", terá dito Ribau numa reunião privada. Enquanto Ribau sonha com o Beira-Mar a brilhar nos palcos internacionais, os aveirenses esperam para ver se este novo projeto será um golaço ou mais um remate ao lado. A única certeza? Com Ribau no jogo, o espetáculo está garantido – com ou sem eucaliptos no relvado.
Paulo Jorge Ferreira anuncia investimento de 600 trotinetes para reforçar a segurança no campus
O reitor da Universidade de Aveiro surpreendeu a comunidade académica ao declarar, sem apresentar qualquer dado concreto, que o aumento da insegurança no campus está ligado ao crescente número de estudantes internacionais. “Nunca tivemos tantos estudantes internacionais. Coincidência? Não acredito em coincidências”, afirmou, com ar sério, enquanto segurava um relatório... em branco. “Não há razões para alarme. Os vigilantes estão a ser treinados para identificarem ‘comportamentos suspeitos’, como por exemplo estudantes que falem idiomas que não sejam português”, afirmou José Russo Ferreira, responsável pela segurança no campus, que ignorou o facto do seu próprio apelido causar insegurança no campus. A comunidade internacional não demorou a reagir. “Cheguei aqui há três meses e a única coisa que aumentei foi a venda de pastéis de nata no CUA. Insegurança? Só sinto quando tenho exames de Cálculo”, comentou uma estudante vinda da Polónia. Esta medida já foi muito elogiada pelo diretor do Departamento de Física da UA que terá agora os seus meios reforçados para percorrer todas as salas do seu departamento à procura de estudantes que estejam a utilizar as salas de estudo para jogar League of Legends. Já Wilson Carmo, presidente da Associação Académica, rapidamente reagiu à declaração do reitor, classificando-a como “criativa, mas desinformada”. “Queremos dados concretos ou, pelo menos, uma explicação plausível para a correlação entre o aumento de insegurança e os estudantes internacionais. Não vamos aceitar que o barulho de um estudante espanhol a pedir uma caña seja considerado ‘ameaça ao bem-estar do campus’.” Entretanto Manuel Assunção, antigo reitor da UA, veio a público afirmar que a compra já estava prevista nos mandatos anteriores, com um sorriso que parecia ensaiado em frente ao espelho. A Ria sabe que os atrasos no processo de compra das trotinetes foram atribuídos à burocracia habitual da contratação pública, com piadas de bastidores a sugerirem que os vigilantes receberão as trotinetes na mesma altura em que terminarem as filas nos almoços da cantina – ou seja, nunca.
RIA-CHECK
“O vice-presidente da Câmara não gosta da localização do hotel, nem da dimensão". É verdade?
Na última sessão da Assembleia Municipal de Aveiro, a deputada socialista Cláudia Cruz Santos afirmou: “O vice-presidente da Câmara não gosta da localização do hotel, nem da dimensão.” A frase foi proferida a propósito da revogação do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso, um dos temas mais controversos da atualidade municipal. Nas declarações feitas durante a reunião extraordinária do Executivo, Rui Santos admitiu, a título pessoal, reservas em relação ao projeto, tanto quanto à dimensão como quanto à localização. Sobre a altura do edifício, afirmou: “Se me perguntasse se eu gostaria que o número de andares do hotel fosse reduzido? Claro que gostava.” Pouco depois, reforçou a mesma ideia: “Eu, com toda a franqueza, também gostaria de ver uma cércea menor.” Relativamente ao local escolhido, o autarca alinhou também com a crítica do PS: “Ninguém está contra este hotel, estamos contra é aquele sítio? Isso até nós. Gostaríamos de colocar noutro sítio.” Estas passagens confirmam que o vice-presidente preferiria, em termos pessoais, um hotel mais baixo e noutra localização. Contudo, ao longo da mesma intervenção, Rui Santos também insistiu que a questão não se resume ao gosto individual de cada um e que mantém apoio político ao projeto. Logo no início, sublinhou a importância da estabilidade das decisões: “Nós não estamos na discussão deste instrumento de planeamento, estamos aqui na discussão de uma possível revogação de um documento que já foi aprovado por esta casa.” E esclareceu o critério que considera determinante: “Aqui a questão não é o nosso gosto pessoal. É (…) casar a vontade do investidor privado com aquilo que é o interesse público.” O vice-presidente destacou ainda os potenciais benefícios turísticos e económicos para o município: “Acho que (…) todos nós estamos de acordo que tem que se aumentar a oferta turística de excelência” e “acho que do ponto de vista turístico há aqui ganhos significativos”. Em suma, admite reservas pessoais, mas considera que elas não justificam a revogação do projeto. Conclusão: VERDADEIRO, MAS... A frase da deputada Cláudia Cruz Santos corresponde, portanto, ao que Rui Santos efetivamente disse sobre as suas preferências pessoais: ou seja, não gosta da localização nem da dimensão do hotel. Porém, omite um elemento essencial de contexto - o vice-presidente não se opõe politicamente ao projeto e defende a sua continuidade por razões de interesse público e de segurança jurídica. A afirmação é verdadeira no essencial, mas incompleta. Isolada do restante discurso, pode levar a concluir que Rui Santos está contra o avanço do atual Plano de Pormenor do Cais do Paraíso, o que não corresponde à totalidade da sua posição.
Luís Souto atribui a Manuel Assunção a criação da Fábrica Ciência Viva e do PCI. É verdade?
As eleições autárquicas em Aveiro continuam a gerar polémica. Os candidatos Luís Souto (coligação 'Aliança Mais Aveiro') e Alberto Souto (PS) procuram disputar espaço e influência na Universidade de Aveiro, tentando atrair figuras prestigiadas da comunidade académica para reforçar a sua credibilidade junto do eleitorado. O socialista Alberto Souto anunciou, ao longo dos últimos meses, o apoio de dois antigos reitores da Universidade de Aveiro como membros da sua Comissão de Honra: Júlio Pedrosa (reitor entre 1994 e 2001) e Helena Nazaré (reitora entre 2002 e 2010). Em resposta, Luís Souto revelou, numa sessão pública no Teatro Aveirense, que o mandatário da sua candidatura será Manuel Assunção, reitor da UA entre 2010 e 2018. Durante a apresentação, Luís Souto destacou a Fábrica Centro Ciência Viva e o PCI – Parque de Ciência e Inovação como exemplos do “fortíssimo impacto” da “ação governativa” de Manuel Assunção. A mesma ideia foi reforçada na nota de imprensa enviada à comunicação social. “A ação governativa do professor Manuel Assunção teve um fortíssimo impacto em Aveiro e na região. Destacando-se, a título de exemplo, a Fábrica Ciência Viva, o Parque Ciência e Inovação da região de Aveiro.” Luís Souto, 20 de junho de 2025 “O Prof. Manuel Assunção (...) foi vice-reitor (de 1994 a 2009) e reitor da Universidade de Aveiro (de 2010 a 2018), promovendo a criação de estruturas como a Fábrica - Centro Ciência Viva e o PCI - Parque de Ciência e Inovação.” Nota de imprensa da candidatura ‘Aliança Mais Aveiro’. A Fábrica Centro Ciência Viva foi inaugurada a 1 de julho de 2004, como indica uma publicação recente da própria Universidade de Aveiro nas redes sociais. Na altura, a UA era liderada por Helena Nazaré, que foi reitora de 2002 a 2010. Na foto da inauguração - onde se vê a presença de Mariano Gago, então ministro da Ciência - é possível ver Helena Nazaré em lugar de destaque. Ou seja, o projeto nasceu e foi concretizado sob a liderança de Helena Nazaré. Já o PCI - Parque de Ciência e Inovação foi inaugurado em 2018, durante o mandato de Manuel Assunção, mas começou a ser desenvolvido em 2007 e materializado em 2009. A informação consta no suplemento “Especial PCI”, publicado no dia 10 de março de 2021 no Diário de Aveiro, mas também o site da Câmara Municipal de Ílhavo relembra o momento: “No seguimento da aprovação da candidatura liderada pela UA do Parque da Ciência e Inovação foi assinado o contrato de financiamento no dia 15 de dezembro de 2009, entre a Universidade de Aveiro e o Programa Operacional da Região Centro. Trata-se de um investimento de 35 milhões de euros, com o apoio do QREN no valor de 15,5 milhões de euros”. O documento foi assinado por Helena Nazaré que à data era ainda a reitora da Universidade de Aveiro. A candidatura de Luís Souto atribui a Manuel Assunção um protagonismo que não corresponde inteiramente aos factos históricos. A Fábrica Centro Ciência Viva foi criada sob a liderança de Helena Nazaré, que integra atualmente a Comissão de Honra da candidatura adversária, do PS. Quanto ao PCI, Manuel Assunção teve um papel relevante na fase de concretização, mas o projeto nasceu e foi financiado durante o mandato anterior, também de Helena Nazaré. A classificação final é ENGANADOR. As declarações de Luís Souto exageram o papel de Manuel Assunção, omitindo o envolvimento determinante de Helena Nazaré na criação das duas infraestruturas referidas. O enquadramento apresentado serve um objetivo político, mas não respeita o rigor histórico dos processos citados.
Ribau diz que todas as estruturas desportivas precisam de parecer do IPDJ. É verdade?
“Tudo o que são estruturas para a atividade desportiva têm que ter parecer obrigatoriamente de um instituto público, chamado Instituto Português do Desporto e Juventude”. José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, 17 de junho de 2025, Assembleia Municipal de Aveiro A legislação nacional é clara: não são todas as infraestruturas desportivas que exigem parecer do IPDJ. O Decreto-Lei n.º 141/2009, de 16 de junho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 110/2012, de 21 de maio, estabelece o Regime Jurídico das Instalações Desportivas (RJID). Neste documento pode-se ler no artigo 11.º que “compete ao IPDJ exercer as competências especialmente previstas no presente decreto-lei relativamente às instalações desportivas especializadas e especiais para o espetáculo desportivo”. Ora, no mesmo decreto-lei, no seu artigo 5.º são definidas as diferentes tipologias de instalações desportivas: “instalações desportivas de base” (que podem ser “instalações desportivas recreativas” e “instalações formativas”), “instalações desportivas especializadas ou monodisciplinares” e “instalações desportivas especiais para o espetáculo desportivo”. Ou seja, as duas primeiras tipologias de instalações desportivas (recreativas e formativas) não carecem de parecer do IPDJ. Esta informação também é corroborada pelo site do IPDJ que, no separador do licenciamento de instalações desportivas esclarece que são apenas as “instalações desportivas especializadas e especiais para o espetáculo desportivo” que dependem “do parecer favorável do IPDJ”. Também no número 3 do artigo 4.º do RJID é referida uma exclusão importante: “3 - O regime estabelecido no presente decreto-lei não se aplica, igualmente, às instalações desportivas que sejam acessórias ou complementares de estabelecimentos em que a atividade desportiva não constitui a função ou serviço principal, sem prejuízo da necessidade de reunirem as condições técnicas gerais e de segurança exigíveis para a respetiva tipologia, nos seguintes casos: a) Instalações desportivas integradas em estabelecimentos de ensino, público ou privado, de qualquer grau; b) Instalações desportivas integradas nos empreendimentos turísticos referidos no artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 39/2008, de 7 de Março, exceto as que são citadas nas alíneas a), e) e g) do n.º 2 do artigo 15.º do mesmo decreto-lei.” A afirmação de Ribau Esteves é falsa. A lei não exige parecer do IPDJ para todas as estruturas desportivas, apenas para algumas tipologias específicas. A generalização feita pelo presidente da Câmara Municipal de Aveiro não tem base legal e pode induzir em erro o público.
Alberto Souto foi contra uma ponte no Canal Central no passado e agora propõe uma nova?
Já depois de ter deixado a presidência da Câmara Municipal de Aveiro (CMA), Alberto Souto assinou um artigo de opinião no Diário de Aveiro, na edição de 24 de fevereiro 2010, onde começa por recordar que, durante os seus mandatos como presidente da CMA, construiu cinco pontes entre a Antiga Capitania e o Lago da Fonte Nova, três no Canal de S. Roque e uma sobre a eclusa do Canal das Pirâmides. Mas é logo de seguida que o candidato socialista às próximas autárquicas dá nota que construir uma ponte no Canal Central não foi uma opção para não “estragar”. “Mas, quando pensámos no Canal Central não ousámos estragar: estudámos, estudámos, estudámos e optámos por localizá-la no Canal das Pirâmides”, acrescentou. Também numa carta aberta dirigida ao então presidente da CMA, Élio Maia, o candidato socialista voltou a expressar a sua oposição a uma ponte nessa localização, chamando-a de "casmurrice", "funcionalmente desnecessária" e um "aleijão urbanístico gravíssimo". Agora, na campanha para as eleições autárquicas de 2025, Alberto Souto anunciou uma proposta para uma nova ponte pedonal precisamente no Canal Central, a menos de 50 metros da anterior proposta de Élio Maia. Para justificar a sua ideia, Alberto Souto dá nota que o conceito difere ao ser apresentada como uma "ponte-praça", ou seja, não apenas uma estrutura de atravessamento, mas também um espaço público de lazer. Apesar dessa diferença no conceito, a mudança de posição é evidente. Antes, Alberto Souto via uma ponte no Canal Central como um erro urbanístico, uma "fantasia sem sentido" e afirmava que os “estudos” dessa opção tinham-no ajudado a tomar a decisão de não “estragar” este canal; agora, considera que a nova ponte vai "criar mais Aveiro". Conclusão: é VERDADEIRO que Alberto Souto foi contra uma ponte no Canal Central no passado e que agora propõe uma nova. A mudança de posição é clara, ainda que a proposta atual tenha um conceito diferente.
Ria-Check: Constituição do SC Beira-Mar como sociedade desportiva
"Para o SC Beira-Mar participar nas competições profissionais de futebol tem que se constituir, obrigatoriamente, como uma sociedade desportiva." A afirmação é: VERDADEIRA. Com este momento muito importante na vida do clube, acende-se novamente o debate sobre a relevância da criação de uma sociedade desportiva, muitas vezes levando à desinformação dos sócios, simpatizantes ou simples cidadãos. Ora, segundo a Lei n.º 39/2023, de 4 de agosto, que estabelece o novo regime jurídico das sociedades desportivas, “a participação em competições profissionais de modalidades coletivas é reservada a sociedades desportivas”. A par disso, segundo o artigo 9.º do Regulamento das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, “os clubes participantes na Liga NOS e na LEDMAN LigaPro devem constituir-se, nos termos da lei, sob a forma de sociedade desportiva”. Deste modo, se o SC Beira-Mar atingir competições como a segunda e primeira liga de futebol – que são ambições conhecidas dos órgãos sociais do clube, bem como dos seus sócios e adeptos – terá que obrigatoriamente estar constituído como sociedade desportiva. Recorde-se, neste ponto, que as imposições legais em vigor no que diz respeito à constituição de sociedades desportivas sofreram alterações durante o ano de 2023, precisamente para evitar situações como aquelas que ocorreram no passado com o SC Beira-Mar. No momento da aprovação do novo regime jurídico das sociedades desportivas, o Governo deu nota que que “cerca de 20% das sociedades anónimas desportivas” constituídas até então foram ou estavam “a caminho da extinção, insolvência ou dissolução”. Para evitar que estes cenários se repitam foram várias as alterações introduzidas nesse sentido, destacando-se as seguintes: os investidores passam a ter de demonstrar capacidade económica para fazer o investimento; os detentores de participações sociais e os órgãos de administração não podem ter sido condenados em processos-crime por uma série de crimes; o administrador nomeado pelo clube tem direito a participar em todas as reuniões da sociedade desportiva (uma coisa que até então não estava clara); a introdução de uma figura de um observador (sem direito de voto) nomeado pelos sócios; a impossibilidade de participação em competições a todas as sociedades desportivas que violem de forma grave e continuada os acordos parassociais que celebraram com o clube; ou ainda o facto relevante de que, se a sociedade desportiva não tiver a situação tributária regularizada, isso não irá prejudicar o direito do clube desportivo obter apoio desportivo para outras modalidades.
Ria lança projeto de fact-check e dedica estreia à polémica das portagens de Aveiro na A25
A afirmação é falsa. “O próprio PSD e o CDS votaram contra porque viram logo na proposta inicial que ela não era justa, porque não contemplava este três pórticos”, afirmou ontem Rogério Carlos, vice-presidente da Câmara Municipal de Aveiro (CMA) e vogal da Comissão Política da Secção do PSD-Aveiro, em declarações à SIC, depois de criticar Pedro Nuno Santos, secretário-geral do PS, pela não inclusão da concessão da Costa de Prata da A25 (que liga a Barra a Albergaria-a-Velha e inclui três pórticos com portagens durante o seu troço) na proposta para a abolição das portagens em várias autoestradas do país. Na ata da reunião plenária da Assembleia da República, datada de 2 de maio de 2024, onde se procedeu à discussão do Projeto de Lei n.º 72/XVI do Partido Socialista, com o título “Elimina as taxas de portagem nos lanços e sublanços das autoestradas do Interior (ex-SCUT) ou onde não existam vias alternativas que permitam um uso em qualidade e segurança”, os deputados do PSD Hugo Soares e Cristóvão Norte afirmam que o seu partido defende “um sistema integrado que respeite o princípio do utilizador-pagador” e uma “redução gradual” das portagens. Na mesma ata não é referido, em nenhum momento, que PSD/CDS iriam votar contra a proposta do PS por esta não incluir os pórticos de Aveiro. Recorde-se que, tal como noticiou a Resnascença, Hugo Soares, líder da bancada do PSD, durante uma reunião do seu grupo parlamentar, invocou “disciplina de voto” a todos os deputados do seu partido, argumentado que “o PSD nunca defendeu a eliminação imediata das portagens e que o projeto de lei da AD que irá a votos no debate prevê a redução de 50% e que a abolição significa uma despesa na ordem dos 200 milhões de euros”. A afirmação é verdadeira. A atual deputada do PSD à Assembleia da República que é ainda presidente da Junta de Freguesia de Esgueira e vice-presidente da Comissão Política da Secção do PSD-Aveiro é uma das autoras do Projeto de Resolução nº 61/XVI/1ª com o título “Pela redução gradual e financeiramente responsável de portagens no interior e nas grandes áreas metropolitanas”, datado de 26 de abril de 2024. Neste Projeto de Resolução, os grupos parlamentares do PSD e CDS-PP recomendam ao Governo “uma redução de portagens ambiciosa”, “com respeito pela sustentabilidade das finanças públicas” e que não coloque “em causa os princípios do utilizador-pagador e poluidor-pagador (...) contemplando as vias A22, A23, A24, A25, A28, A4, A13”. A afirmação é verdadeira. No Projeto de Lei n.º 72/XVI, com o título “Elimina as taxas de portagem nos lanços e sublanços das autoestradas do Interior (ex-SCUT) ou onde não existam vias alternativas que permitam um uso em qualidade e segurança”, datado de 22 de abril de 2024, o Partido Socialista (PS) apenas colocou na proposta a abolição das portagens no troço da A25 – Beiras Litoral e Alta que liga Albergaria-a-Velha a Vilar Formoso. Durante a discussão na reunião plenária da Assembleia da República, como se pode ler na ata, o líder da bancada do PSD, Hugo Soares, aproveitou para atacar diretamente Pedro Nuno Santos, secretário-geral do PS, por este ser deputado pelo círculo de Aveiro e se ter esquecido de colocar os acessos a Aveiro no projeto de lei do PS para abolição das portagens.
28 JAN 2026
Deputados do PS Aveiro questionam Governo sobre o despedimento coletivo na Yazaki
Segundo uma nota de imprensa enviada às redações pela Federação Distrital de Aveiro do PS, esta quarta-feira, 28 de janeiro, os deputados transmitiram “preocupações sérias” ao Governo sobre a forma como o processo está a ser conduzido, “designadamente relatos de substituição de trabalhadores despedidos por recurso a trabalho temporário e outsourcing, em postos de trabalho anteriormente ocupados por trabalhadores efetivos”. “Foi igualmente referida a falta de abertura da empresa à negociação, apesar da disponibilidade manifestada por parte de alguns trabalhadores. Acresce também a preocupação com o futuro dos trabalhadores despedidos, muitos dos quais, após décadas de trabalho repetitivo, apresentam problemas de saúde profissional que dificultam gravemente a sua reintegração no mercado de trabalho”, lê-se na nota. Recorde-se que, tal como noticiado pela Ria, a Yazaki Saltano despediu, este mês, 163 trabalhadores na Fábrica de Ovar, após ter dispensado mais de 300 em meados de 2025. Na nota, a Federação Distrital de Aveiro do PS adianta ainda que interpelaram Manuel Castro Almeida, ministro da Economia, sobre o processo de despedimento coletivo, a sua avaliação e sobre que “apoios, incentivos ou fundos públicos (nacionais ou europeus) foram atribuídos à empresa nos últimos anos”. No seguimento, questionaram ainda o Governo sobre que medidas pretendem adotar para salvaguardar a “continuidade da atividade económica da empresa na região, garantindo simultaneamente o respeito pelos direitos dos trabalhadores”. Do lado da Maria do Rosário Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, levantaram ainda questões sobre a “Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT)” que tinham, entre outros objetivos, perceber se estão a ser desenvolvidas “ações de fiscalização no âmbito deste processo e, em caso afirmativo, com que conclusões preliminares”. Adicionalmente, os deputados pediram também dados sobre se há “acompanhamento específico previsto para os trabalhadores despedidos, nomeadamente aqueles com problemas de saúde profissional, de forma a apoiar a sua proteção social e reintegração profissional”. No comunicado, a Federação Distrital de Aveiro do PS esclarece ainda que as questões colocadas surgiram na sequência da reunião mantida entre a Comissão de Trabalhadores, os deputados do PS Aveiro, Hugo Oliveira e Susana Correia, e os dirigentes e autarcas do PS Ovar, liderados por Emanuel Oliveira, presidente da concelhia e vereador.
Mau Tempo: Distrito de Aveiro sob aviso vermelho até às 21h00 devido a mar agitado
Segundo o IPMA, as zonas costeiras dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro estão sob aviso vermelho, o mais grave, até às 21h00 devido a previsões de ondas com sete a oito metros, podendo atingir 14 metros de altura máxima. Depois das 21h00 de hoje e até às 15h00 de quinta-feira, passam a aviso laranja, o segundo mais grave, por agitação marítima forte os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa. Entre as 21h00 de hoje e as 18h00 de quinta-feira, estão sob aviso laranja os distritos de Setúbal, Beja e Faro, devido previsões de ondas de cinco a sete metros. O instituto de meteorologia colocou ainda sob aviso amarelo, devido a precipitação forte, os distritos Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Vila Real, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Santarém e Leiria, até às 09:00 de quinta-feira. Os distritos de Guarda e Castelo Branco estão sob aviso amarelo até às 18:00 de hoje devido à possibilidade de queda de neve acima dos 1.500 metros. A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou hoje um rastro de destruição, vários desalojados e causou quatro mortos, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa. Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal. A Proteção Civil está em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, e há avisos meteorológicos vermelhos (nível mais grave) em toda a costa do continente.
Jovem detido em Estarreja por pornografia de menores
Em comunicado, a PJ esclareceu que o suspeito, estudante, foi detido por "fortes indícios da prática do crime de pornografia de menores". Segundo a Judiciária, o jovem obtinha e partilhava na Internet ficheiros multimédia (vídeo e imagem) nos quais surgem crianças, algumas de tenra idade, em práticas sexuais explícitas com adultos. "Os referidos ficheiros eram obtidos e partilhados através de grupos criados em aplicações de troca de mensagens e ficheiros, prática que o suspeito exercia com elevada frequência", refere a mesma nota. Na sequência da busca domiciliária realizada na casa do suspeito, numa das freguesias da periferia do concelho de Estarreja, foram apreendidos, para além do telemóvel e computador portátil utilizados na atividade delituosa, ficheiros multimédia de pornografia de menores. A PJ refere ainda que o detido será presente às autoridades judiciárias da Comarca de Aveiro para lhe serem aplicadas as devidas medidas de coação.
Mau tempo: UA não sofre danos graves e mantêm-se apenas alguns problemas de energia
Em declarações à Ria, Mário Pelaio confirmou que não houve danos maiores, esta madrugada, registando-se apenas “algumas quedas de árvores, alguns problemas no Jardim da Ciência e nos estaleiros”. O administrador da UA adiantou ainda que ontem, durante a tarde, a instituição registou algumas falhas de energia em alguns espaços como no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT), na Biblioteca, no Departamento de Matemática (DMat) e nos Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (STIC). Segundo o responsável, o corte de energia deveu-se a problemas com o “porto de transformação”. Apesar desta interrupção, Mário Pelaio assegurou que, esta quarta-feira, o fornecimento de eletricidade está a ser garantido em todos os espaços anteriormente referidos, através do recurso a um gerador. A resolução definitiva do problema deverá ocorrer ainda “hoje”. O administrador adiantou também que, no âmbito dessa intervenção, poderá verificar-se um novo corte momentâneo durante a tarde. Recorde-se que, face à previsão de agravamento significativo do estado do tempo para a passada madrugada, o Município colocou uma equipa da Polícia Municipal no terreno, em permanência durante toda a noite, “para verificação, avaliação e atuação das condições nos pontos mais críticos do concelho”.
IA na UA: Reitoria quer integração contra desejo de proibir, mas alunos criticam falta de preparação
A discussão foi desencadeada pelo “Manifesto contra o uso da ‘inteligência’ artificial generativa”, subscrito por 28 professores de instituições de Ensino Superior de Norte a Sul do país. Conforme noticiado pela Ria, os docentes querem “promover a humanização do Ensino Superior e banir o uso da Inteligência Artificial Generativa (IA) nos processos de ensino-aprendizagem”. Entre as quase três dezenas de docentes subscritores do documento está Miguel Viegas, do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) da UA. À Ria, o professor fala num “grito de alerta” e esclarece que a ideia não é eliminar a inteligência artificial do seio das instituições, até porque é algo que considera “absurdo” e “impossível”, mas sim do próprio processo de aprendizagem. “Isto tem a ver com o estímulo de determinadas partes do cérebro que depois são fundamentais para garantir o processo de aprendizagem, mas também para garantir a tal capacidade do cérebro de raciocínio que depois o aluno leva para a sua vida profissional. Portanto, é mais na questão do processo de aprendizagem do que banir uma ferramenta de forma universal, coisa que não fazia sentido”, refletiu. Da mesma forma, o docente, pegando no exemplo da programação informática, explica que “é fundamental que numa primeira fase (…), haja um espaço na aula em que o aluno seja obrigado (…) a escrever o código, passo por passo, para que ele entenda a lógica intrínseca da programação. (…) É este passo que não podemos eliminar”. Para já, Miguel Viegas entende que o objetivo inicial do manifesto “está cumprido”, uma vez que já foi suscitada a discussão sobre o tema. Pela forma como a questão tem motivado a atenção da comunicação social e de algumas figuras públicas, o docente acredita que foi possível chamar a atenção para a questão e “interpelar as pessoas”. “Estou em diálogo com o Luís Aguiar-Conraria, que escreveu uma crónica no Expresso e que pegou nesta questão. Enviei-lhe um mail a responder (…) e já estamos a convergir”, adiantou. Quem também já reagiu foi Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro, e Joana Regadas, presidente da direção da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), que abordaram a questão na passada sexta-feira, dia 23, na sessão de tomada de posse dos novos órgãos sociais da AAUAv. Para a dirigente estudantil, “é com alguma estranheza” que vê que as instituições de Ensino Superior sejam “um dos meios com mais receio dos avanços tecnológicos”. “As universidades devem ser espaços de promoção de inovação, não espaços com receio de mudanças”, defendeu. Por seu lado, Paulo Jorge Ferreira considerou que, “se a sociedade usa certas ferramentas, é nosso dever e obrigação facultar aos nossos estudantes acesso e conhecimento acerca dessas ferramentas” e frisou que este tipo de pensamento “nunca vingará” na Universidade de Aveiro. Tal como avançado pelo Notícias UA, desde o início do ano, a Universidade de Aveiro está a disponibilizar “à sua comunidade o acesso gratuito a serviços de inteligência artificial através da plataforma IAEdu, no âmbito de uma parceria com a FCCN”. A ação destina-se a “estudantes, docentes, investigadores e pessoal técnico, administrativo e de gestão”. Às declarações do reitor, Miguel Viegas responde que o pensamento “vinga” na instituição, uma vez que o próprio pensa assim e trabalha na UA. Para o docente, a existência do contraditório é positiva, embora seja necessária “uma síntese (…), uma fórmula integradora que, no fundo, possa integrar um conjunto de preocupações que não podemos ignorar”. Ao defender que o “aspeto disruptivo” da inteligência artificial vai alterar o paradigma da sala de aula e que isso merece uma reflexão, o professor aponta que se avizinham vários perigos para além da não capacitação dos alunos. “Ao pedir ao ChatGPT para me fazer uma pequena revisão, corrigir o português, traduzir o inglês… este conteúdo deixa de ser meu. (…) Eu estou, de forma inocente, a colocar conhecimento produzido por mim, que depois poderá (…) ser reproduzido por outras pessoas noutros contextos”, acrescentou. No mesmo sentido, Miguel Viegas alerta que “se abraçarmos de forma acrítica esta onda avassaladora que aí vem, corremos o risco de ficar reféns de interesses que estão muito acima de nós. (…) Estamos a falar de uma tecnologia que é controlada por meia dúzia de empresas e que, no fundo, se não tivermos cautela (…), pode levar para coisas extremamente delicadas e perigosas”. Outro risco assumido pelo docente prende-se com os impactos ambientais da IA, dada a “pegada ecológica que representa”. A recusa do manifesto por parte do reitor foi também abraçada por Sandra Soares, vice-reitora responsável pelas matérias atinentes ao ensino e formação na UA, que diz que a postura é “absolutamente transversal” a toda a Universidade. “A proibição não nos parece ser o caminho razoável quando a IA já está integrada nas mais diversas plataformas ou aplicações. Para além de que sabemos que é usada no contexto de trabalho e é nossa obrigação enquanto instituição preparar os estudantes para esses contextos”, refletiu. Segundo explica, desde 2019 que tem sido desenhada uma estratégia no seio da instituição no sentido de apoiar os professores nas transformações tecnológicas do ensino. No contexto da inteligência artificial, a responsável destaca que, no passado mês de dezembro, foi lançada a AcademIA, “um programa que tem uma série de ações (…), dedicado a apoiar os docentes, a transformar as suas práticas, usando a IA para um uso ético e responsável e para uma perspetiva não mecânica de uso”. No mesmo sentido, sublinha que existe uma “comunidade prática IA, em que docentes de diversas áreas partilham recursos e reflexões sobre o uso da inteligência artificial nas suas práticas pedagógicas”. Além dos “inúmeros programas de desenvolvimento pedagógico” que, diz Sandra Soares, a UA tem desenvolvido, as preocupações dos docentes não se esgotam na forma como lecionam e passam também por adaptar as avaliações às novas tecnologias. Conforme aponta, “o relevante não é introduzir IA apenas, mas reconfigurar competências através de práticas ricas em interpretação, comparação”. “Os docentes não podem ficar sossegados no conforto das suas práticas de sempre, precisam de conhecer e saber como usar [IA] da melhor forma”, atentou a vice-reitora. Por seu lado, o professor Miguel Viegas considera que a formação que tem sido dada aos docentes da Universidade de Aveiro “é mais na ótica do utilizador”. “Nós vamos assistindo a formações que nos ajudam a perceber como é que esta ferramenta trabalha e como é a outra ferramenta, mas, relativamente aos riscos, e, sobretudo, relativamente às cautelas que é necessário ter, eu acho que ainda há muito trabalho a fazer”, acrescentou. Não obstante, o professor nota que a UA tem procurado constituir um comité para redigir um código de conduta sobre esta matéria, pelo que reconhece que a instituição “está atenta a este problema”. Sandra Soares “lamenta” as críticas do professor do DCSPT e nota que, nas várias formações que têm sido dadas, “nunca as questões de natureza ética e uso responsável não foram a tónica”. Seguindo a mesma lógica, a vice-reitora argumenta que os objetivos do programa AcademIA estão focados na reflexão crítica, no uso ético e pedagógico das ferramentas em causa. “No contexto do Conselho Nacional de Inovação Pedagógica - que integro e onde tenho a oportunidade de coordenar o grupo de IA na Educação - estamos a finalizar um diagnóstico relativamente a estas questões para depois fazer sugestões à tutela. Desse diagnóstico percebemos que o que mais maduro está [no Ensino Superior global] é a dimensão do uso ético e responsável”, nota a professora. No Campus da Universidade, os estudantes que falaram com a Ria não reconhecem o esforço da UA para a formação do corpo docente no uso da IA. É o que diz Vasco Mil-Homens, estudante da Licenciatura em Biologia na Universidade de Aveiro, que diz que, do lado dos professores, “não há incentivo, não explicam como é que podia ser utilizada [a IA]” e “podia haver mais” preocupação com as questões éticas em torno da tecnologia. A frequentar a mesma licenciatura, Lua Feliciano relata que já houve uma professora que, em duas cadeiras diferentes, procurou dar tarefas que envolvam a Inteligência Artificial e, por isso, admite que já há quem tente ensinar “a usar a IA não como resposta, mas como ajuda”. Não obstante, a maioria dos docentes tenta “oprimir ao máximo” o uso das ferramentas em contexto de sala de aula e tenta esconder as suas potencialidades. “Parece um tabu. (…) Se não falarem, parece que nós não as estamos a usar. (…) [Dentro da sala de aula] não é tema”, reflete. Recém-chegado à Universidade de Aveiro, João Ferreira, da licenciatura em Engenharia Mecânica, conta também que não tem sido instruído sobre a utilização de IA ao longo do primeiro semestre. Embora explique que é algo que todos usam e que já é tido como “mais uma ferramenta que está na mochila quando vamos para as aulas”, o estudante não vê que esta seja uma preocupação dos professores, que continuam a usar “os mesmos powerpoints de há cinco anos”. O aluno do Departamento de Engenharia Mecânica afirma que só uma professora tem incentivado o uso de Inteligência Artificial, mas sem uma orientação para que tipo de ferramentas usar em cada circunstância. Ainda sem ter visto docentes a orientar para a utilização das ferramentas, João Ferreira “espera” que seja algo que aconteça ao longo do curso. Em Engenharia Computacional, Miguel Vicente admite que já começa a haver alguma abertura da parte dos professores para as novas tecnologias. Segundo afirma, é dito que a IA é “importante”, embora “sem abusar”, e que deve ser feita sempre ser feita referência à utilização. No entanto, o estudante também diz que os professores “não ensinam” como recorrer à Inteligência Artificial e que a componente ética “ainda não foi muito incutida”.
Mau tempo: Cerca de 2.600 ocorrências no continente devido à passagem da depressão Kristin
A passagem da depressão Kristin causou hoje cerca de 2.600 ocorrências no continente, sobretudo queda de árvores e de estruturas e inundações, afetando principalmente os distritos de Leiria, Coimbra, Lisboa e Santarém, disse a Proteção Civil. Segundo Daniela Fraga, adjunta do Comando de operações nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), tratou-se de um fenómeno extremo, com muitas ocorrências em simultâneo, com cerca de 2.600 registos entre as 00:00 e as 10:30. A responsável, que falava aos jornalistas na sede da ANEPC, no concelho de Oeiras, acrescentou que os operacionais estão no terreno desde o início da noite, mas admitiu que “vai ser difícil repor a normalidade”. “Neste momento existem muitos constrangimentos, nomeadamente no que diz respeito às comunicações, às vias de circulação, à distribuição de rede elétrica. Existem muitas árvores caídas a impedir a circulação rodoviária. Existe muita queda de estruturas e também, neste caso, a poder obstruir a circulação rodoviária e os diferentes acessos”, afirmou. A passagem da depressão causou duas mortes, uma das quais devido à queda de uma árvore em cima de um veículo em Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, e a segunda em Monte Real, em Leiria, devido à queda de uma estrutura. As sub-regiões mais afetadas até ao momento são Leiria, Coimbra, Lisboa, Península de Setúbal, Oeste, Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Aveiro. Foram ativados o plano distrital de Coimbra e foram ativados os planos municipais de Coimbra, Mira, Tomar, Ourém, Ferreira do Zêzere, Lourinhã, Alcobaça, Nazaré, Óbidos, Proença-a-Nova, Castelo Branco e Sertã. A Proteção Civil vai manter-se em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, até hoje à tarde, podendo ser prolongado consoante avaliação das condições.
Investigadores de Coimbra descobrem planta com 87 milhões de anos em Aveiro
A descoberta revelou novos frutos de angiospérmicas (plantas que produzem flor), com cerca de 87 milhões de anos, que viveram no período geológico conhecido como Cretácico Superior. Os novos espécimes foram recolhidos em jazida fossilífera - um espaço geográfico com fósseis -, na localidade de Seadouro, no concelho de Vagos, revelou hoje a FCTUC, num comunicado enviado à agência Lusa. De acordo com Mário Miguel Mendes, os exemplares "encontram-se muito bem preservados” e, embora não seja possível extrair muita informação acerca dos órgãos florais, há vestígios de possíveis filamentos estaminais e tépalas. As características observadas permitiram ainda aos especialistas incluir as novas angiospérmicas “na ordem Fagales e atribuí-las, sem qualquer dúvida, ao género Endressianthus”, explicou o investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) e docente da Universidade Fernando Pessoa (Porto). Apesar dos frutos estarem a ser descritos como uma nova espécie do género Endressianthus, a sua posição ao nível da família continua a ser incerta. Entretanto, os cientistas reconheceram “estreitas semelhanças” com uma família de plantas que inclui a aveleira-comum e a aveleira-turca. O paleobotânico acredita que “os estudos de tomografia de raios-X por radiação de sincrotrão e a comparação com elementos da flora moderna irão permitir a obtenção de informações mais precisas e, talvez, alguma aproximação à família”. Segundo os investigadores, a presença de frutos de angiospérmicas do género Endressianthus já havia sido reportada no Cretácico Superior de Portugal, em Mira e em Esgueira (Aveiro). Contudo, a espécie afasta-se das formas anteriormente descritas e foi classificada como sendo de um período geológico anterior, exprimindo, explicitamente, “que este grupo de angiospérmicas já se encontrava bem estabelecido nas floras do Cretácico Superior português há cerca de 87 milhões de anos”. Os cientistas apontam ainda evidências de que estas plantas “eram comuns em ecossistemas áridos ou semiáridos”. Os trabalhos atualmente em curso estão a ser desenvolvidos em parceria com investigadores do National Museum Prague (República Checa) e receberam financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency. Fotografia de capa retirada do site da Universidade de Coimbra.